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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Olhares transmontanos sobre guerra colonial


“A Última Estação do Império” de António Chaves

A obra contou com a colaboração do escritor Barroso da Fonte e conta a história e amizade dos dois combatentes barrosões em tempos de guerra colonial, quando em 1964 ambos cumpriram serviço militar no Continente e foram enviados para Angola. 

«A 23 de Janeiro de 1964, um jovem com 20 anos de idade apanha, na estação de S. Bento, o último comboio da noite, com destino a Santa Apolónia.
Chama-se António Carneiro Chaves, é natural da aldeia de negrões, concelho de Montalegre, e esta será a primeira etapa de uma viagem que o conduzirá, juntamente com um grupo de outros recém-incorporados, tal como ele, no serviço militar, até ao quartel de Mafra, onde irão fazer recruta.
Desse grupo faz parte João Barroso da Fonte, também montalegrense. A data acima referida regista o início de uma sólida amizade entre estes dois transmontanos, marcada por partilha de experiências e de ideias, parte delas expostas sob a forma epistolar. Alguma da correspondência trocada entre ambos, publicada neste livro, cinge-se ao período em que prestam serviço militar, no Continente e em Angola.
Numa escrita por vezes poética na descrição de paisagens e emoções, António Chaves narra cerca de quatro anos que considera de interregno na sua vida; percurso em que, extasiado com o esplendor e a magia do mundo africano, tenta entender a natureza e cultura dessas gentes, tão diferentes das que até ali conheceu. Líder com um claro sentido de estratégia e comando, nunca perde, no mais fundo do coração, a memória e a saudade da sua terra e dos seus. Procura, à luz de documentação histórica, as razões que poderão explicar os caminhos que desembocaram na guerra em que participou. A amálgama de reflexões e vivências narradas, situando esta obra entre o romance autobiográfico e o ensaio, levanta questões comuns a todos que ali aportaram, justificando a sua edição e o interesse na sua leitura.»

«Quando soube que a Câmara de Montalegre tinha intenção de homenagear-me, ficou radiante e, esse júbilo, fez-lhe um desfio: escrever um livro onde reunisse a nossa correspondência dessa época, onde retratasse o drama da nossa geração e onde se deixasse um testemunho dessa guerra subversiva que, em boa verdade, ninguém entendia. Aquele que era para ser um livro de memórias, resultou num relato circunstanciado, com dois centros operacionais, que coincidiam com os relatores. Fomos dois repórteres da linha da frente. Duas visões diferentes de ver a mesma realidade, numa mesma época e num mesmo espaço. Não inventámos, não romanceámos, não forjámos. Ele que esteve mais para o sul e que já então tinha o fascínio pela historiografia dos povos africanos, apaixonou-se pelo drama da escravatura. Embrenhou-se na literatura que foi descobrindo - e foi muita. Penso que para além destes testemunhos de guerra, esta «Última Estação do Império» que a Âncora editou e distribui, será um livro de consulta obrigatória para quem fizer a História do Fim do Império Português.» Barroso da Fonte [NetBila]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também disponíveis os títulos: “Angola – O Conflito na Frente Leste” de Benjamim Almeida, "Angola 1975 - Testemunho de uma tragédia" de José Manuel Coelho e “Ultrajes na Guerra Colonial” de Leonel Olhero]

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um padre guerrilheiro


“República e Incursões Monárquicas – Um Padre Guerrilheiro de Barroso” de António Chaves, Barroso da Fonte, Bento da Cruz, José Baptista

«A primeira incursão monárquica teve lugar de 4 para 5 de Outubro de 1911 na raia galega de Vinhais, exatamente um ano após a revolução que conduziu à vitória do 5 de Outubro de 1910, dando início a um regime republicano em Portugal.
Completou-se, no decorrer do mês de Julho, um século sobre a segunda incursão monárquica e, em Agosto, século e meio sobre a data de nascimento do Padre Domingos Pereira, um dos mais destacados e astutos guerrilheiros da contra-revolução monárquica. O aniversariante, apesar de ter vivido boa parte da vida adulta em Cabeceiras de Basto e aí ter sediado o seu baluarte de resistência, é natural do concelho de Montalegre, mais propriamente da aldeia de Vilarinho, freguesia de Negrões, onde nasceu a 9 de Agosto de 1862».

António Chaves (Autor e coordenador do livro): «tentei dar uma perspetiva daquilo que se passou a nível internacional, nacional e local. Considero de fundamental importância entender-se aquilo que se passa à nossa volta. Tentar dirimir as questões que se encontram no nosso dia a dia, nas nossas instituições, nas nossas relações, sabendo que elas não estão totalmente desligadas de contextos mais alargados. Nós fomos líderes e pioneiros mas esse é um tempo que já lá vai muito longe. Encaixar as peças neste contexto é, por vezes, um exercício difícil mas é fundamental para conhecermos a nossa história dos nossos locais de modo a entendermos como foi o nosso passado».

Barroso da Fonte (Autor): «a mim foi-me dado um tema sobre o padre Domingos Pereira falando dos últimos 25 anos da vida dele. Foi interessante falar desta figura. É um padre barrosão. Havia mais um irmão na família. Os dois foram parar a Cabeceiras de Basto onde estava um tio, João Carreira, que teve influência junto do bispo de Braga para o levar para lá. Travaram lá algumas batalhas, esta foi uma batalha travada por eles. Ele acabou por não renegar à religião porque quando morreu foi vestido com as vestes de sacerdote. Dava conselhos aos padres que não fizessem o que ele fez. Para mal já bastava o que ele fez. Enquanto foi padre cumpriu. Não há noticias que ele se tenha portado mal a não ser que tenha seis filhos da empregada Valentina. Os filhos foram criados, ao que parece, com boa educação. Depois de abdicar de sacerdote, foi um combatente, um guerrilheiro...na parte que me toca não analisei o combatente mas a integridade e a coerência do homem que foi. Em relação à Câmara, não lhe ficou nada mal homenagear um cidadão, fez muito bem».

Bento da Cruz (Autor): «escrevi sobre a incursão do Paiva Couceiro em relação ao que se passou aqui na fronteira. A história de Portugal é feita pelos autores nacionais. A história local tem que ser feita por nós. Isto faz parte da história local. Toda a descrição que faço, que não tem pretensões históricas, é uma festa! Lembro, por exemplo, do pormenor do Joaquim Leitão, não sei se mente ou não, de os homens aparecerem em Gralhas com lenços à cabeça, de cor vermelha. Eram lenços como turbantes. Eu ainda me lembro disso. Um uso que agora desapareceu por completo».

José Dias Baptista (Autor): «a minha prestação é a parte histórica da vida do padre Domingos Pereira. Toda a história nacional ligada à história de Barroso através da figura do padre. Trata-se de fazer uma resenha dos momentos históricos nacionais mais importantes, como faço em todos os meus livros, ligando-os a factos históricos passados na nossa região».
[webpage da Câmara Municipal de Montalegre]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos de Bento da Cruz: “Contos de Gostofrio”, “Histórias da Vermelhinha”, “O Retábulo das Virgens Loucas”, “Histórias de Lana-Caprina”, “A Lenda de Hiran e Belkiss”, “Prolegómenos I”, “Prolegómenos II”, “A Fárria”, “Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes” e “Camilo Castelo Branco por Terras de Barroso e Outros Lugares”]