“Inverno Mágico –
Ritos e Mistérios Transmontanos” Volume I e II de António Pinelo Tiza
«(…) este Inverno
Mágico de António Pinelo Tiza vem colmatar da melhor forma um vazio que existia
no estudo e divulgação de todo o conjunto de rituais do Nordeste Transmontano
no ciclo invernal. É, efectivamente, um trabalho notável fruto de um labor
dedicado de muitos anos. Neste trabalho de António Tiza impressiona a
quantidade (e singularidade) de festividades cíclicas que se realizam nesta
região portuguesa no período que vai desde o dia 1 de Novembro (antiga festa de
Samain dos celtas) até ao período do Carnaval.
Inverno Mágico –
Volume I
Tempo e espaço são
dois elementos essenciais a qualquer estudo antropológico ou etnográfico.
Neste contexto, os ritos festivos do Inverno Mágico – Volume I acontecem no
tempo cíclico da estação que, no espaço da Terra Fria do Nordeste Transmontano,
se inicia no mês dos Santos e se prolonga até aos alvores da Primavera. São
ritos de culto aos mortos, festas solsticiais herdeiras das antigas Saturnais,
ritos de passagem de uma a outra idade na vida dos jovens iniciados, mascaradas
de esoterismo espontâneo e funcional, festas da fertilidade ou de culto ao pão,
bacanais das Calendas de Janeiro, libações, comidas comunitárias e celebrações
dos prolegómenos da tão ansiada Primavera, com a ritualidade que a práxis
cristã e medieval determinam e que ciclicamente se cumpre.
Por tudo isto, é justamente este o mais emblemático ciclo festivo deste “reino
maravilhoso”. O clima rigoroso, as neves e geadas de rachar, as terras de
montanha e de povoamento concentrado forçam o aconchego do lar e o convívio
comunitário, carregado de ritos ancestrais de uma magia tão profunda que só
aquele que os vivencia os poderá assimilar em toda a sua plenitude. O autor
deste livro, sendo um filho desta terra, aprofundou o conhecimento destes
rituais através do método que os antropólogos designam de investigação-acção,
ao longo de três décadas de vivências conjuntas com aquelas comunidades que
teimam em manter vigentes estas tradições milenares.

Inverno Mágico –
Volume II
No decurso da
década seguinte à publicação do Inverno Mágico, foi o autor constatando que
“outros ritos e mistérios” persistiam em celebrar-se com força e vigor. Sentiu,
pois, que muito havia para fazer/pesquisar. Da continuação dos trabalhos de
campo resultou uma reflexão sobre o evoluir da práxis decorrente da
contemporaneidade, constatada nas novas tecnologias da comunicação, da
revitalização de celebrações perdidas ou da introdução de encenações que,
embora radicados na tradição, se orientam agora para a inevitável
“turistização”.
Rituais perdidos que renasceram ou que ganharam uma dimensão nunca sonhada,
adequação de celebrações festivas à modernidade, reconstrução de ritos de
inspiração antiga, de tudo um pouco ocorreu nesta década do pós-Inverno Mágico.
O aprofundamento dos ritos “esquecidos” no primeiro volume é neste uma
constante, a par de algumas revelações. Era inevitável que assim fosse; num
território tão vasto e tão rico, nem tudo era possível conhecer e muito menos
aprofundar; a sua coincidência no tempo cíclico exige mais tempo para a todos
acorrer; provavelmente, este processo de reconhecimento não terminou. Assim, os
ritos de entrada na estação escura consolidam os anteriores da lenha dos Santos,
acrescidos das celebrações do vinho novo; outras festas solsticiais (antes
adormecidas) renasceram e as mesinhas do milagroso e mártir Sebastião ganharam
agora um vigor nunca antes visto. Como consequência destes fenómenos, o
presente Inverno Mágico alargou o seu âmbito espacial a uma boa parte do
território de Trás-os-Montes; o seu tempo cíclico prolongou-se até à Semana
Santa que, sendo movediça, se celebra ainda no Inverno (o transmontano) que
neste “reino”, é de “nove meses”. E, acima de tudo, mágico.

António Pinelo
Tiza é natural de Varge, Bragança. Estudou Teologia em Bragança e
Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a
licenciatura. Defendeu a tese de doutoramento em Ciências Sociais na
Universidade de Valladolid, com a classificação de “Sobresaliente cum laude”.
Foi professor do ensino básico, secundário e superior.
Foi Presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano (1998-2002).
Actualmente desempenha as funções de Presidente da Direcção da Academia Ibérica
da Máscara e Vice-Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. É membro
da Associação Portuguesa de Escritores.
Disponível na
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[também disponível do autor
o título: “O Diabo e as Cinzas”]