quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Camilo em memórias fotobiográficas


“Camilo Castelo Branco – Memórias Fotobiográficas (1825-1890) de José Viale Moutinho

«São cerca de 600 as imagens que compõem a obra (...). Entre fotografias, retratos, desenhos e documentos que testemunham a vida do grande romancista Camilo Castelo Branco, o autor traça o percurso de uma vida “extraordinariamente infeliz, que não podia acabar como a da maioria dos desgraçados”, como indicam as palavras do próprio Camilo na abertura da obra.
Publicado pela Editorial Caminho, com uma tiragem de quatro mil exemplares, o livro é composto por mais de 400 páginas, incluindo algumas fotografias raras, como é o caso da foto tirada a 2 de Junho de 1890, dia seguinte ao suicídio de Camilo, que mostra o grande amigo do escritor Freitas Fortuna junto ao seu caixão na casa de S. Miguel de Seide. Referência também para alguns desenhos da autoria de prestigiados criadores como Júlio Pomar ou o Mestre José Rodrigues. A obra inclui ainda uma cópia do relatório de investigação judicial sobre o suicídio de Camilo.
Acima de tudo, esta obra é a homenagem a um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, autor de romances intemporais como “Amor de Perdição” ou “A Queda de um Anjo”» [Casa de Camilo]

«A fotobiografia de Camilo Castelo Branco que José Viale Moutinho agora publica tem um imediato e indesmentível interesse: o de facultar ao grande público dados vários sobre a vida e obra do grande escritor romântico, com uma consulta fácil, num volume que dá gosto folhear, abundantemente recheado de fotos e documentos, com boa qualidade gráfica, e oferecendo-nos textos de informação pormenorizada (...)
E comovem-nos as árvores da Praça Dom Pedro (como no início das Memórias), as vistas lisboetas da infância, a profusão de lugares nortenhos que lhe conheceram anos da mocidade, tantos amigos, amados e contemporâneos, depoimentos, textos e partituras, casas, monumentos, manuscritos, originais, e, acima de todos, a tão comum e a mais bela foto familiar: o autor de Romance dum Homem Ricocom Ana Plácido e o filho Manuel, sentados à volta da mesinha de pé torneado, de rosetas de naperon condizentes com a carpete, as soberbas pregas do vestido de Ana mal roçando os homens que o seu esboço de sorriso protege, os braços de cada um em postura gradativa do repouso à atenção, e parecem estar a ver esta mesma Fotobiografia que vemos, o casal perfilado frente a frente de olhos baixos, só o filho nos olhando agora, tudo na tonalidade neutra e escurecida que alonga o olhar e aprofunda esse espaço doméstico por um instante em sossego, aproximando-se de nós, contíguo à proximidade da leitura.» Maria Alzira Seixo

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um professor

O Céu tem destas atitudes. Conheço bem o Firmamento dos meus sonhos.
Na minha adolescência cheguei a contar as estrelas uma por uma. As Constelações uma por uma. Os Astros um por um. Os Planetas um por um. As Galáxias uma por uma. Era o meu Céu. Não!Não tenho dúvida nenhuma. Tem marcas minhas porque as marquei. Sim! Lá no Alto. PENA.
O seu autor é professor de Educação Visual e Tecnológica na Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral, em Vila Real.

«António Pena Gil é um homem sensível às coisas, a tudo o que o rodeia, à Natureza, ao Universo, mas sobretudo à liberdade individual, à responsabilidade e à subjetividade do ser humano. "Vivo o dia-a-dia como o raiar belo da alvorada, como vivo o alvorecer do que sinto e penso" - palavras de Pena Gil inseridas neste livro onde ele próprio se retrata, descrevendo com emoção a sua vida e as preocupações inseparáveis da sua existência. Os sonhos, o seu sentido crítico e observador, a admiração pela beleza interior das pessoas, os livros, as frases e as palavras mais simples misturam-se num emaranhado harmonioso e artístico, muitas vezes divagador mas embalado no ritmo insondável e misterioso que lhe percorre o pensamento.» A. Fernando Vilela (NetBila)
 Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Compotas de confecção tradicional

A Traga-Mundos acolheu as compotas manufacturadas pela Associação de Desenvolvimento de Justes – com o objectivo de angariarem receitas para custearem as suas actividades.
São compotas de confecção tradicional, únicas e irrepetíveis, estando sujeitas à sazonabilidade dos seus ingredientes, nomeadamente dos frutos.
Neste momento, estão disponíveis as seguintes compotas: chila, castanha e jeropiga, maçã e hortelã, tomate e canela, e abóbora e amêndoa.

A Associação Ad Justes tem por objecto o desenvolvimento local sustentável e participado e a melhoria das condições sociais, culturais e materiais de vida das comunidades e áreas abrangidas.
Objectivos:
a) Promover o desenvolvimento sustentável de Justes;
b) Pesquisar, inventariar e recuperar as várias actividades tradicionais;
c) Recriar actividades e vivências do quotidiano tradicional;
d) Promover a criação de um núcleo museológico;
e) Promover a dinamização da aldeia de Justes como destino turístico.
 Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Viagens e histórias no Douro

“Douro – Viagens e Histórias” de Pedro Veloso, Susana Fonseca, Sérgio Fonseca
Idiomas disponíveis: Português, Inglês, Francês, Espanhol

«...a importância da região do Douro no panorama vitivinícola mundial, não só como espaço produtor de um dos vinhos mais prestigiados a nível internacional, o vinho do Porto, mas sobretudo como património cultural, definido pela espessura histórica desse processo de relação secular entre homem e a natureza...» Gaspar Martins Pereira

Ler este livro é deixar-se levar numa viagem pelo rio Douro, desde as caves em V. N. de Gaia até à região do Douro Internacional. É entrar pelas paisagens e abraçá-las com o olhar. É saber mais sobre cada local da região demarcada do Douro. É conhecer a mesma região pela mão do historiador Gaspar Martins Pereira que assina a Introdução. É entrar num universo imaginado com histórias sobre o modo de vida das gentes do Douro. Este livro aguça o apetite de conhecer mais a região. Tem informações úteis. Convida-o a levar para sua casa como recordação.

Reading this book is letting yourself go on a journey along river Douro starting in V. N. Gaia cellars and ending up in International Douro region. It is going through the pictures and embracing the landscapes. It is to know more about each place inside Douro Wine-growing region. It is to learn the same region through the hands of the historian Gaspar Martins Pereira who signs the Introduction. It is to enter a new universe with stories about the way of living of people from Douro. This book makes you want to know more about the region. It has useful information. It invites you to take it to your home as a souvenir of good times.

Lire ce livre, c’est se laisser emporter dans un voyage tout au long du fleuve Douro, depuis les caves à Vila Nova de Gaia jusqu’à la région du Douro International. C’est pénétrer dans le paysage et l’embrasser du regard. C’est savoir un peu plus sur chaque endroit de la région délimitée du Douro. C’est connaître cette région grâce à l’historien Gaspar Martins Pereira, qui a écrit l’introduction. C’est entrer dans un univers imaginaire, avec des histoires sur le mode de vie des gens du Douro. Ce livre affûte l’envie de connaître un peu plus cette région. Il contient des informations utiles. Il vous invite à l’emporter chez vous comme souvenir.

Leer este libro es dejarse llevar en un viaje por el río Duero, desde las bodegas en V.N de Gaia hasta la región del Duero Internacional. Es penetrar en sus paisajes y abrazarlos con la mirada. Es saber más sobre cada local de la región demarcada del Duero. Es conocer la misma región de la mano del historiador Gaspar Martins Pereira que firma la Introducción. Es entrar en un universo imaginado con historias sobre el modo de vida de las gentes del Duero. Este libro despierta el apetito de conocer más la región. Tiene informaciones útiles. Le invita a llevarlo a su casa como recuerdo.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

Poeta duriense

“Entre o Azul e a Circunstância” de António Cabral
Edição do autor para Livros do Nordeste, Abril de 1983 [edição esgotada no mercado]

1. Aquela cabra tosando a luz
Na sombra do pastor.

Um rapazinho que enfia estrelas no vime.
todo o morro a escrever longínquas cidades.
ignóbeis
nos cavalos do vento.

2. Não estar aqui somente.
Dar o junco às mãos doutra vinha.
Que se arredonde. A mãe.

Não à forma. De nada
ou coisa indisponível.
O sol distante para quê?

Preestar. Assim um cardo em cada calo.

3. Como doem as mãos
e um sino te amanhece
breve distância de ombros insepultos.

4. Cavemos o disponível silêncio
Com lentidão
a do sonho.

Depois qualquer maio é suficiente
sob o linho das nuvens. Ouvi.

Vigiai
Para não cairdes em tentação.

5. Nítido é o tufo de giestas
para os olhos
na intermitência dos horários.

Abriu-se a tarde em Covas de Barroso
sobre o tempo maninho
entre o fogo e o granito sem vidraças.

E agora. Cão.
Lambes a púbis das maias
Consolando-te com a frescura da sílabas.

6. Onde a arca? Onde chispa a chispa
sem pudor encerraste o azul das palavras.

Deixa que elas voem. Penetrem. Como a água.
Nítidas. Atentas como o milhafre.

Que urinem sobre o tojo.
Saltem. Cabritos de luz na nossa rua.

Quem entoa torpes ladainhas?
Para nos convencer. De inutilidades.

[ver recenção crítica de Pires Laranjeira, na “Colóquio Letras” n.º 92 (Julho de 1986)

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também “Ouve-se Um Rumor + Entre Quem É”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “O Riu Que Perdeu As Margens”, “Bodas Selvagens” e “A Tentação de Santo Antão”]

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Figo seco e amêndoa e noz

figo seco 205 gr.
amêndoa com casca 250 gr.
noz com casca 500 gr.
de Trás-os-Montes
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Azeite em património alimentar

“O Azeite na Cultura e no Património Alimentar” de Manuel Paquete
Prémios: Best Mediterranean Cuisine Book, Best Single Subject Food, Gourmand World Cookbook

“O Azeite na Cultura e no Património Alimentar descreve a história secular da oliveira, árvore solitária de fácil convivência com outras espécies e extremamente resistente à adversidade dos solos, confirma o ditado antigo do Languedoc francês: "vives da tua amoreira, do castanheiro do teu pai, da oliveira do teu avô." Há indícios que a oliveira será originária da Ásia Menor, mas a sua expansão e franco desenvolvimento é manifesto nas orlas do Mediterrâneo. Este livro permite-nos uma abordagem da oliveira e do azeite em Portugal. Releva a sua importância na cultura popular – da luz às práticas curativas, das rezas e benzeduras como símbolo de exorcismo do mal, dos provérbios ao cancioneiro. Destaca também o valor insubstituível do azeite na alimentação através dos tempos – da antiguidade à cozinha contemporânea, salientando a utilização nos "comeres festivos", e inclui uma compilação de receitas culinárias.

Manuel Paquete, formado em história, foi director da revista Portugal Nosso Mundo e Vilas e Cidades, e é autor de “Cozinha Saloia, hábitos e práticas alimentares no termo de Lisboa” e “A Cerveja no Mundo e em Portugal”, e tem-se dedicado à investigação de temas relacionados com a história dos hábitos e práticas alimentares.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Brinquedos tradicionais de folhas, flores, plantas, ervas, cascas...

João Pinto Vieira da Costa escreveu este belíssimo livro que é, sem dúvida, a melhor recolha de brinquedos tradicionais construídos com folhas, flores, plantas, ervas e cascas. O brinquedo e o mundo vegetal numa simbiose perfeita. Recolha inédita de um testemunho a desaparecer. Obra ilustrada a cores, com prefácio de António Cabral.

«O regresso à natureza começa a ter-se como um regresso ao Paraíso. Felizmente, digo, com a certeza de que quanto mais o homem se afasta do seu meio natural menos possibilidade tem de se encontrar a si próprio como alguns pós-modernistas já perceberam, desiludidos com o optimismo da civilização industrial, embora também eles, avessos a sistemas doutrinais, tenham caído num certo desnorte, vivendo a errância intelectual, numa orfandade de valores, alguns dos quais foram porventura fácil e impensadamente configurados. Que o regresso à natureza não seja apenas uma fuga, mas uma necessidade, como as crianças nos ensinam, se lhes dermos condições para isso. (...)
O sentido estético e lúdico, aliás complementares, revelam-se bem nesta "Flora de Brincadeiras" que é preciso ir lendo, reflectidamente, abrindo pausas redentoras na vida tão vertiginosamente desnaturante e desculturalizante que a absolutização do mercado livre nos tem andado a impingir. (...)
São aproximadamente cem os brinquedos (joguinhos, ou juguetes como na Idade Média já se dizia) que neste livro figuram.» prefácio de António Cabral

«Como escreveu Agostinho Chaves (in Mensagens Aguilarenses, 9/12/2008), citado no folheto que enquadra a exposição: "os brinquedos que João Pinto Vieira da Costa constrói são eternos. Quando não havia legos, nem consolas, nem sequer a 'Chicco' nem a 'Toys 'r Us' ou a 'Centroxogo', muito menos as grandes superfícies comerciais que deliciam os olhos das crianças e dão cabo das carteiras dos papás, as crianças brincavam muito mais, de forma mais divertida, por improvisada e criativa. Os seus brinquedos eram feitos do que havia: uma casca de noz, um vime, uma rolha de cortiça, uma carica, o canoco de um milheiro, uma raiz, a vareta de um guarda chuva desfeito pelo vento, uma pinha, um botão velho, um pedaço de arame, um arco de pipa velha abandonada, um ramos de árvore em Y, até uma meia em desuso que era cheia de palha e cozida na ponta, fazendo uma bola com que se jogava futebol. // Não admira que essas práticas (como a generalidade dos jogos populares) tivessem desaparecido, no avançar dos tempos em que o consumo cresceu e tomou conta de nós, através de cada vez mais atraentes e agressivas campanhas de 'marketing' e de publicidade"»

João Pinto Vieira da Costa nasceu em Alpendorada e Matos, em 1960, e reside em Vila Real. Licenciado em Estudos Portugueses, pela F.L.U.P., é professor efectivo do grupo 8º A, na Escola Secundária Camilo Castelo Branco - Vila Real. É o actual responsável pela edição do Jornal “À Procura” e faz parte do Corpo Director do “Boletim Cultural”, duas publicações desta escola.


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também “Gatafunhos – contos e crónicas”, sob pseudónimo de Vasconcelos do Al, edição de autor, 2005. Crónicas publicadas no Jornal Notícias de Vila Real e alguns contos inéditos. Capa de Daniela Estrela Vieira da Costa]

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lavradores de Feitoria em prova de vinhos na Traga-Mundos

Segunda-feira, dia 13 de Fevereiro, entre as 18h e as 20h
Prova de vinhos da Lavradores de Feitoria no Traga-Mundos em Vila Real

·         Próximos lançamentos e Sauvignon Blanc já esgotado vão estar em prova

A Lavradores de Feitoria e o espaço Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro têm o prazer de o(a) convidar para uma prova de vinhos e “dois dedos de conversa” em torno de quatro néctares do produtor duriense: ‘Três Bagos Sauvignon Blanc branco 2010’, ‘Três Bagos tinto 2008’, ‘Meruge tinto 2008’ e ‘Quinta da Costa das Aguaneiras tinto 2008’.

O evento contará com a presença do enólogo Paulo Ruão, Director Técnico da Lavradores de Feitoria e terá lugar na segunda-feira, dia 13 de Fevereiro, das 18h00 às 20h00, na Rua Miguel Bombarda, 24-28, em Vila Real.

Um momento, uma oportunidade para degustar a colheita de 2010 do ‘Três Bagos Sauvignon Blanc’, que acaba de esgotar na produção e que foi bastante aclamada pela crítica: 16 pontos pela Revista de Vinhos, 17 pontos pela Wine, nota máxima por José Salvador na Visão e medalha de prata no ‘Concours Mondial du Sauvignon 2011’, em Bordéus.
No que aos tintos de respeito, vão estar em cima da mesa o ‘Meruge tinto 2008’ (92 pontos Jancis Robinson e considerado, por Tom Cannavan, como um dos “50 Melhores Vinhos Portugueses no Reino Unido”) e dois dos próximos lançamentos da Lavradores de Feitoria. Embora ainda não estejam no mercado, o ‘Três Bagos tinto 2008’ e o ‘Quinta da Costa das Aguaneiras tinto 2008’ (prémio ‘Escolha Imprensa 2011’; 17,5 pontos por João Paulo Martins, que o considerou um “tinto a não perder”) poderão desde logo ser adquiridos neste espaço.

Sem dúvida, boas opções como presente para a cara-metade ou como vinhos de eleição para um jantar a dois no Dia dos Namorados. na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vil

Joana Pratas | Consultoria em Comunicação e RP
joanapratas@joanapratas.com  |  914591119  |  937790005

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O quadro mediterrânico de Portugal

“Mediterrâneo, Ambiente e Tradição” de Orlando Ribeiro
3.ª edição, revista e aumentada

O livro «Mediterrâneo, Ambiente e Tradição», do geógrafo Orlando Ribeiro (1911-1997), acaba de ser reeditado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), 43 anos depois de ter sido publicado pela primeira vez.
Esta obra, na qual o geógrafo “retratou, há meio século, o ‘Mundo Mediterrâneo’, foi concebida de modo original, reflexo direto da sua personalidade portuguesa”, afirma na introdução do livro a viúva do autor, a também geógrafa Suzanne Daveau. O livro, afirma, “mantém todo o interesse, ao lembrar quais são as raízes fundas e sólidas de que surtos de renovo voltam, sucessiva e inesperadamente, a brotar”.
Suzanne Daveau descreve o texto como  “sintético, elegante, elaborado numa linguagem ao mesmo tempo simples e precisa, insere-se solidamente na vasta obra do autor, por estar alicerçado em muito trabalho de campo, em numerosas viagens e em vastas leituras e trocas de ideias com colegas de diversas especialidades e países”.
A nova edição de «Mediterrâneo, Ambiente e Tradição», segundo nota da FCG, “segue o texto da segunda edição, de 1987, mas apresenta uma ilustração fotográfica refeita que permite mostrar o esplendor natural e humano do mundo mediterrânico, aproveitando as potencialidades do arquivo de imagens do Centro de Estudos Geográficos de Lisboa, alimentado desde a sua criação pelas coleções de fotografias recolhidas por Orlando Ribeiro e seus colaboradores”.
Orlando Ribeiro escreveu o livro “com base em muito trabalho de campo, em numerosas viagens e em vastas leituras e trocas de ideias com colegas de diversas especialidades e nacionalidades, numa altura em que os países que enquadravam o Mar Mediterrâneo sofriam profundas transformações”.
Suzanne Daveau considera que “longamente amadurecido, o ‘Mediterrâneo’ resulta, como a maior parte das obras do autor, da estreita ligação que ele sempre manteve entre ensino e investigação. ‘Por duas vezes, indicou ele, o conteúdo deste livro serviu de matéria de ensino’ nos cursos, livremente concebidos, que teve o prazer de poder ministrar fora de Portugal”.
Orlando Ribeiro defendia que “Portugal não se podia compreender fora do seu ‘quadro mediterrânico’ – para espanto incrédulo de alguns colegas de países vizinhos que não marginam, como Portugal, o desmedido Atlântico mas que o Mar Interior rodeia”, escreve a viúva.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O canivete em Trás-os-Montes e Alto Douro e de Palaçoulo

«A terceira mão
No mundo rural, o canivete era o instrumento mais universal, acompanhando toda a vida quotidiana. Era a terceira mão, tão indispensável como as outras duas.
Era tratado com todo o cuidado, evitando-se que fosse atingido pela ferrugem e cuidando do fio de corte, que não podia ter falhas ou rombos.
Pouco volume fazia nos bolsos dos camponeses, onde entrava de manhã, com o lenço e a onça de tabaco para os fumadores.»
João Serra, in “Crónicas dos anos 50/60”

Canivetes da Cutelaria Martins, Palaçoulo
«Empresa familiar de cariz artesanal, que coloca nos seus produtos um saber de experiência feito, adquirido ao longo das últimas 5 décadas.
A cuidada selecção das matérias-primas, aliada ao processo de fabrico, onde coabitam tradição e inovação, sustentadas pelo "saber fazer" dos seus recursos humanos, são indubitavelmente o garante de satisfação dos seus clientes.
Num olhar mais atento, podemos constatar, que cada um dos seus produtos é cuidadosamente elaborado segundo metodologias artesanais.
A presença humana, assume um papel de destaque no processo de fabrico, pelo que apesar das semelhanças finais, cada peça é única e especial.»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
navalha transmontana, pequena e média com cordão
navalha ellegance, pequena e média
navalha glamour, pequena e média
navalha pé de cabra, pequena e média, com ponta e sem ponta
navalha de garfo lisa com tira cápsula
kit merendeiro com faca

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Douro dos poetas

“Sonata ao Douro” de António Fortuna, prefácio Ana Paula Fortuna
Prémio Nacional de Poesia – 2010 – Fernão de Magalhães Gonçalves

«É mais um livro de poemas dedicado ao Douro, esse manancial inesgotável de inspiração poética. A poesia de António Fortuna é de uma grande frescura, com alguma predilecção por formas tradicionais, entre as quais o soneto, mas não enjeitando o verso livre e até o poema em prosa, quando esses formatos são mais aptos a exprimir as suas emoções.» [Grémio Literário Vila-Realense]

AMOR AO DOURO

(Tintas aguadas)

Há muito tempo que não vou ao Douro,
Mas sei que sempre posso imaginá-lo. . .
E porque não(!) pecar e desenhá-lo,
Mordendo a maçã daquele tesouro.

Levantei voo, então, de um miradouro,
Desenhando uma cobra a retratá-lo.
Lutei durante horas pr'a curvá-lo,
Fazendo do inferno ancoradouro.

Pintei de azul as águas de garoto
P'ra que estrelas do céu o navegassem
E as vidas dos humildes fermentassem.

Pintei o néctar e risquei suor,
Escorrendo dos socalcos em castanho.
Se o não pintei, tentei escrever-lhe o amor!

António Joaquim Lopes Fortuna nasceu em Luanda em 1958, vindo para Trás-os-Montes com dois anos de idade. Licenciado em Ensino de Física e Química pela Universidade do Minho, é professor na Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco, em Vila Real, e foi professor convidado na Escola Superior de Enfermagem de Vila Real durante 15 anos, leccionando a disciplina de Biofísica.
Participou em "Histórias Tiradas da Gaveta",  nº 8 da Colecção Tellus, e no "Pequeno Cancioneiro de Natal", edições da Câmara Municipal de Vila Real.
Participou, ainda, com contos e poesia no Boletim Cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco, do qual é elemento da Direcção. É colaborador do jornal "À Procura" da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, e foi durante oito anos, colaborador do jornal "Notícias de Vila Real", onde, nas suas crónicas inclui alguma da sua poesia.
Colabora, actualmente, com artigos de opinião, no jornal "Semanário Transmontano".
Em 2000, obteve o 1º prémio no Concurso Literário "Um Conto de Natal", promovido pelo jornal "Notícias de Vila Real".
Colaborou como membro do júri do Concurso de Contos de Natal promovido pelo Grémio Literário Vilarealense, nos anos de 2007 e 2008.
Em 2009, colaborou com o conto "Manel Zé, caçador de pássaros", na Antologia "Páginas de caça na Literatura de Trás-os-Montes, (selecção de textos e organização de A. M. Pires Cabral), Edição da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e da Âncora Editora.
 
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos “Da Rua dos Poetas” (poesia) de 2006, “A Chave do Degredo” (sonetos) de 2007, e “Frescos da Memória” (contos) de 2010 pela Tartaruga]

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A chega de bois barrosã

Foi a inexistência de uma obra que apresentasse um dos mais celebrados costumes tradicionais portugueses que impulsionou a elaboração desta antologia. Uma edição desta natureza, reunindo um conjunto variado de textos, alguns inéditos, desde artigos de imprensa regional a excertos de obras de literatura, passando por relatos vivenciais de quem ainda conheceu o costume das chegas em toda a sua envolvência humana, reflecte a importância que a representação dos costumes e tradições, neste caso, barrosãs, sempre ocupou na cultura escrita portuguesa. 
Organizando os textos sob duas grandes temáticas – a relação entre o homem e o animal e o momento singular da chega – é estabelecido na antologia um sentido de leitura que nos acompanha na (re)descoberta das chegas de bois, não apenas enquanto tradição a preservar, mas, principalmente, enquanto fenómeno integrante da vida nas comunidades barrosãs.

Foram vários os autores que deixaram testemunho desta tradição na sua escrita – na imprensa, na ficção, na poesia e dramaturgia. Os que aqui conseguimos reunir transmitem-nos com a sua pena o valor da tradição, o gosto pela emoção da chega e, principalmente, a força do povo barrosão: José Viale Moutinho, Ferreira de Castro, João Martins Rodrigo, Dias Vieira, Artur Maria Afonso, Manuel F. Ramos, Júlio Montalvão Machado, Fernando Moura, José Dias Baptista, José Santana Dionísio, António Cabral, Manuel L. G. Garcia, Barroso da Fonte, Damian E. Neira, Miguel Torga, Mário Ventura Henriques, António Lourenço Fontes, Bento da Cruz, Carvalho de Moura, Paula Bordalo Lema 

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Casta sousão em Grande Reserva tinto Douro DOC

Vinhas da Ciderma Grande Reserva 2007 tinto Douro DOC

«Na secular adega do Lugar da Relva, na aldeia de São Leonardo de Galafura. datada de 1874, foi elaborado este vinho, com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão.
A vinificação decorreu, como é procedimento habitual neste produtor, em lagares de granito com pisa tradicional, tendo estagiado durante 18 meses em barricas de carvalho francês.
De cor bastante escura, com aromas muito concentrados, numa presença harmoniosa de notas de fruta e carvalho. Um vinho de um estilo vigoroso, poderoso, mas não violento, repleto de carácter e de classe, frutas maduras e notas vegetais.
Excelente no paladar, encorpado, mas elegante. Tudo muito bem proporcionado.
Pronto desde já para apreciar, contudo, revela ter grande capacidade de evolução.
Teor alcoólico: 14,5%.
Enólogo: Mónica Figueiredo.» [Rota das Regiões]

 Recordamos que o Vinhas da Ciderma Reserva Tinto 2004 (esgotado), para além das excelentes avaliações de João Paulo Martins, obteve 93 pontos (em 100) da Wine Spectator.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Com a natureza não se brinca...

“Trocas e Baldrocas ou com a natureza não se brinca” uma história de A. M. Pires Cabral com ilustrações de Paulo Araújo
O Parque Natural de Montesinho recorta-se em quadrilátero no alto do Nordeste Transmontano, abarcando a parte setentrional dos Concelhos de Bragança e Vinhais, fazendo fronteira a nascente, norte e poente com Espanha. “Trocas e Baldrocas ou com a natureza não se brinca” é o título do livro que A. M. Pires Cabral e Paulo Araújo, em conjunto, fizeram para homenagear este local onde os bosques e clareiras de matos e cursos de água são refúgio dos bichos, que calcorreiam o território.
O mítico lobo aqui é real. O veado, o corço, o javali, a marta, o gato-bravo , a gineta, a lontra, entre muitos outros, também têm lá domicílio. Montesinho território sob o signo do verde, mas com uma paleta mais aberta onde cabem as letras de todos os que sonham a salvaguarda dos tesouros que a Natureza nele exuberantemente ostenta, são terras carregadas de História à espera que vão imortalizando a na sua aparência a verde-esperança.

«”Trocas e Baldrocas ou com a Natureza não se Brinca” é uma bela história infantil, tendo animais como personagens, mas que protagonizam comportamentos e traços de personalidade, típicos dos humanos. Neste aspecto, não difere, portanto de muitas outras história infantis, que preenchem as prateleiras de todas as bibliotecas escolares. Porque razão merece então, este livro, uma atenção especial. Bem, na verdade há nele algumas especificidades que o tornam mais apetecível à leitura.
A primeira é o facto de esta história ser ilustrada por um ilustrador nascido no nosso concelho, chamado Paulo Araújo, que frequentou, na sua adolescência, a nossa escola secundária. A segunda é o facto de o seu autor, A. M. Pires Cabral ser natural do nosso distrito e ser professor do ensino secundário. A terceira e não menos importante é que o ambiente em que se desenrola esta história é o Parque Natural de Montesinho, situado em Trás-os-Montes, o que a torna mais familiar para nós, que vivemos nesta região. Digamos que a “moral da história” deste livro apela ao respeito pelo ambiente natural, que é na realidade, o nosso ambiente. Este livro, que foi o resultado de um projecto de trabalho concebido e coordenado pela Direcção Regional da Cultura do Norte merece, com certeza, um lugar especial em qualquer lista de prioridades de leitura.» Sugestão de leitura do professor Albertino Sousa, blogue O rato da biblioteca
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Edição do autor

“Vazio... ausência onde nos encontramos” de João Ramos, poesia, edição do autor, 2008

"... A viagem começa num lugar comum em direcção ao interior inexplorado, da alma que possivelmente não conseguirei tocar. Apenas as palavras possibilitarão a descoberta desse caminho tão repleto de emoções.
Em eterna viagem; em constante procura... a infindável espera e o vazio, no durante que é toda a vida... O Vazio - a ausência onde nos encontramos... abstraídos do ruído a limpidez da musica chegará na ebulição dos pássaros que trazemos dentro..."

«Impressionante a forma como as cores e a magia, os sussurros da alma e os gritos da emoção se fundem e confundem no poder das imagens poéticas que percorrem este livro de poesia.
A cada página, um novo silêncio é revelado, um novo espaço no vácuo onde se contemplam os sentimentos. Tudo é possível na estrada destes versos, onde o quotidiano contempla o invulgar e a voz parece abranger, nos seus pequenos nadas, a orla do absoluto.
É sempre mágico descobrir um talento inesperado nas páginas de um novo livro. Este livro em particular proporcionou-me muitos e gratificantes momentos de leitura, pontos de identificação, traços de sentimento e um pouco da luz e das trevas que se escondem no vazio de cada alma.
Parabéns, João, por este livro magnífico. E que mais venham a seguir.» Carla Ribeiro, blogue As Leituras do Corvo

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real..

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mel premiado de Trás-os-Montes

Mel de Trás-os-Montes, da Apibéricos – 1.º Prémio da X Feira do Mel e Artesanato de Pedras Salgadas 2011
 «Quem somos?
Apibéricos, Professional beekeeper é uma empresa jovem dedicada exclusivamente á apicultura. Contamos com uma equipa multidisciplinar e dinâmica, formada em universidades prestigiosas de Portugal, Espanha e França.
Os nossos apiários estão situados em zonas praticamente esquecidas da região de Trás-os-Montes, Portugal. São lugares com baixa densidade populacional e com escassa agricultura, consequentemente, têm um reduzido uso de pesticidas.
O nosso objectivo principal é a produção de enxames e abelhas rainha, no entanto somos produtores artesanais de mel, pólen, cera, própolis e geleia real de alta qualidade; realizamos acompanhamento técnico e formações na área da apicultura. Também estamos preparados para a polinização entomófila de cultivos agrícolas.
Apibéricos garante a satisfação dos seus clientes elaborando um produto de excelência e qualidade; utilizando processos de elaboração que conservam as características naturais do produto sendo a saúde do consumidor uma das nossas principais preocupações.
Os nossos produtos têm sido processados com dedicação, quer na elaboração quer na sua apresentação, uma vez que contamos com um premio de melhor mel na X edição da feira do mel e gastronomia de Pedras Salgadas 2011 e um terceiro prémio no concurso nacional português da X feira de apicultura de Portugal 2011.

GARANTIMOS QUALIDADE PORQUE SOMOS PRODUTORES»
Vítor Vilela e Laura García Fernández, S. Lourenço - Sabrosa

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Mel 1000g Bosque
Mel 1000g Urze
Mel 500g Urze
Mel 250g Urze com frutos secos
Pólen

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mirandelês - falares de Mirandela

“Falares de Mirandela – um complemento do Mirandelês” de Jorge Lage

Há mais de um ano foi editado o “Mirandelês” como trabalho de grupo de que fez parte Jorge Lage. Agora, o Município de Mirandela edita um livro complementar da autoria de Jorge Lage, prefaciado pelo ilustre escritor flaviense, Manuel José Carvalho Martins. Para esta obra contou o autor com a preciosa e frutuosa colaboração da Teresa Sales Golias e do Jorge Golias, bem como do Armando Ruivo, mirandelense radicado em Chaves. Este livro pretende cobrir muitos vocábulos, expressões e provérbios que o “Mirandelês” não referiu.
«Com este trabalho minucioso de recolha dos falares mirandelenses, ficamos a conhecer ainda mais a riqueza vocabular deste povo e, no futuro, será uma obra de consulta obrigatória aos linguistas que procurem estas paragens, considerando, assim o autor um verdadeiro arqueólogo da linguística». [Manuel José Carvalho Martins]
Também na «nota explicativa» referimos que «a linguagem popular tem de ser vista como uma das chapas matriciais profundas da nossa identidade telúrica e se perde com o abandono do meio rural e com a globalização acelerada pelas novas tecnologias da informação. Em vez da fala do povo ser vista como um produto enjeitado, deve ser olhada e acarinhada como um bem imaterial a preservar e a potenciar a sua imensa riqueza linguística. (…) Foi preciso que Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro ou Miguel Torga tivessem posto toda a energia na produção do texto literário, pincelado de ruralidade, para se começar a olhar com alguma benevolência para o sábio e sólido linguajar do nosso povo». É um livro, em capa dura, editado pelo Município de Mirandela e pode resumir-se como um complemento do Mirandelês com «vocábulos, expressões, provérbios, nomeadas, notas etnográficas e profusamente ilustrado com fotos antigas e raríssimas de Mirandela».
 Estamos convictos que este trabalho vai «provocar» o aparecimento de outros similares em diferentes locais e regiões, pelo que, além de contribuir para um levantamento mais completo do vocabulário e expressões da nossa língua, será um estímulo a se engrossarem os dicionários da Língua Portuguesa. [Jorge Lage]

Falares de Mirandela apresenta uma vasta recolha de termos e locuções usadas pelo povo e constitui um repositório que não pode ser ignorado por quem dedique atenção ao fenómeno da linguagem popular trasmontana – um tesouro cultural em perigo de acelerada extinção. Deste livro apenas foram feitos 500 exemplares.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O mais completo Guia de Portugal

Guia de Portugal – Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro I – Vila Real, Chaves e Barroso
Autores: direcção de Raúl Proença
4.ª Edição Junho de 2011, cerca de 500 pags, capa dura, editora Fundação Gulbenkian
Dimensões: 17 x 12 x 3,5 cm.
peso: 760 gr.

Com 1ª edição de 1924 mas com reescrita e reedição nos anos 60, este é o mais completo Guia de Portugal.
Entre os seus colaboradores contam-se nomes como Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, António Sérgio, Matos Sequeira, Teixeira de Pascoaes, Reynaldo dos Santos, José de Figueiredo, Raul Lino, Orlando Ribeiro, Francisco Keil do Amaral ou Sant"anna Dionísio. Mas o seu primeiro mentor foi mesmo Raul Proença e alguns dos seus textos são prosa de minuciosa originalidade e fulgurante poesia.

«o vetusto "Guia de Portugal", uma edição que se iniciou em 1924, sob a tutela da Biblioteca Nacional de Lisboa, e que foi concluída, já nos anos 70 do século passado, pela Fundação Calouste Gulbenkian. (...) Trata-se da recriação portuguesa, embora em moldes de escrita bem mais elaborados, dos guias Baedeker, que tanto sucesso fizeram na Europa no final do século XIX e inícios do século XX.
O primeiro volume do "Guia de Portugal" foi lançado em 1924 e dedicou-se ao tema "Generalidades - Lisboa e Arredores". Foi seu organizador e principal autor Raul Proença e conta com preciosos textos de grandes figuras da cultura portuguesa como Aquilino Ribeiro (Etnografia), António Sérgio (História), Reinaldo dos Santos (Arte), para além imensos textos do próprio Raul Proença e colaboração vária de Matos Sequeira, Afonso Lopes Vieira, Jaime Cortesão, José de Figueiredo, Teixeira de Pascoaes, Júlio Dantas, Pina de Morais, Orlando Ribeiro, Raul Lino, etc. É um volume riquíssimo, praticamente sem par. As descrições de Lisboa e percursos nos arredores, de uma região onde hoje sobram apenas os monumentos e escassos excertos de paisagens, são um imenso prazer de leitura. A capa de Raul Lino é, em si mesma, de uma bela simplicidade.
O 2º volume publicado, ainda pela Biblioteca Nacional, sobre "Estremadura, Alentejo, Algarve", foi impresso no final de 1927 - isto é, já sob ditadura militar. Nele estão alguns dos nomes do volume anterior e, também, outras figuras como Brito Camacho, Carlos Selvagem, Hernâni Cidade, Rodrigues Miguéis, Sarmento de Beires, Teixeira de Sampaio, etc. O prefácio é assinado por Raul Proença, agora já na qualidade de "ex-chefe dos serviços técnicos da Biblioteca Nacional". O regime tinha-o, entretanto, demitido das funções que ocupava desde 1911...
O prefácio que Proença escreve para este 2º volume revela que o Guia não quer ser um "bonzo doméstico", para o "fútil destino de ornamentar as estantes e os móveis das saletas". Quere-o "um companheiro de viagem (...), pronto a ser consultado a cada momento", pelo que necessita de ser "um livro portátil, que se pudesse folhear a todo o momento". Do texto transparece já, todavia, uma amargura profunda em Proença, sintoma do seu destino político e pessoal trágico, depois de ter combatido com armas o novo regime, que o levaria ao exílio, aqui em Paris, onde viveu alguns anos em condições de enorme dificuldade, em St. Germain-en-Auxerrois.
Só em 1944 é que sai o 3º volume, sobre "Beira Litoral, Beira Baixa e Beira Alta", ainda sob a chancela da Biblioteca Nacional, assinalando-se, no prefácio, que a responsabilidade da edição recai agora sobre um "núcleo de amigos" de Raul Proença, depois da morte deste, em 1941. O nome de Sant'anna Dionísio aparece agora como o novo coordenador do projecto e seu principal impulsionador, e assim será até ao final da edição completa, nos anos 70. Note-se que, neste volume, vão aparecer ainda textos de Alberto de Oliveira, Egas Moniz, Eugénio de Castro, Ferreira de Castro, João de Barros, Raúl Brandão, Rodrigues Lapa, Tomaz da Fonseca ou Vitorino Nemésio.
Uma nova interrupção faz com que, só em 1964 e 1965, saiam os dois volumes relativos a "Entre Douro e Minho", o 1º sobre o Douro Litoral e o 2º sobre o Minho, com Sant'anna Dionísio como impulsionador, mas agora sob a responsabilidade editorial da Fundação Calouste Gulbenkian. (...) Finalmente, em 1969 e 1970, são editados os últimos volumes, sobre "Trás-os-Montes e Alto Douro", um sobre "Vila Real, Chaves e Barroso" e outro sobre "Lamego, Bragança e Miranda". Neste caso, há novos colaboradores conhecidos: João Sarmento Pimentel, Jorge Dias, Miguel Torga, Ribeiro de Carvalho, etc.
A Fundação Gulbenkian reeditou, desde então, todos os volumes do "Guia de Portugal". Vale a pena tê-los, porque é uma interessante leitura de um outro Portugal (embora sem a Madeira e os Açores) que aí ficou registada.» [blogue Duas ou Três Coisas]
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
Vol. IV – Entre Douro e Minho I – Douro Litoral
Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro I – Vila Real, Chaves e Barroso
Vol. V – Trás-os-Montes e Alto-Douro II – Lamego, Bragança e Miranda

O burro Mirandês em documentário etno-musical

“11 Burros caem no estômago vazio”
2006, 27’ Tiago Pereira


«No planalto mirandês, os seus habitantes e os burros partilham uma vida de isolamento e trabalho. Muitas vezes os burros são o único elemento com que se estabelece um diálogo e é assim desde há muito tempo. Todas as histórias e cantigas resultantes deste universo mágico e misceginador de tradições, funcionam como escape e uma forma de pensar única e reveladora da realidade humana deste povo.»
Proposta etno-musical com contornos antropológicos que explora as narrativas em torno dos habitantes do planalto mirandês e dos burros, animais com que estas pessoas partilham uma vida de isolamento e trabalho.
«Para o documentário, o realizador percorreu perto de trinta aldeias do planalto mirandês entre 2004 e 2006, efectuando recolhas musicais baseadas em testemunhos locais, com o apoio da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino.»
Melhor curta metragem doclisboa 2006. Melhor documentário etnográfico europeu no festival Dialektus em Budapeste 2007.

Edição em dvd video, com os seguintes extras:
AEPGA – o que é? Breve filme sobre os objectivos e actividades da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asínino.
Ms pinky media live act. “Onze burros caem no estômago vazio” no Festival Tom de Festa ’06. As potencialidades do filme apresentado ao vivo, num festival de músicas do mundo, com a reacção do público e o ambiente criado.
Meta-documentário musical criado em conjunto com os músicos Rodrigo Costa e Eduardo Vinhas. As imagens recolhidas em Trás-os-Montes, usadas aqui pela primeira vez numa montagem totalmente musical. Convidado: o musicólogo Domingos Morais, que fala sobre a meta-etnografia e o que está para além do que se recolhe, do que se vê.
Cenas cortadas. As recolhas, que não puderam entrar no filme são mostradas aqui como um arquivo digital, amostra da riqueza popular daquela região.

Realizador e Visualista, desenvolveu desde cedo uma linguagem própria na documentação, recolha e mistura de som e imagem animada. Investiga o conceito de tradição e as fundações da memória colectiva. Os seus filmes são de origem transdisciplinar e remetem para manifestações de cultura imaterial, como as canções, rituais e performances de raíz popular portuguesa. 
Tiago Pereira recebeu vários prémios nacionais e internacionais pelos filmes “Quem Canta Seus Males Espanta” (1998), “Sonotigadores de Tradições” (2003) e “11 Burros Caem Num Estômago Vazio” (2006). A sua consistente produção de formas inovadoras de comunicação revelam a fusão tecnológica que caracteriza o seu processo artístico e que altera espartilhos formais nos meios que utiliza. Desde 2004 trabalha em vídeo em tempo-real como VJ em projectos musicais, como OMIRI, uma colaboração com o músico Vasco Ribeiro Casais, e criando media live acts onde desenvolve o conceito “virtual scratch” de áudio e vídeo em simultâneo.
Estas performances visuais são uma oportunidade única para conhecer o conceito de vídeo-narrativa em tempo-real e uma experiência pós-cinemática pioneira.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...