segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A Guerra que Portugal quis esquecer (Moçambique)


“A Guerra Que Portugal Quis Esquecer” de Manuel Carvalho

O desastre do exército português em Moçambique na Primeira Guerra Mundial.

«Na Grande Guerra de 1914-18, o exército português sofreu a sua maior derrota em África desde Alcácer Quibir. No Norte de Moçambique morreram mais soldados portugueses do que na Flandres. Não tanto pela razia das balas alemãs. Mais pela fome, pela sede, pela doença e pela incúria. Minada pela vergonha, a I Guerra em Moçambique acabou votada ao esquecimento. Não tinha lugar numa nação que até 1974 sonhava com um império ultramarino. Numa viagem de mais de 2500 quilómetros, o PÚBLICO foi à procura dessa guerra sem rosto. Os cemitérios dos soldados foram profanados ou são lixeiras, mas o milagre da tradição oral conservou as suas memórias até hoje.»


Manuel Carvalho é jornalista e desenvolveu quase todo o seu percurso profissional na redação do Porto do jornal Público(excetuando um breve período entre 1999 e 2000, em que integrou o Diário Económico). Para além de ter pertencido ao grupo de jovens escolhido, em 1989, para formar a primeira redação do jornal, entre 2000 e 2013 ocupou as funções de subdiretor e de diretor adjunto. Foi ainda professor do ensino básico, durante dois anos.
Nascido em Alijó, Alto Douro, fez os seus estudos superiores no Porto, primeiro com um bacharelato na Escola Normal e mais tarde na Faculdade de Direito e na Faculdade de História da Universidade do Porto, onde se licenciou. Fez o curso de jornalismo do Cenjor e foi fellow do German Marshall Fund, nos Estados Unidos, e do International Studies and Training, no Japão. Venceu vários prémios de jornalismo, o último dos quais em 2015 – o Prémio Gazeta de Imprensa com a série de reportagens sobre a Primeira Guerra Mundial em Moçambique, que estão na base deste livro.
É, atualmente, redator principal do Público e integra o painel de comentadores de assuntos políticos e económicos da RTP Informação e da RTP2.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

domingo, 29 de novembro de 2015

Traga-Mundos na Culturgal, Galiza


A Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real, foi convidada para participar com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no âmbito do stand da Cultura Que Une, na Culturgal – Feira das Industrias Culturais da Galiza, que se realiza nos dias 4 (sexta-feira), 5 (sábado) e 6 (domingo) de Dezembro de 2015, Pazo da Cultura de Pontevedra, Galiza.


sábado, 28 de novembro de 2015

Manifesto do Calhau, pela Poesia

 

MANIFESTO DO CALHAU, PELA POESIA


Vila Real, outubro de 2015


Excelentíssimos transmontanos,
Altíssimos portugueses,
Caríssimo/a leitor/a ou ouvinte,

A Poesia não está na rua.
Não está nos muros, nos vidros, nas árvores e nos cafés. Não está sequer nas tascas, onde se bebe o maduro p’ra sonhar.
Há Poesia antes de qualquer estilo literário, escola, credo e antes de qualquer texto.
Para nós não há sabedoria alguma em afirmar que o Universo nasceu de um poema. Que se espalhou e se espalha como vírus, cuja febre é o sintoma inicial mais comum, mais prolongado e gravemente contagioso.
Segue, assim, o nosso movimento a curva degenerativa dos dias, nesta Vila Real e em todo o lado. O Calhau se constituiu, à força de estarmos já moribundos, por conselho de um traga_mundos. E o Calhau segura um largo pote de barro de Bisalhães, onde cabem palavras, sons e imagens. É arte, toda a mistura que aqui vai!
E o caldo partilha-se desde sempre e é cada vez mais urgente fazê-lo. Quem não divide, ou tem bolor a dar à pele ou é admirador secreto do Dantas ou vai envelhecer no alto do Restelo ou é tudo isso junto! Arreiem.
Tendo sido parido fora do tempo, devido à febre corrosiva, libertou-se da rima, curado com mezinhas, e abriu-se ao mundo sem querer andar em círculos, muito menos nos pseudo intelectuais. Porque o mais importante é a forma e não o conteúdo, que é quase sempre o mesmo – bem o sabemos.
Não há fronteiras nem territórios nem terrenos - ainda nos davam um tiro por irmos às castanhas sem convite. Não! Para nós há amigos, camaradas, criadores. Serve este manifesto também de convocatória a esses, a quem lhes foi dado o silêncio quando quiseram falar. Acheguem-se. Há cada vez mais espaço. É que em terra de visuais, quem é cego reina com a coisa. O bandido do traga_mundos aguentou-nos na cave. É lá que respiramos.
A Poesia há de chegar a todo o lado!
Para cumprir tal empreitada, que de baixo timbre nada tem, sedimenta no Calhau, como deve ser, a força granítica do Alvão e do Marão, a sublimidade nordestina da amendoeira em flor e a renovação da agave americana do Alentejo, através das seguintes palavras caras:
- Diálogo poético entre nós e com vocês;
- Criação de textos, poemas, desenhos, pinturas e tudo o mais que nos aprouver, que dê p’ra botar no caldo;
- Partilha das criações artísticas, à porta fechada, à porta aberta e sem porta e sem janelas.
Atento. Inquieto. Experimental. Prático. Quer colaborar. A fiar. Pela arte límpida.
Corremos às fontes a beber da água que ainda enche o espírito, aos autores transmontanos, aos portugueses e aos universais.
A Poesia há de chegar a todos!
Conta um sábio amolador, enquanto afia o cutelo do talhante, que certo dia veio ao seu encontro um vulto desconhecido, quem sabe um forasteiro, com as unhas e os dentes tremeluzentes. "Mestre amolador, afia as minhas unhas e acutila os meus dentes. Desejo cumprir a demanda por uma poesia que não vacile na hora de enfrentar a decadência.", arreou o Calhau.
Sem ponta de esforço e sacrifício na cara. Esse já foi feito em Panóias, p’ra que pudéssemos estar hoje aqui.
Da Poesia não se faz vida. Vive-se!


Vosso,
Calhau

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Postais da Primeira Grande Guerra, de Aires Torres


"Querida Maria – Postais da Primeira Grande Guerra" de Aires Torres
(com 160 imagens)
Cadernos do Museu do Som e da Imagem (n.º 20)

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da colecção os seguintes títulos: “Nos 50 anos da televisão em Portugal – quando tudo começou” de António Barreto, “A Avenida da Marius”, “Ciclismo em Vila Real – memória fotográfica”, “Cargaleiro – obra gravada”, “Vila Real vista do céu – oito décadas de fotografia aérea”, “Memórias do Bairro de Santa Margarida”, “Memórias dos Bombeiros Voluntários – Nos 120 anos dos Bombeiros Voluntários de Vila Real e Cruz Verde”, “António Narciso Alves Correia – a fotografia em Vila Real na década de 1870” de Elísio Amaral Neves, “Vila Real pela objectiva de Filipe Borges Júnior”, “Construtores de Instrumentos Musicais de Trás-os-Montes e Alto Douro” e “Fez-se Mais Curto o Caminho entre o Marão e Espinho” de Elísio Amaral Neves, “Liceu Velho, Liceu Novo”, “Biodiversidade de Vila Real – Uma abordagem fotográfica”, “Vila Real pela objectiva de Filinto Monteiro”, “Vila Real – Nos 40 Anos do 25 de Abril”, “Circuito de Vila Real – o início”, "Biodiversidade de Vila Real – Nova abordagem fotográfica", “Desenho de Natureza e Desenho Científico”, "Rua Central – Memória Fotográfica"]

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Dia da Livraria e do Livreiro - para o leitor

30 novembro, segunda-feira:

CINCO COISAS QUE UM LEITOR PODE FAZER NO DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO:

1. Visitar a sua livraria independente.

2. Levar um amigo à sua livraria independente e apresentá-lo ao livreiro.

3. Entrar numa livraria em que nunca tenha entrado e conhecê-la, conhecer os seus livros e conhecer o seu livreiro.

4. Assistir às atividades de animação e promoção do livro que o livreiro preparou para os seus leitores e colaborar nelas.

5. Levar consigo a sua lista de presentes de Natal e aproveitar para comprar alguns na livraria, aproveitando as promoções e ofertas do dia.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Albano - histórias de vida - canções e trovas


“Albano – Histórias de Vida – Canções e Trovas” de Albano Augusto Alves Pereira
Campeã, Vila Real

Neste livro que escrevo
Vou ver se me atrevo
A descrever um passado
Da forma como o pensei
direi nele o que passei
para que seja lembrado

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Apresentação de "Sancirilo", A.M. Pires Cabral por Vítor Nogueira


A Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real, foi convidada para participar com uma banca de livros de A.M. Pires Cabral na sessão de apresentação do livro “Sancirilo”, por Vítor Nogueira, que irá acontecer dia 26, quinta-feira, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Diário de João de Araújo Correia


“Manta de Farrapos” de João de Araújo Correia

«É um diário sentimental o conteúdo destas páginas de João de Araújo Correia, mas um diário sentimental em que a vida lateja, linha após linha, página que segue outra página.
Não se esquece Araújo Correia do amor que devemos à nossa língua; dos elos que nos ligam ao Brasil, da paisagem humana e geográfica do nosso nordeste.
Em tudo isto está o criador de ficção; mas está também o artista, a sensibilidade do duriense a descobrir no dia a dia dos seus olhos rasgados os motivos de renovação da sua literatura, da sua presença literária, do seu estilo, dos seus contactos com os entes seus semelhantes. Ponto de encontro entre o passado e o presente Araújo Correia relembra os grandes do seu sítio, do seu regionalismo universalista – sejam eles os médicos, os romancistas como Camilo ou os narradores seus mestres e seus iguais, como Trindade Coelho. O volume Manta de Farrapos é tão fora do comum e o seu estilo é tão permeável ao diálogo que, mal ele se encontra lido, logo dá vontade de se voltar ao princípio. A lição larga que de ele se colhe fica amplamente documentada nesse desejo, um desejo que se espraia por mais de duas centenas de páginas.
É esta a originalidade de Manta de Farrapos que quase dá vontade de classificar como manta de brocado.» Amândio César

João de Araújo Correia nasceu no primeiro dia do ano de 1899, em Canelas do Douro. Frequentou a escola primária na Régua. No liceu de Vila Real fez exame de Francês e Inglês. Para prosseguir os estudos, partiu para o Porto e aí frequentou a Escola Académica antes de ingressar na Faculdade de Medicina. Devido a doença, teve de interromper o curso, que concluiu apenas seis anos mais tarde. Aproveitou a convalescença para ler e escrever, para se cultivar e reflectir. Nesse período, iniciou a sua colaboração na imprensa regional. Em 1922, casou com Maria da Luz de Matos Silva, de quem teve cinco filhos. Fixou-se na Régua. Em 1935, fundou, com dois amigos, a Imprensa do Douro, que publicou quase todos os livros do escritor. A sua verdadeira estreia literária foi em 1938, com Sem Método. Médico a tempo inteiro e escritor de “horas mortas”, João de Araújo Correia desenvolveu, contudo, uma intensa actividade literária, publicando com regularidade contos, crónicas, ensaios, sem esquecer a colaboração na imprensa regional e nacional. Em 1969, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Novelística. Morreu a 31 de Dezembro de 1986 e foi sepultado em Canelas do Douro.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
também disponível os títulos: “Pátria Pequena”, “Palavras Fora da Boca”, “Pontos Finais”, “Nova Freguesia”, “Depoimento de João Semana Sobre a Vida Clínica de Aldeia”; “Contos e Novelas I (Contos Bárbaros, Contos Durienses, Terra Ingrata)”, “Contos e Novelas II (Cinza do Lar, Casa Paterna, Caminho de Consortes, Folhas de Xisto)”, “Sem Método – notas sertanejas”, “Contos Bárbaros”, “O Porto do meu tempo”. “Perfil Literário de João de Araújo Correia” de Cruz Malpique, “O Homem do Douro nos contos de João de Araújo Correia” de Altino Moreira Cardoso, “João de Araújo Correia – Cronista das Gentes do Douro” de Manuel Joaquim Martins de Freitas (vencedor do Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / CMF). “à conversa com João de Araújo Correia” de José Braga-Amaral. “Papagaios de Papel – Leitura de um conto de João de Araújo Correia” de Maria da Assunção Anes Morais. “Letras Com Vida – literatura, cultura e arte”, n.º 2, 2.º semestre de 2010 dossiê escritor “João de Araújo Correia” coordenação de António José Borges. Revista “Geia” n.º 1 (Dezembro 2009), n.º 2 (Dezembro 2011) e n.º 3 (Setembro 2013), edição da Tertúlia de João de Araújo Correia – recordamos que também disponibilizamos a ficha de adesão à Tertúlia de João de Araújo Correia]

domingo, 22 de novembro de 2015

Apresentação do manifesto "Calhau" - colectivo de poetas


Apresentação do manifesto “Calhau” – colectivo de poetas
dia 28 de Novembro de 2015 (sábado), pelas 21h00
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


O CALHAU

Há ventos tempestuosos, outros trazem bonança. Há ventos que arrancam calhaus aos rochedos das falésias, quais parideiras a dar à luz para o abismo das falésias soturnas, infinitas. O Calhau não é isto. É mesmo nada. Mas os meados do ano corrente fizeram confluir a Vila Real preocupados com o estado da Arte - e talvez deste frágil país - à volta de uma taça de tinto, de visões, feixes alucinatórios em cascata, de livros, pinturas, desenhos, canções e sons e derivas e derivados. Este "estado da arte" não é desses com que se introduz um artigo de âmbito científico. Não. A Ciência tem desígnios tão pequerruchinhos, que logo cala quando o Calhau arreia...

PROGRAMA DE FESTAS

Todos são convidados nobres para o arraial. Serão recebidos com Porto e biscoitinhos, enquanto se ultimam certas formalidades no submundo da "sui generis" livraria. Com gentileza, serão os convidados depois incitados a descer e a acomodar-se. Em seguida decorrerá a primeira atividade oficial do Calhau: uma tertúlia literária, onde senhores e senhoras são desde já instigados a trazer e ler arreios de toda a espécie e feitio, de sua propriedade ou não. O momento mais esperado da noite será a leitura do "Manifesto do Calhau, pela Poesia", em que os fundadores do coletivo tentam dizer qualquer coisa sobre Tudo. Por fim, como não podia deixar de ser, irromperá aos céus uma imensa largada de foguetes, foguetinhos e foguetões, enquanto cá em baixo se conversa e bebe, se ainda houver, o Porto inspirador.

Nota Bem: informa o Calhau que está a ser feito todo o tipo de esforços para que o Hades participe e chegue a tempo à cave, para abrilhantar tão elevado evento.

Venha participar...
e traga um@ amig@ também!


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- 1 a 30 de Novembro: exposição da colecção de arte da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016: Bazar de Natal e dos Reis da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016: exposição “Presé-pios” por João Pinto Vieira da Costa, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dias 4, 5 e 6 de Dezembro de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na Culturgal, Pontevedra, Galiza;
- dia 13 de Dezembro de 2015, domingo, pelas 14h30: participação no “Passeio pedestre por Terras de Maria Boa – do neolítico aos dias de hoje”, organizado pela Ad Justes – Associação para o Desenvolvimento de Justes, em Justes.

sábado, 21 de novembro de 2015

30 de Novembro - DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO


30 de Novembro – Dia da Livraria e do Livreiro

O dia 30 de novembro está à porta e traz-nos o sempre renovado desejo de indicarmos a todos o caminho de uma livraria. Não especialmente para esse dia em particular, mas para todos os dias.

Todos os dias são dias de trocar dois dedos de conversa com livreiras e livreiros, de ver novidades, de redescobrir os clássicos.

O 30 de novembro é um dia especial, é o DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO. É também o dia do leitor que visita as livrarias. É, pois, um dia de festa: festa da livraria, festa da livreira e do livreiro, festa do leitor.

Mais do que nunca é importante que os leitores conscientes do papel cultural da livraria passem a frequentá-la por necessidade, por desejo, sim, mas também por militância cultural, para ajudarem a despertar outras consciências, para marcarem hábitos de comportamento. Não basta dizer que as livrarias não podem morrer, que são muito importantes para a sociedade, que os seus livreiros não podem desistir, pois contribuem para fazer a diferença cultural na sua cidade. Há que passar das palavras à ação, marcando uma posição: eu frequento as livrarias independentes porque as considero indispensáveis, porque reconheço o seu papel, porque não quero que elas desapareçam.

No próximo dia 30 de novembro venha viver connosco o DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO.


[uma iniciativa do Encontro Livreiro e da Fundação José Saramago]

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

barco - Diogo Cão - Vila Real

 

miniatura de barco
Vila Real – Diogo Cão
madeira e pano estampado
das artes de Artesanato João Monteiro

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível: Sabrosa – Fernão Magalhães, Mirandela – Bartolomeu Dias]

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Casticismo em Unamuno e Torga


“Casticismo em Unamuno e Torga” de Carlos Carranca

«Surge neste grupo um jovem estudante de medicina, chamado Adolfo Correia Rocha. Por influência de Edmundo Bettencourt, colabora de alma e coração em várias publicações da revista Presença, publicando aí os poemas «Altitudes» (número 19); «Baloiço» (número 22); «Inércia» (número 22); «Remendo» (número 23); «Balada da morgue» e «Compenetração» (número 24) e, por fim, «O Caminho do meio», texto em prosa que virá no número 26.

É desta geração que se vai formar o gosto literário do futuro Torga. É, também, a ela, que vai buscar «a representação do Poeta e da Poesia». Torga será, talvez, um dos mais fiéis representantes dessa Geração, ainda que tenha, muito cedo, rompido com a direção da revista. Este rompimento poderá ser entendido como um ato resultante da sinceridade tão proclamada por Régio e seus camaradas de Coimbra”.

(...) “Desta Geração, que se bateu contra o conservadorismo atávico de alguns autores, pugnando por uma arte viva, espontânea e humana, registem-se os nomes de Adolfo Casais Monteiro (integrou a Direção a partir do número 13), Alberto Serpa, Saúl Dias, Francisco Bugalho, Carlos Queiroz, António Navarro e Fausto José”.

Mourão-Ferreira entende os valores que estes autores perfilham “como sendo o da liberdade de criação; o do individual sobre o coletivo; o da independência e o da intransigência face aos êxitos fabricados artificialmente. Estes são os princípios que toda a vida nortearam a ação literária de Miguel Torga (...)”.»


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
recordamos que temos o compromisso de sempre disponibilizar a obra completa de Miguel Torga: poesias, diários, teatro, contos, romance, ensaios e discursos; também os títulos “Dar Mundos Ao Coração – Estudos sobre Miguel Torga” organização de Carlos Mendes de Sousa, “Miguel Torga – o simbolismo do espaço telúrico e humanista nos Contos” de Vítor José Gomes Lousada, “A Obrigação, a Devoção e a Maceração (O Diário de Miguel Torga)” e “O essencial sobre Miguel Torga”de Isabel Vaz Ponce de Leão; “Miguel Torga – A Força das Raízes (Um itinerário transmontano)” e “Dois Homens num só Rosto – Temas Torguianos” de M. Hercília Agarez, “Uma longa viagem com Miguel Torga” de João Céu e Silva, “Miguel Torga: O Lavrador das Letras – Um Percurso Partilhado” de Cristovão de Aguiar, “A Viagem de Miguel Torga” de Isabel Maria Fidalgo Mateus, “Miguel Torga – o drama de existir” de Armindo Augusto, “Ser e Ler Miguel Torga” de Fernão de Magalhães Gonçalves; também os álbuns de Graça Morais (“Um Reino Maravilhoso”) e de José Manuel Rodrigues (“Portugal”); “O meu primeiro Miguel Torga” escreveu João Pedro Mésseder, Inês Oliveira ilustrou; “Entre Quem É! – Tradições de Trás-os-Montes e Alto Douro no Diário de Miguel Torga” e “Negrilho – Homenagem a Miguel Torga” de Maria da Assunção Anes Morais; “Miguel Torga – O Simbolismo do Espaço Telúrico e Humanista nos Contos” e “Viajar com... Miguel Torga” de Vítor José Gomes Lousada; “Miguel Torga e a Pide – A Repressão e os Escritores no Estado Novo” de Renato Nunes; “Miguel Torga – O Poeta Pintor” de Maria Fernanda do Amaral Soares]

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

José Afonso - Andarilho nas Astúrias


“José Afonso – Andarilho nas Astúrias” de Mário Correia

Un hombre muy serio y muy riguroso. No tenía nada que ver con otros cantautores que eran tipos más ligeros, más triviales, él era una persona muy interesante y muy comprometida.

No segundo ano que veio, José Afonso foi apoteótico. Uns meses antes tinha acontecido a Revolução dos Cravos e quando ele começou a cantar «Grândola Vila Morena», a Guarda Civil começou a desalojar as pessoas do carvalhal, mas toda a gente continuou a cantar.


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os seguintes títulos do autor: “Toques de Sinos na Terra de Miranda” – contém CD-ROM, “Histórias de Vida dos Gaiteiros do Planalto Mirandês ...Que de Fol’gaita Tocavam”, “Tamborileiros & Fraiteiros da Terra de Miranda”; “Pairavam Abutres nas Arribas” e “Que é Feito do Pastor João?” (novela)]

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Weyes Blood e Sean Nicholas Savage



PÁSSARO
ciclo de música

PÁSSARO – denomina-se assim o ciclo de música que arrancou neste 2015. Uma iniciativa que leva à região transmontana, e particularmente à cidade de Vila Real, artistas de referência nacional e internacional da música contemporânea, apresentados num espetáculo mensal, em local singular e com lotação reduzida a 100 pessoas.

Pelo Pássaro passaram já nomes como JP Simões, Jozef Van Wissem, Tó Trips, Norberto Lobo, Jennifer Castle e Peixe. 

--

Weyes Blood e Sean Nicholas Savage
Arquivo Distrital de Vila Real
22h
abertura de portas 21h

Lotação limitada a 100 pessoas 

bilhetes à venda
5€ estudantes / 7€ normal
Traga-Mundos - livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Arquivo Distrital de Vila Real
--

promotor e produtor
covilhete na mão

parceiro 
Arquivo Distrital de Vila Real

coprodutor
Teatro de Vila Real 

apoio
Governo de Portugal | Seceretário de Estado da Cultura | Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas
Câmara Municipal de Vila Real
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Greengrape
Altodouro.com 
O Revelador
Transa - Cooperativa Cultural
Traga Mundos 
Universidade FM

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

traga-contos: formação + sessão de contos, por Vítor Fernandes


Traga-Contos: formação + sessão de contos com o contador transmontano Vítor Fernandes
dia 21 de Novembro de 2015 (sábado)
15h00: formação | 21h00: sessão de contos
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


Oficina: Até te contava uma história
Duração: 3 horas
Descrição: Esta oficina pretende que cada formando descubra o contador que guarda dentro de si, pois todos nós somos contadores de histórias.
Ao mesmo tempo encontrar o prazer que existe em escutar e contar histórias, as emoções, os sentimentos, os valores e as regras que elas nos transmitem.

Conteúdo:
- Quem é o contador de histórias;
- Importância da voz, do olhar e da postura do contador;
- Conhecer diversos recursos para contar histórias;
- Onde Contar (espaços)
- Estrutura da narrativa;
- Mediação de Leitura/Contar histórias
- Experimentando Contar histórias.

 Cada formando deve:
- Vir com roupa confortável:
- Trazer um conto que queira trabalhar para que possa ser apresentado (se assim o entenderem) na sessão de contos “Alguns Contos lidos, outros tantos contados” que se realiza no dia 21 de Novembro pelas 21 horas.

Preço
13€ por pessoa - desconto especial a estudantes: 10€
[número mínimo de pessoas: 4, número máximo: 8]

A pré-inscrição pode ser feita desde já, na Traga-Mundos, ou pelos seguintes contactos: 259 103 113, 935 157 323, traga.mundos1@gmail.com, e o pagamento da inscrição deverá ser feito até 20 de Novembro, na Traga-Mundos ou por transferência bancária para o NIB 0033 0000 50068664116 05.

----------------------------------

21h00: sessão de conto [entrada livre]

“Era uma vez...
Numa rua de uma cidade existia um espaço, uma casa, um mundo diferente de todos os outros mundos quem lá entrava levava mundos, mas, assim como levava também deixava um pedacinho do seu próprio mundo. 
Naquele espaço, naquela casa, naquele mundo diferente de todos os outros de dois em dois meses partilham-se histórias, contos simples de tempos que já lá vão e de outros tempos que estão por vir, contos, histórias daquelas que nos fazem parar, pensar e sorrir porque a vida é repleta de coisas simples e belas.
Nas noites escolhidas de ouvidos atentos e olhares alerta as pessoas entram, sentam e abrem o coração às histórias, às minhas histórias, e eu também abro o meu coração às histórias de cada um porque naquele espaço, naquela casa, naquele mundo diferente de todos os outros todos somos contadores e escutadores de histórias.
E se no dia 21 de Novembro às 21h por acaso passar naquela rua, por aquele espaço, entre, sente-se e seja bem-vindo ao mundo do Era uma vez.”
Vítor Fernandes


«Vítor Manuel Azevedo Fernandes, licenciado em história variante arqueologia, natural do Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes. Na infância passava o tempo a ouvir as histórias contadas pela sua avó, e para adormecer pedia histórias à sua mãe. Um dia tropeçou nos contos e relembrou toda a infância e todo o tempo passado a ouvir histórias, rapidamente a cabeça foi invadida por questões tais como: mas como contar e o que contar. Encontrou respostas na Escola de Narração Oral de Clara Haddad e começou a fazer formação, fez ainda formação com vários contadores internacionais.
Desde de 2010 narra profissionalmente. Narrador que busca manter a força da tradição, seu repertório é repleto de contos de amor, de humor, de vivacidade, astúcia e emoção da tradição oral portuguesa.»

Venha ouvir...
e traga um@ amig@ também!


 António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- 1 a 30 de Novembro: exposição da colecção de arte da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 28 de Novembro de 2015, sábado: apresentação do manifesto “Calhau”, colectivo de poetas, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016: Bazar de Natal e dos Reis da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016: exposição “Presé-pios” por João Pinto Vieira da Costa, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dias 4, 5 e 6 de Dezembro de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na Culturgal, Pontevedra, Galiza;
- dia 13 de Dezembro de 2015, domingo, pelas 14h30: participação no “Passeio pedestre por Terras de Maria Boa – do neolítico aos dias de hoje”, organizado pela Ad Justes – Associação para o Desenvolvimento de Justes, em Justes.

domingo, 15 de novembro de 2015

Sanradela - fidalgos e plebeus

HOJE, dia 15 de Novembro de 2015 (domingo), pelas 15h00, estaremos em apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro + magusto, em Sanradela, terminado o périplo da apresentação desta obra por todos os lugares da freguesia de Vilar de Maçada, Alijó, Vila Real.


sábado, 14 de novembro de 2015

exposição "Presé-pios" 2015


exposição “Presé-pios” 2015

das artes de João Pinto Vieira da Costa, “Flora de Brincadeiras”

de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016

na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

quentes e boas! traga_mundos na rua


12 e 13.11.2015: 

QUENTINHAS e BOAS!

 a Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro reedita a acção de vender castanhas assadas no passeio em frente do 24 – 26 – 28, em homenagem à memória das vendedeiras de castanhas assadas da Rua Miguel Bombarda: a Marquinhas dos Jornais, a Glorinha da Fruta (ou do Tomé) – que vendia na porta 28 –, a Aurora da Araucária, a Rosinha dos Chapéus, a Adelaide...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

traga_poesias

Desenho de Cristiana Ferro

A partir de Novembro de 2015 até Outubro de 2016, irá estar exposta na livraria Traga-mundos uma imagem diferente cada mês.
Desafiamos os transmontanos a escrever um poema sobre essa imagem ao longo dos meses.

Este desafio foi criado pelo grupo Traga-Artes (secção artística da livraria Traga-Mundos) que é responsável pela criação das imagens (pintura, desenho, fotografia, etc) e que pretende fomentar o gosto pela escrita aliada à imagem.
Os vencedores são conhecidos em Novembro de 2016 e haverá muitas surpresas.
Regulamento:
•         Escrever um poema (no máximo 3) sobre a imagem exposta na livraria Traga-Mundos, que pode também ser vista na página https://www.facebook.com/Traga-Mundos-livros-e-vinhos-coisas-e-loisas-do-Douro-245452008819998 e em www.traga-mundos.blogspot.com.
•         O tema é livre, mas tem de se relacionar de alguma forma com a “imagem de inspiração”.
•         O desafio destina-se a pessoas naturais da zona de Trás-os-Montes ou que residam na mesma.
•         O poema deve ser impresso  em folha A4 devendo cingir-se apenas a uma página, e a sua formatação é livre.
· O participante deve entregar até ao último dia de cada mês o poema (juntamente com os dados necessários à sua inscrição) na livraria Traga-Mundos ou enviar para o endereço de email: traga.mundos1@gmail.com .
· Dados para a inscrição do participante: Nome, idade, telefone, e-mail, título do(s) seu(s) poema(s).


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com

Próximos eventos:
- 1 a 30 de Novembro: exposição da colecção de arte da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 15 de Novembro de 2015 (domingo), pelas 15h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro + magusto, em Sanradela;
- dia 21 de Novembro de 2015, sábado: formação e 4.ª sessão de Traga-Contos, com o contador transmontano Vítor Fernandes, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 28 de Novembro de 2015, sábado: apresentação do manifesto “Calhau”, colectivo de poetas, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016: Bazar de Natal e dos Reis da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 de Dezembro de 2015 a 6 de Janeiro de 2016: exposição “Presé-pios” por João Pinto Vieira da Costa, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dias 4, 5 e 6 de Dezembro de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na Culturgal, Pontevedra, Galiza;
- dia 13 de Dezembro de 2015, domingo, pelas 14h30: participação no “Passeio pedestre por Terras de Maria Boa – do neolítico aos dias de hoje”, organizado pela Ad Justes – Associação para o Desenvolvimento de Justes, em Justes.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Raízes: fumeiro transmontano


“Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista” n.º 16, Novembro 2015

Revista Raízes de Novembro já está nas bancas!
Muito se tem falado do fumeiro transmontano. Confusão, medos, polémicas. Um sector que de repente se vê com quebras enormes. Pretendemos esclarecê - lo nesta edição.
Ainda uma análise ao sector da Castanha. Cancro, tinta e vespa do castanheiro, o que fazer? Como prevenir?
Isto e muito mais!
Não perca


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os números 1 (Agosto), 2 (Setembro), 3 (Outubro), 4 (Novembro), 5 (Dezembro), 6 (Janeiro), 7 (Fevereiro), 8 (Março), 9 (Abril), 10 (Maio), 11 (Junho), 12 (Julho), 13 (Agosto), 14 (Setembro) e 15 (Outubro)]

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

isto anda tudo ligado...


“Isto Anda Tudo Ligado” de Eduardo Guerra Carneiro

«A frase “Isto anda tudo ligado” já é antiga, mas quem lhe deu vida nova e foros de expressão erudita foi o escritor e jornalista Eduardo Guerra Carneiro, que a usou como título num seu livro de poemas Isto Anda Tudo Ligado. E este título, como disse Jorge Listopad, numa nota publicada na «Colóquio-Letras», que aparentemente é um «slogan banal», tem sido centenas de vezes utilizado, por escritores, jornalistas, por músicos (como Sérgio Godinho) e não só. Creio que muitos que o utilizam já nem o relacionam com o grande poeta e a maravilhosa pessoa que foi o Guerra Carneiro. Não é o meu caso. Fui muito amigo e companheiro de luta do autor destas palavras. O livro em questão foi o primeiro da colecção Cadernos Peninsulares que o editor da Ulmeiro, o José Antunes Ribeiro, organizou em 1970. O meu livro A Poesia Deve Ser Feita por Todos, foi o segundo livro dessa colecção e seria apreendido pela PIDE. Ambos os títulos, o do Eduardo e o meu, são hoje livros de alfarrabista. As tiragens até nem foram pequenas, mas um incêndio no armazém da editora transformou-os em raridades. Ainda há relativamente pouco tempo comprei um exemplar do meu livro com as extremidades das páginas queimadas.

Na fotografia abaixo, tirada em Novembro de 1962, em Coimbra, da esquerda para a direita podemos ver o Egito Gonçalves, eu, o Eduardo e o António Cabral, ainda sacerdote católico na altura. O Eduardo, de perfil, parece ausente, alheado, coisa que lhe acontecia com frequência. Fomos ali reunir-nos por questões políticas e culturais – a expansão do Centro de Cultura Ibero Americana, que pretendíamos alargar editando um boletim periódico multilingue (nos idiomas da Península a que juntaríamos resumos em francês e inglês). Na reunião que fizemos, o Eduardo ao ouvir ler o rascunho para o manifesto sugeriu que fôssemos mais explícitos na exposição dos objectivos. Ironicamente, o Egito diria – «Escrevam à cabeça – Somos marxistas! Somos marxistas!». Mesmo sem sermos tão explícitos, anos depois, em Janeiro de 1965, o Círculo seria dissolvido pela acção das polícias políticas portuguesa e do estado espanhol.

Poesia, poetas, política… isto anda tudo ligado.» [blogue A Viagem dos Argonautas]
  

«O escritor e jornalista Eduardo Guerra Carneiro, um amigo que desde o dia um de Janeiro de 2004 já não está entre nós, deu como título a um seu livro de poemas «Isto Anda Tudo Ligado». E este título, como disse Jorge Listopad, numa nota publicada na «Colóquio-Letras», que aparentemente é um «slogan banal», quase um lugar-comum, tem sido centenas de vezes utilizado, por escritores, jornalistas, por músicos (como o Sérgio Godinho)  e não só. Creio que muitos que o utilizam já nem o relacionam com o grande poeta e a maravilhosa pessoa que foi o Guerra Carneiro. Não é o meu caso. Fui amigo e companheiro de luta do autor destas palavras. Evoco a conhecida frase «Isto anda tudo ligado» homenageando a memória do Eduardo.

Nesta fotografia, tirada em Novembro de 1962, em Coimbra, da esquerda para a direita podemos ver o Egito Gonçalves, eu, o Eduardo e o António Cabral, ainda sacerdote católico na altura. O Eduardo, de perfil, parece ausente, alheado, coisa que lhe acontecia com frequência. Talvez estivesse preocupado com a eventual presença nas proximidades de algum agente da PIDE.

Fomos ali reunir-nos por questões políticas e culturais – a expansão do Centro de Cultura Ibero-Americana, que pretendíamos alargar editando um boletim periódico multilingue (nos idiomas da Península a que juntaríamos resumos em francês e inglês). Mas voltemos ao Guerra Carneiro e ao seu livro.

Não era em globalização, na famosa globalização de que hoje tanto se fala, que o Eduardo pensava quando, em 1970, publicou o livro por acaso numa colecção da Ulmeiro onde também publiquei uma colectânea de poemas. Era na dimensão dialéctica do Universo na qual, de facto, tudo se relaciona e interage. Música, literatura, desporto, política, vida quotidiana, são fragmentos indissociáveis de uma mesma realidade que por comodidade e hábito de classificar, dividimos em compartimentos.
Fui passar esse fim do ano a Vilamoura (onde só consigo ir sem ser no Verão) e, no dia três de Janeiro, um sábado, estava na esplanada do Paulo China a ler o Expresso quando me saltou aos olhos o nome do Eduardo numa pequena notícia – Fora encontrado morto na madrugada do dia um num pátio subjacente ao seu terceiro andar. Presumivelmente suicidara-se, adiantava a notícia. Às primeira horas do novo ano. Quando regressei a Lisboa, logo telefonei a um amigo comum, o José Quitério. Sim, confirmou, o Eduardo suicidara-se. Poucos dias antes ao telefone tinha dito ao Quitério isso mesmo, que estava farto, que a vida não lhe interessava. O Zé pensou que fosse apenas um dia mau e que aquilo passasse. Não passou.

A última vez que estive com ele, pouco tempo antes, almoçámos juntos num restaurante perto do meu escritório. Trouxera-me alguns dos seus livros que eu  não tinha ainda lido e combinámos que iria colaborar num projecto editorial da empresa. Estava bem disposto, recordámos os velhos tempos de Vila Real, do Setentrião, do António Cabral e do Ascenso Gomes. Mas acabou por não fazer o tal trabalho – foi-me telefonando e adiando. Até àquele dia.

 As coisas não lhe tinham nunca corrido bem. Interrompera os estudos universitários por lhe parecer inútil o curso que frequentava. Profissionalmente, jornalista, um bom jornalista, diga-se, tinha de fazer muita coisa de que não gostava. Na vida privada, casamentos falhados, o refúgio no alcoolismo e, sobretudo, o suicídio inexplicável da sua filha, a  Catarina, destruiu a sua capacidade de resistência, provocaram-lhe o cansaço da vida que confidenciou ao Quitério. A soma de tudo isto resultou numa rápida viagem de três andares até ao cimento do pátio.

Quando estas coisas acontecem, ficamos sempre com uma sensação de culpa, com a ideia que poderíamos tê-las evitado conversando, acompanhando, ajudando. Porque, no fundo, quando estas coisas acontecem, todos temos, de facto, culpa por ajudarmos a manter um mundo em que tudo anda ligado, mas no qual não sabemos conservar entre nós pessoas como o Eduardo que, depois de desaparecerem, verificamos tanta falta nos fazerem.» [blogue Aventar]


"Os guerrilheiros que saem do Vává benzem-se à sua maneira, como se a próspera guerrilha se fundasse em qualquer casa além da linha. Sábios de nascença citam nomes e têm decorada uma biblioteca, tal qual alguns desenraizados do Saldanha - mas de modo diferente. Abotoam-se com esmero e engravatam-se ou não conforme as circunstâncias. Os guerrilheiros que entram no Vává usam as citações à bandoleira e telefonam com muita assiduidade." (Excerto de "Isto anda tudo ligado" (Lisboa, 1970), do poeta e flaviense Eduardo Guerra Carneiro, que dedico ao comentador ARD)

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível dos autores o seguinte título: “A Noiva das Astúrias”]