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sábado, 9 de fevereiro de 2019

Palavras Ditas - homenagem a António Cabral


dia 16 de Fevereiro de 2019, sábado, pelas 21h00
tertúlia poética “Palavras Ditas – homenagem a poetas da terra”
por José António Castelo Branco
na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal

Para quem me conhece, ao fazer esta Instalação Poética, na estrada da Alma Até á POESIA ,o objectivo é apresentar aos meus AMIGOS, presentes e de ocasião como de um cálice de porto, servido com palavras ditas e sentidas, num espaço que frequento com SIMPATIA como sopas de letras a Livraria TRAGA-Mundos, na pessoa de seu proprietário o A.A.A. (para os amigos Tobé). Faremos os presentes homenagem singela aos poetas da nossa Bila que já partiram para o reino do SONHO. Serão eles os nomeados Dr. António Cabral poeta e dramaturgo de que interpretei vários textos seus poéticos e Dramáticos, pessoa com que privei nestas coisas de cultura, sendo ele o meu mentor a ensinar-me a gostar de Poesia e dizê-la em espaços Públicos de espectáculos ao que se promoviam espontaneamente (neste mesmo local) em qualquer Escola ou espaço Cívico, direi alguns com o sentimento que me apraz senti-las como um rio de leito adormecido que é o Douro. Outro vulto contista e Poeta Dr. Vaz de Carvalho (que por cedência simpática da sua filha Manuela) veio-me parar um poema de que gosto muito Como Dizer! e assim ao longo desta caminhada, também homenagearei minha esposa e companheira Manuela (Nela para os amigos mais próximos) mulher de uma vida a olhar com ternura por mim POETA MARGINAL....

Dizia meu Trisavô (Camilo Castelo Branco) no seu auge da juventude rebelde e de Valdevinos no século passado passando por esta Bila pacata( com alguns dissabores) de que "um homem sem amor, sem amigos, sem poetas sem família, sem dinheiro e sem religião ou é ateu ou judeu, é um morto sem túmulo. Pois é eu tenho também a Minha sina de que para se ser desgraçado basta ser poeta Marginal e ter pão e ter quem nos ouça dizes POESIA como conforto para a Alma! E esta instalação é isso mesmo o Despertar da Leitura e da poesia e aqui deixo uma escrita de dedicada a seu filho JORGE, o doudo!

Soneto sobre a loucura do seu filho Jorge

Constantemente vejo o meu filho amado.
Na escuridão, onde fulgura
A estática pupila da loucura.
Sinistra luz dum cérebro cansado.
Nas rugas do seu rosto macerado,
transpira a cruciantissima tortura
que escureceu na pobre alma tão pura...
Talento, inspiração...
tudo até poesia, tudo ficou apagado!
Meu triste filho, passas vagabundo,
por sobre um grande
Mar, rio, calmo, profundo, sem bússola,
sem norte e sem farol!
Nem gozo nem paixão te altera a vida!
Eu choro sem remédio a luz perdida...
Bem mais feliz és tu, que vês o SOL todos os dias.

Camilo era assim e já se aproximava a sua cegueira acelerada. Neste texto que vos evoco sem pretensão é um simples fazedor de sonhos.... que é o Palco da VIDA: simples como sou vos agradeço, compartilhar estes momentos bons da escrita para vocês " mas os artistas e poetas das mais diversas áreas eu no Teatro (actor) libertam energias que dão ritmo ás coisas, aos sonhos ás comunidades e a força anímica das Palavras, ajudam um povo. Compete a nós, portanto, não deixar morrer a leitura e a POESIA com momentos como estes elegermos os nossos POETAS da nossa terra. Bem haja a Traga-Mundos a oportunidade que nos dá de fazer o espaço de Fabrica de PALAVRAS e Sonhos ...Um dito poeta marginal SIEMPRE ao dispor de Vossas Senhorias: JCB@

António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- Fevereiro e Março de 2019: “Provesende: a luz que passa” exposição de fotografia por Paulo Melo Veiga, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 22 de Fevereiro de 2019, sexta-feira, pelas 21h00: apresentação do livro “José Gomes de Carvalho, o Sargento Fantasma do RI 13” pela autora Ana Paula Fortuna, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 23 de Fevereiro de 2019, das 9h30 às 13h30: oficina de tricot – meias, tricota_mundos, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 23 de Fevereiro de 2019, pelas 21h00: conversa à volta do livro “Uma Bomba a Iluminar a Noite do Marão” de Daniela Costa, [narrativa ficcional do assassinato do Padre Max e de Maria de Lourdes Correia, em Vila Real, em 1976], na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 7 de Março de 2019, quinta-feira, pelas 21h00: TL – tertúlia de leituras #14, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal; [evento periódico, a repetir-se em todas as primeiras quintas-feiras de cada mês]
- dia 8 de Março de 2019, sexta-feira, pelas 21h00: “mão na adília – venha dizer poemas no dia da mulher!” por Calhau – colectivo de poetas, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- e ao longo de 2019 haverá mais, sempre muito mais...

domingo, 28 de janeiro de 2018

Poemas durienses em Escola Diogo Cão


- dia 2 de Fevereiro de 2018, sexta-feira, 10h00: participação com uma banca de livros do autor, na apresentação do livro “Poemas Durienses” de António Cabral, na Escola de São Pedro, Vila Real, Portugal;

sábado, 27 de janeiro de 2018

António Cabral em Alijó

- dia 1 de Fevereiro de 2018, quinta-feira, 10h30: participação com uma banca de livros do autor, na apresentação do livro “Poemas Durienses” de António Cabral, por A.M. Pires Cabral, na Biblioteca Municipal, Alijó, Portugal;


domingo, 14 de janeiro de 2018

António Cabral no Centro Cultural Regional de Vila Real


- dia 22 de Janeiro de 2018, segunda-feira, pelas 14h30: participação com uma banca de livros do autor, na apresentação do livro “Poemas Durienses” de António Cabral, na Universidade Sénior de Vila Real, Portugal;

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Mundial de Poesia & e da Árvore


Velha oliveira, ó irmã do tempo e do silêncio,
algo de ti se me tornou hoje perceptível;
algo que eu não conhecia e me fez parar
na ténue sombra que teces no caminho;
algo que é uma doce corola de contacto.

Já os passos da luz se afastam na colina
e um rumor de pérolas quebradas
desce, lentamente desce por toda a serrania.
Já as aves tuas amigas procuram na folhagem
a doçura acumulada nos favos da noite.
E também já são horas
de nós os homens, nós os que passamos,
suspendermos as cítaras do pensamento.

Entretanto, ó canção do crepúsculo, velha oliveira,
eu paro sob os longos cílios da tua ramagem.
Paro e, ao sentir nas mãos o teu enrugado tronco,
e, nos olhos, a serenidade das tuas folhas,
começo a entender uma bela mensagem:
a paz, ah a paz!, a rosa da paz.

É como se uma gota de azeite descesse,
brandamente descesse pelas coisas.

António Cabral


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Homenagem a António Cabral


A Traga-Mundos foi convidada a participar com uma banca de livros do autor, na sessão de homenagem a António Cabral, organizada pela Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal de Vila Real, pelo seu 4.º aniversário, incluindo a leitura de poemas pelo actor Fernando Soares, dia 27 de Janeiro de 2016, quinta-feira, pelas 21h00, no Centro Cultural de Vila Real.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Falo-vos da montanha - poeticamente


“Falo-vos da Montanha – poemas” de António Cabral
edição de autor
17 de Outubro de 1958


APOSTO AO “HOMEM MENSURA”

As palavras húmidas
Do suor nascido
E corrido das
Paredes do cérebro;

As palavras idas
No corpo do vento,
Vindas no comboio
Noturno dum sonho;

As palavras dadas
Na respiração
Dos poros, nas mãos
Marcadas de terra;

Essas é que dão
Lugar à ternura
E gritam o homem
Dos pés à cabeça.


Ao reler os magníficos poemas de A. C., ocorrem-me as conhecidas palavras de Walt Whitman: “Aquele que tocar este livro toca um homem”. Efectivamente, “Falo-vos da Montanha” – o último livro de poemas de A. C. – significa algo mais que um belo livro de poesia. Prescinde, o autor, daquilo que Hernâni Cidade chamou “poesia-jogo” e do verbalismo exagerado de alguns poetas de vulto, entre os quais poderiamos citar F. Pessoa, para nos introduzir no reino da poesia autêntica. Não receia as palavras nuas e sangrentas, que dizem “a verdade das suas horas de homem”. Mais ainda: Ele procura essas “palavras talhadas à feição dos ossos”, porque aquele poeta que o habita,
…Tem os pensamentos/Amontoados/À espera da palavra/E,/Luta por ela esfarrapando o tempo.
[CHAVES, Dinis – António Cabral o humaníssimo poeta de “Falo-vos da Montanha”. A Voz de Chaves. Chaves (01-01-1959)]


Poeta da paisagem, a que se liga pelos laços da sua paisagem interior, religiosamente calmo perante os sucessivos partos da natureza (as espáduas da montanha por onde escorrem tranças de lua; o bailar das sombras na festa do pôr do sol…), António Cabral é, no entanto, um poeta do homem, dessa gente humilde com palavras torcidas em raivas humaníssimas… (…) A crença nas palavras, como quando as canta se prova, grava no poema uma claridade fina, às vezes quente, outras suavemente frágil: Palavras que sejam / O ritmo do sangue / E tenham a altura / Toda duma alma.
[BRITO, Casimiro de – Título do artigo. Cadernos do meio-dia: antologia de poesia, crítica e ensaio. Faro. N.º 4 (fevereiro, 1959)]

Escreve algures Dâmaso Alonso que a poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e o do leitor… Esta afirmação tem inteira aplicação ao caso de António Cabral.
O leitor não pode superficialmente permanecer numa atitude passiva perante a sua poética. É que ela prende-o, absorve-o, e arrasta-o. Impregnada dum poder mágico – que outras não se ufanam de desfrutar – esta poesia possui algo que a especifica, que lhe confere uma tonalidade própria.
Além disso, deste livro que é o segundo (sic) do Autor, desprende-se uma densidade que não se afigura vulgar. E parece-me que é essa densidade – com raízes em Torga e Teixeira de Pascoais – mas possuidora simultaneamente dum cunho pessoal inegável, que poderá classificar-se como a principal característica do jovem poeta.
[GERALDES, J. Almeida – “Falo-vos da montanha” por António Cabral. Novidades. Lisboa (08-11-1959)]

Jean Cossou afirmou: “Il n’est de problème que de l’homme, et il ne peut être de poesie que de l’homme”.
A poesia é, pois, o homem com as suas frustrações, os seus problemas e a sua posição perante a vida e perante Deus.
“Falo-vos da Montanha” é a síntese desse fenómeno exclusivamente humano e profusamente ilustrado por poemas recheados de pureza e propriedade de estilo, de apurado sentido rítmico, de todas as características, enfim, que assinalam ao autor uma personalidade de autêntico poeta.
[MIRANDA, Alberto – Falo-vos da montanha (poemas de António Cabral. Amigos de Bragança. Bragança (1967)]

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. A utilização e/ou reprodução total ou parcial deste texto está sujeita ao Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos. Para mais informação consultar http://www.spautores.pt. http://www.antoniocabral.com.pt/livros/poesia/falo-vos-da-montanha/#ixzz3vRh3DUM9

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também os seguintes títulos do autor: “Falo-vos da Montanha”, “Entre o Azul e a Circunstância”, “Ouve-se Um Rumor” Poemas de António Cabral + “Entre Quem É” - «Este caderno é um anexo de “Ouve-se Um Rumor” e não pode ser vendido separadamente.», “Antologia dos Poemas Durienses”, “Bodas Selvagens”, “O Rio Que Perdeu As Margens”, “A Tentação de Santo Antão”; “Viajar Com... António Cabral” de A.M. Pires Cabral]

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Roteiros literários: Camilo Castelo Branco e António Cabral em Vila Real



Exm.@ Senhor@s

Como aluno do 3º ano da licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas, penso poder afirmar que tenho, já estabelecidas, as motivações e os objetivos necessários para determinar o meu futuro profissional.

Uma vez que a Licenciatura que frequento, ao longo destes dois anos, desenvolveu e aprofundou em mim, de forma notável, as competências que ambicionava, proporcionando um novo gosto pelo mundo literário e cultural, principalmente o gosto pela região, que nos transcende emocionalmente e culturalmente, Trás-os-Montes, nomeadamente do Alto Douro.

Achei por bem, que dentro destes objetivos, quer ao nível pessoal quer profissional, seria benéfico contactar de perto com algo que estivesse ligado a esta região. Foi, então, nesse sentido, reconhecendo a Traga-Mundos como a empresa ideal, que solicitei a oportunidade de estagiar na empresa.

Na Traga-Mundos pretendo não só expandir os meus conhecimentos, como também, obter uma visão real do mercado de trabalho: como funciona o interior de uma empresa neste ramo, como lidar com a cultura da região e, mais que tudo, como enaltecer uma região tão rica culturalmente, mas até à data um pouco esquecida.

Durante este período (1 de Outubro – 31 de Dezembro) na Traga – Mundos espero dinamizar um roteiro literário, sob orientação do António Alberto Sampaio Figueira Alves (sociólogo e proprietário da Traga- Mundos) e da Profª Doutora Henriqueta Maria Gonçalves (Profª Catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro).

Todos nós sabemos que os escritores: Camilo Castelo Branco e António Cabral contribuíram muito para os dossiers de prestígio da Literatura Portuguesa. Mas nem todos sabem que o celebre Camilo Castelo Branco viveu parte da sua vida em Vila Real. Portanto cabe-nos a nós realizar um roteiro literário, no qual iremos vaguear pelas ruas históricas de Vila Real, demonstrando pontos históricos que fizeram parte da vida deste escritor romântico. Neste percurso vamos fazer as pessoas recuar um pouco no tempo e imaginar que ali escreveu, viveu e caminhou Camilo.

No que respeita ao percurso literário de homenagem a António Cabral, temos um objetivo muito semelhante: caminhar pela cidade, dar ênfase aos pontos que marcam a sua passagem e teremos ainda o privilégio do atual testemunho da sua esposa Dr.ª Alzira Cabral.

Ademais, espero que estes percursos literários possam, ainda mais, enaltecer o nome desta região e levar as pessoas a pensar, sobretudo, as de Vila Real, que é uma cidade com muitos anos e com muitas estórias para contar, que se sensibilizem e que ajudem a preservar este Jardim Cultural.


João Batista | UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ouve-se um rumor de poesia

“Ouve-se Um Rumor” Poemas de António Cabral + “Entre Quem É” «Este caderno é um anexo de “Ouve-se Um Rumor” e não pode ser vendido separadamente.»


Ouve-se a vinha
durante a noite
como Penélope
olhava o mar. O
tempo excede os
seus limites que
se concentram
NESTE LUGAR.


O Marão é como um guarda,
alguém que vem ao portão
e diz logo: entre quem é,
partilhe do nosso pão.


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também os seguintes títulos do autor: “Falo-vos da Montanha”, “Entre o Azul e a Circunstância”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “Bodas Selvagens”, “O Rio Que Perdeu As Margens” e “A Tentação de Santo Antão”]

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

não te acomodes, se és vento




“O Rio Que Perdeu As Margens” de António Cabral
ficção / crónica / poesia

NÃO TE ACOMODES
Se te acomodasses a este lugar,

deixarias de o ter na pele
onde tudo acontece,
antes da respiração,
mesmo aquele penhasco,
já dentro de ti, sempre
a ameaçar desprender-se.
Não te acomodes, se és vento.





«Parece-nos impossível ler este livro de uma forma tradicional, pois o pensamento corre como um rio caudaloso, cumprindo a sua função, havendo, no entanto, momentos em que se detém, atento e deslumbrado com a vinha, dialogando com a poupa, sentindo e provocando um turbilhão de emoções poéticas. Em tudo há rio, chuva, ou ausência dela, há sol, ou a sua metáfora, e fogo nas montanhas que ombreiam umas com as outras. Há perfeita comunhão com a terra/paisagem que viaja dentro dela e que contém um rio que, por sua vez, se recolhe em nós quando chove. E há ar, voo, liberdade, sonho, “castelos no ar” de que afinal é feita a vida, sob pena de esta ficar sem sentido.


Todo o livro é poesia pura. Isabel Allende afirma que “O poeta e o padeiro são irmãos na essencial tarefa de alimentar o mundo”. Este livro alimenta a alma de qualquer pessoa. Todos os dias se pode partir para onde a poesia nos transporta, num barco rabelo, rio acima ou rio abaixo, nas asas de uma rola que nos lembra que não sabemos voar, mas que ignora que os olhos, como diz o autor, “crescem e repartem-se aos bocadinhos pelas coisas e paragens, quando as vêem com gosto, pegando então nelas e guardando-as dentro de si onde continuam a luzir à beira dum sítio verde chamado alma”. (…)
A própria escrita apresenta-se como um jogo que, tal como uma criança, o escritor domina: recolhe não sabe de onde a bola, que transforma num conto, num poema, e atira-a para outras mãos, as do leitor que, por sua vez, joga, lendo, reescrevendo o que lê. Aliás, o escritor também leu, o quê nunca saberá ele:
“Vede agora o escritor que num papel ou no computador escreve os seus poemas, um romance algum conto ou uma peça de teatro. Não repete ele o jogo infantil, primeiro ao recolher em suas mãos, vinda não sabe donde, uma bolinha longínqua, um arder necessário, que depois lança para outras mãos?
Se escrever é jogar, ler é partilhar o jogo da vida. Sinais. Cada leitor tem a sua maneira própria de ler. Reescreve o que lê e isso é bom. A ler também se joga. Joga-se duas vezes. Dantes, o escritor também já tinha lido, muito, fora e dentro de si. Leu o quê? Algum dia chegará a saber?”  FORTUNA, Ana Paula – O rio que perdeu as margens de António Cabral. Boletim Cultural. Vila Real. ISSN 0871-7761. N.º 14 (2008), pp.48-50



Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os seguintes títulos do autor: “Entre o Azul e a Circunstância”, “Ouve-se Um Rumor + Entre Quem É”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “Bodas Selvagens” e “A Tentação de Santo Antão”]

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A poesia é um jogo...


“A Tentação de Santo Antão” de António Cabral
Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves, em 2007

POSFÁCIO
A poesia é um jogo e os poetas sentem-no bem, quando efectuam sobre o abismo que ela nos abre, um salto mortal.

Um riso de vogal a subir a uma consoante exemplifica o jogo como alegria.

Entre a ciência e a poesia há pelo menos esta diferença abissal: a ciência fica do lado de cá e a poesia do lado de lá, sobre as árvores.

Ver ondular os trigais no pão que se come.
*
Levas para a cama o que resta de cada dia, semelhante a uma ponta de cigarro, e deixa-lo ainda a fumegar na concha da mesa-de-cabeceira. É por isso que no dia seguinte a concha continua vazia. Até o filtro ardeu. Arde tudo. O que é que não arde, estas palavras culpáveis inclusive?

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também “Entre o Azul e a Circunstância”, “Ouve-se Um Rumor + Entre Quem É”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “O Riu Que Perdeu As Margens” e “Bodas Selvagens”]

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Poeta duriense

“Entre o Azul e a Circunstância” de António Cabral
Edição do autor para Livros do Nordeste, Abril de 1983 [edição esgotada no mercado]

1. Aquela cabra tosando a luz
Na sombra do pastor.

Um rapazinho que enfia estrelas no vime.
todo o morro a escrever longínquas cidades.
ignóbeis
nos cavalos do vento.

2. Não estar aqui somente.
Dar o junco às mãos doutra vinha.
Que se arredonde. A mãe.

Não à forma. De nada
ou coisa indisponível.
O sol distante para quê?

Preestar. Assim um cardo em cada calo.

3. Como doem as mãos
e um sino te amanhece
breve distância de ombros insepultos.

4. Cavemos o disponível silêncio
Com lentidão
a do sonho.

Depois qualquer maio é suficiente
sob o linho das nuvens. Ouvi.

Vigiai
Para não cairdes em tentação.

5. Nítido é o tufo de giestas
para os olhos
na intermitência dos horários.

Abriu-se a tarde em Covas de Barroso
sobre o tempo maninho
entre o fogo e o granito sem vidraças.

E agora. Cão.
Lambes a púbis das maias
Consolando-te com a frescura da sílabas.

6. Onde a arca? Onde chispa a chispa
sem pudor encerraste o azul das palavras.

Deixa que elas voem. Penetrem. Como a água.
Nítidas. Atentas como o milhafre.

Que urinem sobre o tojo.
Saltem. Cabritos de luz na nossa rua.

Quem entoa torpes ladainhas?
Para nos convencer. De inutilidades.

[ver recenção crítica de Pires Laranjeira, na “Colóquio Letras” n.º 92 (Julho de 1986)

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também “Ouve-se Um Rumor + Entre Quem É”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “O Riu Que Perdeu As Margens”, “Bodas Selvagens” e “A Tentação de Santo Antão”]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Literatura, jogos populares e pedagogia do jogo

“Bodas Selvagens” - ANTÓNIO CABRAL
Prémio Nacional de Poesia - Fernão de Magalhães Gonçalves - 2007

FÉNIX
Uma hora de lume que, gruta a gruta,
te devorasse.
Inclinação de folhas que em vão
recuassem à seiva.
Ao renasceres agora será das minhas
cinzas.

António Joaquim Magalhães Cabral nasceu em Castedo do Douro (Alijó), em 30-04-1931 (tendo falecido em 23.10.2007).
António Cabral frequentou o curso teológico do Seminário de Vila Real e iniciou a vida sacerdotal. Obteve a licenciatura em Filosofia pela Universidade do Porto e depois de abandonar o sacerdócio ingressou no ensino secundário, sendo professor efectivo da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. A partir de 2001 foi professor de Cultura Geral, na Universidade Sénior de Vila Real. Viveu sempre voltado para a arte da escrita, envolvendo-se, paralelamente, nas agremiações culturais transmontanas.

Era conhecido pelas suas conferências em centros culturais, escolas do ensino básico, secundário e universitário, tanto em Portugal como no estrangeiro, mormente pela Galiza, falando de temas que lhe eram preferidos, tais como literatura, jogos populares e pedagogia do jogo.
Como animador sociocultural, fundou em 1979 o Centro Cultural Regional de Vila Real (CCRVR), do qual foi Presidente da Direcção até 1991, ano em que passou a ser o Presidente da Assembleia Geral.
No Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ), que antecedeu o Instituto da Juventude, desempenhou os cargos de Delegado do Distrito de Vila Real e Coordenador da Zona Norte, entre 1974 e 1976. É sobretudo na investigação e organização de festas de jogos populares que a sua acção tem sido mais destacada. "Expert" do Conselho da Europa no II Estágio Alternativo Europeu sobre desportos tradicionais e jogos populares (Lamego. 1982) e principal responsável pela organização dos Jogos Populares Transmontanos e Jogos Populares Galaico-Transmontanos, com início, respectivamente em 1977 e 1983. No âmbito do CCRVR fomentou a vida associativa. promovendo numerosos encontros de associações. Foi Presidente da Direcção da Associação Nacional de Animadores Socioculturais, fundada em 1995, e, desde Março de 1996 Delegado do INATEL no Distrito de Vila Real.
No domínio das letras e das artes, fundou em Vila Real a revista Setentrião (1962) e Tellus, de que foi o primeiro Director (1978), e o mensário Nordeste Cultural (1980). Promoveu, através do CCRVR, encontros de escritores e jornalistas de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real. 1981), Chaves (1983), Bragança, Mirandela e Miranda do Douro (1984), Lamego, Régua e Alijó (1985), Vila Real (1997).

Teve uma colaboração dispersa por revistas e jornais portugueses e estrangeiros, participação em programas de rádio e de televisão, colectâneas escolares, obras colectivas e antologias de poesia. Alguns poemas de António Cabral foram cantados por Manuel Freire, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais. Foi agraciado com as Medalhas de Prata de Mérito Municipal de Alijó (1985) e de Vila Real (1990).

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Poemas Durienses


Para a componente de livraria, passo a passo, outros autores vão chegando à Traga-Mundos, para voltarem a estar disponíveis para todos: Alexandre Parafita, António Fontes, Barroso da Fonte, Bento da Cruz, Rui Pires Cabral, Vítor Nogueira. Entram como de mansinho, para uma casa que irá ser sua!
Ontem assinalamos com particular comoção a entrada de António Cabral, consensualmente considerado o maior travador do Douro. “Entre o Azul e a Circunstância”, “Ouve-se Um Rumor + Entre Quem É”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “Bodas Selvagens”, “A Tentação de Santo Antão” e “O Rio Que Perdeu As Margens”. Os nossos agradecimentos à Dr.ª Alzira Cabral que acarinhou este desejo de voltarmos a disponibilizar algumas das obras deste insigne autor.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Holograma

Na rua, mesmo rente a uma casa, havia um papelinho rasgado de um livro a que ninguém prestava atenção. Ora, durante a noite, começou a ganhar raízes e a crescer com a frescura e cor de uma papoila em cujas pétalas se podia ler, mas ninguém lia: poemas. Ao outro dia o empregado da Câmara ía varrer aquilo para o lixo. Uma criança, porém, antecipou-se e levou a flor consigo. Ao chegar à Escola, reparou que tinha um livro na mão!
António Cabral, “Ouve-se Um Rumor”

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Património Imaterial da Humanidade


Sabes que ao beber um porto
bebes sol engarrafado
que com muito sofrimento
ao xisto foi arrancado?


António Cabral, “Antologia dos Poemas Durienses”