Mostrar mensagens com a etiqueta Centro de Música Tradicional Sons da Terra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Centro de Música Tradicional Sons da Terra. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O Pão Nosso de Cada Dia



O PÃO NOSSO DE CADA DIA
Cantos e Contos, Saberes e Fazeres.

Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: Datas diversas
Local de Gravação: Diversas localidades
Ano de Edição: 2010

O pão encontra-se associado a diversos ritos agrários antigos de fertilidade e de fecundidade do paganismo, com permanência assaz expressiva no presente através de resquícios cujas análises comparativas em boa parte legitimam uma tão ancestral como possível filiação. Sendo certo que os patrimónios se constroem com a sobreposição dos tempos, numa acumulação de sedimentos culturais que tanto se perdem como se recriam e se transformam, seria através do Cristianismo que mais duramente perduraria a associação do pão ao ciclo vida-morte-ressureição já consagrado pela mitologia romana.
Inserem-se nesta concepção cíclica e circular os duros trabalhos do pão, pelo Cristianismo associados à trilogia fundamental da vida, da morte e da ressurreição. Pela afirmação suprema de vida através da sementeira e da colheita (consubstanciada no acto sacrificial do lançamento do grão à terra, ventre último da fecundidade, que se prolonga no acto da ceifa, simbolizando o corte do cordão umbilical que liga o grão à terra que lhe deu vida), pela simbologia da morte representada pelo esmagamento dos grãos para obtenção da farinha que, depois de amassada e sujeita aos rigores do fogo, opera a ressurreição sob a forma do pão como alimento vital fundamental.
Tendo-se o pão tornado a base da alimentação humana ao longo dos tempos seria naturalmente tema recorrente das expressões culturais através dos tempos, desde crenças e superstições até cantos e narrativas diversas, fazendo parte integrante de um tão expressivo como diversificado conjunto de saberes e de fazeres no seio do qual ainda permanecem resquícios de ancestrais origens e funcionalidades cultuais e rituais.

EM TEMPO DE SEGADAS
01. L’Alma – Grupo de Cantares de Sendim (Sendim, 2001): Num segueis o trigo verde 02. Mariana da Piedade Esteves (S. Pedro da Silva, 1967): Pur aqueilhes campos berdes 03. Eleodora Amélia Ventura e Maria Helena Ventura (Fonte de Aldeia, 2001): La cantiga de la segada 04. Francisco dos Reis Domingues (Paradela, circa 1980): Andávamos à segada 05. Teresa Alves, Albina Pires, Inês Alonso, Constança Igreja e Ilda Pires (Malhadas, 2000): La segada 06. Domingos Esteves Afonso (Palaçoulo, 2000): Cantiga de la segada 07. Clementina Rosa Afonso (Freixiosa, 1998): Cantiga da segada 08. Francisco dos Reis Domingues (Paradela, circa 1980): Alta vai a lua, alta 09. Adélia Garcia, José Garcia e Maria Falcão (Caçarelhos, 1999): Dísticos da saída da ‘stalha 10. Adélia Garcia, José Garcia e Maria Falcão (Caçarelhos, 1999): Remate
DO GRÃO À FARINHA
11. Recolhas de Kurt Schindler (Cércio, 1934): Canário 12. Ana Maria Fernandes (Aldeia Nova, 1999): Ceranda 13. Célio Pires (Constantim, 2006): Molinos de l brosque 14. Eleodora Amélia Ventura e Maria Helena Ventura (Fonte de Aldeia, 2001): La molinera
O PÃO NOSSO DE CADA DIA
15. Maria de Lurdes Albino (Sendim, 2007): Oração de bênção da massa 16. Fernanda Bártolo Afonso (Sendim, 2007): Oração para afastar as bruxas da massa 17. Clementina Rosa Afonso (Freixiosa, 2008): Oração ao meter a massa no forno 18. Maria de Lurdes Albino (Sendim, 2007): Oração ao meter a massa no forno 19. Fernanda Bártolo Afonso (Sendim, 2007): Oração ao meter a massa no forno 20. Clementina Rosa Afonso (Freixiosa, 2008): Oração de bênção da mesa do pão
TOQUES E LOAS DEVOCIONAIS
21. José João da Igreja (Ifanes, 1968): Elevação da hóstia sagrada 22. Célio Pires (Constantim, 2007): Toque de elevação da hóstia 23. Atenor, 2005: Loa de oferta do ramo a Nossa Senhora 24. Ifanes, 2002: Loa de oferta do ramo a S. Sebastião
ADIVINHAS
25. Fernanda Bártolo Afonso (Sendim, 2007): Adivinha do pão

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também da colecção Cantos e Músicas Tradicionais os títulos: POR UN DIUS QUE MOS CRIOU! Cantos e Músicas Religiosas Tradicionais – Miranda do Douro n.º 6, KURT SCHINDLER Recolhas Musicais da Tradição Oral – Mirando do Douro (1932) n.º 7, TOQUES TRADICIONAIS DE MISSA E DE PROCISSÃO Miranda do Douro n.º 8, CANTOS MIRANDESES Eleadora Amélia Ventura – Maria Helena Ventura, Fonte de Aldeia – Miranda do Douro n.º 14]

quarta-feira, 5 de março de 2014

Gaiteiro de Freixiosa


ALEXANDRE AUGUSTO FEIO, GAITEIRO DE FREIXIOSA, MIRANDA DO DOURO (1914-1999) foi homenageado no decurso do 1º Festival Intercéltico de Sendim, tendo a Sons da Terra editado um disco no qual se recuperam gravaçães de 1953, 1962, 1969 e 1971, deste grande gaiteiro mirandês que integrou o seminal GRUPO FOLCLÓRICO MIRANDÊS DE DUAS IGREJAS.

«Alexandre Augusto Feio naciu na aldé de Freixenosa, ua aneixa de la freguesie de Bila Chana de Braciosa (Miranda de l Douro) a 21 de Agosto de 1914. Dedicou-se toda la bida a la pastorícia i al trabalho árduo de l'agricultura.

Als quinze anhos d'eidade l'antresse pula gaita de foles ganhou fuorça, tenendo grande çponibelidade nua daprendizaige regular proporcionada pul tiempo passado cul ganado, usando pa l'eifeito ua punteira cumprada al Tiu “Fuseiro” (Luciano Fonso) de Genísio. Essa punteira ye cunsidrada ua refréncia ne l quadro tímbrico de las gaitas de foles tocadas nas Tierras de Miranda. L'eilustre mestre Gaiteiro tornou-se assi nun stilo anconfundible qu'assenta naquel timbre abeludado que ne ls permite la sue eidantificaçon eimediata antre todos ls restantes gaiteiros de las Tierras de Miranda de la época.

L sou treino árduo i antensibo an modos arcaicos i ornamientos sóticos debe-se al fato de ls gaiteiros mais bielhos nun ansináren l que sabien, ls quales nun bian cun “buns uolhos” ls daprendizes.

Alexandre Feio pudo oubir i ber cumo tocában ls mais bielhos gaiteiros, antre ls quales se çtacou Mestre Gaiteiro Manuel José Lopes ó tan eilustre cumo popular Tiu Pepe.

Padre António Marie Mourinho fui detreminante na bida musical de Alexandre Feio pula sue açon zambolbida ne l fascínio de a mimória biba de la tradiçon oural mirandesa i culturalmente preacupado cula permanéncia spressiba i anraizada de la sue eidantidade.

Faleciu ne l demingo de Galhos de 1999 a 28 de Márcio. Para todos ls que percuran cuntribuir pa la defesa, dibulgaçon i balorizaçon de las tradiçones musicales mirandesas, ua berdadeira refréncia permanece ne l tiempo sendo cumo un de ls mais spressibos i amblemáticos gaiteiros mirandeses.


********

Alexandre Augusto Feio nasceu na aldeia de Freixiosa, uma anexa da freguesia de Vila Chã de Braciosa (Miranda do Douro) a 21 de Agosto de 1914. Dedicou-se a vida toda à pastorícia e ao trabalho árduo da agricultura.

Aos quinze anos de idade o interesse pela gaita de foles ganhou força, tendo grande disponibilidade numa aprendizagem regular proporcionada pelo tempo passado com o gado, usando para o efeito uma ponteira comprada ao Tiu “Fuseiro” (Luciano Afonso) de Genísio. Essa ponteira é considerada uma referência no quadro tímbrico das gaitas de foles tocadas nas Terras de Miranda. O ilustre mestre Gaiteiro tornou-se assim num estilo inconfundível que assenta naquele timbre aveludado que nos permite a sua identificação imediata entre todos os restantes gaiteiros das Terras de Miranda da época.


O seu treino árduo e intensivo em modos arcaicos e ornamentos exóticos deve-se ao facto de os gaiteiros mais velhos não ensinarem o que sabiam, os quais não viam com “bons olhos” os aprendizes.

Alexandre Feio pôde ouvir e ver como tocavam os mais velhos gaiteiros, entre os quais se destacou Mestre Gaiteiro Manuel José Lopes ou tão ilustre como popular Tiu Pepe.

Padre António Maria Mourinho foi determinante na vida musical de Alexandre Feio pela sua acção desenvolvida no fascínio da memória viva da tradição oral mirandesa e culturalmente preocupado com a permanência expressiva e enraizada da sua identidade.

Faleceu no domingo de Ramos de 1999 a 28 de Março. Para todos os que procuram contribuir para a defesa, divulgação e valorização das tradições musicais mirandesas, uma verdadeira referência permanece no tempo sendo como um dos mais expressivos e emblemáticos gaiteiros mirandeses.» [blogue ua-geraçon-de-gueiteiros, de Henrique de Jesus Fernandes]



Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... ... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
 [também da série Gaiteiros Tradicionais: Desidério Luis Afonso, Especiosa – Genísio, Miranda do Douro; Manuel Francisco Aires . Tiu Pascoal, Gaiteiro de Cércio, Miranda do Douro; Raul de Jesus Pires, Gaiteiro de Palaçoulo, Miranda do Douro; Manuel Joaquim Alves, Gaiteiro de Romariz (Nunes), Vinhais; Delfim Domingues, Gueiteiro de la Pruoba – Miranda de I Douro; Ronas e Passacalhes, Miranda do Douro; José João da Igreja, Gaiteiro de Ifanes (1911-1975), Miranda do Douro; Gaiteiricos 2011, VII Encontro de Jovens Gaiteiros do Planalto Mirandês]

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Cantos mirandeses

CANTOS MIRANDESES
Eleadora Amélia Ventura – Maria Helena Ventura
Fonte de Aldeia – Miranda do Douro

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também da colecção Cantos e Músicas Tradicionais os títulos: POR UN DIUS QUE MOS CRIOU! Cantos e Músicas Religiosas Tradicionais – Miranda do Douro n.º 6, KURT SCHINDLER Recolhas Musicais da Tradição Oral – Mirando do Douro (1932) n.º 7, TOQUES TRADICIONAIS DE MISSA E DE PROCISSÃO Miranda do Douro n.º 8, O PÃO NOSSO DE CADA DIA Cantos e contos, Saberes e Fazeres – Miranda do Douro n.º 12]

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Recolhas musicais da tradição oral


KURT SCHINDLER
Recolhas Musicais da Tradição Oral Miranda do Douro (1932)
Cércio, Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: Kurt Schindler 1932
Local de Gravação: Cércio
Ano de Edição: 2006

Kurt Schindler, nascido em Berlim (Alemanha) em 17 de Fevereiro de 1882, terá sido, tanto quanto se sabe, o primeiro estrangeiro a efectuar gravações de campo por terras do Planalto Mirandês. Com efeito, foi em 2 de Outubro de 1932 que, na aldeia de Cércio, próxima da cidade de Miranda do Douro, registou em cilindros de alumínio vários laços, toques de gaita de foles e cantigas populares, utilizando um gravador portátil da marca Fairchild.
As recolhas efectuadas por Kurt Schindler seriam publicadas postumamente (faleceu em New York em 16 de Novembro de 1935), mais precisamente em 1941, dispondo-se actualmente de uma edição fac-simile publicada em 1991 pelo Centro de Cultura Tradicional de Salamanca e pelo Hispanic Institute (da Columbia University, sediado em New York), com o título Música y Poesia Popular de España y Portugal. Nesta obra foram incluídas as partituras de alguns laços recolhidos em Cércio e tendo como informantes Francisco Martins (gaita de foles), Manuel Maria Caleijo (caixa de guerra) e Francisco Maria Gonçalves (bombo), assim como alguns cantos, referenciadas como tendo sido recolhidas em Miranda do Douro (sem, todavia, se conhecerem os respectivos informantes).
Estamos na presença de documentos de inestimável valor cultural, linguístico e etnomusicológico e, nesta perspectiva, deixa de ter qualquer importância a deficiente qualidade técnica dos registos. Acresce, por exemplo, que no que se refere aos toques de gaita, se trata do único registo documental disponível sobre a arte do gaiteiro Francisco Martins, o famoso e mítico gaiteiro de Cércio – popularmente conhecido como sendo o Tiu Nieves ou Tiu Cabreiro – amplamente referenciado pelos mais velhos gaiteiros da zona (casos de Manuel Paulo Martins, de Vale de Mira, e de Manuel Francisco Aires, dito Tiu pascoal, de Cércio, entre outros) como tendo sido um dos melhores tocadores do seu tempo. Francisco Martins foi o gaiteiro que foi a Londres, com o grupo de pauliteiros de Cércio, em 1934, por iniciativa do investigador Rodney Gallop e que, segundo as crónicas jornalísticas da época, “era tão velho como a gaita que tocava”.


Reportório:
1. Toques de gaita.
Instrumentistas:
Francisco Martins (Gaita de foles)
Manuel Maria Caleijo (caixa de guerra)
Francisco Maria Gonçalves (bombo).
Espécimes: Bicha, Aninhas à Varanda, Diolinda, Moda de Gaiteiro (1), Ofícios, Alvorada, Passacalhes e Moda de Gaiteiro (2).

2. Lhaços.
Ditos/cantados por informantes não identificados (nalguns casos admitidos terem sido transmitidos por Manuel Maria Caleijo).
Espécimes: Ofícios, Anramada, Lhiebre, O touro de esta vila, Canário, Rosas, Ao lugar de Freixenosa, Caballero, Palombas, Birandum, A la verde retramar, El vilhano de Zamora, Padre António, la Puente de Dinguelundeira.


3. Outras modas.
Ditas/cantadas por informantes não identificados. Espécimes: Habas Verdes, Os reis e Beijai o Menino. Tendo como informante Manuel Maria Caleijo: Os Mandamentos do Vinho.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também da colecção Cantos e Músicas Tradicionais os títulos: POR UN DIUS QUE MOS CRIOU! Cantos e Músicas Religiosas Tradicionais – Miranda do Douro n.º 6, TOQUES TRADICIONAIS DE MISSA E DE PROCISSÃO Miranda do Douro n.º 8, O PÃO NOSSO DE CADA DIA Cantos e contos, Saberes e Fazeres – Miranda do Douro n.º 12]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sanfonices

SANFONICES
Constantim
Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Data da Gravação: 12 de Junho de 2010
Local: Sendim
Ano de Edição: 2011

Sanfonices é um projecto de três músicos que visa recuperar e dar a conhecer romances e cantigas de embalar que eram cantadas nos serões e nas lides do campo nas aldeias da terra de Miranda.
Mário Correia teve a ideia e nós pegamos nela. Com o acompanhamento da sanfona fazemos com que se imagine um cego a tocar aquele instrumento numa qualquer praça e a cantar as suas cantigas enquanto espera por uma esmola do rico aldeão.
Cármen Pires foi a principal informante dos temas aqui cantados bem como o cancioneiro Mirandês. São cantigas muitas vezes esquecidas pois têm uma rítmica pouco forte e lenta, o que faz com que a juventude olhe para elas com algum desdém. Do nosso ponto de vista trata-se de espécimes muito ricos, sobretudo pelas histórias que contam.
*
As primeiras chuvas outonais permitem-nos ver com detalhe as nervuras das folhas até então escondidas pelas pardacentas poeiras estivais.
E assim acontece a (re)descoberta de texturas em vias de rendição aos rigores invernais, que fazem as folhas regressarem à terra como húmus fertilizante para o renascimento em tempos de primavera.
Certas propostas musicais devolvem-nos justamente o sortilégio revelador dessas primeiras chuvadas outonais: removendo a poeira dos tempos, devolvem-nos as essências vitais das raízes culturais e primordiais, como que as despertando de uma espécie de suspensão em desvanecimento e, de algum modo, as recuperando para renovados – porque actualizados – planos de expressão e de significado.
Quando Célio Pires, António Garcia e Sérgio Martins apresentaram, em tempos de celebrações intercélticas em Sendim (Casa da Cultura, 6 de Agosto de 2011), um concerto intitulado “Sanfonices”, o que aconteceu – assegura-o quem lá esteve – foi a pura sedução e encantamento do renascimento de velhos romances e cantigas que as gentes mirandesas carregaram até aos nossos dias pelas sendas da tradição oral.

Músicos
Célio Pires (sanfonas, voz)
António Garcia (vieiras, ferrinhos, voz)
Sérgio Martins (castanholas, voz)
Convidado: José João Gonçalves (voz em “A Fonte do Salgueirinho”)


Repertório
01. Mineta 5:54
02. Ró Ró 4:20
03. Perlimpinchin 4:36
04. Pastorica 2:50
05. La Lhoba Parda 3:03
06. A Fonte do Salgueirinho 5:46
07. D. Filomena 2:15
08. Çarandilheira 3:43
09. Beijai o Menino 3:36
10. Ls Cardadores 5:42
11. Cantiga da Segada 4:48
Todos os temas são tradicionais

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

sábado, 25 de maio de 2013

Gaiteiros tradicionais

MANUEL FRANCISCO AIRES
Tiu Pascoal , Gaiteiro de Cércio
Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: Diversos
Local de Gravação: Diversos
Referência: STMC 1269
Ano de Edição: 2012

Manuel Francisco Aires, dito Tiu Pascoal, nasceu na aldeia de Cércio (uma anexa de Miranda do Douro) em 6 de Março de 1925. Começou por fazer e tocar as chamadas gaitas de barcego, de efémera duração – o caule da planta secava rapidamente, rachando-se com muita facilidade, cessando funções muito rapidamente – mas que se revelaram instrumentos de primordial importância em termos de início da aprendizagem das artes do sopro. O barcego designa, na Terra de Miranda, uma “planta gramínea cerealífera, de folhagem filamentosa, cuja flor é semelhantes à aveia; os filamentos, com forma de cabeleira, são utilizados para fazer ‘scobilhas’, pequenas vassouras” (Moisés Pires). As gaitas ou pipas de barcego configuram um instrumento sonoro infantil, muito popular em tempos de primavera, sendo muito frequentemente referenciadas como tendo desempenhado funções iniciáticas.
Manuel Francisco Aires dedicou-se sobretudo à gaita de foles, embora também tenha tocado flauta pastoril. Na aldeia de Cércio, ainda é possível encontrar quem se recorde dos tempos em que ele saía com as ovelhas para as margens da ribeira da terra ora tocando a fraita ora divertindo-se a tentar apanhar as rãs saltitantes que lhe saltavam na frente quando percorria as margens.
Michel Giacometti foi, tanto quanto se sabe, o primeiro a registar espécimes do repertório de Manuel Francisco Aires, tendo mesmo incluído no primeiro volume da Antologia da Música Regional Portuguesa, consagrado às tradições musicais de Trás-os-Montes, publicado em 1960, dois temas: Alvorada e Vinte e Cinco. O primeiro ainda hoje é considerado como sendo a mais completa e a melhor executada – ao “estilo antigo”, diz-se frequentemente – de todas as variantes das “alvoradas” mirandesas.


Repertório:
01. La bicha 4:40
02. Alvorada 3:09
03. Vinte e cinco 2:12
04. Señor Mio (Acto de Contrição) 2:14
05. Passacalhes das pandorcas 2:06
06. Ofícios 1:29
07. Padre António 1:44
08. Palombas 1:01
09. Campanitas de Toledo 1:58
10. Toque de gaiteiro 1:01
11. Toque de gaiteiro 0:57
12. Rapsódia 4:30
13. Passacalhes
14. Padre António
15. Moda da entrega da bandeira

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também da série Gaiteiros Tradicionais: Desidério Luis Afonso, Especiosa – Genísio, Miranda do Douro; Raul de Jesus Pires, Gaiteiro de Palaçoulo, Miranda do Douro; Manuel Joaquim Alves, Gaiteiro de Romariz (Nunes), Vinhais; Delfim Domingues, Gueiteiro de la Pruoba – Miranda de I Douro; Ronas e Passacalhes, Miranda do Douro; José João da Igreja, Gaiteiro de Ifanes (1911-1975), Miranda do Douro; Gaiteiricos 2011, VII Encontro de Jovens Gaiteiros do Planalto Mirandês]


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Tamborileiros tradicionais


TAMBORILEIROS DA RAIA
Constantim / Moveros
Trás-os-Montes / Aliste

Gravação: Anos 70 do Séc. XX (Virgílio Cristal, 1985, e Ángel González Fernández, 1976)
Local de Gravação: Constantim/Moveros
Ano de Edição: 2008

Numa foto da autoria de Ernesto Veiga de Oliveira, obtida em meados dos anos 60 do século passado, durante a romaria internacional consagrada a Nossa Senhora da Luz, que se realiza no alto de uma colina que se reparte entre as terras luso-mirandesas de Constantim e as leoneso-alistanas de Moveros, podem ver-se alguns tocadores de flautas pastoris em animado convívio. Trata-se, de facto, de uma das mais singulares reuniões festivas na área raiana do Planalto Mirandês, suscitando uma ampla adesão das gentes de ambos os lados de uma fronteira que nunca impediu as pessoas de comunicarem entre si ao longo dos tempos, partilhando experiências de vida e saberes com um fundo cultural comum. No entanto, as ocasiões de confraternização entre os populares tamborileiros mirandeses e os não menos populares tamboriteros alistanos também ocorriam noutros tempos festivos espalhados ao longo do ano, nomeadamente aquando das respectivas festas patronais locais, como sucedia entre as gentes das comunidades rurais de Constantim e de Moveros. Ainda hoje os mais idosos residentes da aldeia de Constantim se recordam das frequentes aparições de um tamborileiro de Moveros, Ángel González Fernández, popularmente conhecido por Tio Paris, que invariavelmente se encontrava na entrada da aldeia com o também tamborileiro Virgílio Augusto Cristal que, por sua vez, também em Moveros é ainda recordado pelas suas visitas e encontros com o tamborileiro alistano.
Acreditamos que mais do que constatar características integradoras de um fundo cultural comum importará avançar no sentido de compreender a evolução diferenciadora dos repertórios que partilharam as mesmas raízes culturais, porventura a melhor forma de se conhecerem os mecanismos da mudança. Nesse sentido, a nossa proposta enquadra o “confronto” entre espécimes executados em contextos de proximidade e de comunicação mútua, de um modo geral coincidindo em usos e funcionalidades, como sucedeu com Virgílio Augusto Cristal e Ángel González Fernández.

Reportório

Virgílio Cristal (Constantim)

01. Redondo 
02. Alvorada 
03. Vinte e Cinco Aberto
04. Passacalhes
05. Ofícios
06. Canedo
07. Mirandum
08. Madrugada

Ángel González Fernández, dito Tio Paris (Moveros)

09. Tengo Cinco Duros
10. La Montarazza
11. Jota Alistana
12. La Alboreada
13. Manolo Mio
14. Adelaida
15. Toque de Procesión
16. La Marcha Real 1:35

Todos os temas são tradicionais.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também disponíveis, da colecção Tamborileiros Tradicionais, o título: “Ângelo Ribas, Tamborileiro de Freixiosa, Miranda do Douro”]

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Festas dos Rapazes, Trás-os-Montes


OS SONS DAS MÁSCARAS
Constantim – Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: 2000/2001/2002
Local de Gravação: Constantim
Colecção: Paisagens Sonoras 5
Ano de Edição: 2010
Centro de Música Tradicional Sons da Terra

Os repertórios aprendidos e assimilados pelos gaiteiros tradicionais (cor)respondem a distintas exigências funcionais, permitindo-lhes contribuir, nos contextos e nos momentos festivos tradicionais, para a permanência expressiva de um vasto e significativo conjunto de actos rituais (alvoradas das festas, rondas de ofertório e de peditório, bailes nos terreiros e animações relacionadas com refeições comunitárias). De tal modo que, sem a sua presença, tais actos rituais careceriam de sentido e significado.
Os registos sonoros da Fiesta de ls Moços (Fiesta de San Juan), que se celebra em Constantim nos dias 27 e 28 de cada ano (Miranda do Douro), foram efectuados por Mário Correia / Centro de Música Tradicional Sons da Terra nos anos de 2000, 2001 e 2002.
A reprodução editorial destes registos foi elaborada com o mínimo de intervenção sobre as gravações originais, procurando-se transmitir o mais fielmente possível as sonoridades que acompanham as várias fases da festa.
Tratando-se de um registo que inserimos na série das chamadas paisagens sonoras, a autenticidade testemunhal dependeu e foi determinada pela presença vivencial das mesmas. E, como não podia deixar, sempre norteados pelos ensinamentos do grande mestre e pioneiro das paisagens sonoras, Murray Schafer: O que o analista da paisagem sonora precisa fazer, em primeiro lugar, é descobrir os seus aspectos significativos, aqueles sons que são importantes por causa da sua individualidade, quantidade ou preponderância.

Os sons da noite na véspera da festa:
01. Os sons da noite…
02. …na véspera da festa

De casa em casa na ronda do peditório:
03. De casa em casa…
04. …na ronda do peditório 

Toques e danças no sagrado
05.Señor mio (dentro da igreja) 
06. Elevação da hóstia (dentro da igreja) 
07. Marcha processional

Danças de paulitos no adro (despedida da Bielha e do Carocho):
08.Campanitas e Ofícios

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos: PROCISSONS – Miranda do Douro n.º 3, PROCISSONS – Vimioso n.º 4]

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Romances tradicionais em cd


ROMANCES TRADICIONAIS
Recolhidos por António Maria Mourinho
Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: Diversos
Local de Gravação: Diversos
Colecção: Cantos Tradicionais 10
Ano de Edição: 2011
Centro de Música Tradicional Sons da Terra

Os romances foram objecto de particular atenção e estudo por parte de António Maria Mourinho, chegando mesmo a constituir o tema central de algumas das suas comunicações, como foi o caso da que apresentou, em 1988, na Fundação Calouste Gulbenkian, num colóquio sobre literatura popular, intitulada “Romanceiro cantado em Terra de Miranda”. A sua investigação pode situar-se na esteira dos trabalhos pioneiros levados a cabo por Leite de Vasconcelos e Firmino Martins, entre outros, no Nordeste Transmontano, tendo como referência ibérica incontornável Ramón Menendez-Pidal.
O especial gosto de António Maria Mourinho sobre os romances tradicionais cantados na Terra de Miranda foi ao ponto de ele próprio se ter gravado, interpretando o romance peninsular La Lhoba Parda, um espécime registado em distintos suportes fonográficos integrantes dos seus arquivos sonoros com a sua voz.
Ao conjunto de romances e cantigas da segada recolhidas por António Maria Mourinho e que foi possível recuperar dos seus arquivos sonoros, bem pode aplicar-se, desde logo aquilo que ele próprio deixou escrito no seu célebre cancioneiro (Mourinho, 1984:XXIV):
Sobre o rimanceiro ou romanceiro, como queiramos, transcrevem-se aqui versões de rimances que já outros também transcreveram, o que vai contra os princípios do saudoso Abade de Baçal, pois me dizia que aquilo que outros já publicaram, não tem interesse, mas não é bem assim, porque hoje, como se deduz do avanço dos estudos já feitos sobre o Rimanceiro, na Península Ibérica, nas Américas e em outras partes do mundo de influência cultural peninsular, devem ser transcritas todas as versões de rimances, onde quer que elas apareçam e quando quer que apareçam, pois rara é a versão que não tenha a sua variante e a sua novidade…

Recolha: 1965
01. La lhoba parda 1:50  
02. Eu casei-me cum pastori 6:51

Recolha: 1967
03. Já lá abaixo vem o sol (O Conde da Alemanha) 1:14  
04. ‘Stando eu à minha porta 0:23  
05. Bozes daba o marinheiro 0:36  
06. A fortuna da donzela 0:44  
07. Pur aqueilhes campos berdes 0:52  
08. Canta mouro, canta mouro 1:06

Recolha: 1968/1971
09. La lhoba parda 1:54  
10. Margarida foi à fonte 0:52

Recolha: 1970
11. D. Irene 1:14

Recolha: 1986
12. D. Filomena 1:17  
13. Pastorica 4:28

Recolha: 1987
14. Naquela Vila Viçosa 2:29  
15. Ó Ti Ana 4:55 
16. Dona Ancra 3:57  
17. Dona Helena 8:03  
18. D. Fernando 4:17  
19. Frei João 4:27  
20. Noriberta 3:38  
21. Chin Glin Din 5:15  
22. D. Jorge 3:31  
23. La serena de la noche 7:16  
24. Era um homem rico 3:24  
25. O Morgado da Junqueira 3:37

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos: ADÉLIA AUGUSTA GARCIA – Caçarelhos – Vimioso n.º 6, LOAS DEVOCIONAIS – Miranda do Douro n.º 9]