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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Poesia de Domingos Monteiro

“Poesia [Orações do Crepúsculo, Nau Errante, Evasão, Sonetos]” de Domingos Monteiro


«Domingos Monteiro tinha 16 anos de idade quando publica, em 1920, o seu primeiro livro de versos, Orações do Crepúsculo, que parece evocar, no título, as Escolas Decadentista e Saudosista, em que se situa, apesar do nascimento, cinco anos antes, da explosão de Orpheu. Quem o prefacia, com franco entusiasmo, é Teixeira de Pascoaes, considerando o autor “adorável esperança” e o seu livro “poesia vivida e viva-sincera”. Logo o ano seguinte, Domingos Monteiro dá à estampa mais versos, em Nau Errante, quase todo preenchido por sonetos de grande beleza e perfeição formal. E esta inspiração precoce prometia uma vasta e festejada carreira. Todavia, o escritor encontra outro percurso literário na ficção, tornando-se um dos contistas maiores do século XX português.
A poesia só lhe regressa em 1953, com o livro Evasão (“ E aos poucos/volto a ser eu na noite descoberta...”), quase todo escrito em verso livre, em que transmite muito amargor, muito sofrimento de alma. 25 anos depois, edita Sonetos, o seu derradeiro livro de versos, de grande rigor clássico, pois, como afirma, “revelam uma aceitação pelas regras fundamentais da poesia, que não sendo respeitadas a desvirtuam completamente.” A Imprensa Nacional-Casa da Moeda publica toda esta poesia em volume, prefaciado por António Cândido Franco, cuja sensibilidade e inteligência culta a estudam com admirável compreensão. É uma justiça que se faz ao poeta quase ignorado. » [António Couto Viana,  leitur@ Gulbenkian]


Pousa a tua cabeça no meu peito
Nas minhas mãos as tuas mãos inquietas
Vamos os dois caçar as borboletas
As quimeras dum sonho insatisfeito.

Será de lírios castos nosso leito
Como as almas dos lívidos profetas
De todo o mundo, enfim, virão poetas
Cantar o nosso amor calmo e perfeito.

Ao jeito antigo, calçarás sandálias
E eu curvar-me-ei por sobre as áleas
Para beijar a sombra de teus pés.

Todos te sonharão em teu mistério
Serás p'ra eles como um vulto aéreo
Mas só eu saberei como tu és.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também do autor os títulos “Contos e Novelas” Vol. I, “Contos e Novelas” Vol. II, “Contos e Novelas” Vol. III, “Contos e Novelas” Vol. IV, “Contos e Novelas” Vol. V, Ensaios]
[Nota: as edições originais da obra de Domingos Monteiro encontram-se esgotadas; esta é uma edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, efectuada entre Maio de 2000 e Junho de 2004, com tiragens de apenas 800 exemplares...]

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Histórias deste mundo e do outro e outras quase verdadeiras...

A Traga-Mundos tem o orgulho de acolher a obra reunida de mais um emérito autor «transmontano de boa cepa»: Domingos Monteiro
«Ficcionista, dramaturgo, poeta, ensaísta, nascido a 6 de setembro de 1903, em Barqueiros, Mesão Frio, e falecido em 1980, em Lisboa. Licenciado em Direito, fundou a editora Sociedade de Expansão Cultural; foi diretor das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Tradutor de Balzac, Dostoievski, Thomas Mann, Maupassant, Poe, Mark Twain, afirmou-se como ficcionista numa obra que, combinando originalmente o social com elementos fantásticos e psicológicos, é movida pela convicção de que "não se deve deixar sossegada e tranquila a consciência dos homens, pois que esta só pode exercer o seu primado numa atmosfera de angústia e de inquietação» (cf. posfácio a O Mal e o Bem, 3.a ed., 1957).

«Encontramos o futuro escritor em Vila Real, entre 1918 e 1920, como aluno interno do Liceu Central de Camilo Castelo Branco. Aqui passou pois aproximadamente dois anos, deixando-nos referências à Vila Real que conheceu num romance de pendor autobiográfico intitulado “O Caminho para Lá”.» 
Nesta obra «o escritor revela já muitas das suas vivências vila-realenses: a decisão de vir estudar para Vila Real; a partida do batalhão do RI 13 para a Grande Guerra em 21 de Abril de 1917; uma descrição do passeio de trás do cemitério, que aliás lhe serviu de cenário para o encontro com a primeira namorada; a passagem do comboio em Tourinhas; o convívio com os colegas do Liceu, que o alcunharam de Guedelhas, onde se revelou um rapaz destemido; a doceira que vendia bolos («doces cobertos com açúcar corado») à porta do Liceu e que, por metade do preço, permitia que os clientes apenas lambessem os doces; a sua primeira experiência sexual, que aliás lhe causou repugnância, com uma mulher que «por um tostão exibia aos estudantes as intimidades do seu corpo» (situação também descrita pelo Coronel Chico Costa num conto inédito); os efeitos da Traulitânia e da pneumónica; as amizades que lhe foram proporcionadas pelo meio; o sucesso da sua vida escolar em Vila Real.» [Grémio Literário Vila-Realense]

«Foi a sua segunda mulher que teve um papel importante na génese dos seus contos e narrativas, publicados depois dos anos 60, colaborando estreitamente com ele, em todas as fases da elaboração do seu trabalho.
Domingos Monteiro arquitectava o enredo dos seus livros e construía mentalmente o plano da obra. Os seus últimos livros foram ditados a D. Ana Maria como quem conta um conto.
A partir daí, era a ela que competia a edição do texto e a sua conclusão até toda a obra estar impressa.»

Obras de Domingos Monteiro:
“Contos e Novelas” Vol. I – “Enfermaria, Prisão e Casa Mortuária” (1943), “O Mal e o Bem e outras novelas” (1945), “Contos do Dia e da Noite” (1952): Vol. II – “Histórias Castelhanas” (1955), “Histórias Deste Mundo e do Outro” (1961), “O Dia Marcado” (1963); Vol. III – “Contos do Natal” (1964), “O Primeiro Crime de Simão Bolandas” (1965), “Histórias das Horas Vagas” (1966); Vol. IV – “Histórias do Mês de Outubro” (1967), “A Vinha da Maldição e outras histórias quase verdadeiras” (1969), “O Vento e os Caminhos” (1970), Vol. V – “O Destino e a Aventura” (1971), “Letícia e o Lobo Júpiter” (1972) e “O Sobreiro dos Enforcados e outras narrativas extraordinárias” (1978).
“Poesia” – “Orações do Crepúsculo” (1920), “Nau Errante” (1921), “Evasão” (1953) e “Sonetos” (1978).
“Ensaios” – “Bases da Organização Política dos Regimes Democráticos” e “Livros Proibidos e outros ensaios”
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[Nota: as edições originais da obra de Domingos Monteiro encontram-se esgotadas; esta é uma edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, efectuada entre Maio de 2000 e Junho de 2004, com tiragens de apenas 800 exemplares...]