Mostrar mensagens com a etiqueta Duarte Belo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Duarte Belo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Caminhar Oblíquo - Duarte Belo, Museu da Paisagem


“Caminhar Oblíquo” de Duarte Belo

Caminhar Oblíquo é o relato e a reflexão sobre um itinerário pedestre de 530 quilómetros realizado entre o Penedo Durão, perto de Freixo de Espada à Cinta e o Cabo da Roca. O objetivo foi atravessar a longa diagonal montanhosa do centro de Portugal que divide o Portugal Atlântico, a norte, daquele outro meio país, a sul, sob influência climática da bacia do Mediterrâneo. Percorrer essa linha imaginária que, de forma indelével, distingue duas realidades que se entretecem num território relativamente pequeno mas de extraordinária diversidade paisagística. Percorremos a geografia de uma nação.

“Sobre um mapa traçamos uma demorada oblíqua entre o Penedo Durão, perto de Freixo de Espada à Cinta, e o Cabo da Roca. Esta linha de montanhas guarda uma singularidade: é uma fronteira invisível entre dois mundos que se unem num país: o norte atlântico e o sul mediterrâneo. São as montanhas e os vales das chuvas frequentes em diálogo com a extensas planícies luminosas, de verões prolongados e secos. São duas formas de clima substancialmente diferentes, que vão dar origem a modos distintos de povoamento humano, de desenvolver cultura, de desenhar caminhos e arquiteturas. Caminhamos sobre a geografia de uma nação. Esta é a descrição e a interpretação de uma caminhada solitária de 530 quilómetros.”

Duarte Belo (Lisboa, 1968). Formação em arquitetura (1991). Desde 1986 que trabalha no levantamento fotográfico sistemático da paisagem, formas de povoamento e arquiteturas em Portugal. Este trabalho continuado sobre o território deu origem a um arquivo fotográfico de mais de 1.700.000 fotografias. Expõe desde 1987 e publicou vários livros sobre o tempo e a forma do território português. Lecionou áreas relacionadas com a fotografia e a arquitetura. Participa regularmente em conferências e mesas redondas em temas relacionados com paisagem, arquitetura, Portugal e fotografia, nomeadamente metodologias de registo e arquivo de imagem. É editor do blog Cidade Infinita.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível do autor os títulos: “A Linha do Tua”, “Os Rostos de Jesus – uma revelação” com José Tolentino Mendonça, ”Sabor – Mamoré, Viagem de Comboio Sobre o Mar”, “Magna Terra – Miguel Torga e outros lugares”]


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Magna Terra - Miguel Torga e outros lugares


“Magna Terra – Miguel Torga e outros lugares” de Duarte Belo

Ainda que sobre estas terras caia o esquecimento, de uma humanidade que esconde o seu medo da natureza na profundeza frágil das cidades, um dia talvez tenhamos que regressar a estes territórios.

Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Magna Terra: Miguel Torga e outros lugares», de Duarte Belo, realizada no Espaço Miguel Torga, em São Martinho de Anta, Sabrosa, de 17 de Janeiro a 31 de Março de 2018.

Torga foi um dos mais singulares intérpretes de um tempo que passou, de uma comunidade, quase um país inteiro, que tinha raízes e garras presas a uma antiguidade remota, de feição animal, faminta, de uma sobrevivência em luta tenaz contra a pobreza na mais absoluta falta de liberdade. Torga fala-nos deste passado, mas também da permanência, da dureza das matérias do quotidiano, da suavidade amarga da memória de homens e mulheres. Dignidade e resistência. Esta é a magna terra que nos acolhe, Miguel Torga, escritor de um século. Agora, caminhamos sobre uma ausência deixada na terra.
[…]
Acordámos numa leitura do universo geográfico, próximo, de Miguel Torga: São Martinho de Anta e os territórios envolventes. São as paisagens do santuário de Nossa Senhora da Azinheira até ao Douro, de Sabrosa à Serra do Alvão. Há outros lugares que foram muito marcantes na vivência de Torga, particularmente Coimbra. A opção de ficarmos pela região onde nasceu, prendese com o significado que a mesma assume na génese e no carácter de toda a sua obra literária. Há uma marca nestas terras transmontanas que permanece, há aqui um vinco telúrico de que Torga foi um exímio descodificador e singular voz. As suas palavras refletem paisagens que nenhuma fotografia pode revelar. Não deixámos, no entanto, de ensaiar uma viagem imaginária. Praticamente todas as fotografias foram feitas em 2017, especificamente para esta edição e exposição; há duas exceções, as fotografias do Santuário Rupestre de Panóias, de 2015, e as últimas fotografias, a preto e branco, retiradas de um arquivo que, há mais de 30 anos, constrói aproximações à representação do espaço português.
[Duarte Belo]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível do autor os títulos: “A Linha do Tua”, “Os Rostos de Jesus – uma revelação” com José Tolentino Mendonça, ”Sabor – Mamoré, Viagem de Comboio Sobre o Mar”]


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sabor - Mamoré, viagem de comboio sobre o mar


”Sabor – Mamoré, Viagem de Comboio Sobre o Mar” de Duarte Belo

Obra do fotógrafo Duarte Belo que descreve em texto e imagens uma viagem imaginária entre a linha férrea do Sabor (Miranda do Douro, Portugal) e a linha férrea de Mamoré (Porto Velho, Rondónia, Brasil), passando pelo Atlântico, rio Amazonas e rio Madeira. A recolha de imagens da linha do Sabor durou mais de 10 anos e a da linha do Mamoré foi efetuada em 2000, e inclui fotografias de pessoas envolvidas na sua construção. É ao mesmo tempo um livro de imagens sobre o território de duas ferrovias abandonadas e uma reflexão que nos transporta entre uma e outra.

«Apanhar o comboio em Duas Igrejas, cais terminal da linha ferroviária do Sabor, nas proximidades de Miranda do Douro, no interior da Península Ibérica, em Trás-os-Montes. Atravessar o Planalto de Miranda e descer ao Pocinho, já na margem esquerda do Rio Douro. Embarcar neste cais fluvial até à foz do rio, no Porto. Depois, prosseguir viagem, via marítima, atravessar o oceano Atlântico, até à desembocadura do Amazonas. Subir este rio em cerca de 1000 quilómetros até à foz do rio Madeira e prosseguir rio acima por esse afluente do Amazonas, um dos seus maiores tributários, até Porto Velho, capital do Estado brasileiro da Rondonia, cais terminal da navegabilidade desse rio. Aí, apanhar novamente o comboio, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em direcção a Guajará-Mirim, já em território boliviano, no interior da América Latina, mais próximo do Oceano Pacífico do que do Atlântico, termo de viagem.

Sabor
A linha do Sabor era, seguramente, a mais periférica de toda a rede ferroviária nacional. Trás-os-Montes, em particular o Planalto de Miranda, é das regiões portuguesas de mais difícil acesso a partir de Lisboa ou do Porto. É hoje um território quase esquecido pelo Governo de Lisboa. Sob verões quentes e secos e invernos frios e rigorosos, o comboio atravessavauma paisagem em que é notório um forte carácter telúrico, e onde ainda encontramos algumas das mais bem preservadas paisagens arqueológicas, bem como rurais, que marcaram uma ciclicidade temporal que já não encontramos nas cidades. O último comboio a descer ao Pocinho partia de Duas Igrejas em 31 Julho de 1988. Era neste comboio que imaginava o início da viagem.

Madeira-Mamoré
A história desta linha férrea está estritamente relacionada com a própria história da borracha, e mesmo com as tentativas ou investidas tendentes a domar a floresta amazónica. Esta é também uma história da vontade humana e de um drama. O projecto da estrada ferroviária é concebido em 1861. Em 1872 é iniciada a construção, a cargo de uma empresa inglesa que, um ano mais tarde, rescinde o contrato devido à extensão e densidade da floresta e às condições da área onde eram frequentes os confrontos com os nativos da região e as epidemias abundavam. Em 1879 é retomada a construção por uma firma norte-americana que, pouco mais de um ano mais tarde, abandona a empreitada por se encontrar completamente falida. Estavam construídos sete quilómetros de ferrovia. A obra é reiniciada apenas em 1907, já após a assinatura do tratado de Petrópolis, em 1903, para ser concluída em 1912, numa extensão de 364 quilómetros, entre Porto Velho e Guajará-Mirim. Obra grandiosa, sonho que rapidamente se esvaneceu.»


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[disponível também do autor: “A Linha do Tua”, “Os Rostos de Jesus – uma revelação” com José Tolentino Mendonça]

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Linha do Tua

“A Linha do Tua” de Duarte Belo

O livro é um registo fotográfico da paisagem que a linha percorre e constrói, do quilómetro 0 na foz do Tua até ao seu término em Bragança. O livro tem 212 páginas e 347 fotografias, organizadas em séries temáticas, percurso e panorama geral da linha. 

Este livro é um levantamento fotográfico da Linha do Tua. Do quilómetro 0, na foz do rio Tua, ao quilómetro 133, em Bragança, a linha oferece o caminho e o objecto que nos guia o olhar. As imagens registam o processo de conquista do vale do Tua pela natureza agreste, e a ambiguidade entre a violência e a delicadeza que o rasgamento da linha infligiu na morfologia do terreno. Essa construção permitiu o estabelecimento de um traçado contínuo e homogéneo, onde circularam comboios durante 121 anos, articulando paisagens que seriam naturalmente diversas. O abandono progressivo da linha pôs em marcha uma apropriação no sentido inverso, um tempo em que a Natureza e o Homem começaram a tomar conta dos materiais e das suas formas. O olhar de Duarte Belo regista estes processos sem complexos, com a calma e o tempo do percurso pedestre e com particular reverência ao valor patrimonial dos objectos e da paisagem. O resultado é um registo extensivo do que foi a Linha do Tua.

Duarte Belo (Lisboa, 1968). Iniciou actividade como arquitecto e desde 1989 trabalha como fotógrafo. Tem levado a cabo um levantamento fotográfico sistemático da paisagem portuguesa, tendo publicado vários livros sobre o tempo e a forma do território português.

«A Linha do Tua é, no seu início, paralela à Linha do Douro, e ao próprio rio Douro, mas com um declive ascendente acentuado. Ao infletir para norte, deixa o vale do Douro, e entra no vale do Tua, pela margem esquerda do rio. Numa curta inflexão do trajeto ferroviário, há uma paisagem que se transforma profundamente. Pelo seu carácter inesperado, a vista que se colhe da ponte rodoviária, de onde Orlando Ribeiro fez a fotografia, é das mais impressionantes de todo o percurso da linha ferroviária. Para montante temos o vale do Tua, que neste troço se apresenta muito cavado. É a porta de entrada de um universo surpreendente e único que vamos percorrer. A Ponte das Presas e o túnel com o mesmo nome, que imediatamente se lhe segue, são a primeira expressão de uma intervenção humana que constituiu um dos maiores desafios da engenharia portuguesa do século XIX. Todo o conjunto se encontra perfeitamente enquadrado na paisagem, pois todo ele acaba por revelar uma singular delicadeza face à grandiosidade do vale. No local avançam agora as obras de construção da Barragem de Foz-Tua.» (pp.102-103) [Duarte Belo, Portugal – Luz e Sombra]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[disponível também do autor: “Os Rostos de Jesus – uma revelação” com José Tolentino Mendonça]

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Os rostos de Jesus

“Os rostos de Jesus – uma revelação” de José Tolentino de Mendonça, fotografias de Duarte Belo

"Os Rostos de Jesus - Uma Revelação" é uma viagem fotográfica de Duarte Belo pelas representações de Jesus crucificado que se podem contemplar no alto dos cruzeiros de pedra existentes sobretudo no Norte de Portugal.
São mais de 100 fotografias de esculturas tendo por fundo o céu azul, que permitem apreciar a expressão facial e corporal do Jesus Cristo que cada artífice da pedra, em cada lugar, soube criar.
O texto, assinado pelo diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, José Tolentino Mendonça, interroga-se sobre a variedade de rostos e perspetivas sobre Jesus. [Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura]

A leitura do texto do Prof. José Tolentino Mendonça é indispensável para compreender estas imagens e o subtítulo Uma Revelação. O autor explica que a diversidade de interpretações que a arte faz do rosto de Jesus traduz a incerteza sobre o seu rosto histórico. Mas, para além disso, também demonstra a impossibilidade de uma imagem captar a verdade completa sobre Jesus, porque ele é «ponto de interseção entre o divino e o humano».

Hipóteses para um rosto
José Tolentino Mendonça

«Num certo sentido, não deveríamos estranhar que o rosto de Jesus seja um enigma. A pergunta que se impõe é: não é assim cada rosto humano? Haverá objeto mais fugidio do que um rosto, qualquer rosto? O filósofo Emmanuel Lévinas tratou longamente o problema e explicou que um rosto ultrapassa a cada instante a imagem que temos dele. O rosto não se define, exprime-se simplesmente. Isto é, traz consigo uma noção de verdade que não está no desvendar, mas na evidência da sua autoapresentação.


O que é um rosto? As aproximações ao rosto de Jesus são necessariamente plurais. Não é por acaso que em vez de oficializar um Evangelho, o cristianismo primitivo optasse por pôr quatro narrativas no cânone: não é a monodia que nos permite captar Jesus, mas a polifonia, com as suas variantes, os seus contrastes, os seus silêncios e singularidades. Do mesmo modo, isso é-nos dito pela apaixonante massa de estudos que a contemporaneidade tem produzido sobre o Jesus histórico. O que é o seu rosto? O rosto de um simples judeu? De um judeu marginal? De um profeta escatológico? De um revolucionário social? De um sábio itinerante, igual a tantos outros que o mundo greco-romano conheceu? De um homem santo? De um camponês do Mediterrâneo?

O rosto de Jesus, ponto de interseção entre o divino e o humano, está claramente na história, mas também para lá dela. Sabemos, por isso, que nenhuma imagem, por si só, capta a verdade completa de Jesus. Não podemos, no entanto, deixar de interrogar as imagens que hoje a investigação histórica e crítica se empenha em produzir. Por mais ténue que seja o traço que cada uma nos forneça, todas juntas decifram um pouco mais o enigma que o rosto de Jesus representa.»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível “Os Cruzeiros da Diocese de Vila Real” de Padre João Parente]