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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Haiku - por Hercília Agarez


“Folhas em Flor” de Hercília Agarez

«Conhecemos a Maria Hercília Agarez, sobretudo como contista e especialista na obra de Miguel Torga. Surpreende-nos agora com esta bela colecção de poemas cuja raiz vai beber ao haiku japonês, sem se deixar assimilar por ela, mas seguindo um caminho original, de grande sensibilidade, a que o grande público deve ter acesso. A sua publicação será uma mais-valia.» Amadeu Ferreira

«(...) O haiku é, como se sabe, uma forma poética de origem japonesa, cujas principais características são o esforço de síntese e contenção que exige, para além, naturalmente, de uma certa frescura e da capacidade de extrair do quotidiano a poesia que está contida nele.

A própria autora nos dá uma definição possível de haiku: «Haiku:/ croché de palavras/ parcimoniosas.» É esta contenção, aliada a um modo peculiar de encarar a realidade, que está presente nesta obra.

É possível ler em Folhas em flor reflexões ácidas sobre a finitude ou sobre a ausência, a solidão e a perda; alusões por vezes irónicas à transcendência; momentos de inquietação social. Mas é sobretudo impossível ignorar a visão, que diríamos ecológica, de Hercília Agarez. Na verdade são muitíssimos numerosos os poemas em que se referem explicitamente animais e plantas, numa atitude (que por vezes lembra São Francisco de Assis) de simpatia universal por tudo quanto vive e de respeito pela vida. Um exemplo definitivo: «Não se cortem flores silvestres:/ fiéis à terra,/ só ela lhes é jarra.» [Armando Palavras, blogue Tempo Caminhando]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os seguintes títulos: “Histórias Que O Povo Tece – Contos do Marão”, “Dois Homens num só Rosto – Temas Torguianos”, “As Asas da Libelinha”; “Aqui e Agora Assumir o Nordeste – Antologia – A.M. Pires Cabral” selecção e organização Isabel Alves e Hercília Agarez “Por Longos Dias, Longos Anos, Fui Silêncio – Uma Breve Antologia de Autoras Transmontanas” organização de Hercília Agarez e Isabel Alves; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira; “Pe. Avelino – Memórias do pároco de S. Martinho” Maria da Assunção Anes Morais (org.), “Negrilho – Homenagem a Miguel Torga” de Maria da Assunção Anes Morais (org.); “Galegos no Douro na Obra de João de Araújo Correia” organização, introdução e notas: M. Hercília Agarez; “Geia” nº 2, “Geia” n.º 3, “Geia” n.º 4]


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Apresentação de "Aves de Incêndio" - poesia


apresentação do livro “Aves de Incêndio” de Raquel Serejo Martins
por Hercília Agarez, com a presença da autora e da editora, Virgínia do Carmo
dia 13 de Abril de 2017 (quinta-feira), pelas 21h00
na livraria Traga-Mundos, em Vila Real, Portugal

Raquel Serejo Martins nasceu em Trás-os-Montes em 1974.
Em Vilarandelo aprendeu a andar de bicicleta e teve aulas de piano.
Em Valpaços começou a fumar.
Em Coimbra aprendeu a nadar e trabalhou na RUC-Rádio Universitária de Coimbra.
Em Braga começou a praticar yôga e adoptou 2 gatos.
Em Guimarães conheceu os companheiros maiores das suas viagens.
Em Lisboa começou com as aulas de sevilhanas e de italiano.

Licenciada em Economia, com pós-graduações em Direito Penal Económico e em Direito Administrativo.
Funcionária da Administração Tributária e Aduaneira, actualmente a desempenhar funções na área criminal fiscal.
Colabora com o blog Clube de Leitores.
Integra o Colectivo NAU.


Próximos eventos:
- de 1 a 30 Abril de 2017: “Cristos” exposição de esculturas em madeira e ferro, por Carlos Monteiro, na livraria Traga-Mundos, em Vila Real, Portugal;
- dia 7 de Abril de 2017, sexta-feira, pelas 21h00: inauguração de “Cristos” exposição de esculturas em madeira e ferro, por Carlos Monteiro, na livraria Traga-Mundos, em Vila Real, Portugal;
- dia 20 de Abril de 2017, quinta-feira, pelas 21h00: noite #7 tricota_mundos, na livraria Traga-Mundos, em Vila Real, Portugal;
- dias 27, 28, 29 e 30 de Abril de 2017: participação com uma banca de livros no encontro literário Ponte Escrita, em Chaves, Portugal;
- dias 3, 4. 5 e 6 de Maio de 2017: participação com uma banca de livros no III Encontradouro – Literatura e Territórios, no Espaço Miguel Torga em São Martinho de Anta, Sabrosa, Portugal;
- dias 13, 14, 15, 16 e 17 de Junho de 2017: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no congresso “Santuários”, de Peso da Régua a Meda, Portugal;
- e ao longo de 2017 haverá mais, sempre muito mais...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Galegos no Douro - na obra de João de Araújo Correia


“Galegos no Douro na Obra de João de Araújo Carreia”
organização, introdução e notas: M. Hercília Agarez
posfácio: Gaspar Martins Pereira
fotografias do Douro: Noel Magalhães
caricatura de João de Araújo Carreia: Tossan
design de capa: Dénis Fernández Cabrera
diagramação: Sacauntos

impresso na Galiza por Sacauntos Cooperativa Gráfica

apoio da livraria Traga-Mundos

À noite, depois do vinho, os galegos dançavam.
E que bem dançavam a muiñera, os galegos!
António Cabral

«Alto Douro Vinhateiro, celebrado desde há séculos pelos seus vinhos generosos, é uma paisagem monumental, resultado de um esforço gigantesco dos homens para domar a natureza hostil. Num território encravado entre montanhas, foi preciso trabalhar os solos pobres e pedregosas das encostas íngremes para os transformar em patamares de vinha, erguer milhares de quilómetros de muros de xisto para amparar a terra e tratar das videiras, continuamente, em condições difíceis, dada a aridez e o rigor do clima, com Verões secos e escaldantes, que espalhavam febres palustres…

(…) Ao longo dos séculos XVIII e XIX tornou-se contínua a participação de galegos nos trabalhos mais duros da viticultura do Douro. Ainda hoje, é corrente usar a expressão “trabalhar como um galego”, quando se quer falar de trabalho penoso. Chegavam todos os anos, como aves de arribação, em bandos ou ‘empreitas’, oferecendo os seus serviços pelas quintas.

Em finais do século XIX, a epopeia da reconstrução do vinhedo duriense, que havia sito totalmente devastado pela filoxera desde os anos sessenta, foi protagonizada, em grande parte, por galegos.» Gaspar Martins Pereira

É dessa participação que João de Araújo Correia nos fala nas crónicas e contos que nos deixou.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
também disponível os títulos: “Pátria Pequena”, “Palavras Fora da Boca”, “Pontos Finais”, “Nova Freguesia”, “Depoimento de João Semana Sobre a Vida Clínica de Aldeia”; “Contos e Novelas I (Contos Bárbaros, Contos Durienses, Terra Ingrata)”, “Contos e Novelas II (Cinza do Lar, Casa Paterna, Caminho de Consortes, Folhas de Xisto)”, “Sem Método – notas sertanejas”, “Contos Bárbaros”, “O Porto do meu tempo”, “Manta de Farrapos”, “Contos Durienses”. “Perfil Literário de João de Araújo Correia” de Cruz Malpique; “O Homem do Douro nos contos de João de Araújo Correia” e “Manuel do Mundo – Drama Duriense” de Altino Moreira Cardoso; “João de Araújo Correia – Cronista das Gentes do Douro” de Manuel Joaquim Martins de Freitas (vencedor do Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / CMF). “à conversa com João de Araújo Correia” de José Braga-Amaral. “Papagaios de Papel – Leitura de um conto de João de Araújo Correia” de Maria da Assunção Anes Morais. “Letras Com Vida – literatura, cultura e arte”, n.º 2, 2.º semestre de 2010 dossiê escritor “João de Araújo Correia” coordenação de António José Borges. Revista “Geia” n.º 1 (Dezembro 2009), n.º 2 (Dezembro 2011), n.º 3 (Setembro 2013), n.º 4 (Outubro 2015) edição da Tertúlia de João de Araújo Correia – recordamos que também disponibilizamos a ficha de adesão à Tertúlia de João de Araújo Correia]

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Antologia de Autoras Transmontanas

“Por Longos Dias, Longos Anos, Fui Silêncio – Uma Breve Antologia de Autoras Transmontanas” organização de Hercília Agarez e Isabel Alves

«Em suma, esta antologia serve sobretudo para nos regozijarmos com Fui Silencio a reunião destas vozes. Que, em conjunto, elas possam contrariar a história que caracterizou as vidas de tantas das mulheres transmontanas, essa que Fracisco Niebro traduz nos seguintes versos: “ – não precisavam as mulheres de aprender a ler,/ pois os livros não tiravam a fome, não ganhavam/ jeira, nem levavam irmãos mais novos às/ cavalitas; (…) / – escola era aprender a cavar, a lavrar, a mondar,/ a ceifar, a cozer pão, a fiar, a fazer meia, ir em/ busca de lenha pelo monte...” 
A referência a Amadeu Ferreira (1950-2015), aqui sob o pseudónimo de Fracisco Niebro, torna-se imperiosa, pois foi ele quem, num primeiro momento, mais desejou esta antologia. Também uma palavra de especial carinho a Graça Morais que prontamente cedeu uma imagem para a capa – a representação de uma mulher – que, e parafraseando a artista, bem pode ser a figuração de uma árvore forte, cheia de raízes e dotada de uma grande energia. Que o grande silêncio de que fala o título desta antologia se transforme em amplo som – reverberação das vozes que aqui vos apresentamos.» Hercília Agarez e Isabel Alves, da Introdução

«Com este projecto, a Academia pretende ir ao encontro da literatura transmontana, da poesia, da arte e da investigação (neste caso, produzidas por mulheres); estamos a prosseguir as finalidades que presidiram à criação da nossa instituição: a valorização e a promoção das duas línguas do nosso País porque uma delas, o Mirandês, é no território transmontano que vive e floresce agora, mais do que nunca. Este desígnio ficou formalmente expresso na Introdução da obra, pelas suas coordenadoras: “embora se apresente como uma antologia ligada a uma região concreta de Portugal — Trás-os-Montes e Alto Douro—, tentou cultivar-se um olhar abrangente do ponto de vista geográfico, cultural e linguístico. Daí, por exemplo, alguns dos textos surgirem em mirandês” – a prova provada da nossa riqueza linguística e literária» António Tiza, Prefácio. 

As autoras: Adelaide Monteiro, Alcina Pires, Ana da Conceição Bernardo — pseudónimo Ana Bárbara de Santo António, Ana Ribeiro, Bina Cangueiro ye Piçporra i Ribeirinha, Cremilde da Conceição Esteves Alonso, Eduarda Chiote,  Graça Morais, Guida Nunes, Isabel M Fernandes Alves, Isabel Mateus, Lara de Leon, Laura Mónica Bessa-Luís, Lucília da Glória Verdelho da Costa Ladoucette, Luísa Dacosta, Maria da Assunção Anes Morais, Maria da Assunção F. Morais, Maria da Conceição Martins Pacheco, Maria Hercília Agarez de Campos Marques, Maria José Corrêa Pinto, Maria José Quintela Claro da Fonseca, Maria Júlia Ferreira Barros Guarda Ribeiro, Marília Miranda Lopes, Paula Salema, Raquel Serejo Martins, Regina dos Santos Sousa Gouveia, Teresa Almeida Subtil, Virgínia do Carmo.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível as seguintes antologias transmontanas: “A Terra de Duas Línguas II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira, “Vozes do Douro – Antologia de Textos Durienses”, “Palavras Que o Douro Tece – antologia de textos durienses contemporâneos” organização e coordenação José Braga-Amaral, “Vozes do Douro – Tomo II – Antologia de Textos Durienses”]


quinta-feira, 28 de maio de 2015

nas asas da libelinha - haiku


“As Asas da Libelinha” de Hercília Agarez

«Conhecemos a Maria Hercília Agarez, sobretudo como contista e especialista na obra de Miguel Torga. Surpreende-nos agora com esta bela colecção de poemas cuja raiz vai beber ao haiku japonês, sem se deixar assimilar por ela, mas seguindo um caminho original, de grande sensibilidade, a que o grande público deve ter acesso. A sua publicação será uma mais-valia.» Amadeu Ferreira

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os seguintes títulos: “Histórias Que O Povo Tece – Contos do Marão” e “Dois Homens num só Rosto – Temas Torguianos”]


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Contos no terreiro ao luar de Agosto


Apresentação do livro “Contos no Terreiro ao Luar de Agosto” de Júlia Ribeiro
por M. Hercília Agarez, com a presença da autora
dia 13 de Junho de 2014 (sexta-feira), pelas 18h30
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


«Esta obra reúne um conjunto de contos e crónicas de Júlia Ribeiro, empenhada em preservar o património cultural imaterial de Torre de Moncorvo.
Estas histórias, entre o rústico (na esteira de contistas transmontanos como Trindade Coelho ou Miguel Torga) e um certo imaginário (a superstição, a lenda e a fatalidade presentes em alguns escritores latino-americanos), alimentaram o imaginário de gerações de pessoas, na maioria analfabetas, e constituíram uma forma de socialização extremamente importante.
Eram também um código de normas de vida e de princípios morais. Havia histórias brejeiras, picarescas, que divertiam, em que os homens eram os contadores. Por seu lado, as histórias das velhas tinham sempre um conteúdo muito denso, por vezes arrepiante, com o seu quê de religiosidade e de magia.
Algumas das vozes dos contadores ainda vivem na memória de Júlia Ribeiro.»


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com


Próximos eventos:
- de 2 a 30 de Junho de 2014: exposição “A Criança sob o olhar de Eduardo Teixeira Pinto” fotografias a preto-e-branco de Eduardo Teixeira Pinto;
- dia 28 de Junho de 2014 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “A Magia das Palavras” de Fernando Azevedo, ilustrações de Isaura Sousa;
- dia 5 de Julho de 2014 (sábado): participação na “Mostra de Saberes e Culturas em Vila Real”, em Justes (Nossa Senhora de Lurdes), organização da “AdJustes – Associação para o Desenvolvimento Local de Justes” e GT nº7 do Fórum de Vila Real do Projeto 40º Aniversário 25Abril da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Nos meses de Maio, Junho e Julho a Traga-Mundos irá acolher três diversas exposições de fotografias a preto-e-branco de Eduardo Teixeira Pinto (1933-2009), insigne fotógrafo nascido em Amarante e detentor de diversos «prémios em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente o Grande Prémio de Camões (1960), na época, uma das mais altas distinções a nível nacional».

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Temas torguianos

“Dois Homens num só Rosto – Temas Torguianos” de M. Hercília Agarez

em lançamento...

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[recordamos que temos o compromisso de sempre disponibilizar a obra completa de Miguel Torga: poesias, diários, teatro, contos, romance, ensaios e discursos; também os títulos “Dar Mundos Ao Coração – Estudos sobre Miguel Torga” organização de Carlos Mendes de Sousa, “Miguel Torga – o simbolismo do espaço telúrico e humanista nos Contos” de Vítor José Gomes Lousada, “Miguel Torga – A Força das Raízes (Um itinerário transmontano)” de M. Hercília Agarez, “O essencial sobre Miguel Torga” de Isabel Vaz Ponce de Leão, “Uma longa viagem com Miguel Torga” de João Céu e Silva, “Miguel Torga: O Lavrador das Letras – Um Percurso Partilhado” de Cristovão de Aguiar, “A Viagem de Miguel Torga” de Isabel Maria Fidalgo Mateus, “Miguel Torga – o drama de existir” de Armindo Augusto, “Ser e Ler Miguel Torga” de Fernão de Magalhães Gonçalves; também os álbuns de Graça Morais (“Um Reino Maravilhoso”) e de José Manuel Rodrigues (“Portugal”); “O meu primeiro Miguel Torga” escreveu João Pedro Mésseder, Inês Oliveira ilustrou]

quarta-feira, 27 de março de 2013

Espaços de venda de livros ou a luta pela subsistência


Embora a efeméride tenha passado injustamente despercebida, comemorei, no dia 21 de Março de 2011, o cinquentenário de compradora de livros. O facto de a escolha da estreia ter recaído sobre um livro de poemas, O Luar de Janeiro de Augusto Gil, foi, decerto, mera coincidência pois, que me lembre, ainda se não comemoravam os dias de tudo e mais alguma coisa. Também me atraiçoa a minha memória regressiva quando lhe bato ao ferrolho como quem lança um S.O.S. De onde me terão vindo os 25 escudos da “Balada de Neve” & Companhia?
Nunca tive essa coisa gostosa de semanada ou mesada. Argent de poche, limitava-se a uma expressão francesa de que só conhecia o significado. Os meus únicos proventos, que não chegavam a aquecer as mãos, eram uns miseráveis trocos escuros provindos da minha actividade de prestadora de serviços à minha mãe, raramente ultrapassando os cinco tostões, de imediato convertidos em cinco rebuçados de fruta ou num cúbico caramelo de prata colorida. Um consolo!
O acto de ir à Livraria Branco com outro fim que não fosse o da aquisição de material escolar, de passar de um lápis para um livro, constituiu para mim algo muito sério com gostinho a uma maioridade semelhante à de substituir os infantis soquetes pelas adultas meias de vidro.
Depois de Augusto Gil foi a vez de José Régio e de Florbela Espanca, vendidos por aquela altura respeitável do saudoso Sr. Adriano. Gostava de decorar poemas para brilhar, histrionicamente, nas lições nº cem. Também fui atacada pelo vírus dos versos (não da poesia, hélas!) submetidos, subrepticiamente, nas aulas de Português, ao parecer do saudoso Eduardo Guerra Carneiro, o meu primeiro crítico literário…
Pede-me o proprietário desta casa um texto sobre a minha experiência de frequentadora de livrarias na região, pelo que omito a Coimbra do meu Torga e o Porto da Leitura e da Bertrand.
Radicada nesta cidade há mais de 30 anos, é por estas bandas que vasculho a oferta livreira. Guardo, com a Branco, a fidelidade jurada no tal casamento, apenas quebrada com pontuais facadas quando uma força irresistível me empurra para dentro da Bertrand ou quando, numa surpreendente jogada de antecipação, a Traga-Mundos espicaça o meu telurismo com uma edição de comprovinciano ainda a cheirar a tipografia. 
O livro democratizou-se, para o bem e para o mal, sustentado por uma estratégia de marketing que entroniza a mediocridade em escaparates onde, se não nos pomos a pau, esbarramos ao entrar da porta. Quer isto dizer que a oferta visível pode desmotivar quem busque aquilo a que é justo rotular de literatura. A par deste aspecto, temos uma evidência comum a várias vilas e cidades pouco populosas. Com meia dúzia de leitores/compradores, como haveriam de sobreviver os comerciantes que teimam em reservar, nas suas lojas, um espaço para a cultura? Surge assim um hibridismo de oferta onde umas estantes alojam os escritores de maior ou menor (ou nenhuma) procura para onde nem olha quem vai à procura da última Caras, de uma raspadinha, de bugigangas, de uns produtos de beleza, de uns brinquedos, de produtos artesanais ou outros.
Longe de ser uma crítica, resulta esta achega da observação de uma realidade que veio para ficar. E também encerra uma palavra de reconhecimento e admiração por quantos teimam em manter vivo um património indispensável ao aconchego intelectual de quantos buscam na leitura uma prazer, uma companhia em horas solitárias, uma inesgotável fonte de aprendizagens, um meio de melhor conhecer a psicologia humana e o mundo que os rodeia.
O espaço onde nos encontramos é o exemplo vivo e singular de tentativa de fixação de leitores através de uma estratégia comercial. Com a particularidade, assumida orgulhosamente, de se constituir como um polo da complexa identidade transmontana nas suas várias vertentes, o António Alberto apostou na variedade e qualidade de produtos da região, hierarquizando-os, de modo a garantir o protagonismo à literatura que por cá se vai publicando, dela fazendo a rainha deste “país do vinho e do suor”, como disse António Cabral. A acrescentar o intimismo do local onde gente de cultura se reúne, sem mordomias nem salamaleques, antes num espírito de convívio com sabor a serão familiar, em roda de amigos. Para assistir a apresentação de livros, a sessões temáticas, a exposições de artes plásticas, a provas de vinhos e a um sem número de iniciativas nascidas da dedicação e do empreendedorismo de um bem intencionado vila-realense. Sem grandes ambições nem falsas ilusões quanto à procura de bens do espírito, tem vindo a conquistar o seu espaço, passo a passo.
Penso que é esta coexistência pacífica entre produtos para diferentes públicos a opção para a continuidade do comércio do livro. Como diz o povo, deste modo dá a risa para a chora…
Mais intolerante me manifesto com as secções de livros das grandes superfícies. Misturada com feiras de queijos, de vinhos, de fumeiro e outras, a literatura perde a sua dignidade. Se as receitas culinárias das apresentadoras de televisão ou as biografias dos futebolistas não ficam mal no cesto das compras com chouriços, repolhos, cervejas ou com material desportivo, não acredito que se sintam confortáveis Lobos Antunes e companhia ao alombarem com a areia do gato, o garrafão de azeite em promoção, o leve três pague dois de qualquer coisa e ao chegar-lhes ao nariz o cheiro do bacalhau e de seus colegas isentos de molho…
Os tempos que vivemos são pouco consentâneos com o consumo de bens não essenciais, mas bom seria que todos tivéssemos a capacidade de afogar em linhas e letras angústias presentes, numa espécie de evasão no tempo, um pouco como diz Padre António Vieira: “O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.”

M. Hercília Agarez, professora aposentada e escritora

[texto solicitado à autora para servir de mote ao I.º Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro e apresentado pela própria no dia 24 de Março de 2013 (domingo), pelas 15h00, na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real]

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Contos do Marão

 «O título e o subtítulo desta colectânea apontam para o conteúdo dos contos que a constituem. Com efeito, privilegiou-se a ruralidade sobre a urbanidade, diga ela respeito à geografia física ou humana da região de Trás-os-Montes nos tempos em que imperavam a pobreza e a exploração.
Pretende-se, com as efabulações que se esperam verosímeis, preservar, através da escrita criativa, uma identidade ameaçada e a desmoronar-se irreversivelmente. Protagonizam-nas gentes humildes, social e economicamente desfavorecidas, mas ricas em força de carácter, arreigamento às versas onde nasceram, espírito solidário, teimosia na manutenção de costumes e tradições, traços idiossincráticos coroados com a atávica e proverbial hospitalidade do – Entre Quem É, em que ninguém lhes leva a palma.»

Maria Hercília Agarez de Campos Marques nasceu em Vila Real em 1944. É professora aposentada do ensino secundário. Leccionou Português e Francês em Lamego, Santo Tirso e Vila Real, na Escola Camilo Castelo Branco. Actualmente é professora de Literatura Portuguesa da Universidade Sénior da sua cidade natal, onde reside.
É autora dos livros "A Brincar que o Digas" (crónicas), publicado em 2001, e um ensaio sobre Miguel Torga: "A Força das Raízes", 2007. É co-autora da antologia de A. M. Pires Cabral “Aqui e Agora Assumir o Nordeste”.
Está representada nas seguintes publicações dos Serviços Municipais de Cultura de Vila Real: “Histórias Tiradas da Gaveta”, “Pequeno Cancioneiro de Natal” e “Tellus – Revista de Cultura Trasmontana e Duriense” (números 47 e 54). Tem artigos publicados em: Boletim Cultural da Escola Secundária Camilo Castelo Branco (desde 1991); In Memoriam de João de Araújo Correia (2010); Revista Portuguesa de Humanidades (Faculdade de Filosofia de Braga, 2007); Terra Feita Voz (Círculo Cultural Miguel Torga, 2007); Rosto & Vozes (Escola Secundária Miguel Torga de Bragança, 2007); A Terra de Duas Línguas – Antologia de Autores Trasmontanos, 2011. O jornalista e escritor João Céu e Silva publicou uma entrevista sua na obra “Uma Longa Viagem com Miguel Torga”, 2007.

É estudiosa dos escritores Camilo Castelo Branco, João de Araújo Correia, Miguel Torga e Luísa Dacosta, sobre os quais tem escrito artigos e feito comunicações. É, desde 1999, colaboradora permanente do jornal Notícias de Vila Real. Tem feito várias apresentações de livros (poesia, crónica, ensaio e romance). É membro da direcção da Tertúlia João de Araújo Correia (Régua) e da Academia de Letras de Trás-os-Montes (Bragança). [“Jornal Norte”]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...