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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Etnografia transmontana: o comunitarismo de Barroso


“Etnografia Transmontana – Volume II – O Comunitarismo de Barroso” de António Fontes

Este segundo volume introduz-nos nos aspectos visíveis de uma sociedade, a do Barroso, equilibrada por um sistema de parentesco e, consequentemente, de reciprocidade, que dissimulam o carisma particular de um povo face à vida quotidiana. Os primórdios da aldeia e a sua formação, o colectivismo de um modo de vida remotamente dependente da terra e a reciprocidade de serviços que daí se desprendem, resultam num homem de feições culturais específicas que se não lhe podem dissociar: o homem barrosão é um artista e lavrador, a família é a aldeia, o gado é respeitado, a honra é a matriz desta gente que, perto ou longe do mundo, adquiriu uma postura cultural, não imposta, mas de acordo com as leis da natureza que lhe foi extraviada pelas malhas da modernidade.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível do autor os seguintes títulos: “Etnografia Transmontana – Volume I – Crenças e Tradições de Barroso” e “Etnografia Transmontana – Volume III – Cancioneiro Ancestral Barrosão” com Altino Moreira Cardoso]


terça-feira, 3 de março de 2015

Padre Fontes, o romance de uma vida



“Padre Fontes – O Romance de uma Vida” de Eugénio Mendes Pinto

«(...) Volto a Tourém. Quando nevava intensamente era impensável sair da aldeia. Juntavam-se as pessoas à volta das lareiras de algumas casas, conversavam, comiam e esperavam que o tempo melhorasse. O gado não saía das cortes. A povoação parava completamente. Só fumo cinzento no cinzento dos dias dava vida a Tourém. Só o respiradouro do fogo ajudava a aquecer os corpos. O Inverno era frio, o vento cortava, a neve chegava a atingir mais de um metro de altura. Ainda vejo crianças a brincarem quando caía o primeiro nevão. E o boneco de neve imenso que fizeram junto ao forno comunitário. Os olhos delas brilhavam no frio, rostos vermelhos, mãos geladas. Matavam saudades do último Inverno caiado a branco nesse primeiro dia. Depois, recolhiam-se no interior das casas e só saíam quando o nevão passasse.

O frio parecia matar. Ficava o boneco sozinho, a sorrir, olhos de castanhas, nariz de cenoura, boca de um qualquer papel vermelho que decidiam colocar-lhe. Sempre gostei desta simplicidade aldeã. Eu, nesse primeiro dia de neve, como criança, pegava nas galochas, capa de burel, luvas, cachecol - bem agasalhado - passeava nessa alvura. Em passos lentos, a ouvir o som da neve a apertar-se nela mesmo ao meu peso, subia a um ponto alto para poder ver a brancura da aldeia. Tudo ficava nesse silêncio de fumo, cheirava a fumo. E a negrura das ruas, das casas, era encoberta numa vontade de cal. Resplandecia Tourém nessa cor, nessa nova forma que o tempo lhe dava.
Ficava a olhá-la até não sentir os pés, as mãos, o rosto. Sentia somente o coração a bater. E o cinzento do dia, as nuvens que pareciam encobrir as casas, afastava-se de tanta pureza.
Descobria que tinha de me mover quando, quase imóvel ou incapaz de movimento, ouvia alguém dizer, vai ficar aí a petrificar padre Fontes. Está frio. As palavras repetidas todos os anos do Domingos. Como eu, também subia a morro alto e sonhava nesse olhar.



Domingos gostava de escrever e pintar. Desenhava a carvão nas paredes do quarto que pintava à cor da neve todos os anos para poder recobrir, novamente, todo a negro com os seus desejos que encantavam de tanta simpatia.
E descíamos os dois, em silêncio. Quando não há nada para dizer, nada se diz. Mantém-se o mutismo que perdura nas palavras do olhar, e essas são eternas.
Tourém encantada no silente momento da primeira água condensada em pequenas estrelas. Tudo deserto e tudo tão limpo, lavado.
Volto a calcar a neve, a entrar no abandono, e sabia que só o tempo decidiria sobre a vida da aldeia. (...)»


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível de e sobre o autor os títulos: “Etnografia Transmontana – Volume I – Crenças e Tradições de Barroso”, “Etnografia Transmontana – 3.º Volume – Cancioneiro Ancestral Barrosão” de Padre António L. Fontes e Altino Moreira Cardoso, “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Padre António Fontes – Vida e Obra” de João Gomes Sanches; “Misarela, a Ponte do Diabo” de Padre António Fontes, ilustrações de Alex Gozblau]

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Misarela, a Ponte do Diabo



“Misarela, a Ponte do Diabo” de Padre António Fontes, ilustrações de Alex Gozblau

O Padre António Fontes revisita a histórica Ponte da Misarela, conta-nos a lenda e leva-nos a descobrir as razões por esta ponte, em Montalegre, ser considerada por uns como a Ponte do Diabo e por outros como uma ponte abençoada.

Nela se fizeram centenas de batismos com as crianças ainda no ventre materno. Se fosse rapaz chamava-se “Gervás” e se fosse menina chamava-se “Senhorinha”.

Ponte do Diabo ou abençoada? Em que ficámos?

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível de e sobre o autor os títulos: “Etnografia Transmontana – Volume I – Crenças e Tradições de Barroso”, “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Padre Fontes – O Romance de uma Vida” de Eugénio Mendes Pinto e “Padre António Fontes – Vida e Obra” de João Gomes Sanches]

quinta-feira, 27 de março de 2014

Etnografia transmontana de António Fontes



“Etnografia Transmontana – Volume I – Crenças e Tradições de Barroso” de António Fontes

O Barroso é ainda um dos lugares no qual podemos entregar o tempo à magia da memória do passado e às manifestações religiosas e profanas que continuam cimentadas no presente.
Neste primeiro volume, o percurso etnográfico revolve o fio à meada das crenças e tradições, perdidas e usadas, passando pelas sombras do diabo, mezinhas e bruxarias, definhando o aspecto lúdico do dia-a-dia até à santidade dos dias e suas festas, posfaciando na sabedoria popular cromatizada através dos ditos do povo.
«É por isso que subo nos outeiros e grito: vinde ver o mundo a acabar», apesar de ficar registado neste trabalho de campo a bom tempo.

Biografia: António Fontes nasceu em Cambeses do Rio, Montalegre, em Fevereiro de 1940.
Terminou o curso de Teologia no Seminário de Vila Real em Junho de 1962. Foi pároco, de 1963 a 1971, em Pitões das Júnias e Tourém e, de 1966 a 1971, em Covelães. É actualmente, e desde 1971, padre nas freguesias de Mourilhe, Meixide, Soutelinho da Raia e Vilar de Perdizes, no concelho de Montalegre.
Fundou o jornal “Notícias de Barroso”. Licenciado em História pela Universidade do Porto, é autor de vários trabalhos de recolha etnográfica e investigação nas áreas de Antropologia, Arquitectura, Etnografia e Música. Organizou a representação de «O Auto da Paixão» e vários congressos internacionais: Arquitectura Popular, Caminhos de Santiago, História Medieval. Organiza, desde 1983, os Congressos de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, que anualmente levam a esta aldeia do concelho de Montalegre milhares de participantes.
Está representado nas seguintes antologias: “As Chegas de Bois” (organizador), “Trás-os-Montes e Alto Douro e Da Literatura Popular à Literatura Infantil”. É autor das obras “Etnografia Transmontana”, “Os Chás dos Congressos de Vilar de Perdizes”, “Aras Romanas e Terras de Barroso Desaparecidas”, e co-autor de vários títulos, nomeadamente “Medicina Popular”, “Mitos, Crenzas e Costumes da Raia Seca”, “Misarela – A Ponte do Diabo”.



«Não sei se haverá alguém que tanto como António Lourenço Fontes tenha chamado a atenção dos portugueses e dos estudiosos de outras nacionalidades para as características, por vezes bem singulares, da cultura barrosã. Através dos livros, do seu jornal “Notícias de Barroso”, de conferências e entrevistas, dentro e fora do país, de colaboração em filmes, de uma vida paroquial aberta ao meio, do seu trabalho de assessor cultural na Câmara Municipal de Montalegre, de numerosas acções de animação e estudo, nos domínios do artesanato, das tradições, de tudo o que é propriamente popular, trate-se de jogos, arquitectura, teatro, religiosidade ou medicina, tem ele conseguido atrair a curiosidade, o carinho e admiração de muita gente pela sua terra, que até ali vai de longada, pondo olhos e ouvidos nas coisas, não raro embevecidamente.
«Entre quem é» – diz ele, se lhe batem à porta da residência de Vilar de Perdizes, uma construção tipicamente transmontana, logo franqueando aos olhos ávidos de repasto cultural salas e saletas, quartos, cozinhas e lojas, tudo abundantemente guarnecido, abarrotado de livros e cadernos, documentos de vária origem como estatuetas, quadros, peças de artesanato e outras relíquias. Naquela casa tinha vivido o Padre Domingos Barroso, um homem tão devoto dos santos como dos encantos da sua terra e que era especialmente versado em matéria de cinegética. Tanto ele constituiu para António Lourenço Fontes uma sombra tutelar que diligenciou para que no largo fronteiro lhe fosse erguido um monumento. Lá está, bem significativo na sua simplicidade. Desse sacerdote não recebeu, porém, mais do que um incentivo. A pesquisa e a recolha sistemática de mitos e ritos, usos e tradições, que dão um rosto à gente barrosã, estavam ainda por fazer.
Escreve neste livro: «Metia-me medo, por não haver quase nada escrito sobre tudo isto, que foi para mim floresta virgem que tive de explorar.» E a verdade é que explorou, sem bravatas, antes com uma paciência modesta, como é aliás do seu temperamento. Menos preocupado com desenvolvimentos
teóricos e questões taxinómicas do que com o registo atento, tanto quanto possível cingido ao essencial e praticado à luz e segundo a ordem da experiência, com o sacrifício de certo arrumo, acabou por nos deixar um trabalho que fascina pelo despretensiosismo e pelo toque certeiro no que os etnólogos consideram imprescindível e fundamental para as suas teses mais engenhosamente concebidas, ainda que por vezes marcadamente subjectivas e especulativas e, por isso, discutíveis, neste jogo de esquivanças e probabilidades que é o real para toda a ciência.

O campo de observação de António Lourenço Fontes é o da etnografia, no sentido em que C. Levi-Strauss a definiu: «A etnografia consiste na observação e na análise de grupos humanos considerados na sua particularidade e visando a reconstituição, tão fiel quanto possível, da vida de cada um deles.» Retratar e biografar o povo de Barroso foi essa a intenção de António Lourenço Fontes, como transparece do plano traçado para cuja execução trabalhou, «sabe Deus com que dificuldades». Mas as monografias comportam sempre riscos de efectualidade, mesmo tendo em conta o bom senso e a argúcia do critério adoptado, a dedicação e a vantagem de pesquisar a partir de dentro, como é o caso, dado que o autor nasceu no coração de Barroso, onde após os seus cursos em Vila Real e no Porto continuou a viver. Outros etnógrafos tiveram de suportar dificuldades de aceitação pelas comunidades visadas, como sucedeu por exemplo a Malinowski na Melanésia.
Um risco etnográfico é o que se prende com problemas de diacronia e dialéctica. Toda a descrição nesta matéria é selectiva e deixa pressuposta uma teoria, por mais geral que ela seja. Ora, quanto a isto, o primeiro obstáculo a transpor é o de conferir o grau de actualidade ou não de um fenómeno, os factores e o processo da sua evolução e ainda o que há nele de núcleo permanente, com relevo para os vectores de articulação com os outros fenómenos da mesma estrutura ou sistema. António Lourenço Fontes tem consciência disso, expressando a vontade de «recordar tanto as tradições vivas, como as que já morreram»; e em algumas páginas caracteriza «o homem barrosão e o seu feitio», o que não o impede de adoptar seguidamente o método cumulativo, mais de acordo com o retrato do que com a biografia, resultando assim um painel de cromatismos insinuantes, como se o papel deste etnógrafo fosse o de coleccionar revérberos. É um caminho, entre outros, que deixa por apreender o que no fundo é inapreensível, isto é, o espaço de instabilidade latejante que se situa, relativamente a um costume, a meio caminho do que foi e do que é – um espaço onde pulsam determinações endógenas e exógenas cuja fixação descritiva é uma aventura, a menos que do facto social se persiga uma visão hipotético-dedutiva, atenta às formas globalizantes, muito em conformidade com o método estruturalista. A este método porém, que conduz a uma ciência de rigor, escapam os conteúdos vivos, a mobilidade quer ontológica quer factual do ser, tendo-se como certo que a observação e a theoria realizadas a partir do exterior são sempre neste aspecto ou naquele algo deformantes. E daí que o formalismo estruturalista se venha considerando ultrapassado.
António Lourenço Fontes opta pelo registo directo e breve, sem outro enquadramento pontual que não seja o decorrente da localização e o de encostar uns aos outros os factos mais semelhantes entre si, segundo uma concepção da etnografia tradicional. Certo. O leitor e o antropólogo ficam naturalmente satisfeitos com a oferta de textos puros, lavados: que sejam um e outro a operar induções e deduções. Como se dissesse: o povo de Barroso é mais ou menos assim, nos domínios que investiguei; façam agora o favor de comparar e tirar conclusões. Nem sequer, como acontece com «o direito sobre as moças da terra» e as «chegas», ele nos diz claramente até que ponto o costume persiste na forma apresentada ou como possivelmente evoluiu e por que motivos. Como se também nos quisesse dizer: em Barroso foi ou é assim; venham cá e vejam como as coisas, apesar de inevitáveis transculturações, ainda conservam peculiaridades que as identificam e nos identificam.

O que em toda esta obra se subentende não é difícil de perceber, se nos ativermos a afirmações vigorosas como esta: «O homem transforma o ambiente, mas deixa-se impressionar fundamente por ele.» Barroso tem uma configuração geográfica, um clima, um modo de ser, um estar longe de tudo menos de si, uma história cerzida de tradições tão enraizadas na memória e na vida que, mau grado os ventos desculturantes que sopram de várias direcções, irá manter a sua identidade cultural. Identidade para já bem patente naquilo a que Kardiner chama «personalidade de base, comum a todos os barrosões, onde quer que se encontrem, um suplemento de alma que dá vida a estes dois livros, em que se abre uma consciência generosa, a ser ouvida não só pelos seus conterrâneos, mas por quantos assumem a cultura como um dos valores mais preciosos do existir, cépticos felizmente em relação à exclusiva via economicista da paz e da felicidade. Em livros assim tocam os sinos a rebate.» António Cabral, do Prefácio


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[também disponível do autor os títulos: “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Padre Fontes – O Romance de uma Vida” de Eugénio Mendes Pinto e “Padre António Fontes – Vida e Obra” de João Gomes Sanches]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cancioneiro ancestral barrosão


“Cancioneiro Ancestral Barrosão” de Padre António L. Fontes e Altino Moreira Cardoso

De uma parceria entre estes dois ex-colegas e amigos nasceu este Cancioneiro ancestral Barrosão. É uma recolha musical que caldeada com a riqueza etnográfica das Terras de Barroso, resultou em mais um volume da Etnografia Transmontana,

«Poesia e Música. Património Imaterial do Povo.
... podia chamar-se galaico-barrosão a este pequeno cancioneiro, agora recolhido – assim como aos cancioneiros galegos. A Alma e os Povos são irmãos.»
P. António L. Fontes (prefácio)

foto da capa:
Penedo de Caparinho
É uma gravura rupestre datada do Paleolítico, revelada ao Padre A.L. Fontes por um pescador, A. Martins, nos anos 80.
Fica situada a 5 km de Vilar de Perdizes, no local do Caparinho.
É um penedo rasante com um homem e uma mulher despidos, de braços abertos, armas aos pés.
Representam a fecundidade, a festa, alegria, a paz, num hino à Divindade.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também dos autores os títulos: “Canções para todas as Escolas” – exemplares esgotados na editora, “Grande Cancioneiro do Alto Douro” Volume I – Cantigas da Vinha (600 músicas e letras) com um estudo prévio, Volume II – Tunas Rurais, Natal – Reis – Embalar, Rimances, Cantares Religiosos, Cantares do Trabalho, Cantares ao Desafio, Volume III – Os Cantares em Contexto – histórico, literário, musical, europeu”, “Rimanceiro do Alto Douro – 110 rimances com um estudo introdutório”, “A Magna Carta da História do Vinho do Porto – a escritura de Cister (1142)” e “Poesia Tradicional Duriense – com D. Sancho I, o Primeiro Trovador”; “As Chegas de Bois – uma antologia”, “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Padre Fontes – O Romance de uma Vida” de Eugénio Mendes Pinto e “Padre António Fontes – Vida e Obra” de João Gomes Sanches]

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Padre Fontes: vida e obra + filme


 “Padre António Fontes – Vida e Obra” de João Gomes Sanches

Aos 72 anos, o mediático e controverso padre Fontes continua a ter uma vida agitada, apesar dos obstáculos inerentes à doença de Parkinson.
Conhecido como «o homem que colocou Barroso no mapa», com eventos como o Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, a Feira do Fumeiro e o Dia das Bruxas, continua a enfrentar a hierarquia católica, não temendo revelar tudo aquilo que pensa.

«O cepticismo do padre António Fontes face às aparições de Fátima é abordado numa biografia do impulsionador do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, avançou hoje o autor da obra, João Sanches.
«Nunca ninguém pôs esta questão de maneira tão explícita», afirmou autor, que é psicólogo e docente universitário, considerando que o padre António Fontes partilha da ideia de que as aparições funcionam como «mecanismos de que a Igreja [Católica] precisa para manter a crença dos fiéis».
A obra recorda que, muito antes das aparições de Fátima, foi relatado um episódio similar na aldeia de Calvão, na fronteira de Chaves e Montalegre, numa altura em que paroquiava a freguesia um padre que viria a ser transferido para Fátima.
O episódio de Calvão ocorreu em 1853 e as aparições de Fátima só se registaram em 1917.
«Foi muito depois, mas pergunta-se até que ponto as sementes não frutificaram, até que ponto não se criou uma certa cadeia teológica», observou o psicológico e docente universitário.
A biografia aborda igualmente as quezílias de António Fontes com o antigo bispo de Vila Real Joaquim Gonçalves, que chegou a proibir o padre de organizar o congresso de Vilar de Perdizes.» [Semanário “Sol”]

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[também os títulos: “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Usos e Costumes de Barroso” de Barroso da Fonte e António Fontes, “Cancioneiro Ancestral Barrosão – Etnografia Transmontana, 3.º Volume” de Padre António L. Fontes e Altino Moreira Cardoso, “As Chegas de Bois – Uma Antologia”]



Para que este mundo não acabe!
Documentário de João Botelho sobre o Barroso
 SEGUNDA 8 | OUTUBRO | 22H00 | TEATRO DE VILA REAL

Realização: João Botelho
2009 | M/12 | 55 min.
Documentário | POR
Com: Marcello Urgeghe, Maria Archer e João Poças

«‘Vinde ver este mundo acabar’ — escreveu na sua monografia do Barroso o Padre António Fontes um apelo desesperado. E eu fui. E então vi a gente e a terra. Assombro na descoberta. Aperto no coração. Sentidos despertos. Recolhi umas histórias, inventei outras, respeitando a dignidade e a grandeza deste pedaço do meu país, que não tem igual. A generosidade e a fertilidade como coisa maior. Disso trata este projecto de documentário». João Botelho

“Para que Este Mundo Não acabe” faz parte de uma trilogia de João Botelho dedicada a Trás-os-Montes e Alto Douro, numa encomenda a Direcção Regional da Cultura do Norte, junto com “A Terra Antes do Céu” (já exibido no Teatro de Vila Real) e “Anquanto la Lhéngua fur Cantada” (agendado para 22 de Outubro).
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TEATRO DE VILA REAL
Alameda de Grasse | 5000-703 Vila Real | PORTUGAL
Tel: 259 320 000 (14h30–20h00) Fax: 259 320 009
Informações e reservas: bilheteira@teatrodevilareal.com
Facebook: www.facebook.com/

terça-feira, 17 de julho de 2012

Usos e costumes de Barroso


“Usos e Costumes de Barroso” de Barroso da Fonte e António Fontes

«Nascida da consciência que é, num mundo actual em constante evolução, preservar e transmitir às gerações futuras as tradições dos seus antepassados, esta reedição de Usos e Costumes de Barroso, retornada à estampa mais de 30 anos após a sua primeira edição, apresenta-se como a continuidade natural do trabalho que tem sido realizado na preservação da cultura barrosã. A primeira edição, lançada em 1972, surgiu da intenção de incutir outro alcance para o saber que se tinha distribuído em artigos dispersos pela imprensa regional, reunindo os estudos de Barroso da Fonte, António Fontes e Alberto Machado sobre a etnografia e antropologia da região do Barroso numa obra com o alcance espacial e temporal que o livro faculta.

Pareceu-nos ser importante a reedição deste Usos e Costumes de Barroso primeiro, para que possa estar novamente disponível aos interessados pela cultura barrosã, esgotada que está há muito a primeira edição; segundo, porque este trabalho é em si um documento que permite ao leitor aceder a uma imagem da realidade barrosã do fim dos anos 60. Apresentam-se assim, na íntegra, os estudos publicados em 1972. Procurando valorizar o conteúdo presente nesta nova edição, foram incluídos estudos recentes sobre aspectos essenciais da cultura tradicional barrosã, com um claro realce para a tradição oral. A própria linguagem do livro é fácil de acompanhar e, ao correr da pena, vamos encontrando no discurso a «fala» das gentes de Barroso em toda a sua originalidade. A cultura da terra, as formas de sociabilidade que propicia (o reconhecido comunitarismo barrosão) manteve um papel central nesta edição transmitindo ao leitor usos e costumes celebrados, como são as famosas chegas de bois ou as insólitas eiras de bosta.»
 Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos “As Chegas de Bois – uma antologia”, “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Padre Fontes – O Romance de uma Vida” de Eugénio Mendes Pinto]