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sábado, 21 de março de 2026

Tintin an mirandés | Tintin em mirandês - “Ls Xarutos de L Farao” de Hergé


“Ls Xarutos de L Farao” de Hergé

Las Abinturas de Tintin

traduction: Alcides Meirinhos

 

«Todos ls partecipantes nesta cuonta fálan la Lhéngua que stá na nuossa raíç: Tintin, Rastapopoulos, Dupond i Dupond, Oulibeira de la Figueira… i até Milú lhadra an mirandés.»

 

«Tintim fala mirandês numa nova tradução com apenas mil exemplares

“Ls Xarutos de l Faraó” marca a estreia do repórter belga na segunda língua oficial de Portugal. É a quarta aventura da série, a primeira com o português Oliveira da Figueira.

O “repórter mais famoso do mundo”, Tintim, nasceu a falar francês. Com o crescimento d’ “As Aventuras de Tintim”, série de banda desenhada franco-belga criada pelo cartoonista Hergé, para outros países, passou a falar muitas outras línguas. Em 2026, vai acrescentar mais uma à lista: mirandês. 

O lançamento de “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), tradução do quarto álbum da saga, terá edição limitada de mil exemplares. Junta “a cultura e a língua mirandesa à banda desenhada mais clássica e tem como base uma personagem portuguesa que faz parte das aventuras de Tintim”, explicou Daniel Sasportes, promotor da iniciativa, em declarações à agência Lusa, aqui citado pela Renascença. 

Além de Oliveira da Figueira, o único personagem português recorrente na série, o percurso de Tintim está ligado ao nosso País há 90 anos por outra razão: em 1936, a revista portuguesa de banda desenhada “O Papagaio” foi a primeira publicação fora do espaço francófono a traduzir Hergé, introduzindo “As Aventuras de Tintim na América do Norte” em língua portuguesa, as primeiras histórias do repórter.

Nove décadas depois, surge agora um volume em mirandês, idioma falado por 15 mil habitantes no nordeste transmontano, sendo a 148.ª tradução das peripécias do herói.

A tradução ficou a cargo de Alcides Meirinhos, que passou do original para o segundo idioma oficial de Portugal uma das narrativas mais emblemáticas, publicada originalmente em 1932 na revista “Le Petit Vingtième“ e editada nos álbuns pela belga Casterman.

“Os Charutos do Faraó” marca a estreia de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira, em mirandês) no universo d’“As Aventuras de Tintim”, e, o que confere “simbolismo especial à edição” para Sasportes, sendo tudo menos casual. Disponível em capa dura, esta tradução, representa, nas palavras de Sasportes, “não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal”.

(...)

“Esta edição do álbum do Tintim em mirandês foi uma ideia de um português, com tradução de um mirandês, mas cujos direitos são todos belgas”, resume Sasportes. Já o tradutor, Alcides Meirinhos, membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), descreve o processo como “um desafio interessante”. O início foi “um pouco trabalhoso e difícil”, confessa, mostrando estar satisfeito com o resultado.

“Penso que se conseguiu dar um cunho mirandês a toda esta aventura de Tintim”, algo que considera uma prova que “a língua mirandesa pode ser utilizada na tradução de clássicos”, independentemente do género.»

 


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

[na livraria disponibilizamos diversas obras em língua mirandesa; em prosa ou poesia; romances, novelas e contos; livros técnicos e actas de congressos; álbuns infanto-juvenis; astérix; algumas bi-lingues (na mirandés e em português); de edições de autor a edições de associações e outras instituições – neste momento, seremos a livraria que mais títulos em língua mirandesa temos disponíveis]

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Jazz em Mirandês - Jazz an Mirandés | Isabel Ventura Quarteto


"Nun me Lhembra de Squecer" – Isabel Ventura Quarteto

Vinil – LP – Jazz em Mirandês

 

Jazz em mirandês é um projeto original, distinto. Aplicar os sons identitários da língua mirandesa ao idioma jazzístico, resulta numa mescla ousada, emocionalmente gratificante...

 A mentora do projeto, também cantora, Isabel Ventura passou a infância numa aldeia onde se fala o mirandês. E decidiu trazer o mirandês para o jazz. No passado foi “back vocals” de grupos como os Trabalhadores do Comercio, GNR, BAN com quem gravou o álbum “ Mundo de Aventuras”, integrou com Pedro Abrunhosa a “Maquina do Som”, antecessor dos Bandemónio.

Fã de cantoras como Billie Holiday, Sarah Vaughan, Dianne Reeves e músicos como Chet Baker, Keith Jarrett e Miles Davis, fizeram-na entrar no mundo do Jazz, em múltiplos projetos, tocando mesmo com a Orquestra de Jazz do Porto em vários concertos, nomeadamente na Casa da Música. Este é o terceiro disco, que conta com o pianista de jazz e compositor Marco Figueiredo, o contrabaixista João Paulo Rosado que lidera o seu quinteto “Sinopse” e o baterista Filipe Monteiro que empresta talento a vários grupos.

 Os poemas são de Amadeu Ferreira – Fracisco Niebro.

Isabel Ventura - voz , mentora do projecto
Marco Figueiredo - composição, piano , arranjos
João Paulo Rosado - contrabaixo, arranjos
Filipe Monteiro - bateria , arranjos

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

L lhibrico de ls ditos dezideiros


“L Lhibrico de ls Ditos Dezideiros” outor Duarte M. M. Martins, eilustraçones Miguel Schreck

É um livro infantil e juvenil de contos em Mirandês, com base em recolhas orais efetuadas na Terra de Miranda.

Duarte M.M. Martins, licenciado em Português - Latim pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é professor de Mirandês no agrupamento de escolas de Miranda do Douro.

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[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: "Antre Monas i Sbolácios" Adelaide Monteiro, "Camino de la Cándena" Alcides Meirinhos, "Ua Antologie - Poeta Mirandés" Fernando de Castro Branco, “Tiempo de Las Cereijas” de SãoSendin, “La Paixarina Azul i Outras Cuontas” de Bina Cangueiro, "L Ancuontro" Valter Deusdado, "L Bózio de Las Raízes" Rosa Maria Fernandes Martins, "L Mais Alto Cantar de Salomon" bersion de Fracisco Niebro, "L Pastor Que Se Metiu de Marineiro" Faustino Antão, "L Purmeiro Libro de Bersos" Fonso Roixo, "L Segundo Libro de Bersos" Fonso Roixo, “Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida” de Faustino Antão, "Ls Bersos de Jantonho" José António Esteves, "Lucrécia Cunta-mos Como Era" Alcina Pires, "Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida" Faustino Antão, "Tortulhas - Cuontas Deste Mundo i de l Outro" Alfredo Cameirão; “Mensaige” de Fernando Pessoa, puosta na mirandés por Fracisco Niebro; “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões; “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy; “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes; “Tra-los-Montes” de Nuno Neves; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso;  “O Medronho Ponto por Ponto – L Madronho Punto por Punto – El Madroño Punto por Punto”, texto – testo – texto Manuela Barros Ferreira, ilustração – eilhustraçon – ilustración Nádia Torres, edição trilingue: português, mirandês e castelhano; “O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Literatura mirandesa no feminino


“La Paixarina Azul i Outras Cuontas” de Bina Cangueiro

Contos no feminino em língua Mirandesa «Bina Cangueiro scribe cuontas sacadas de la bida, de la sue i de ls que bibírun acerca deilha anquanto nina i moça. Ye ua scrita serena, que mos lhieba até als mais scundidos rincones de la bida, porque entra andrento las figuras de las cuontas i las pon a falar de ls sous suonhos, de las sues lhembráncias, de l sou modo de star ne l mundo. La sue capacidade para fazer subressalir la lhuç que las pessonas bótan ye mui grande, l que le dá a la sue scrita un aire mui própio, quaije trágico, mas cheno de sprança. Giente simpres i houmilde ou giente rica de bienes i de soledade, ninos i bielhos, pais i filhos, ye l drama houmano que bibe nas cuontas de Bina Cangueiro, un drama que fui l de l mais de las gientes de las tierras de Miranda até hai poucos anhos. Bina Cangueiro ye ua scritora an que ls mirandeses se puoden reber, an sue stória, sues malinas, sue sprança, sous suonhos. L que ten para mos dar cumo scritora solo agora ampeçou, i que nunca le falte la gana para cuntinar.» Amadeu Ferreira Director da Colecção An Mirandés

Bina Cangueiro ye Piçporra i Ribeirinha. Naciu en 1956, an Augas Bibas, i bibiu an Uba adonde fizo la scuola purmária i adonde sue bó, fuonte de sabedorie i guardadora de mimórias, le dou de quemer al sou manginairo. Fizo l lhiceu en Bergáncia, bibiu an Paris i ende studou na Sorbonne. Las sues raízes son ua hardança que nun trocaba por nada. La família ye la sue fertuna, por isso ten tiempo de sobra pa passar cachicos cun todos. Finta-se ne l amor i por el lhuita para ser feliç. Sorbe las alegries cumo chibicas que arrebanha ne l fondo dua malguica. Fizo l purmeiro curso de mirandés cun Amadeu Ferreira, an 2001, i zdende ten dado passicos a la par de las pessonas cun quien daprendiu todo i a quien dá bida nas sues cuontas de quando l tiempo tenie tiempo.

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[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: "Antre Monas i Sbolácios" Adelaide Monteiro, "Camino de la Cándena" Alcides Meirinhos, "Ua Antologie - Poeta Mirandés" Fernando de Castro Branco, “Tiempo de Las Cereijas” de SãoSendin, "L Ancuontro" Valter Deusdado, "L Bózio de Las Raízes" Rosa Maria Fernandes Martins, "L Mais Alto Cantar de Salomon" bersion de Fracisco Niebro, "L Pastor Que Se Metiu de Marineiro" Faustino Antão, "L Purmeiro Libro de Bersos" Fonso Roixo, "L Segundo Libro de Bersos" Fonso Roixo, “Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida” de Faustino Antão, "Ls Bersos de Jantonho" José António Esteves, "Lucrécia Cunta-mos Como Era" Alcina Pires, "Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida" Faustino Antão, "Tortulhas - Cuontas Deste Mundo i de l Outro" Alfredo Cameirão; “Mensaige” de Fernando Pessoa, puosta na mirandés por Fracisco Niebro; “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões; “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy; “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes; “Tra-los-Montes” de Nuno Neves; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso;  “O Medronho Ponto por Ponto – L Madronho Punto por Punto – El Madroño Punto por Punto”, texto – testo – texto Manuela Barros Ferreira, ilustração – eilhustraçon – ilustración Nádia Torres, edição trilingue: português, mirandês e castelhano; “O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]

sábado, 17 de dezembro de 2016

an mirandés: l bózio de las raízes


“L Bózio de Las Raízes” de Rosa Maria Fernandes Martins

«Este ye l segundo lhibro de poemas publicado por Rosa Martins. Cun Ls Caminos (2004), fui la purmeira mulhier a publicar un lhibro an mirandés, l que nun ye cousa de pequeinha monta. Na antrada desse lhibro screbi Ye l’alma de San Martino que bola ne ls bersos de Rosa Martins…
Mas ye subretodo ua mulhier que mos fala nestes bersos cun sou modo de ber l mundo, la sue tierra, la sue lhéngua, ls sous suonhos… Sinte-se muita beç que la poesie de Rosa Martins sbraceia nas formas poéticas cumo nua camisa de onze baras l que le tira algue spuntaneidade. Assi i todo, essa ye ua caratelística desta poesie, que hai que ler palabra a palabra: nun ye un rigueiro que cuorre çcuntraido als brincos antre ls xeixicos; ye mais la ribeira que an tiempo de sequidade ye feita de sous poços çcuntinos i baços, pingas gordas talbeç dua auga de Agosto, ralas, fries, anrebulhadas an sou oulor a puolo, que nun fázen correr las ribeiras, nun ínchen ls poços, mas dan para regar la huorta i aguantar la bida até las nuobas mundiadas. Quedamos a spera de nuobos caminos pa la poesie de Rosa Martins, acumpanhando la renobaçon de la lhéngua i fazendo parte deilha, i assi esse bózio de las raízes, de sou abó i de todos ls abós, seia oubido i respeitado, para que nunca se calhe na boca de ls nietos.» Amadeu Ferreira Director da Colecção An Mirandés


Rosa Maria Fernandes Martins, naciu l 3 de Janeiro de l anho de 1966 an San Martino de Angueira, cunceilho de Miranda de l Douro. Apuis de fazer l ansino secundairo nesta cidade, fui pa la Ounibersidade de Trás-ls-Montes i Alto Douro (UTAD), adonde se lhicenciou an Pertués / Anglés. Ye pursora de Pertués an la Scuola Secundária de Miranda de l Douro. Publicou l sou purmeiro lhibro (bersos) an mirandés, an 2004, Ls Caminos, Edições do Nordeste.

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[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: "Antre Monas i Sbolácios" Adelaide Monteiro, "Camino de la Cándena" Alcides Meirinhos, "Ua Antologie - Poeta Mirandés" Fernando de Castro Branco, “Tiempo de Las Cereijas” de SãoSendin, "L Ancuontro" Valter Deusdado, "L Bózio de Las Raízes" Rosa Maria Fernandes Martins, "L Mais Alto Cantar de Salomon" bersion de Fracisco Niebro, "L Pastor Que Se Metiu de Marineiro" Faustino Antão, "L Purmeiro Libro de Bersos" Fonso Roixo, "L Segundo Libro de Bersos" Fonso Roixo, “Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida” de Faustino Antão, "Ls Bersos de Jantonho" José António Esteves, "Lucrécia Cunta-mos Como Era" Alcina Pires, "Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida" Faustino Antão, "Tortulhas - Cuontas Deste Mundo i de l Outro" Alfredo Cameirão; “Mensaige” de Fernando Pessoa, puosta na mirandés por Fracisco Niebro; “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões; “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy; “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes; “Tra-los-Montes” de Nuno Neves; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso, “L lhibrico de las Cuontas II” outor Duarte M. M. Martins, eilustraçones Ana Filipa Vasconcelos;  “O Medronho Ponto por Ponto – L Madronho Punto por Punto – El Madroño Punto por Punto”, texto – testo – texto Manuela Barros Ferreira, ilustração – eilhustraçon – ilustración Nádia Torres, edição trilingue: português, mirandês e castelhano; “O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro; “L Ilhibrico de ls Ditos Dezideiros” outor Duarte M. M. Martins, eilustraçones Miguel Schreck; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

L lhibrico de las cuontas - contos mirandeses


“L lhibrico de las Cuontas II” outor Duarte M. M. Martins, eilustraçones Ana Filipa Vasconcelos

É um livro infantil e juvenil de contos em Mirandês, com base em recolhas orais efetuadas na Terra de Miranda.

«Era ua beç un burro a que l amo le daba ruin trato i fazie-lo trabalhar muito, muito.
Até que un die, l burro arresolbiu scapar-se de casa i fui a saber de nuobo amo, pa que le disse buona bida ou pul menos ua melhor do que la que lhebaba (...)»

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Nuobas fábulas mirandesas


“Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida” de Faustino Antão

«Faustino Anton ye talbeç l mais perdutibo de ls nuobos scritores mirandeses. Spertando pa la scrita cumo aluno de ls cursos de la Associaçon de Lhéngua Mirandesa, an Lisboua, Faustino Anton trai arriba la sue lhéngua, yá muitá amarfanhada, cula fuorça daqueilhes manadeiros an que l’auga sal a gargalhon, a eilha benindo agarradas cantigas de las antranhas de la tierra, neste causo de las funduras de l tiempo an que fui pastor por tierras de Miranda, ne ls anhos 50 i 60 de l seclo XX. Faustino Anton ye un de ls repersentantes dua amportante tendéncia de la lhiteratura mirandesa atual: la necidade de ajustar cuontas cul tiempo de silenço que anhos madraços le amponírun, la necidade de cuntar, na purmeira pessona i nó pula boca de outros, sue stória i la de ls sous, de resgatar ua bida, un tiempo i ua giente que fúrun zupiados cumo l puolo de ls caminos. Esta lhiteratura ben agora a dezir: essa ye ua giente nobre i nós somos sous filhos, giente que comiu l pan que l diabro amassou, mas que mos deixou ua lhéngua i uns balores de que tenemos proua i que stamos a cuntinar.» Amadeu Ferreira Director da Colecção An Mirandés

Faustino Ramos Anton naciu l 25 de Júlio de 1949, an Zenízio, cunceilho de Miranda de l Douro. Eiqui fizo la scuola purmária i bibiu até als 16 anhos, de todo fazendo na lhida de l campo, zde buieiro a pastor i lhabrador. Cun 16 anhos eimigrou, a salto, para Oubiedo, Stúrias, Spanha, adonde fizo de pinche nua presa i de lhagareiro nun lhagar de sidra. Als 17 anhos fui de beluntairo pa la marina. A trabalhar, fizo l curso cumplementar de ls liceus i hoije ye funcionairo público na Scuola Secundaira de Corroios, Seixal. Habendo deixado de poder falar la sue lhéngua, a eilha tornou i daprendiu a screbi-la hai pouco tiempo, nunca mais parando. Hoije ten testos spalhados por bárias publicaçones i blogues, an special ne l Jornal Nordeste (Bragança) i an http://frolesmirandesas.blogspot.com

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Tiempo de las cereijas - Sendin


“Tiempo de Las Cereijas” de SãoSendin

«Conceição Lopes ye ua boç nuoba na poesie mirandesa, porque chena de modernidade, que abre brechas por adonde puode salir l mofo que se mos ancundesou al lhargo de muitos anhos. La poesie reganha eiqui sue ounibersalidade, assente ne l pedamiego de l poeta i sue cundiçon de mulhier, que arrebenta ou solo se assoma an todos ls bersos, somos mulhieres i sabemos / de l delor, la perséncia scundida… que pide deixa-me hoije ser you flor / i querer-te sol ardiente i auga fresca… Subre la lhéngua mirandesa, eilha mesma diç: L Mirandés siempre fizo parte de las mies bibenças i nesta altura puodo dezir que me stá na alma, i fui assi que hai pouco tiempo ampecei a screbir dun modo lhebe i çcuntraído.» Amadeu Ferreira Director da Colecção An Mirandés

SãoSendin, ye un pseudónimo de Maria da Conceição Gonçalves Lopes naciu an Auch, ua cidade de l sudoeste de França, l 23 de Dezembre de 1968, sítio adonde l francés parece que ye cantado (l’accent de Marseille). Ende bibiu até 1978, altura an que ben de beç pa la tierra de ourige de sous pais, i tierra de l sou coraçon, Sendin. Dende l sou pseudónimo cumpuosto de l sou nome (São) i de Sendin, screbido nas dues lhénguas de l’outora, l pertués i l mirandés, na sue bariadade sendinesa an que l lhibro stá screbido i por essa rezon nun ten –lh- an ampeço de palabra. An Sendin studa até al nono anho, acabando l ansino secundairo an Miranda de l Douro. An Bila Rial, na Ounibersidade de Trás ls Montes i Alto Douro (UTAD), forma-se an medecina beternária, nessa cidade se mantenendo a trabalhar ne l sou oufício.

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[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: "Antre Monas i Sbolácios" Adelaide Monteiro, "Camino de la Cándena" Alcides Meirinhos, "Ua Antologie - Poeta Mirandés" Fernando de Castro Branco, "L Ancuontro" Valter Deusdado, "L Bózio de Las Raízes" Rosa Maria Fernandes Martins, "L Mais Alto Cantar de Salomon" bersion de Fracisco Niebro, "L Pastor Que Se Metiu de Marineiro" Faustino Antão, "L Purmeiro Libro de Bersos" Fonso Roixo, "L Segundo Libro de Bersos" Fonso Roixo, "La Paixarina Azul i Outras Cuontas" Bina Cangueiro, "Ls Bersos de Jantonho" José António Esteves, "Lucrécia Cunta-mos Como Era" Alcina Pires, "Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida" Faustino Antão, "Tortulhas - Cuontas Deste Mundo i de l Outro" Alfredo Cameirão; “Mensaige” de Fernando Pessoa, puosta na mirandés por Fracisco Niebro; “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões; “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy; “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes; “Tra-los-Montes” de Nuno Neves,; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso;  “O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]



domingo, 14 de agosto de 2016

Libro de bersos an mirandés


“L Segundo Libro de Bersos” de Fonso Roixo

Mais que diuses, ambientes,
las palabras mos fazírun:
an nós botórun raiç,
ne ls nuossos anhos frolírun.

La Lhéngua nun ye marina,
mas an palabras ten barcos,
marineiros i mar largo:
tan grande i tan pequenina!

Las palabras que s’açágan
nun jornal a cada die,
se salíran de la boca
naide a naide antenderie.

Ls probes que por ende hai,
pul tou mundo ralo ándan:
guardeste tanto l camino,
que solo pássan ls que mándan.

Ciertas lhonas nun son lhonas
i porque dan risa eignoro,
que de tan tristes habien de
an beç de risa dar choro.

Pul eimbierno, ne ls dies frius,
la frauga era l soalheiro
donde s’ajuntában ls tius
cumo ties ne l labadeiro.

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[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: "Antre Monas i Sbolácios" Adelaide Monteiro, "Camino de la Cándena" Alcides Meirinhos, "Ua Antologie - Poeta Mirandés" Fernando de Castro Branco, "L Ancuontro" Valter Deusdado, "L Bózio de Las Raízes" Rosa Maria Fernandes Martins, "L Mais Alto Cantar de Salomon" bersion de Fracisco Niebro, "L Pastor Que Se Metiu de Marineiro" Faustino Antão, "L Purmeiro Libro de Bersos" Fonso Roixo, "L Segundo Libro de Bersos" Fonso Roixo, "La Paixarina Azul i Outras Cuontas" Bina Cangueiro, "Ls Bersos de Jantonho" José António Esteves, "Lucrécia Cunta-mos Como Era" Alcina Pires, "Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida" Faustino Antão, "Tiempo de Las Cerejas" São Sendin, "Tortulhas - Cuontas Deste Mundo i de l Outro" Alfredo Cameirão; “Mensaige” de Fernando Pessoa, puosta na mirandés por Fracisco Niebro; “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões; “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy; “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes; “Tra-los-Montes” de Nuno Neves,; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso;  “O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

modas i anzonas, galandum galundaina


cd “modas i anzonas” galandum galundaina

2º trabalho produzido pelo grupo da sua inteira responsabilidade. Movidos pela vontade de alargar divulgando o gosto e o prazer de ouvir a música tradicional que nos foi deixada pelos nossos. Tentamos reproduzir fielmente as melodias, acrescentando o que nos vai no coração de forma a enriquecermos todos os temas com timbres, ritmos e harmonias capazes de criar estética, emoção e porque não alguma modernidade.
Ao longo dos últimos quatro anos este grupo envolveu-se em experiências únicas, nos mais diversos ambientes musicais um pouco por todo o lado, tudo isto fruto dos vários espectáculos que de certa forma influenciaram este trabalho. As pessoas, os músicos, os ambientes e as diversas culturas foram grandes fontes inspiradoras, daí ter convidado como uma mais valia dois músicos que muito admiramos. Paco Díez um grande músico de raiz Castelhana, com influencias enormes da música do mundo e mais que nada um grande amigo que desde o primeiro momento está connosco. Malcom MacMillan o gaiteiro, músico e amigo que não nos passou despercebido pelo facto de conhecer e interpretar tão bem a música mirandesa com a gaita Escocesa.
O facto de podermos conciliar os nossos conhecimentos com as várias influências vividas e com os olhos bem abertos, fez com que surgisse um trabalho com estas características que para nós Galandum Galundaina é motivo de orgulho e muita convicção de estarmos a construir uma ponte da música nostálgica para a música viva e com futuro.

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[disponível também do grupo os seguintes títulos: cd “Senhor Galandum”, cd “Quatrada”]



quarta-feira, 20 de julho de 2016

Mensaige an mirandés, de Fernando Pessoa


“Mensaige” de Fernando Pessoa
puosta na mirandés por Fracisco Niebro

Trata-se da primeira obra de Fernando Pessoa a ser traduzida e editada em mirandês, por Fracisco Niebro (pseudónimo de Amadeu Ferreira).

«QUINTO

D. FONSO ANRIQUEÇ

Pai, fuste cabalheiro.
Hoije la bela ye nuossa.
Dá-mos l eisemplo anteiro
I tue anteira fuorça!

Dá, contra l’hora an que, arrada,
Nuobos anfiéles bínçan,
La bençon cumo spada,
La spada cumo bençon!»


«Se a luta pela sobrevivência do mirandês enquanto língua viva e autónoma tem sido uma tarefa árdua e incansável de uma grande diversidade de agentes, com Amadeu Ferreira sempre na linha da frente, já esta obstinação, num primeiro momento longínqua e utópica, de dotar o mirandês de uma literatura escrita, de uma dimensão literária, só a ele é devido o reconhecimento de tal autoria (...).» Fernando de Castro Branco, prefácio

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[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: "Antre Monas i Sbolácios" Adelaide Monteiro, "Camino de la Cándena" Alcides Meirinhos, "Ua Antologie - Poeta Mirandés" Fernando de Castro Branco, "L Ancuontro" Valter Deusdado, "L Bózio de Las Raízes" Rosa Maria Fernandes Martins, "L Mais Alto Cantar de Salomon" bersion de Fracisco Niebro, "L Pastor Que Se Metiu de Marineiro" Faustino Antão, "L Purmeiro Libro de Bersos" Fonso Roixo, "L Segundo Libro de Bersos" Fonso Roixo, "La Paixarina Azul i Outras Cuontas" Bina Cangueiro, "Ls Bersos de Jantonho" José António Esteves, "Lucrécia Cunta-mos Como Era" Alcina Pires, "Nuobas Fábulas Mirandesas i Cuontas Sacadas de la Bida" Faustino Antão, "Tiempo de Las Cerejas" São Sendin, "Tortulhas - Cuontas Deste Mundo i de l Outro" Alfredo Cameirão; “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões; “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy; “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes; “Tra-los-Montes” de Nuno Neves,; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso;  “O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O lobo e as estrelas

 

“O Lodo e as Estrelas / L Lhodo i Las Streilhas” de Telmo Ferraz, traduçion pa l mirandês Fracisco Niebro

O Lodo e as Estrelas, inicialmente publicado em 1960, é agora reeditado, em co-edição com a Câmara Municipal de Miranda do Douro, numa versão bilingue, O Lodo e as Estrelas | L Lhodo i las Streilhas, sendo a tradução para mirandês da autoria de Fracisco Niebro, pseudónimo de Amadeu Ferreira.
Nas palavras de Amadeu Ferreira, redigidas em 2010, a obra “é um testemunho extraordinário que fala da língua mirandesa, da maneira como os barragistas faziam troça dos palhantros e da manifestação que os mirandeses, roubados no que era seu, fizeram em Vila Chã a gritar Num queremos acá la Barraige.”


Na contracapa do livro pode ler-se o seguinte texto, em português e mirandês, da autoria do Sr. Presidente do Município de Miranda do Douro, Dr. Artur Nunes:

“Falar de barragens é pensar em recursos energéticos mas o fundamental é…. o Homem. O homem pensou, projectou, trabalhou, fez obra e desenvolveu uma região, seu nome Miranda do Douro.
Ler este livro deixa em mim dois registos: a dedicação do Padre Telmo Ferraz, ao descrever os “desfados” da vida e os registos reais dos que aqui viveram e trabalharam.
Saliento o contributo do saudoso Amadeu Ferreira na tradução desta obra para língua mirandesa. Ele acreditou neste projecto. Uma palavra de gratidão a todos os que contribuíram para que estas estórias reais não sejam esquecidas.
Obrigado Padre Telmo Ferraz
Obrigado Amadeu Ferreira!

Falar de barraiges ye pensar an recursos einergéticos mas l eissencial ye….l Home. L home pensou, porjetou, trabalhou, fizo obra i zambuolbiu ua region, de sou nome Miranda de l Douro.
Ler este lhibro deixa an mi dous registros: la dedicaçon de Padre Telmo Ferraz, al çcrebir ls “çfados” de la bida i ls registros berdadeiros de ls que eiqui bibírun i trabalhórun.
Çtaco l cuntributo, cun soudade, de Amadeu Ferreira que fizo la traduçon deste lhibro para lhéngua mirandesa. El tubo fé ne l porjeto. Ua palabra de bien haia a todos ls que fazírun cun que estas cuontas berdadeiras nun seian squecidas.
Bien haia Padre Telmo Ferraz!
Bien haia Amadeu Ferreira!” 

José Telmo Ferraz é padre e nascido (25.11.1925) em Bruçó, concelho de Mogadouro. Foi pároco na freguesia de Genísio (1951-1953) e depois nas de Vila Chã e Picote (1953-1956), ao tempo em que começava a ser construída uma barragem, passando depois para Miranda do Douro (1956) quando também aí começaram a construir a barragem. Depois seguiu para Angola (1959), quando começa a ser construída a barragem de Cambambe, voltando a Portugal depois de terminada a obra (Natal de 1962). Passado pouco tempo volta a Angola (1963), já na obra da Casa do Gaiato, criando a Casa de Malange, onde se mantém até 1975. Em 1980 é eleito principal responsável da Casa do Gaiato, voltando a Portugal e continuando a dar o seu trabalho à mesma obra. Pela construção da barragem, Picote e as terras em volta converteram-se na meca de todos os deserdados e desprotegidos na procura de trabalho, sem família, sem abrigo, sem dinheiro, sem roupa, cansados das distâncias e os longos caminhos percorridos. A todos o padre Telmo recebeu e ajudou, incentivando-os a conseguir o seu abrigo e ajudando-os a encontrar trabalho. Em Miranda do Douro continuou o mesmo trabalho. Desse período vem o seu livro de poemas O Lodo e as Estrelas (1960, edição de autor), onde mostra as marcas que lhe deixou na alma tudo o que se passava ao seu redor. O livro foi retirado do mercado pela censura do regime de Salazar. Foi publicada uma 2.ª edição em 1975 e uma 3.ª em 1985, pela Casa do Gaiato. Nunca deixou de escrever poemas, no jornal O Gaiato, sempre com a mesma sensibilidade e beleza.


Fracisco Niebro é um dos pseudónimos de Amadeu Ferreira (1950-2015). Foi presidente da ALCM (Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa) e da Academia de Letras de Trás-os-Montes, vice-presidente da CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) e professor convidado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Autor e tradutor de uma vasta obra em português e em mirandês, também sob os pseudónimos Marcus Miranda e Fonso Roixo, traduziu Mensagem, de Fernando Pessoa, obras de Horácio, Virgílio e Catulo, Os Quatro Evangelhos e duas aventuras de Astérix. Na Âncora Editora publicou as traduções para a língua mirandesa de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, e uma edição comemorativa dos 25 anos da adaptação daquela obra para banda desenhada por José Ruy, com quem também colaborou no álbum Mirandês – História de uma Língua e de um Povo, e correspondente versão em mirandês. É autor de La Bouba de la Tenerie/Tempo de Fogo, primeiro romance publicado simultaneamente em mirandês e português, e das obras Norteando, com fotografias de Luís Borges, Ars Vivendi Ars Moriendi (poesia), Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Modo de Hino/Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino, Ditos Dezideiros – Provérbios Mirandeses e Belheç/Velhice. As obras L’Eiternidade de las Yerbas/A Eternidade das Ervas [Poemas (e)scolhidos], com aguarelas de Manuol Bandarra, e O Fio das Lembranças – Biografia de Amadeu Ferreira, de Teresa Martins Marques, foram apresentados postumamente.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também disponível os seguintes títulos an mirandés - alguns bilingues: “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, “L Mais Alto Cantar de Salomon” bersion de Fracisco Niebro, “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy, “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes, “Tra-los-Montes” de Nuno Neves, “L Pastor Que Se Metiu de Marineiro” de Faustino Antão; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes, traduçon / tradução Alcides Meirinhos, eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso;  “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Cuontas de la Raia i de l Praino | Contos da Raia e do Planalto

 

“La Mona l Maio – Cuontas de la Raia i de l Praino | A Mona de Maio – Contos da Raia e do Planalto” de José Francisco João Fernandes
traduçon / tradução Alcides Meirinhos
eilhustraçones / ilustrações Ana Afonso

Prefácio
«Há cinquenta anos, quando estes contos foram escritos, nenhum mirandês imaginaria escrever literatura na sua língua materna. O mirandês era a língua utilizada em casa e na aldeia, pois nunca entrou na escola, nunca aprendeu a escrever, a língua para comunicar para dentro e não para fora. Os próprios mirandeses estavam convencidos, após séculos de menorização, que era uma língua de analfabetos e não para pessoas letradas, ainda que fossem mirandesas e a soubessem falar desde o berço. Por isso, compreende-se bem que o Padre Zé tenha escrito estes contos em português, mesmo que tenham sido contos vividos em mirandês, por gente que apenas sabia falar mirandês e de quando ele próprio apenas sabia falar mirandês. Além do mais, mesmo em português, quem, nas aldeias, estava em condições de ler?
Apesar disso, devemos olhar com atenção para o português escrito pelo Padre Zé, muito próximo do mirandês na sua oralidade, um português onde a herança ásturo-leonesa é muito forte, mesmo que esta questão nunca tenha sido estudada convenientemente. Pois aqui fica mais um registo que vale por si. Nessa língua, fala-nos uma aldeia raiana mirandesa, com memórias que vão até aos anos vinte do século XX, mas de pessoas que nasceram e cresceram no século XIX. Tradições como O Maio já se perderam embora ainda persistam em aldeias da vizinha província de Zamora. Ao ler estes contos, não podemos deixar de sentir um certo sabor ao Trindade Coelho de Os Meus Amores que o Padre Zé terá lido com muita atenção, em especial no modo como apresenta os personagens e retrata as festas da aldeia.
Naquele tempo, para as pessoas de aldeias como Cicouro, Miranda do Douro era longe de mais e o mundo novo ficava ali perto nas romarias do Naso ou em Alcanices, mais conhecida que Miranda e de onde chegava quase tudo, desde o médico ao escabeche. A naturalidade do pequeno contrabando, prática de comércio entre aldeias vizinhas que a fronteira separou um dia, a prepotência dos tiranetes de Miranda, de onde apenas viinham coisas más, muitas vezes autênticas sanguessugas do povo de fora da cidade, derreado pelo peso de fardos e canseiras, o correr sereno da vida na aldeia com os seus serões e o seus contos do outro mundo, com a sua festa de Santo António de uma fé forte e pagã, e esse ponto alto que eram as limpas, uma bênção de pão para todo o ano, que o estômago era para todos o principal problema e preocupação, sem solução definitiva. Tudo isto corre na pena do Padre Zé com um carinho, uma emoção, um entendimento profundo, apenas possível por quem o viveu, por quem se identifica com esse povo e esse mundo, agora transformado num mundo perdido.
Em boa hora o Alcides Meirinhos se propôs deixar estes contos na língua em que o Padre Zé gostaria de os ter escrito. Por isso, este livro é uma forma de fazer justiça cinquenta anos depois, colocando estes contos na língua em que foram pensados e falados pelos personagens que nelas intervêm, em mirandês raiano. Ao trazer ao conhecimento de todos a figura e a obra do Padre Zé, Alcides Meirinhos ajuda-nos a descobrir um pouco mais quem somos, a acrescentar os motivos que nos levam a ter vaidade de sermos mirandeses e a responsabilidade que é termos herdado esta língua.» Amadeu Ferreira (Tradução para português de Alcides Meirinhos)

José Francisco João Fernandes (Padre Zé) naciu an Cicuiro l anho de 1920, fizo la scuola an Custantin antre 1929 i 1933 (ye l quinto rapaç de la tierra a sacar la quarta classe), anho de antrada ne l seminairo salesiano de Poiares de la Régua. An 1948 ye ourdenado sacerdote i torna-se l purmeiro cicuirano cun studos superiores.
Fui padre an Mogofores, tierra adonde hoije bibe i adonde tamien ansinou pertués i stória, ne l seminairo salesiano. An 1957 bai cumo porsor pal Liceu de San Bicente, an Cabo Berde, adonde ampeça a screbir más a menudo ls sous poemas i cuontas. Fui inda porsor nas Oufecinas de San Jesé (Lisboua) i an Poiares de Régua i admenistrador de las Eidiçones Salesianas ne l Porto.
Ten dieç lhibros publicados, fuora poemas an publicaçones bárias. Screbir ye ua manha que inda manten, siempre an pertués mas botando eiqui i eilhi ua garfiada cun sabor a la raia cicuirana. Estas cuontas que se amóstran neste lhibrico, fúrun screbidas an 1961 i 1962, mas solo agora, cinquenta anhos apuis, tenemos la honra de las ler na lhéngua que l Padre Zé aporfelhou i na lhéngua que an nino mamou i nunca squeciu.

Alcides Meirinhos naciu an Cicuiro no anho de 1961. Ye pul termo i rugas que daprende la lhéngua que an casa naide falaba.
Apuis daulgues buoltas cumo melitar, forma-se an Quemércio Anternacional. Ye auditor i formador de Logística i Armazenaige.
Cun Al Balhe de la Baglina, dá boç a las personas de Cicuiro i guarda mimórias dessa tierra raiana.
No anho de 2009 çcubre, an Mogofores, l Padre Zé i la sue obra.
Co-tradutor de Cuontas de la Dona Tierra, ten benido a publicar poemas i cuontas na Fuolha Mirandesa i an blogues mirandeses.

Ana Afonso naciu an Lisboa no anho de 1977.
Ye cula família, an Cicuiro i Bal de Mira, que daprende la lhéngua mirandesa.
La sue tempra stramuntana – dunzel i ouserbadora – dita la forma de los dzeinhos i más tarde, la scuolha dun curso Pintura, un mestrado an Dzeinho i de momento un Doutoramiento an Design Gráfico.
An 2008 conhece Amadeu i apuis Alcides que l proponen este zafio gráfico que ye, a la par, ua merecida houmenaige  a un Cicuirano mui respeitado por todos – l Padre Zé.


Antrada
«Hai cinquenta anhos, quando estas cuontas fúrun screbidas, nun le passaba pula cabeça a ningun mirandés screbir lhiteratura na sue lhéngua purmeira. Mirandés era lhéngua de falar an casa i pul lhugar, que nunca antrou na scuola, nunca daprendiu a screbir lhéngua de quemunicaI para andrento i nó para fuora. Ls própios mirandeses stában cumbencidos, apuis seclos de menorizaçon, que era ua lhéngua de giente analfabeta i nó para giente de lhetra, anque fusse mirandesa i la soubisse falar dez nacéncia. Antende-se bien, por esso, que l PadIe Zé tenga screbido estas cuontas an pertués, anque fúran cuontas bibidas an mirandés, por giente que solo sabie falar mirandés i de quando el própio solo sabie falar mirandés. Para alhá desso, mesmo an pertués, quien, pulas aldés, stába an cundiçones de ler?
Assi i todo, hai que mirar cun atençon pa l pertués screbido pul Padre Zé, mui arrimado al mirandés na maneira de dezir, un pertués adonde l’ardança sturlhionesa ye mui fuorte , anque esso nunca haba sido studado cumo debe de ser. Puis eiqui queda más un registro que bal por el mesmo. Nessa lhéngua, fala-mos un lhugar raiano mirandés, cun mimórias que ban als anhos binte de l seclo XX, mas de pessonas que nacírun i crecírun ne I seclo XIX. Tradiçones cumo L Maio yá se perdírun anque inda se manténgan an aldés de la bezina porbíncia de Çamora. Al ler estas cuontas, nun podemos deixar de sentir un cierto sabor al Trindade Coelho de Os Meus Amores que l padre Zé nun habie de deixar de ler cun muito atento, an special ne l modo cumo apersenta las figuras i retrata las fiestas de l’aldé.
Naquel tiempo, pa la giente de tierras cumo Cicuiro, Miranda de l Douro era loinge de más i l mundo nuobo quedaba eilhi acerca nas romaries de l Naso ou an Alcanhiças, mais coincida que Miranda i de adonde chegaba quaije todo, zde l curandeiro al scabeche. La naturalidade de l pequeinho cuntrabando, prática de quemércio antre Ihugares bezinos que la raia apartou un die, la prepoténcia de ls tiiranetes de Miranda, de adonde solo benien cousas malas, muita beç berdadeiras sumesugas de l pobo de fuora de la cidade, squadrilado cul peso de cargas i canseiras, l correr sereno de la bida n’aldé cun sous seranos i sues cuontas de l outro mundo, cun sue fiesta de Santo Antonho dua fé fuorte i pagana, i esse punto alto que éran las lhimpas, ua bencion de pan pa to l anho, que la barriga era para todo mundo l percipal porblema i preacupaçon, sien seluçon defenitiba. Todo esso cuorre na pruma de l Padre Zé c’un agarimo, ua eimoçon, un antendimiento fondo, solo possible por quien lo bibiu, por quien se eidentefica cun esse pobo i esse mundo, agora streformado nun mundo perdido.
An buona hora Alcides Meirinhos s’aperpuso a poner estas cuontas na Ihéngua an que l Padre Zé gustarie de las haber screbido. Por esso, este lhibro ye un modo de fazer justícia cinquenta anhos apuis, ponendo las cuontas na lhéngua an que fúrun pensadas i faladas pulas figuras que neilhas éntran, an mirandés raiano. AI traier ai coincimiento de todos la figura i obra de l Padre Zé, Alcides Meirinhos ajuda-mos a çcubrir más un cachico de quien somos, a acrecentar las rezones que mos lhieban a tener proua de sermos mirandeses i la repunsablidade que ye habermos ardado esta lhéngua.»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos an mirandés - alguns bilingues: “Ls Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, “L Mais Alto Cantar de Salomon” bersion de Fracisco Niebro, “Mirandés – Stória dua lhéngua i dun pobo” e “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy, “Calantriç de Nineç” de Rapç de la Rue, “La Mona L Maio” José Francisco João Fernandes, “Tra-los-Montes” de Nuno Neves, “L Pastor Que Se Metiu de Marineiro” de Faustino Antão; “Bózios, Retombos i Siléncios / Gritos, Ecos e Silêncios” de Adelaide Monteiro;  “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro, “La Bouba de La Tenerie” e “Ars Vivendim Ars Mortendi” de Fracisco Niebro; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira]