sábado, 4 de fevereiro de 2012

Edição do autor

“Vazio... ausência onde nos encontramos” de João Ramos, poesia, edição do autor, 2008

"... A viagem começa num lugar comum em direcção ao interior inexplorado, da alma que possivelmente não conseguirei tocar. Apenas as palavras possibilitarão a descoberta desse caminho tão repleto de emoções.
Em eterna viagem; em constante procura... a infindável espera e o vazio, no durante que é toda a vida... O Vazio - a ausência onde nos encontramos... abstraídos do ruído a limpidez da musica chegará na ebulição dos pássaros que trazemos dentro..."

«Impressionante a forma como as cores e a magia, os sussurros da alma e os gritos da emoção se fundem e confundem no poder das imagens poéticas que percorrem este livro de poesia.
A cada página, um novo silêncio é revelado, um novo espaço no vácuo onde se contemplam os sentimentos. Tudo é possível na estrada destes versos, onde o quotidiano contempla o invulgar e a voz parece abranger, nos seus pequenos nadas, a orla do absoluto.
É sempre mágico descobrir um talento inesperado nas páginas de um novo livro. Este livro em particular proporcionou-me muitos e gratificantes momentos de leitura, pontos de identificação, traços de sentimento e um pouco da luz e das trevas que se escondem no vazio de cada alma.
Parabéns, João, por este livro magnífico. E que mais venham a seguir.» Carla Ribeiro, blogue As Leituras do Corvo

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real..

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mel premiado de Trás-os-Montes

Mel de Trás-os-Montes, da Apibéricos – 1.º Prémio da X Feira do Mel e Artesanato de Pedras Salgadas 2011
 «Quem somos?
Apibéricos, Professional beekeeper é uma empresa jovem dedicada exclusivamente á apicultura. Contamos com uma equipa multidisciplinar e dinâmica, formada em universidades prestigiosas de Portugal, Espanha e França.
Os nossos apiários estão situados em zonas praticamente esquecidas da região de Trás-os-Montes, Portugal. São lugares com baixa densidade populacional e com escassa agricultura, consequentemente, têm um reduzido uso de pesticidas.
O nosso objectivo principal é a produção de enxames e abelhas rainha, no entanto somos produtores artesanais de mel, pólen, cera, própolis e geleia real de alta qualidade; realizamos acompanhamento técnico e formações na área da apicultura. Também estamos preparados para a polinização entomófila de cultivos agrícolas.
Apibéricos garante a satisfação dos seus clientes elaborando um produto de excelência e qualidade; utilizando processos de elaboração que conservam as características naturais do produto sendo a saúde do consumidor uma das nossas principais preocupações.
Os nossos produtos têm sido processados com dedicação, quer na elaboração quer na sua apresentação, uma vez que contamos com um premio de melhor mel na X edição da feira do mel e gastronomia de Pedras Salgadas 2011 e um terceiro prémio no concurso nacional português da X feira de apicultura de Portugal 2011.

GARANTIMOS QUALIDADE PORQUE SOMOS PRODUTORES»
Vítor Vilela e Laura García Fernández, S. Lourenço - Sabrosa

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
Mel 1000g Bosque
Mel 1000g Urze
Mel 500g Urze
Mel 250g Urze com frutos secos
Pólen

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mirandelês - falares de Mirandela

“Falares de Mirandela – um complemento do Mirandelês” de Jorge Lage

Há mais de um ano foi editado o “Mirandelês” como trabalho de grupo de que fez parte Jorge Lage. Agora, o Município de Mirandela edita um livro complementar da autoria de Jorge Lage, prefaciado pelo ilustre escritor flaviense, Manuel José Carvalho Martins. Para esta obra contou o autor com a preciosa e frutuosa colaboração da Teresa Sales Golias e do Jorge Golias, bem como do Armando Ruivo, mirandelense radicado em Chaves. Este livro pretende cobrir muitos vocábulos, expressões e provérbios que o “Mirandelês” não referiu.
«Com este trabalho minucioso de recolha dos falares mirandelenses, ficamos a conhecer ainda mais a riqueza vocabular deste povo e, no futuro, será uma obra de consulta obrigatória aos linguistas que procurem estas paragens, considerando, assim o autor um verdadeiro arqueólogo da linguística». [Manuel José Carvalho Martins]
Também na «nota explicativa» referimos que «a linguagem popular tem de ser vista como uma das chapas matriciais profundas da nossa identidade telúrica e se perde com o abandono do meio rural e com a globalização acelerada pelas novas tecnologias da informação. Em vez da fala do povo ser vista como um produto enjeitado, deve ser olhada e acarinhada como um bem imaterial a preservar e a potenciar a sua imensa riqueza linguística. (…) Foi preciso que Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro ou Miguel Torga tivessem posto toda a energia na produção do texto literário, pincelado de ruralidade, para se começar a olhar com alguma benevolência para o sábio e sólido linguajar do nosso povo». É um livro, em capa dura, editado pelo Município de Mirandela e pode resumir-se como um complemento do Mirandelês com «vocábulos, expressões, provérbios, nomeadas, notas etnográficas e profusamente ilustrado com fotos antigas e raríssimas de Mirandela».
 Estamos convictos que este trabalho vai «provocar» o aparecimento de outros similares em diferentes locais e regiões, pelo que, além de contribuir para um levantamento mais completo do vocabulário e expressões da nossa língua, será um estímulo a se engrossarem os dicionários da Língua Portuguesa. [Jorge Lage]

Falares de Mirandela apresenta uma vasta recolha de termos e locuções usadas pelo povo e constitui um repositório que não pode ser ignorado por quem dedique atenção ao fenómeno da linguagem popular trasmontana – um tesouro cultural em perigo de acelerada extinção. Deste livro apenas foram feitos 500 exemplares.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O mais completo Guia de Portugal

Guia de Portugal – Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro I – Vila Real, Chaves e Barroso
Autores: direcção de Raúl Proença
4.ª Edição Junho de 2011, cerca de 500 pags, capa dura, editora Fundação Gulbenkian
Dimensões: 17 x 12 x 3,5 cm.
peso: 760 gr.

Com 1ª edição de 1924 mas com reescrita e reedição nos anos 60, este é o mais completo Guia de Portugal.
Entre os seus colaboradores contam-se nomes como Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, António Sérgio, Matos Sequeira, Teixeira de Pascoaes, Reynaldo dos Santos, José de Figueiredo, Raul Lino, Orlando Ribeiro, Francisco Keil do Amaral ou Sant"anna Dionísio. Mas o seu primeiro mentor foi mesmo Raul Proença e alguns dos seus textos são prosa de minuciosa originalidade e fulgurante poesia.

«o vetusto "Guia de Portugal", uma edição que se iniciou em 1924, sob a tutela da Biblioteca Nacional de Lisboa, e que foi concluída, já nos anos 70 do século passado, pela Fundação Calouste Gulbenkian. (...) Trata-se da recriação portuguesa, embora em moldes de escrita bem mais elaborados, dos guias Baedeker, que tanto sucesso fizeram na Europa no final do século XIX e inícios do século XX.
O primeiro volume do "Guia de Portugal" foi lançado em 1924 e dedicou-se ao tema "Generalidades - Lisboa e Arredores". Foi seu organizador e principal autor Raul Proença e conta com preciosos textos de grandes figuras da cultura portuguesa como Aquilino Ribeiro (Etnografia), António Sérgio (História), Reinaldo dos Santos (Arte), para além imensos textos do próprio Raul Proença e colaboração vária de Matos Sequeira, Afonso Lopes Vieira, Jaime Cortesão, José de Figueiredo, Teixeira de Pascoaes, Júlio Dantas, Pina de Morais, Orlando Ribeiro, Raul Lino, etc. É um volume riquíssimo, praticamente sem par. As descrições de Lisboa e percursos nos arredores, de uma região onde hoje sobram apenas os monumentos e escassos excertos de paisagens, são um imenso prazer de leitura. A capa de Raul Lino é, em si mesma, de uma bela simplicidade.
O 2º volume publicado, ainda pela Biblioteca Nacional, sobre "Estremadura, Alentejo, Algarve", foi impresso no final de 1927 - isto é, já sob ditadura militar. Nele estão alguns dos nomes do volume anterior e, também, outras figuras como Brito Camacho, Carlos Selvagem, Hernâni Cidade, Rodrigues Miguéis, Sarmento de Beires, Teixeira de Sampaio, etc. O prefácio é assinado por Raul Proença, agora já na qualidade de "ex-chefe dos serviços técnicos da Biblioteca Nacional". O regime tinha-o, entretanto, demitido das funções que ocupava desde 1911...
O prefácio que Proença escreve para este 2º volume revela que o Guia não quer ser um "bonzo doméstico", para o "fútil destino de ornamentar as estantes e os móveis das saletas". Quere-o "um companheiro de viagem (...), pronto a ser consultado a cada momento", pelo que necessita de ser "um livro portátil, que se pudesse folhear a todo o momento". Do texto transparece já, todavia, uma amargura profunda em Proença, sintoma do seu destino político e pessoal trágico, depois de ter combatido com armas o novo regime, que o levaria ao exílio, aqui em Paris, onde viveu alguns anos em condições de enorme dificuldade, em St. Germain-en-Auxerrois.
Só em 1944 é que sai o 3º volume, sobre "Beira Litoral, Beira Baixa e Beira Alta", ainda sob a chancela da Biblioteca Nacional, assinalando-se, no prefácio, que a responsabilidade da edição recai agora sobre um "núcleo de amigos" de Raul Proença, depois da morte deste, em 1941. O nome de Sant'anna Dionísio aparece agora como o novo coordenador do projecto e seu principal impulsionador, e assim será até ao final da edição completa, nos anos 70. Note-se que, neste volume, vão aparecer ainda textos de Alberto de Oliveira, Egas Moniz, Eugénio de Castro, Ferreira de Castro, João de Barros, Raúl Brandão, Rodrigues Lapa, Tomaz da Fonseca ou Vitorino Nemésio.
Uma nova interrupção faz com que, só em 1964 e 1965, saiam os dois volumes relativos a "Entre Douro e Minho", o 1º sobre o Douro Litoral e o 2º sobre o Minho, com Sant'anna Dionísio como impulsionador, mas agora sob a responsabilidade editorial da Fundação Calouste Gulbenkian. (...) Finalmente, em 1969 e 1970, são editados os últimos volumes, sobre "Trás-os-Montes e Alto Douro", um sobre "Vila Real, Chaves e Barroso" e outro sobre "Lamego, Bragança e Miranda". Neste caso, há novos colaboradores conhecidos: João Sarmento Pimentel, Jorge Dias, Miguel Torga, Ribeiro de Carvalho, etc.
A Fundação Gulbenkian reeditou, desde então, todos os volumes do "Guia de Portugal". Vale a pena tê-los, porque é uma interessante leitura de um outro Portugal (embora sem a Madeira e os Açores) que aí ficou registada.» [blogue Duas ou Três Coisas]
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
Vol. IV – Entre Douro e Minho I – Douro Litoral
Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro I – Vila Real, Chaves e Barroso
Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro II – Lamego, Bragança e Miranda

O burro Mirandês em documentário etno-musical

“11 Burros caem no estômago vazio”
2006, 27’ Tiago Pereira


«No planalto mirandês, os seus habitantes e os burros partilham uma vida de isolamento e trabalho. Muitas vezes os burros são o único elemento com que se estabelece um diálogo e é assim desde há muito tempo. Todas as histórias e cantigas resultantes deste universo mágico e misceginador de tradições, funcionam como escape e uma forma de pensar única e reveladora da realidade humana deste povo.»
Proposta etno-musical com contornos antropológicos que explora as narrativas em torno dos habitantes do planalto mirandês e dos burros, animais com que estas pessoas partilham uma vida de isolamento e trabalho.
«Para o documentário, o realizador percorreu perto de trinta aldeias do planalto mirandês entre 2004 e 2006, efectuando recolhas musicais baseadas em testemunhos locais, com o apoio da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino.»
Melhor curta metragem doclisboa 2006. Melhor documentário etnográfico europeu no festival Dialektus em Budapeste 2007.

Edição em dvd video, com os seguintes extras:
AEPGA – o que é? Breve filme sobre os objectivos e actividades da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asínino.
Ms pinky media live act. “Onze burros caem no estômago vazio” no Festival Tom de Festa ’06. As potencialidades do filme apresentado ao vivo, num festival de músicas do mundo, com a reacção do público e o ambiente criado.
Meta-documentário musical criado em conjunto com os músicos Rodrigo Costa e Eduardo Vinhas. As imagens recolhidas em Trás-os-Montes, usadas aqui pela primeira vez numa montagem totalmente musical. Convidado: o musicólogo Domingos Morais, que fala sobre a meta-etnografia e o que está para além do que se recolhe, do que se vê.
Cenas cortadas. As recolhas, que não puderam entrar no filme são mostradas aqui como um arquivo digital, amostra da riqueza popular daquela região.

Realizador e Visualista, desenvolveu desde cedo uma linguagem própria na documentação, recolha e mistura de som e imagem animada. Investiga o conceito de tradição e as fundações da memória colectiva. Os seus filmes são de origem transdisciplinar e remetem para manifestações de cultura imaterial, como as canções, rituais e performances de raíz popular portuguesa. 
Tiago Pereira recebeu vários prémios nacionais e internacionais pelos filmes “Quem Canta Seus Males Espanta” (1998), “Sonotigadores de Tradições” (2003) e “11 Burros Caem Num Estômago Vazio” (2006). A sua consistente produção de formas inovadoras de comunicação revelam a fusão tecnológica que caracteriza o seu processo artístico e que altera espartilhos formais nos meios que utiliza. Desde 2004 trabalha em vídeo em tempo-real como VJ em projectos musicais, como OMIRI, uma colaboração com o músico Vasco Ribeiro Casais, e criando media live acts onde desenvolve o conceito “virtual scratch” de áudio e vídeo em simultâneo.
Estas performances visuais são uma oportunidade única para conhecer o conceito de vídeo-narrativa em tempo-real e uma experiência pós-cinemática pioneira.

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Do falar de Trás-os-Montes e Alto Douro

«Há quem tenha decidido "indilgar" da vida, deixar de "atabuar-se" para não passar o tempo a "canear". Se tudo isto lhe parece estranho e sem sentido fique a saber que estas palavras fazem parte do falar de Trás-os-Montes e Alto Douro, num dicionário da autoria de Vítor Fernando Barros.
Fique então a saber que 'indilgar da vida' é tratar de vida, que 'atabuar-se' é empanturrar-se e que 'canear' é cabecear com sono.
"O Dicionário do falar de Trás-os-Montes e Alto Douro" regista uma recolha vocabular, a mais exaustiva de todas as recolhas efectuadas até ao presente de vocábulos em uso ou já usados na região a que se refere.
Este dicionário, explica o autor, "procede de fontes diversas", desde aquelas que a minha vivência em Trás-os-Montes outrora forneceu, passando pelo trabalho de campo desenvolvido, até ao trabalho informático e à consulta das obras referenciadas na bibliografia".
Mas, diz Vítor Fernando Barros, "este trabalho não esgota, obviamente, a riqueza do falar transmontano e altoduriense". A obra aparece organizada nos moldes de um dicionário tradicional mas " sem preocupações etimológicas".
Tudo isto "para que não se percam certas particularidades locais e, com elas, uma importante fonte linguística e etnográfica, procurando atenuar a erosão dos falares locais e contribuir para a sua autodefesa".» Ana Vitória, Jornal de Notícias

Vítor Fernando Barros, transmontano por filiação e cultura, nasceu ocasionalmente no Porto, em 1958. Viveu cerca de sete anos na Beira Litoral.
Com estudos em Direito e Línguas e Literaturas Modernas, exerce a profissão docente na Escola Mouzinho da Silveira, na Baixa da Banheira (Moita), leccionando a disciplina de Língua Portuguesa.
É sócio da Cooperativa dos Criativos e Produtores de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa.
É dirigente do SPGL (Sindicato de Professores da Grande Lisboa). Fez parte do conselho editorial do quinzenário do distrito de Setúbal O Rio.
Publicou, entre outras, as seguintes obras: “Uma Aldeia Transmontana: Mortologia Social de Fornos”, “Dicionário do Falar de Trás-os-Montes e Alto Douro” e “Dicionário de Falares do Alentejo” (em co-autoria).
Desenvolveu dois trabalhos de campo (ainda não publicados) intitulados “Estudo Fonético do Concelho de Freixo de Espada à Cinta” e “Retrato dos Professores da Escola D. João I (Baixa da Banheira)”.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Contos do Marão

 «O título e o subtítulo desta colectânea apontam para o conteúdo dos contos que a constituem. Com efeito, privilegiou-se a ruralidade sobre a urbanidade, diga ela respeito à geografia física ou humana da região de Trás-os-Montes nos tempos em que imperavam a pobreza e a exploração.
Pretende-se, com as efabulações que se esperam verosímeis, preservar, através da escrita criativa, uma identidade ameaçada e a desmoronar-se irreversivelmente. Protagonizam-nas gentes humildes, social e economicamente desfavorecidas, mas ricas em força de carácter, arreigamento às versas onde nasceram, espírito solidário, teimosia na manutenção de costumes e tradições, traços idiossincráticos coroados com a atávica e proverbial hospitalidade do – Entre Quem É, em que ninguém lhes leva a palma.»

Maria Hercília Agarez de Campos Marques nasceu em Vila Real em 1944. É professora aposentada do ensino secundário. Leccionou Português e Francês em Lamego, Santo Tirso e Vila Real, na Escola Camilo Castelo Branco. Actualmente é professora de Literatura Portuguesa da Universidade Sénior da sua cidade natal, onde reside.
É autora dos livros "A Brincar que o Digas" (crónicas), publicado em 2001, e um ensaio sobre Miguel Torga: "A Força das Raízes", 2007. É co-autora da antologia de A. M. Pires Cabral “Aqui e Agora Assumir o Nordeste”.
Está representada nas seguintes publicações dos Serviços Municipais de Cultura de Vila Real: “Histórias Tiradas da Gaveta”, “Pequeno Cancioneiro de Natal” e “Tellus – Revista de Cultura Trasmontana e Duriense” (números 47 e 54). Tem artigos publicados em: Boletim Cultural da Escola Secundária Camilo Castelo Branco (desde 1991); In Memoriam de João de Araújo Correia (2010); Revista Portuguesa de Humanidades (Faculdade de Filosofia de Braga, 2007); Terra Feita Voz (Círculo Cultural Miguel Torga, 2007); Rosto & Vozes (Escola Secundária Miguel Torga de Bragança, 2007); A Terra de Duas Línguas – Antologia de Autores Trasmontanos, 2011. O jornalista e escritor João Céu e Silva publicou uma entrevista sua na obra “Uma Longa Viagem com Miguel Torga”, 2007.

É estudiosa dos escritores Camilo Castelo Branco, João de Araújo Correia, Miguel Torga e Luísa Dacosta, sobre os quais tem escrito artigos e feito comunicações. É, desde 1999, colaboradora permanente do jornal Notícias de Vila Real. Tem feito várias apresentações de livros (poesia, crónica, ensaio e romance). É membro da direcção da Tertúlia João de Araújo Correia (Régua) e da Academia de Letras de Trás-os-Montes (Bragança). [“Jornal Norte”]

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Reserva de Tinta Roriz e Touriga Franca, 2004

Quinta dos Mattos Douro DOC Reserva T. Franca + T. Roriz Vinho Tinto 2004

Marca: Quinta dos Mattos
Produtor: Coimbra de Mattos, Lda.
Enólogo: Eng.º Luís Sampaio
Ano: 2004

Castas: Tinta Roriz (Aragonêz) e Touriga Franca

Técnica de Vinificação: Em cubas de fermentação inox com temperatura controlada. Estágio de 10 meses em cascos de carvalho

Notas de Prova
Cor: Rubi fechado
Aromas: Vinho encorpado com os taninos presentes e robustos sem agressividade, que dão um volume pronunciado e persistente na boca
Sabor: Este vinho pela sua complexidade aromática e estrutura polifenólica permite uma evolução positiva para + 3 a 6 anos
 
Nota: Deverá ser decantado

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Páginas de Rosto dos Forais Novos de Trás-os-Montes

 «O presente trabalho procura dar a conhecer a beleza e originalidade da iluminura das páginas de rosto dos forais novos exarados para as localidades de Trás-os-Montes, no decurso da reforma manuelina dos forais (1496 – 1952). A iluminura das referidas cartas de foral, embora apresente um tratamento rudimentar, constitui uma novidade artística no contexto europeu do final da Idade Média e dealbar da Época Moderna. Por um lado, pelo facto dessas iluminuras ilustrarem textos administrativo-jurídicos (forais novos), o que não era habitual na iluminura europeia, aplicada ao livro religioso, e, por outro lado, pelo facto de terem sido produzidas em série, o que também não era usual. (...)
Ainda hoje, a iluminura das cartas de foral manuelinas goza de uma significativa importância para os municípios, porque é a “única pintura não religiosa existente na maioria das vilas; é, à sua modesta proporção, um instrumento de divulgação de uma nova cultura e de uma nova maneira de viver” (Alves, 1985: 217), representando testemunhos textuais e estéticos de momentos importantes da história de Portugal: o final da Idade Média e o advento das Descobertas.» (in “Introdução”)

Maria Olinda Rodrigues Santana é Professora Associada com Agregação no Departamento de Letras, Artes e Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Fez o Doutoramento Europeu, em regime de co-tutela, na UTAD e na Université de Toulouse-Le-Mirail II, em Linguística Portuguesa, em 1998. Fez a Agregação em Cultura Portuguesa em 2009. É coordenadora científica do Centro de Estudos António Maria Mourinho, bem como fundadora do mesmo Centro. É investigadora do Centro de Estudos em Letras da UTAD. Foi colaboradora convidada no projeto “Corpus Diacrónico do Português” da Universidade Georgetown (USA). É autora de inúmeras obras. Há vários anos que coordena o Ciclo Cultural na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Foi convidada a integrar a Associação Internacional de Artistas (AIA), International Association of Artists, na qualidade de autora. A referida a Associação é constituída por pintores, escultores, desenhadores, ceramistas, fotógrafos, escritores, músicos, artesãos, entre outros. O principal objetivo da AIA consiste na promoção de intercâmbios e diálogos entre artistas nacionais e internacionais. 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Histórias deste mundo e do outro e outras quase verdadeiras...

A Traga-Mundos tem o orgulho de acolher a obra reunida de mais um emérito autor «transmontano de boa cepa»: Domingos Monteiro
«Ficcionista, dramaturgo, poeta, ensaísta, nascido a 6 de setembro de 1903, em Barqueiros, Mesão Frio, e falecido em 1980, em Lisboa. Licenciado em Direito, fundou a editora Sociedade de Expansão Cultural; foi diretor das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Tradutor de Balzac, Dostoievski, Thomas Mann, Maupassant, Poe, Mark Twain, afirmou-se como ficcionista numa obra que, combinando originalmente o social com elementos fantásticos e psicológicos, é movida pela convicção de que "não se deve deixar sossegada e tranquila a consciência dos homens, pois que esta só pode exercer o seu primado numa atmosfera de angústia e de inquietação» (cf. posfácio a O Mal e o Bem, 3.a ed., 1957).

«Encontramos o futuro escritor em Vila Real, entre 1918 e 1920, como aluno interno do Liceu Central de Camilo Castelo Branco. Aqui passou pois aproximadamente dois anos, deixando-nos referências à Vila Real que conheceu num romance de pendor autobiográfico intitulado “O Caminho para Lá”.» 
Nesta obra «o escritor revela já muitas das suas vivências vila-realenses: a decisão de vir estudar para Vila Real; a partida do batalhão do RI 13 para a Grande Guerra em 21 de Abril de 1917; uma descrição do passeio de trás do cemitério, que aliás lhe serviu de cenário para o encontro com a primeira namorada; a passagem do comboio em Tourinhas; o convívio com os colegas do Liceu, que o alcunharam de Guedelhas, onde se revelou um rapaz destemido; a doceira que vendia bolos («doces cobertos com açúcar corado») à porta do Liceu e que, por metade do preço, permitia que os clientes apenas lambessem os doces; a sua primeira experiência sexual, que aliás lhe causou repugnância, com uma mulher que «por um tostão exibia aos estudantes as intimidades do seu corpo» (situação também descrita pelo Coronel Chico Costa num conto inédito); os efeitos da Traulitânia e da pneumónica; as amizades que lhe foram proporcionadas pelo meio; o sucesso da sua vida escolar em Vila Real.» [Grémio Literário Vila-Realense]

«Foi a sua segunda mulher que teve um papel importante na génese dos seus contos e narrativas, publicados depois dos anos 60, colaborando estreitamente com ele, em todas as fases da elaboração do seu trabalho.
Domingos Monteiro arquitectava o enredo dos seus livros e construía mentalmente o plano da obra. Os seus últimos livros foram ditados a D. Ana Maria como quem conta um conto.
A partir daí, era a ela que competia a edição do texto e a sua conclusão até toda a obra estar impressa.»

Obras de Domingos Monteiro:
“Contos e Novelas” Vol. I – “Enfermaria, Prisão e Casa Mortuária” (1943), “O Mal e o Bem e outras novelas” (1945), “Contos do Dia e da Noite” (1952): Vol. II – “Histórias Castelhanas” (1955), “Histórias Deste Mundo e do Outro” (1961), “O Dia Marcado” (1963); Vol. III – “Contos do Natal” (1964), “O Primeiro Crime de Simão Bolandas” (1965), “Histórias das Horas Vagas” (1966); Vol. IV – “Histórias do Mês de Outubro” (1967), “A Vinha da Maldição e outras histórias quase verdadeiras” (1969), “O Vento e os Caminhos” (1970), Vol. V – “O Destino e a Aventura” (1971), “Letícia e o Lobo Júpiter” (1972) e “O Sobreiro dos Enforcados e outras narrativas extraordinárias” (1978).
“Poesia” – “Orações do Crepúsculo” (1920), “Nau Errante” (1921), “Evasão” (1953) e “Sonetos” (1978).
“Ensaios” – “Bases da Organização Política dos Regimes Democráticos” e “Livros Proibidos e outros ensaios”
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[Nota: as edições originais da obra de Domingos Monteiro encontram-se esgotadas; esta é uma edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, efectuada entre Maio de 2000 e Junho de 2004, com tiragens de apenas 800 exemplares...]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sauvignon da Casa de Mateus

Três Bagos Sauvignon Blanc 2010 – Vinho Regional Duriense

Castas: 100% Sauvignon Blanc
Palavra do enólogo: Este Sauvignon, que começou por ser uma experiência e uma curiosidade, devido às suas características organolépticas é agora uma referência da Lavradores/de/feitoria. Plantado nas vinhas da Casa de Mateus em Vila Real, dada a sua altitude, obteve-se um vinho muito fresco, aromas vivos, ligeiramente tropicais, muito do estilo Françês, que poderá proporcionar bons momentos de vida.
Tecnologia de vinificação: Proveniente de vinhas com cerca de 25-30 anos, plantadas em solos de xisto, as uvas são vindimadas à mão e transportadas em caixas pequenas de 25 kg. Após desengace total e suave esmagamento, as uvas foram prensadas (prensa pneumática), o mosto foi defecado e de seguida fermentado, uma pequena parte em barricas novas de carvalho francês, o restante em Cubas inox a baixas temperaturas, ambos com turbidez controlada. Após fermentação em barricas novas de carvalho francês de 225 litros, o vinho estagiou nas barricas, durante aproximadamente 6 meses. De seguida fez-se o lote. O vinho foi estabilizado e filtrado.
Notas de prova: Cor viva, citrina limão. No aroma é muito exuberante. Limpo e fresco, apresenta aromas com nuances tropicais bastante intensas, lembrando manga e pêssego, e fruta mais fresca como ananás. Na boca a entrada é muito fresca, bastante frutado e equilibrado. Com uma boa acidez, tem uma fruta madura do tipo ananás e melão e menos tropical, o que o lhe confere tipicidade e elegância, caracterizando-o, e proporcionando-lhe um bom equilíbrio e um longo final de boca bastante saboroso.
Gastronomia: Excelente como aperitivo, bem como acompanhar pratos de peixe ou marisco.
Temperatura de serviço: 11 ºC

O vinho Três Bagos Sauvignon Blanc 2010 foi distinguido com uma medalha de prata no “Concours Mondial de Sauvignon”, evento que decorreu em Bordéus, na França, tendo sido o único vinho português a ser medalhado pelo júri do certame. 
Segundo adianta Olga Martins, CEO da Lavradores de Feitoria, “É com grande entusiasmo que vemos o ‘Três Bagos Sauvignon Blanc’ ser distinguido neste concurso, ainda mais quando este branco começou por ser uma experiência que, rapidamente, se transformou num vinho de referência da LDF, tendo uma óptima aceitação quer no mercado português, quer no estrangeiro”.
Esta é a segunda edição do ‘Concours Mondial de Sauvignon’, promovido no âmbito e pela organização do ‘Concours Mondial de Bruxelles, juntamente com as entidades Bordeaux Supérieur e ODG de Bordeaux. Um painel de provadores internacionais avaliou 481 vinhos provenientes de 19 países – África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Bulgária, Chile, Croácia, Espanha, França, Grécia, Itália, Nova Zelândia, Portugal, República Checa, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Suíça e Turquia.

Disponível, assim como toda a gama Lavradores de Feitoria, na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Memória oral do povo

“Património Imaterial do Douro – Narrações Orais – Contos. Lendas. Mitos.”
Vol. 1 e Vol. 2, de Alexandre Parafita

«Esta obra é o primeiro impulso visível para um inventário do Património Imaterial do Douro. Nela se apresenta uma vasta recolha e compilação das narrações orais do concelho de Tabuaço, acompanhada de um estudo teórico-metodológico e interpretativo desse património. Trata-se de um concelho muito rico em lugares de memória associados à sua paisagem, repleta de formações megalíticas fantásticas que alternam com vales profundos e escarpas assombrosas. Deste cenário resultou, na interpretação popular, todo um universo mítico-lendário de crenças e superstições que chegou até aos nossos dias através das narrações orais. Neste primeiro Volume, o espólio apresentado divide-se em dois grandes grupos (os contos populares e as lendas e mitos) e todo ele é dominado, ora pela etiologia toponímica, ora pelas inquietações da religiosidade e do sobrenatural, razão por que nele são recorrentes narrações de lobisomens, almas penadas, mouros, bruxas e demónios.»

Alexandre Parafita, natural de Sabrosa (Trás-os-Montes) possui o Doutoramento em Cultura Portuguesa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e o Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior (UBI). Estudou também na Escola Superior de Jornalismo do Porto e na Universidade de Coimbra. 
É docente do ensino superior, investigador em áreas do património cultural e jornalista. Lecciona na UTAD e é professor convidado do IPB (Pólo de Mirandela). Como investigador, integra o Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa. Como escritor, é autor de várias dezenas de títulos, e a sua obra incide, fundamentalmente, na literatura infantil e infanto-juvenil e nos estudos do património cultural imaterial. Tem livros publicados nas principais editoras portuguesas. É lido por muitos milhares de crianças e os seus livros têm tido reedições sucessivas.
A sua obra figura em manuais escolares. Vários livros seus são bibliografia obrigatória em Universidades e Institutos Superiores e muitos integram o Plano Nacional de Leitura (PNL)
Os seus trabalhos, como investigador de literatura oral tradicional, permitiram-lhe já resgatar milhares de textos inéditos em risco de se perderem na memória oral do povo.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos “Os Provérbios e a Cultura Popular”, “A Mitologia dos Mouros”, “Histórias de Natal – contadas em verso”, “Branca Flor, o príncipe e o demónio” e “Vou morar no arco-íris”]

sábado, 21 de janeiro de 2012

Duendouro

“Duendouro – Era uma vez um rio...” teatro ilustrado
de Marília Miranda Lopes, ilustração de Manuela Bacelar

Duendouro é um duende do Douro que habita o mundo mágico, assim como Dourato (o vilão) e o Gigante das Pernas (adjuvante), personagens desta peça onde se conta a estória do percurso do Douro, da nascente até à foz, e de como este rio, tal como a criança, se questiona sobre a sua identidade e sobre as coisas e os seres que a rodeiam. Nesta peça, perpassada pela temática da preservação ambiental, também se relata como é que o nosso herói Duendouro consegue salvar a sua terra das mãos criminosas de Dourato, com a ajuda da Ferreirinha e do Gigante das Pernas.
Marília Miranda Lopes (neta e sobrinha de poetas) é um dos nomes mais jovens da Literatura Transmontana, com obra publicada no campo da poesia e do teatro infantil.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Falar transmontano: bô!

"!bô - a revista que fala Transmontano".

"!bô é uma publicação trimestral de inspiração regionalista, mas que vai para além da dimensão regional.
Um projecto de comunicação que nasce para todo o país transmontano.
Diversidade, urbanidade, juventude, criatividade, são estes os pilares que norteiam a "!bô - a revista que fala Transmontano".
Um corpo de colaboradores com percursos profissionais variados e formações académicas distintas,uma publicação apostada em conteúdos diversos e num grafismo arrojado, associada a um regionalismo que identifica com cirurgia linguística uma região, uma cultura, uma identidade.
A “!bô” vai prender, seduzir, exclamar, encantar, criar vontades!

Segundo o director da revista, João Paulo Castanho, trata-se de uma nova publicação “muito abrangente espartilhada na entrevista, reportagem e fotojornalismo e que pretende enaltecer o espírito e a cultura transmontana nas mais variadas vertentes como a ciência, literatura, artes entre outras”. O responsável salienta que a revista não se confina apenas ao espaço geográfico de Trás-os-Montes mas sim “onde houver um transmontano”. “Urbana, sólida, jovial, interventiva e única” são as características que para João Paulo Castanho marcam esta publicação que não pretende fazer concorrência com publicações já existentes “mas sim complementar a oferta que já existe no mercado”, frisa.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[disponíveis o n.º 1 Julho de 2011 e o n.º 2 Outubro / Dezembro 2011]

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As Paisagens Culturais Classificadas do Vale do Douro

“Património D’ouro – As Paisagens Culturais Classificadas do Vale do Douro”
Douro River – A Golden Heritage – The Acknowledge Cultural Landscapes of the Douro Valley
edição bilingue: português e inglês

O Rio Douro é testemunha – e principal referência – da “edificação”, numa curta extensão geográfica, de um património de valor inestimável, que cruzou a criatividade do traço humano com uma natureza de excepção. Caso único no mundo inteiro, em escassos 150 km, no seu percurso terminal rumo ao Oceano Atlântico, o Douro esteve na origem de três paisagens culturais que a UNESCO, muito justamente, considerou de enorme relevância, classificando-as como Património da Humanidade.
As Gravuras Rupestres do Vale do Coa, o Douro Vinhateiro e o Centro Histórico do Porto são o tema desta Obra, que contou com a sábia contribuíção de três individualidades intimamente associadas a cada um destes espaços culturais, respectivamente Dr. António Martinho Baptista, Dr. Armando Mascarenhas Ferreira e Germano Silva, que assinam os prefácio de cada capítulo.
O autor do texto é o Jornalista José Cruz, a fotografia é de André Pregitzer e a concepção gráfica de Manuel Granja.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Portugal de Miguel Torga

“Portugal” de Miguel Torga
Fotografias de José Manuel Rodrigues.

«A província gosta de visitar Lisboa e Lisboa gosta de visitar a província. Embora regressem cada qual a sua casa aborrecidas e renitentes, encontram-se momentaneamente na beleza duma e na pureza da outra. (...) O abismo não é, pois, intransponível. Talvez mesmo que lá no fundo, no fundo da desavença, não haja senão um sentimento de culpa comum, a mesma mágoa inconfessada duma desgraça que abrangeu toda a nação, mas que tem na capital o seu estigma indelével.»

José Manuel Rodrigues viveu 20 anos da sua vida fora de Portugal, onde estudou fotografia nas escolas de fotografia em Haia e Apeldoorn, na Holanda, onde trabalhou na Academia de Amsterdão e como fotógrafo freelance. Actualmente tem vários projectos fotográficos em curso. Miguel Torga, poeta, contista, romancista e ensaísta sempre foi uma fonte de inspiração para o fotógrafo e daí surgiu o livro Miguel Torga - Portugal, uma publicação Dom Quixote, que o Instituto Camões apoiou.

José Manuel Rodrigues recebeu o Prémio Pessoa em 1999 juntamente com o poeta Manuel Alegre, tem exposto dentro e fora de Portugal e o seu trabalho já foi publicado em catálogos, monografias e livros. Miguel Torga- Portugal é mais um livro onde o trabalho do fotógrafo pode ser apreciado.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

+ de 100 anos de Porto Valriz

Porto Valriz + de 40 anos – com caixa unitária de madeira

Um exemplo perfeito de um Vinho do Porto velho. Uma raridade, uma vez que poucas casas produzem um Tawny de 40 Anos. 

D.O.C. - PORTO.
Enólogo: Eng. Luís Sampaio.
Castas: Tinta Amarela, Tinta Roriz e Touriga Fanca.
Região: Douro - Baixo Corgo - Galafura - Peso da Régua.
Qtd: 500 Litros.
Álcool: 19,63%.
Açúcar: 6,0º Baumé (muito doce).
Vinificação: Em cubas de lixiviação com autovinificadores.
Estágio: em tonéis de madeira de castanho.
Prova: Cor aloirado com nuances verdes no volteio do copo, Aroma intenso a frutos secos, onde sobressai a noz com leves achocolatados, Sabor excepcional harmonia no gosto, já um certo "vinagrinho" prolongando-se o sabor na boca para prazer dos bons apreciadores. Deve ser aberto com antecipação para libertar o seu complexo bouqué de aromas.


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também em caixa de madeira + de 100 Anos de Porto Valriz, para quatro garrafas: 10 Anos + 20 Anos + 30 Anos ++ de 40 Anos]

domingo, 15 de janeiro de 2012

As Maias - lendas, castanhas, receitas e provérbios de Maio

“As Maias – entre mitos e crenças – lendas, castanhas, receitas e provérbios de Maio” de Jorge Lage

«Num exaustivo trabalho de investigação sobre a origem das festas das Maias, foi às suas raízes, auscultando a cultura greco-latina e pré-cristã, servindo-se de fontes variadas e seguras, e guiado, pelo seu próprio instinto de investigador concentrado e dedicado.
Baseando-se em laboriosos estudos de autores eruditos, assim nos leva, com mão paciente, à deusa Maia - a mãe do deus Mercúrio dos romanos - deusa ligada à mãe natureza que em Maio floresce, anunciando a fartura dos frutos a haver, para satisfação e prazer dos mortais.
Refere, de seguida, o processo da cristianização de as Maias, que outro caminho não foi, senão o de sempre: a cristianização de todas as realizações ou actos religiosos pagãos.
Assim persegue o seu estudo de as Maias já cristãs por todo o espaço nacional, desde o Minho ao Algarve, Madeira e Açores e saltando a fronteira, estendeu o seu olhar pela Europa, com saliência para a Galiza, não fosse ela, a Galiza a irmã gémea de Portugal no que à cultura diz respeito. (...)
Termina o seu trabalho, como é tão do seu gosto, com um suculento receituário de petiscos e doçaria de deliciar o mais faminto. E dá fim ao seu estudo com um rifoneiro, referente ao mês de Maio: "Fraco é o Maio que não rompe a croça"» do posfácio, por Nelson Vilela

«Jorge Lage (n. 1948, Chelas, Mirandela) é um homem de actividade intelectual fervilhante, também ao nível da escrita. A sua mais recente obra intitula-se As Maias – Entre mitos e crenças. O subtítulo da obra diz tudo sobre o seu conteúdo: “Lendas, castanhas, receitas e provérbios de Maio”.
É pois uma espécie de apanhado geral, um trabalho exaustivo de investigação sobre um interessantíssimo aspecto da cultura popular, as Maias, ou o conjunto de ritos e tradições em torno do fenómeno do renascimento da natureza após o ciclo invernal.
De Jorge Lage tínhamos já saudado duas publicações dedicadas à castanha, esse grande e nobre produto dos nossos campos: “A Castanha. Saberes e sabores”  e “Castanea – Uma dádiva dos deuses”. Neles reuniu uma vasta soma de conhecimentos, a nível botânico, etnográfico e gastronómico, sobre esse fruto nem sempre valorizado como merece.» [Grémio Literário Vila-Realense]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também o título “Castanea – uma dádiva dos deuses”]

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Douro em Graça Pina de Morais

Hoje a Traga-Mundos teve a honra de acolher a obra de mais uma grande autora do Douro: Graça Pina de Morais.
 «Médica e novelista (Porto, 1929 Lisboa., 1992). Embora tivesse nascido no Porto, onde seu pai, o oficial do exército e escritor (pertenceu ao movimento da "Renascença Portuguesa") João Pina de Morais vivia, as suas origens radicam na região de Vila Real e de Mesão Frio, de onde sua mãe era natural, por este lado vindo a ser sobrinha do escritor Domingos Monteiro.
Na província duriense viveu parte da infância, havendo a sublinhar que a sua obra novelística, de inspiração memorial, é motivada por temas da família, da infância rural, para além de aspectos sociais. Viveu depois em França, com os pais, voltando ao país com a idade de seis anos, em 1935. Obteve a licenciatura em Medicina na Universidade do Porto (1951) radicando-se depois em Lisboa, exercendo, como radiologista, funções nos Hospitais Civis, e como professora no Instituto de Orientação profissional. Foi muito das relações do dramaturgo Bernardo Santareno, chegando Manuel Yoppe, nas suas Memórias, a admitir que ambos tivessem vivido uma paixão frustrada.» [Pinharanda Gomes, in III volume do “Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses”]

 Apesar de uma estreia romancística aclamada pela crítica, com “A Origem” (1958), e de ter sido galardoada em 1969 com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências – para a melhor obra de ficção do ano – e o Grande Prémio Nacional de Novelística pelo romance “Jerónimo e Eulália” (1969), a sua obra encontra-se hoje em dia praticamente esquecida.

“O Pobre de Santiago”, “A Origem”, “Jerónimo e Eulália” e “A Mulher do Chapéu de Palha”, pela Antígona, disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Plantas aromáticas em Portugal

“Plantas Aromáticas em Portugal – caracterização e utilizações” de A. Proença da Cunha, José Alves Ribeiro, Odete Rodrigues Roque
«O livro dá a conhecer, sob a forma de monografias, 83 plantas aromáticas clássicas, focando os aspectos sobre origem, habitats e distribuição geográfica, descrição botânica sumária, partes utilizadas da planta, respectivos constituintes, composição do seu óleo essencial, acções farmacológicas e utilização. São ainda indicadas, em cada monografia, as principais espécies aromáticas afins e as suas características. Na descrição da utilização são dadas indicações que abrangem, essencialmente, aspectos de fitoterapia, aromaterapia, cosmética, perfumaria, actividade antioxidante e condimentar.
A par das plantas aromáticas clássicas, indicam-se por famílias botânicas outras plantas aromáticas existentes no País, muitas vezes ainda não estudadas ou com estudos, geralmente não recentes quanto à sua composição, indicando-se os nomes vernáculos e suas principais localizações, com o que se procura alertar, os estudiosos deste campo, para possíveis trabalhos que conduzam a um melhor conhecimento da nossa flora aromática.
Procurou-se assim completar e actualizar duas obras elaboradas respectivamente pelo Prof. Ruy Telles Palhinha (Plantas Aromáticas de Portugal, Brotéria, vol. XV, pag. 97-113, 1946) e pelo Prof. Aloísio Fernandes Costa (Elementos da Flora Aromática, Ed. Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1975).

Compreende a obra ainda capítulos sobre:
- O emprego das plantas aromáticas desde as antigas Civilizações até ao presente.
- Plantas aromáticas e produtos aromáticos obtidos destas - suas principais utilizações.
- Principais constituintes dos óleos essenciais e seu contributo para a actividade das plantas aromáticas.
- Glossário de termos médicos.
- Léxico botânico.
- Bibliografia.
- Índice remissivo relativo a famílias, táxones e nomes vulgares das plantas.

Os conhecimentos do Prof. A. Proença da Cunha e os da Investigadora Principal Odete Rodrigues Roque da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra sobre composição, aspectos farmacológicos e utilização das plantas aromáticas, aliados à experiência que o Prof. José Alves Ribeiro da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro tem sobre os aspectos botânicos e etnobotânicos, facilitou a elaboração desta obra, que irá não só interessar aos estudantes das Ciências Agronómicas, das Ciências da Saúde, de Biologia e das Ciências da Terra, como também aos profissionais destas áreas.

As fotografias que ilustram as monografias são originais, obtidas, na sua maioria, pelos Autores da obra, tendo as restantes a indicação dos respectivos Autores, a quem desde já agradecemos.» [antoniopcunho]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poesia da atenção por Vítor Nogueira

“Modo Fácil de Copiar uma Cidade” de Vítor Nogueira

O autor nasceu em Vila Real, dirige o Teatro Municipal da cidade. Porém, a sua atenção poética recai ultimamente sobre a cidade de Lisboa. Repetimos a palavra atenção. Se se colocar frente a frente poesia da imaginação vs. poesia da atenção, esta é notoriamente uma poesia da atenção, da atenção aos poucos, à medida da ronda do olhar pela cidade do sujeito que vê, ou de um olhar quase anónimo que enuncia. Poesia mais do objecto do que do sujeito, cujo halo todavia transpira entre frestas ou entre asserções que se querem considerações prosaicas de ordem geral, firmes, geométricas, convocando todo um léxico da arquitectura e da pintura.
(...) Começámos pelo fim, voltemos ao princípio: “Modo Fácil de Copiar uma Cidade” é antes de mais, ou em primeiro grau, uma teoria da pintura, uma poética da pintura, uma aula dada a futuros pintores directamente interpelados por um locutor que encadeia logicamente o discurso, que orienta os passos a dar.
Maria Conceição Caleiro in Ípsilon do jornal “Público”


VISÍVEL

Nenhuma coisa visível se vê toda juntamente.
Na arte como na vida, agora que falas disso.
Alguns, porém, investem muito tempo
a melhorar o seu disfarce, contornam a forma
como produzimos as vacinas, aprendem
a reconhecer os sinais,
perseguem facilmente sem se deixarem ver.

À primeira mordedura, que tantos consideram
crucial e decisiva, recriam regiões amputada
nos seus corpos. Difíceis de aplacar, começam
o processo do princípio. Depois, enfim, aguardam.
Aguardam que algo morra, consultam o oráculo,
respiram dentro de água e fora dela
— às vezes até entram pela rede dos esgotos.

Diria que é assim, se bem conheço os corvos.

«Tal como é habitual no poeta, é um livro temático e estruturado. Desta vez, toma como pretexto três tratados portugueses de pintura, respectivamente de Filipe Nunes, Francisco de Holanda e Cirilo Wolkmar Machado, com cujos ensinamentos vai salpicando os poemas.
Deste pretexto, porém ― como também é habitual no poeta ―, Vítor Nogueira parte noutras direcções e questiona o lugar e o papel do homem. Fá-lo contudo ― e esse é um dos pontos mais interessantes da sua arte poética ― em termos simples, quase coloquiais, sem qualquer tique de ênfase discursiva ou declamatória: «De repente a chuva pára. Vê-se um fiozinho de luz / e a cidade a ir comer à sua mão.» Aquilo que alguns diriam o oposto da poesia, mas que na verdade é poesia, e, no caso, poesia de alta qualidade.» [Grémio Literário Vila-Realense]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos “Bagagem de Mão” e “Mar Largo” pela &etc. e “Que Diremos Nós Que Viva”, “Comércio Tradicional” e “Senhor Gouveia” pela Averno]