quinta-feira, 31 de outubro de 2013

História da República, por Raúl Rêgo



“História da República. Volume I – A Ideia e a Propaganda” de Raúl Rêgo

Entre 1910 e 1926, ensaiou-se em Portugal a primeira experiência democrática e republicana. Mas o que sabemos nós sobre a história desse período? O que foi, de facto, a Primeira República Portuguesa? Um caos partidário e financeiro, um regime corrupto e anárquico, como insistentemente foi apregoado pela ditadura de Salazar? No centenário do nascimento, em Macedo de Cavaleiros, do jornalista, ensaísta e político Raúl Rêgo, reedita-se o primeiro de cinco volumes da sua mais importante obra, que, fruto de um rigoroso trabalho de investigação histórica, repõe a verdade dos factos.
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também o título: “A República no Distrito de Vila Real (1873-1933)” de Ribeiro Aires]

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Colégio Moderno de S. José, Vila Real



“Colégio Moderno de S. José (Vila Real – Monografia” de Maria Emília Campos

O 15º Aniversário da Associação das Antigas Alunas do Colégio Moderno de S. José foi assinalado  com o lançamento do livro “Colégio Moderno de S. José Vila Real “(monografia de Maria Emília Campos) a 11.outubro.2013.

Entrada das Irmãs em Vila Real
A fundação do Colégio remonta a 1928. Depois da Implantação da República, fechou o Colégio das Irmãs Doroteias, nesta cidade. Sentindo a falta das Irmãs, o povo pedia o regresso das religiosas. Por essa ocasião, a Superiora Geral, Madre Maria Domingas da Conceição Mota, vira-se obrigada a fechar o Colégio de Verín – Espanha, por falta de pessoal docente apto, no respeitante ao conhecimento da língua espanhola.
Entretanto, abordada pelo Bispo de Vila Real, D. João Evangelista de Lima Vidal, a Madre Maria Domingas transferiu, gostosamente, as Irmãs de Verín para a capital transmontana, para com elas abrir o Colégio, em outubro de 1928. Para esse efeito, foi comprada uma pequena moradia particular, pertencente ao Sr. António Ribeiro do Tojal, sita na Rua do Carmo e com o nome de Vila Celeste, nome que conservou até 1941. Adquirida a casa, as Irmãs mudaram do Colégio de Verín – Província de Orense – Galiza, para Vila Real, fazendo-se, também, nessa altura, a transferência do mobiliário e material didáctico do citado Colégio.
O pessoal religioso, proveniente diretamente da Comunidade do referido Colégio, era composto pelas Irmãs:
Ir. Maria Amada da Eucaristia (Laurinda Ribeiro da Costa) – Superiora.
Ir. Fortunata da Conceição – Professora de Lavores
Ir. Pureza dos Anjos – Prefeita, Professora da Instrução Primária e corte
Ir. Consolação do Bom Pastor – Cozinheira
Ir. Maria do Santíssimo Sacramento – Prefeita, Professora da Instrução Primária, pintura.
Ir. Maria Paulina (indiana) – Professora de Inglês e de Ginástica.

Formação cultural e artística
Desde o início, o Colégio manteve sempre como preocupação dominante a formação integral das Alunas. Assim, após as primeiras obras de ampliação da casa primitiva, foi inaugurado o salão de festas com uma representação no Carnaval que, a partir de então, se tornou tradição.
Durante longos anos, teve a cidade o prazer de assistir a belíssimas festas, cuidadosamente ensaiadas e onde não faltavam as mais altas autoridades civis, militares e religiosas.
Cada fim de ano letivo era caracterizado por uma exposição de trabalhos artísticos, executados pelas próprias Alunas ao longo do ano.

Ao longo dos anos…
Nos primeiros anos, o Colégio era frequentado por um grande número de Alunas que se dedicava, especificamente, a lavores, arte aplicada e pintura. Sentia-se interesse e mesmo entusiasmo, não só das Alunas, mas, também, dos próprios visitantes.
Fundado há 81 Anos, o Colégio Moderno de S. José viveu todo este tempo numa afirmação constante de progresso, de ascensão para o ideal a que se propuseram as suas Fundadoras, tendo, concerteza, ultrapassado já as aspirações mais ousadas e os sonhos mais optimistas da primeira hora. Em 81 Anos, quanto caminho andado! Quantos Alunos e quantos Educadores por ele passaram! Quantas histórias lindas se podem contar! Quantas mães exemplares e quantas profissionais exímias! Quantas pessoas consagradas receberam aqui a sua formação cristã… Escola de ciência e de virtude, casa de ensino e educação, procura ir ao encontro das necessidades da Comunidade local e corresponder aos seus mais justos anseios. Com a celebração das Bodas de Diamante, o Colégio inaugurou uma nova etapa, bem assente na ousadia do sonho, na coragem de avançar e na esperança de vencer.” (cf. Escola Franciscana Hospitaleira – Um desafio de Séculos).

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Brasão de Vila Real, ALEU



Brasão de Vila Real, ALEU

fabrico artesanal, em cerâmica,
pintado à mão ou em barro negro
versão íman

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sábado, 26 de outubro de 2013

Apresentação de "A Última Criada de Salazar" de Miguel Carvalho



Apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho por Patrícia Posse
com a presença do autor
dia 31 de Outubro, quinta-feira, pelas 21h00, na livraria Rosa d’Ouro, em Bragança
dia 1 de Novembro, sexta-feira, pelas 21h00, na Poética – livros, arte e eventos, em Macedo de Cavaleiros
dia 2 de Novembro, pelas 21h00, na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real
dia 3 de Novembro, domingo, pelas 15h00, no Museu do Pão e do Vinho, em Favaios, com a presença de Dona Rosália Araújo (protagonista do livro)
organização do Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro


“A Última Criada de Salazar – A vida doméstica e os dias do fim” de Miguel Carvalho

Em 1969, prestes a completar 14 anos, Rosália Araújo foi contratada para servir António de Oliveira Salazar. Durante anos, conheceu a vida doméstica do palacete de São Bento, liderada pela severa dona Maria, e o lado mais privado do Presidente do Conselho, com os seus hábitos, gostos, desgostos e segredos. No momento da sua morte, em 1970 foi a única empregada presente no quarto do ditador.

A Última Criada de Salazar é o relato minucioso da decadência e dos dias do fim do homem que alcançou o poder em 1932 e só o perdeu três décadas mais tarde.

Após a morte do ditador, Rosália teve convites para ficar em Lisboa, mas regressou a Favaios. Casou, criou família, enviuvou. Padeira fora, padeira continuou. “Precisávamos de outro 25 de Abril”, diz, agora, a antiga criada de Salazar.


«É um livro especial. Extraordinariamente bem escrito, com uma coerência narrativa e um ritmo absolutamente perfeitos, é o exemplo acabado do livro que se lê de um fôlego. Foi de facto o meu caso. Abri-o e só o pousei depois de terminar. O tema e as personagens ajudam, claro. Os últimos anos do regime de Salazar, observados a partir de um microcosmos que foi a sua residência oficial (S. Bento e o Forte de Sto. António do Estoril) e pelos olhos de quem o servia. A D. Rosália, um verdadeiro tesouro de memórias intactas, guia-nos pelo universo particular dos últimos anos da ditadura, com uma visão apolítica da casa onde residia o poder que comandava o, à altura, Império Português. De entre o flagrante contraste entre a dimensão do império até à pequenez do mundo privado do ditador, acompanhamos uma história que em qualquer contexto não deixa de ser uma portentosa tragédia clássica. A queda (e aqui esqueço o episódio da cadeira) de um mito. Toda a descrição dos últimos tempos de vida de Salazar, mas sobretudo a gigantesca encenação que é feita para manter as aparências, chega a parecer irreal. E de certa forma é. É uma realidade que não existe, em absoluto contraponto com um país pobre, pequeno e abandonado à sua sorte, onde apenas as elites contam. É neste equilíbrio delicado e que nunca abandona que o Miguel consegue dar uma imagem de um pais e de uma ditadura em queda, sem nunca cair no que seria fácil, o tomar partido. É um retrato de um homem incontornável no Séc. XX português, feito a partir de dentro. Um quadro pintado em proximidade.» [Ricardo, blogue Estante Acidental]


Miguel Carvalho nasceu no Porto em 1970 e é repórter da revista Visão desde dezembro de 1999. Em 1989, concluiu o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto. Trabalhou no Diário de Notícias e no semanário O Independente. Recebeu o Prémio Orlando Gonçalves (Jornalismo), em 2008, e o Grande Prémio Gazeta, do Clube dos Jornalistas, em 2009. Algumas das suas reportagens têm merecido referência em títulos como The New York Times, El País, Daily Telegraph, Veja ou O Globo.

«Esta apresentação insere-se na dinâmica do Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro, que pretende criar uma colaboração entre as diversas livrarias aderentes, nomeadamente na apresentação de autores e na partilha de edições locais. Assim, o livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho será apresentado em Bragança, dia 31 de Outubro, quinta-feira, pelas 21h00, na livraria Rosa d’Ouro; em Macedo de Cavaleiros, dia 1 de Novembro, sexta-feira, pelas 21h00, na Poética – livros, arte e eventos; em Vila Real, dia 2 de Novembro, pelas 21h00, na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro; e em Favaios, dia 3 de Novembro, domingo, pelas 15h00, no Museu do Pão e do Vinho.»


Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:

- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;

- 9 de Novembro de 2013 (sábado), das 14h30 às 18h30: Oficina de Fotografia por Rita Almendra;

- 11 de Novembro de 2013 (segunda-feira): São Martinho e Magusto na Traga-Mundos [Prova dos Cinco (sentidos)];

- 16 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: Curso de Prova de Vinho do Porto [Prova dos Cinco (sentidos)];

- 17 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h00: visita a Coimbra de Mattos [Prova dos Cinco (sentidos)];

- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua”;

- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Trabalho gráfico de Eduardo Ferreira - "Os Idiotas"



Exposição de trabalho gráfico de Eduardo Ferreira – incluindo capa de “Os Idiotas”
26 de Outubro de 2013 (sábado)
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


Complementarmente à apresentação do livro “Os Idiotas” de Rui Ângelo Araújo por J. Rentes de Carvalho,
no dia 26 de Outubro, sábado, pelas 21h30, estará patente uma exposição de trabalho gráfico de Eduardo Ferreira, designer gráfico & ilustrador, responsável pela capa do livro.

O ILUSTRADOR

Eduardo Ferreira

No início pensava ter nascido num dia de Inverno muito mau. Mas foi no mesmo dia da mãe e orgulha-se disso. Estava sol. Nasceu no Douro, mas gosta de dizer que é transmontano. É um tipo que gosta de fazer desenhos demorados para contrapor ao ritmo com que a maior parte das coisas são feitas. Entre o que foi e há-de vir a ser, é designer gráfico. Gosta de fotografia e de cinema. Eduardo Ferreira não se chama Eduardo Rodrigues porque nada se impôs à vontade de lhe chamarem assim.

[http://eduardoferreira-di.blogspot.pt/]

Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;
- 2 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor;
 - 3 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h30: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor, no Museu do Pão e do Vinho em Favaios, com a presença de Dona Rosália;
- 9 de Novembro de 2013 (sábado), das 14h30 às 18h30: Oficina de Fotografia por Rita Almendra;
- 11 de Novembro de 2013 (segunda-feira): São Martinho e Magusto na Traga-Mundos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 16 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: Curso de Prova de Vinho do Porto [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 17 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h00: visita a Coimbra de Mattos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua”;
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Manuel Medeiros, o Livreiro Velho (Culsete, Setúbal)



MANUEL MEDEIROS (1936 – 2013)

 Só quando formos nós e o soubermos
no pão criado pelas nossas mãos
e a mesa em nossa casa
for abraço que sempre nos reúna
a vossa liberdade vos dirá
a hora e alma certas de partir.

Resendes Ventura – nome literário de Manuel Medeiros (o Livreiro Velho, Culsete, Setúbal)
“Papel A Mais – Papéis de um livreiro com inéditos de escritores”


Se a Traga-Mundos hoje existe tudo deve a palavras sábias e ao exemplo deste Homem e Livreiro da ESPERANÇA! A sua memória será sempre viva...


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Apresentação de "Os Idiotas" II




Apresentação de “Os Idiotas” de Rui Ângelo Araújo por J. Rentes de Carvalho
26 de Outubro de 2013 (sábado), pelas 21h30
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


«[Texto do autor escrito como cábula para UM lançamento e desaparecido em parte incerta quando poderia ser útil]

O IDIOTA C’EST MOI

Ao contrário do que possa parecer, sobretudo por estarmos a lançar ‘Os Idiotas’ numa altura de eleições, o título do romance não nasce da minha vontade de insultar políticos. (Algumas partes do livro talvez nasçam da vontade de me rir de políticos, mas não o título.)
As pessoas têm-me perguntado quem são os idiotas do meu livro. Julgo que procuram antecipar o gostinho de ver confirmada uma certa imagem do sistema político português, aliás não desmentida pela campanha — da editora. Isso parece-me uma expectativa natural, e por si mesma uma evidência do descrédito que o sistema merece. Ou então do gosto das pessoas pelo vilipêndio, nunca o subestimemos.
O livro não desapontará quem o aborde por este ângulo bicudo e seja paciente. Mas trairia os meus idiotas se não viesse em sua defesa. O autor sente afecto por eles e isto não é síndroma de Estocolmo, mesmo que seja verdade que as personagens de um livro nosso possam sequestrar-nos a alma por tempo indeterminado. Alguns daqueles que venham a ler o romance fá-lo-ão com menor ou (decerto) maior ânimo de encontrar os seus idiotas, figuras grotescas, oportunistas, corruptas e mal-intencionadas. E encontrá-las-ão. Mas quem sabe não descobrem também os meus idiotas. E, com as subtilezas da semântica, o espelho da rainha da Branca de Neve e a prolixidade que um dicionário de sinónimos pode conter: «O que quer que sejamos, somo-lo por oposição aos cretinos, que são o resto das pessoas», diz o protagonista do romance. E, como acrescenta a editora, se calhar diz bem.
‘Os Idiotas’, como a grande parte da literatura universal, surge da vontade de contar e inventar histórias. Não é um libelo político, não é um panfleto ideológico, não é a mecha de um cocktail molotov (bem, digo isto apenas porque é triste quando vemos os nossos textos impressos embrulharem o peixe ou acenderem a fogueira de um churrasco; quem já escreveu em jornais sabe que isso pode ser mais frequente do que ser lido).
‘Os Idiotas’ é em grande medida um divertimento, uma paródia, uma sátira. Mas é tudo isto à custa da pura humanidade dos seus personagens. Em ‘Os Idiotas’, pequena comédia humana, o que mais há é ilusões, desapontamentos, frustrações, vícios, precipitações, raivas, equívocos, tolices, renúncia — e confronto com memórias. Um monte de coisas geralmente tristes que acontecem às pessoas nas suas vidas. Mas que não vão necessariamente indispor os leitores. Talvez até os divirtam. Mérito de Lúcio, um ser em franco declínio, muito por acção própria, mas que resolve não se preocupar com isso (diz ele.) E que resolve achar divertido e até desejável o declínio do seu próprio país, um local mal frequentado que se escreve com três sílabas apenas: B
Đào Nha.
Lamento desiludir quem esperava que aqui se dissesse Portugal. Mas já deviam saber, a literatura por vezes inventa os seus próprios territórios. Não tem é culpa que o mundo resolva imitar a literatura. Neste sentido, dizer que ‘Os Idiotas’ é uma distopia seria menosprezar muito a realidade. Não só existem homens como este Lúcio e os malucos dos seus amigos, como existem países iguais a B Đào Nha.
Nesta disputa entre um homem e o seu país, diria que o homem ganha: consegue cair mais fundo do que o país. (Não se esqueçam de que estamos a falar do livro…) A grande questão será perceber se ele cai mais fundo por causa do território ou se isso acontece por causa de uma mulher.
Há uma mulher, claro. Permitam-me citar a sinopse: «Os idiotas poderiam ter permanecido assim, em desequilíbrio perfeito, para sempre, mas a chegada de Helen, uma mulher misteriosa e dorida, vem catalisar o inevitável.»
Não vou desvendar o que vem catalisar esta misteriosa Helen. Mas vou destacar o seu papel no romance. Porque o Lúcio é um palhaço, não tem sido fácil à editora O Lado Esquerdo fazer campanha pela Helen: os histriónicos ocupam sempre mais espaço nas campanhas, mesmo nas das editoras. Mas a história de Helen não é menos importante do que a de Lúcio. Pelo contrário: a sua história poderia existir literariamente sem a do Lúcio. O encontro dos dois só é relevante para ele. A história de Helen poderia ter sido tratada num romance autónomo — e talvez eu o devesse ter feito se quisesse realmente ser mais respeitado como escritor do que como «o antigo criador da revista ‘Periférica’».
Sim, há muito de ‘Periférica’ neste livro. Quem conheceu a revista vai dar-se conta.
‘Os Idiotas’ é na verdade o meu terceiro romance. Escrevi-o desta forma, com esta textualidade, este sarcasmo tonto, um pouco em oposição aos outros dois livros. Que por sua vez se tinham querido afastar do estilo ‘Periférica’. Mas parece que não resisti a voltar à chalaça e à malícia. No rol do seu grupo de idiotas, o Lúcio conta seis elementos — porque se esqueceu de incluir o autor. Se me permitem a citação pedante de Flaubert: o idiota c’est moi. Mas estou disposto a partilhar o estatuto com todos os que quiserem ler o livro.»

O AUTOR

Um ex-baixista que depois de ter enterrado duas revistas resolveu pôr-se a escrever romances — e com isso provavelmente cavou a sua própria sepultura.

Rui Ângelo Araújo (Pedras Salgadas, 1968)

Fundou e dirigiu o 'Eito Fora – Jornal de Vilarelho' (1998-2002), uma publicação cultural da região de Trás-os-Montes, mas que não cabia nela. Posteriormente, fundou e dirigiu a revista literária, artística e crítica '
Periférica' (2002-2006), a 'new yorker portuguesa', com distribuição nacional e hipérboles ibéricas (‘la mejor revista cultural lusa se 'cuece' en una aldea remota’, jurava o ‘El Mundo’). Escreveu algumas dezenas de contos e três romances, todos afinal indignos de ‘imprimatur’. Mantém o blogue 'Os Canhões de Navarone', onde verbera o país ou se senta a observar a vida selvagem em volta. Numa era remota tocou viola-baixo. Hoje… Hoje vacila no seu desempenho do Quixote, mas a culpa é da realidade.


Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;
- 2 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor;
- 3 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h30: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor, no Museu do Pão e do Vinho em Favaios, com a presença de Dona Rosália;
- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;
- 9 de Novembro de 2013 (sábado), das 14h30 às 18h30: Oficina de Fotografia por Rita Almendra;
- 11 de Novembro de 2013 (segunda-feira): São Martinho e Magusto na Traga-Mundos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 16 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: Curso de Prova de Vinho do Porto [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 17 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h00: visita a Coimbra de Mattos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua”;
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

sábado, 19 de outubro de 2013

Amêndoa do Douro D.O.P.

“A Cultura da Amêndoa no Douro Superior – História, Tradição e Património” de Lois Ladra

Este livro quer prestar homenagem a todos os galegos anónimos que, fugindo da fome e da miséria, vieram erguer muitos dos socalcos do Douro transmontano, contribuindo com o seu suor para a construção deste Reino Maravilhoso. O autor

A amendoeira no Douro Superior, isolada, plantada em bordadura ou formando amendoal, constitui um património cultural, económico e paisagístico que deve ser preservado e transmitido às gerações vindouras. As magníficas qualidades organolépticas e o marcado sabor da amêndoa duriense devem constituir a base sobre a qual possam vingar no território novas indústrias artesanais de produtos gastronómicos que tenham a amêndoa como protagonista.

«A amêndoa produzida no Douro Superior ostenta com orgulho o reconhecimento internacional de Denominação de Origem Protegida (D.O.P.) “Amêndoa do Douro”, classicação atribuída pela União Europeia no ano de 1994.Trata-se de um produto natural, dotado de propriedades organolépticas singulares, que vinca as suas origens na agricultura mediterrânica tradicional, constituindo uma das marcas identitárias desta região.»

Lois Ladra nace en A Coruña en 1972. En 1996 se licencia en Geografía e Historia (Prehistoria y Etnología) por la Universidad Complutense. En 1999, defiende su tesis de licenciatura, con un estudio sobre la orfebrería galaica de la Edad del Hierro. En 2001, concluye los Cursos de Doctorado y se diploma en Estudios Avanzados en Arqueología por la Universidade de Santiago de Compostela. Becado por la Fundación Barrié, concluye en 2003 un Master en Arqueología Protohistórica en la Universidad de Oporto (Portugal). En 2007, se licencia en Antropología Social y Cultural por la Universidad Nacional de Educación a Distancia. Desarrolla su actividad profesional como antropólogo cultural y arqueólogo, dirigiendo y participando en numerosos proyectos en Galicia, Extremadura, Madrid, Castilla-León, Castilla-La Mancha y Portugal. Es autor de más de medio centenar de publicaciones de temática arqueológica y etnográfica, entre las que destacan sus trabajos sobre la orfebrería galaica y los libros Arte relixiosa popular na Terra de Valga. Cruceiros, cruces e petos de animas (A Coruña, 2002), A pesca tradicional nos rios de Galiza. Caneiros, pescos e pesqueiras (Santiago de Compostela, 2008) y los estudios introductorios al Inventario de la riqueza monumental y artística de Galicia, de Ángel del Castillo (A Coruña, 2008). Ha sido galardonado con los premios de investigación Xesús Ferro Couselo (1999, 2000 y 2001), Cátedra (2006), Vicente Risco (2008) y Raigame – Xaquín Lorenzo (2011). Ha dirigido numerosas proyectos de investigación antropológica en Galicia y Portugal. Colabora habitualmente con la Fundación Barrié como asesor externo en iniciativas de recuperación y valorización patrimonial. En la actualidad, desarrolla su actividad laboral como especialista en el estudio de culturas fluviales (pesca, navegación sistemas tradicionales de molienda..) destacando sus análisis etnológicos de los rios Ocreza, Tua y Sabor.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Exposição de trabalhos de alunos da Escola Secundária de S. Pedro

Exposição de trabalhos de alunos da Escola Secundária de S. Pedro sobre a obra “A menina a ler” + 15 fotografias do escultor Maurício Penha
de 4 a 31 Outubro de 2013
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


«Maurício Meireles Penha (1913-1996) passou em Vila Real dois períodos distintos da sua vida. Enquanto jovem adolescente frequentou, como aluno, o Liceu Nacional Camilo Castelo Branco, no início da década de 30 do século XX; trinta anos depois, em 1962, volta a Vila Real como professor e lecciona Educação Visual na antiga Escola Comercial e Industrial de Vila Real, hoje Escola Secundária de S. Pedro, onde esculpiu em granito a obra " A menina a ler" -  que ofereceu à Escola – e que todos os vila-realenses tão bem conhecem.
Na comemoração do centenário do nascimento do artista, a Escola Secundária de S. Pedro, em Vila Real, associou-se à efeméride homenageando, muito justamente, o escultor Penha, com um conjunto de actividades integradas no plano de Escola.
É o resultado dessas actividades que ora se apresentam na Livraria Traga_Mundos, não podendo deixar de agradecer aos órgãos directivos, corpo docente e alunos da Escola Secundária de S. Pedro a forma generosa como souberam honrar a memória do seu antigo professor.

Sanfins do Douro 3 de Outubro de 2013

O Presidente da Direcção
José Carlos Boura»



Esta exposição é complementada por mais 15 fotografias de autoria do escultor Maurício Penha.


Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- 20 de Outubro de 2013 (3.º domingo do mês), pelas 7h30: passeio pedestre pelo Douro Vinhateiro (Provesende – Pinhão - Provesende) por Lagoa Trekking;
- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;
- 2 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor;
- 3 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h30: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor, no Museu do Pão e do Vinho em Favaios, com a presença de Dona Rosália;
- 9 de Novembro de 2013 (sábado), das 14h30 às 18h30: Oficina de Fotografia por Rita Almendra;
- 11 de Novembro de 2013 (segunda-feira): São Martinho e Magusto na Traga-Mundos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 16 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: Curso de Prova de Vinho do Porto [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 17 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h00: visita a Coimbra de Mattos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua”;
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Passeio pedestre pelo Douro Vinhateiro

Passeio pedestre pelo Douro Vinhateiro – Património Mundial
dia 20 de Outubro de 2013 (domingo), pelas 7h30
actividade organizada por Lagoa Trekking para a Traga-Mundos


Em cada terceiro domingo do mês[*] a Lagoa Trekking organiza uma actividade para a Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real.
Assim, para Outubro, no dia 20, domingo, e porque após as vindimas as folhas adquirem uma diversidade de cores, propomos:

«O início do percurso é em Provesende, um percurso circular onde se pode desfrutar do contacto direto com a vinha e as com suas gentes.
Provesende foi classificada em 2001 como aldeia Vinhateira e é uma das antigas povoações de Vila Real, pois já existia no reinado de D. João VI de Leão. Como motivos de interesse podemos ver o pelourinho, o chafariz do século XVIII e a igreja matriz, de traça setecentista. Provesende possui ainda uma série de solares e casas nobres, atestando o poder da nobreza local, muitas vezes ligada ao vinho do Porto, como é o caso dos edifícios conhecidos como Casa da Calçada, Casa do Fojo ou Casa do Fundo da Vila.
Com vistas para o rio Douro e para a vila do Pinhão, descemos por entre vinhas e quintas, acompanhados pela azáfama diária. A chegada ao Pinhão, na margem direita do rio Douro, será ao longo do rio Pinhão, afluente do Douro. Esta Vila é considerada o coração do Alto Douro Vinhateiro, onde se localizam muitas das quintas que produzem o vinho do Porto. Um dos locais obrigatórios a visitar é a principais Estação de Caminhos de Ferro, construída no século XIX, com painéis de azulejos de grande beleza retratando cenas quotidianas do Pinhão.
Após a descoberta da vila, deixamos o som da água para trás e subimos novamente por entre vinhas até Provesende.
Dificuldade - Média
Duração – 5.30 horas»

O ponto de encontro é na Traga-Mundos, pelas 7h30, para organizarmos o transporte de todos os participantes – quem estiver mais próximo de Provesende, o ponto de encontro será no largo da aldeia. Asseguramos igualmente mochila day pack, bastões de trekking, seguro de acidentes pessoais, boa disposição e um café na aldeia. É aconselhável cada levar calçado robusto e confortável, água para beber e, caso necessitar, comida leve e energética – e máquina-fotográfica para registar momentos inesquecíveis! Venha trekkar connosco...
Preço por participante: 15,00 euros – preço para estudantes: 13,00 euros (número mínimo de pessoas: 8, número máximo: 20)
Inscrições (até 19 de Outubro) na Traga-Mundos, ou pelos seguintes contactos: 259 103 113, 935 157 323,traga-mundos1@gmail.comtolagoa@gmail.com. Transferência bancária para NIB 0033 0000 45418719535 05.
[* Salvo outros compromissos por parte da Lagoa Trekking e/ou Traga-Mundos]


Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- de 4 a 24 Outubro de 2013: exposição de trabalhos de alunos da Escola Secundária de S. Pedro sobre a obra " A menina a ler" do escultor Maurício Penha;
- 2 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor;
- 3 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h30: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor, no Museu do Pão e do Vinho em Favaios, com a presença de Dona Rosália;
- 9 de Novembro de 2013 (sábado), das 14h30 às 18h30: Oficina de Fotografia por Rita Almendra;
- 11 de Novembro de 2013 (segunda-feira): São Martinho e Magusto na Traga-Mundos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 16 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: Curso de Prova de Vinho do Porto [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 17 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h00: visita a Coimbra de Mattos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Porto do meu tempo

“O Porto do meu tempo” de João de Araújo Correia

antologia comemorativa do centenário do nascimento do autor coordenada por João de Araújo Correia (Filho) e José Viale Moutinho
prefácio de José Viale Moutinho

«Não nasci no Porto. Mas, tenho-lhe tanto amor
como se ali nascesse. Nada do que interesse
ao Porto me desinteressava a mim.

Ir ao Porto ou, com mais calor familiar,
ir até ao Porto ou até o Porto,
é sempre uma festa para o duriense –
até nos casos em que
a festa envolve necessidade.»

João de Araújo Correia
in “Passos Perdidos” (1967)

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também os títulos: “Palavras Fora da Boca”, “Caminho de Consortes”, “Nuvens Singulares”, “Lira Familiar”, “Pátria Pequena”, “Pontos Finais”, “Contos e Novelas I (Contos Bárbaros, Contos Durienses, Terra Ingrata)”, “Contos e Novelas II (Cinza do Lar, Casa Paterna, Caminho de Consortes, Folhas de Xisto)”, “Sem Método – notas sertanejas” e “O Porto do meu tempo”. “O Homem do Douro nos contos de João de Araújo Correia” de Altino Moreira Cardoso e “à conversa com João de Araújo Correia” de José Braga-Amaral. Letras Com Vida – literatura, cultura e arte, n.º 2, 2.º semestre de 2010 dossiê escritor “João de Araújo Correia” coordenação de António José Borges. Revista “Geia” n.º1 (Dezembro 2009) e n.º 2 (Dezembro 2011), edição da Tertúlia de João de Araújo Correia – recordamos que também disponibilizamos a ficha de adesão à Tertúlia de João de Araújo Correia]

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Recolhas musicais da tradição oral


KURT SCHINDLER
Recolhas Musicais da Tradição Oral Miranda do Douro (1932)
Cércio, Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: Kurt Schindler 1932
Local de Gravação: Cércio
Ano de Edição: 2006

Kurt Schindler, nascido em Berlim (Alemanha) em 17 de Fevereiro de 1882, terá sido, tanto quanto se sabe, o primeiro estrangeiro a efectuar gravações de campo por terras do Planalto Mirandês. Com efeito, foi em 2 de Outubro de 1932 que, na aldeia de Cércio, próxima da cidade de Miranda do Douro, registou em cilindros de alumínio vários laços, toques de gaita de foles e cantigas populares, utilizando um gravador portátil da marca Fairchild.
As recolhas efectuadas por Kurt Schindler seriam publicadas postumamente (faleceu em New York em 16 de Novembro de 1935), mais precisamente em 1941, dispondo-se actualmente de uma edição fac-simile publicada em 1991 pelo Centro de Cultura Tradicional de Salamanca e pelo Hispanic Institute (da Columbia University, sediado em New York), com o título Música y Poesia Popular de España y Portugal. Nesta obra foram incluídas as partituras de alguns laços recolhidos em Cércio e tendo como informantes Francisco Martins (gaita de foles), Manuel Maria Caleijo (caixa de guerra) e Francisco Maria Gonçalves (bombo), assim como alguns cantos, referenciadas como tendo sido recolhidas em Miranda do Douro (sem, todavia, se conhecerem os respectivos informantes).
Estamos na presença de documentos de inestimável valor cultural, linguístico e etnomusicológico e, nesta perspectiva, deixa de ter qualquer importância a deficiente qualidade técnica dos registos. Acresce, por exemplo, que no que se refere aos toques de gaita, se trata do único registo documental disponível sobre a arte do gaiteiro Francisco Martins, o famoso e mítico gaiteiro de Cércio – popularmente conhecido como sendo o Tiu Nieves ou Tiu Cabreiro – amplamente referenciado pelos mais velhos gaiteiros da zona (casos de Manuel Paulo Martins, de Vale de Mira, e de Manuel Francisco Aires, dito Tiu pascoal, de Cércio, entre outros) como tendo sido um dos melhores tocadores do seu tempo. Francisco Martins foi o gaiteiro que foi a Londres, com o grupo de pauliteiros de Cércio, em 1934, por iniciativa do investigador Rodney Gallop e que, segundo as crónicas jornalísticas da época, “era tão velho como a gaita que tocava”.


Reportório:
1. Toques de gaita.
Instrumentistas:
Francisco Martins (Gaita de foles)
Manuel Maria Caleijo (caixa de guerra)
Francisco Maria Gonçalves (bombo).
Espécimes: Bicha, Aninhas à Varanda, Diolinda, Moda de Gaiteiro (1), Ofícios, Alvorada, Passacalhes e Moda de Gaiteiro (2).

2. Lhaços.
Ditos/cantados por informantes não identificados (nalguns casos admitidos terem sido transmitidos por Manuel Maria Caleijo).
Espécimes: Ofícios, Anramada, Lhiebre, O touro de esta vila, Canário, Rosas, Ao lugar de Freixenosa, Caballero, Palombas, Birandum, A la verde retramar, El vilhano de Zamora, Padre António, la Puente de Dinguelundeira.


3. Outras modas.
Ditas/cantadas por informantes não identificados. Espécimes: Habas Verdes, Os reis e Beijai o Menino. Tendo como informante Manuel Maria Caleijo: Os Mandamentos do Vinho.

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[também da colecção Cantos e Músicas Tradicionais os títulos: POR UN DIUS QUE MOS CRIOU! Cantos e Músicas Religiosas Tradicionais – Miranda do Douro n.º 6, TOQUES TRADICIONAIS DE MISSA E DE PROCISSÃO Miranda do Douro n.º 8, O PÃO NOSSO DE CADA DIA Cantos e contos, Saberes e Fazeres – Miranda do Douro n.º 12]

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Emigração na Freguesia da Campeã

“A Emigração na Freguesia de Santo André da Campeã (1848-1900) de Celeste Castro

Há muito tempo que os historiadores sentem necessidade de investigar e compreender o fenómenos das migrações dos povos. Quais as razões que levaram as pessoas a deixar a sua terra, a sua família, as suas raízes para se lançarem num mundo desconhecido, por terras de além-mar? 
O que é que terá levado estas gentes a tal demanda? Terá sido o espírito aventureiro de um povo o que o lançou nesta aventura, desde o século XV? Será consequência directa de conjunturas políticas, sociais e económicas? Terão sido problemas familiares os que obrigaram estas gentes a procurar essa terras desconhecidas? Quem emigrava? E por que razão? Se estas questões, só por si, nos merecem uma reflexão crítica no sentido da compreensão dos condicionalismos que poderão ter originado tal fluxo, é também importante inserir a emigração no âmbito mais restrito da paróquia e da família. É neste contexto que se pretende situar o presente estudo através dos movimentos migratórios da paróquia de Santo André da Campeã e as consequências da emigração para o Império do Brasil, num período compreendido entre 1848 e 1900, procurando analisar-se, a partir das direcções que a emigração portuguesa tomou a partir do século XX.

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