Mostrar mensagens com a etiqueta Dulce Maria Cardoso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dulce Maria Cardoso. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Bíblia de Lôá


“A Bíblia de Lôá – Lôá Perdida No Paraíso | Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” de Dulce Maria Cardoso, ilustrações Vera Tavares

Lôá é uma menina-deus. Tudo aconteceu mais ou menos assim: Um dia Lôá pôs-se a desenhar. Criou um mundo que lhe pareceu tão belo e tão bom que quis entrar nele. Desde então, vive perdida nesse mundo.

«A escritora Dulce Maria Cardoso estreia-se na literatura para crianças e jovens com a coleção "A Bíblia de Lôá", inspirada em passagens dos textos da Bíblia, mas em busca de outros significados, disse a autora à agência Lusa.

Com ilustração de Vera Tavares e edição da Tinta da China, a coleção tem início com "Lôá e a véspera do primeiro dia" e "Lôá perdida no paraíso", sobre a criação do mundo e sobre Adão e Eva.

Nas duas histórias, Dulce Maria Cardoso inventou uma "menina-deus"- Lôá -, "de aparência frágil", que desenhou o mundo com um lápis num livro em branco.

A escritora, conhecida sobretudo como romancista e contista, escreveu seis histórias para crianças a partir da Bíblia, desafiada por Teresa Paixão, programadora da RTP.

"Saí da minha zona de conforto, mas não quis fazer leituras bíblicas para crianças. Não tenho temor à Igreja embora goste de ler a Bíblia, porque dramaticamente é muito interessante. O que foi mais desafiante foi encontrar outros significados na Bíblia, porque estamos imersos neste caldo judaico-cristão que é portador de imensos preconceitos", explicou Dulce Maria Cardoso.
Há o pecado, o castigo, a culpa, mas a autora procurou novas leituras, como por exemplo a questão de género na Bíblia, porque os textos religiosos nela inscritos "menorizam muito a mulher".

Não é por acaso que a protagonista é uma mulher, criadora do mundo à sua imagem e semelhança, "uma figura bastante solitária e que cria através da arte", sendo a arte "a possibilidade de mudança".

"Não tenho pretensões de mudar a tradição secular de preconceito e 'A Bíblia de Lôá' pode ser lida por crentes e não crentes, de acordo com a sua fé", afirmou.

Nos livros, com vários níveis de interpretação para leitores iniciais e leitores autónomos, Dulce Maria Cardoso recorre a vários trocadilhos, referindo-se por exemplo a um "orvil" (lê-se "livro" ao contrário), e brinca com a linguagem, procurando as semelhanças entre "querer" e "crer" e inventando o "Para-isso" (Paraíso).

Nestas obras Dulce Maria Cardoso sentiu necessidade "de blindar o texto" e teve uma "preocupação diferente" na escrita, a pensar nos jovens destinatários.

"As crianças e os jovens são como umas esponjas, absorvem tudo, é difícil prender-lhes a atenção e tive uma outra preocupação no que escrevia, porque também queria diverti-los, ter 'ganchos' para lhes prender a atenção", afirmou.

Para a coleção "A Bíblia de Lôá", Dulce Maria Cardoso escreveu seis histórias, sendo publicadas agora as duas primeiras.

Cada um dos livros apresenta, no final, as passagens da Bíblia que inspiraram as histórias e inclui "sugestões de exploração para educadores".» [LUSA]


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os títulos: “Os Meus Sentimentos”, “O Chão dos Pardais”, “Tudo São Histórias de Amor”, “O Retorno”]

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os meus sentimentos

“Os Meus Sentimentos” de Dulce Maria Cardoso

«A condutora, ferida, de um automóvel que chocou com uma árvore atravessada na estrada, em noite de temporal, revive, bloqueada no carro, de cabeça para baixo, não só os incidentes anteriores ao acidente mas farrapos de toda a sua vida. É esta, sumariamente a história de Os meus sentimentos, o segundo romance, originalmente construído e escrito com muita sensibilidade, por Dulce Maria Cardoso.
A mescla de crueza e de senso estético da linguagem produz amiúde um efeito choque, envolvente. Violeta, a vendedora de cosméticos, gasta e rejeitada, que se oferece aos camionistas nas estações de serviço, recorda esse passado próximo e os dias mais distantes do seu viver familiar. Assim vemos surgir nas suas rápidas lembranças, as personganes dos seus pais, da filha, da empregada doméstica, do meio irmão bastardo, um microcosmo que pouco a pouco vem para a luz, com as pequenas vaidades e preconceitos burgueses, no tempo em que Paris era ainda a capital da cultura e do mundo elegante.
Igualmente se vão soltando das malhas da narrativa desarticulada outras figuras, as companheiras de trabalho e convívio de Violeta, a criadita comunista. 
A grande riqueza de todos os eventos memorados, vida em fermentação, com uma grande densidade social, com marcas classistas da época da ditadura, reside na forma como a introspecção se vai fazendo, sem qualquer hierarquia, em manso tumulto. 
Um romance admirável de observação da decadência, das regras, venenos inocentes, escapismos, pequenas maldades de uma família moldada pelos hábitos do regime deposto no 25 de Abril, que ainda se prolongam durante anos após o corte político da situação. 
É, repito, um trabalho de escrita muito moderno, de alta qualidade, que aproveita da oralidade os melhores recursos expressivos, misturando-os com ironia, força e talento.»  [Urbano Tavares Rodrigues, Leitur@Gulbenkian]


Dulce Maria Cardoso nasceu em Trás-os-Montes, em 1964, na mesma cama onde haviam nascido a mãe e a avó. Tem pena de não se lembrar da viagem no Vera Cruz para Angola. Da infância guarda a sombra generosa de uma mangueira que existia no quintal, o mar e o espaço que lhe moldou a alma. Regressou a Portugal na ponte aérea de 1975. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, escreveu argumentos para cinema, gastou tempo em inutilidades. Também escreveu contos. Tem fé, uma família, um punhado de amigos, o Blui e o Clude. Continua a escrever e a prezar inutilidades. Vive em Lisboa.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os títulos: “O Chão dos Pardais”, “Tudo São Histórias de Amor”, “O Retorno”, “A Bíblia de Lôá – Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” ilustrações Vera Tavares, “A Bíblia de Lôá – Lôá Perdida No Paraíso” ilustrações Vera Tavares]

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O retorno - aos desterrados

 
“O Retorno” de Dulce Maria Cardoso

Livro do Ano em Portugal, Prêmio Especial da Crítica 2011.
Plano Nacional de Leitura: livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura - Grau de Dificuldade III.


1975 Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras.
Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos não têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa.
Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia.
A adolescência torna­-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança.
África sempre presente mas cada vez mais longe.

«Em 1975, um ano após a Revolução dos Cravos, Portugal perde as suas colônias. Em poucos meses, o país recebe mais de meio milhão de retornados, que de uma hora para a outra precisam abandonar suas casas. É nesse contexto que conhecemos a história do narrador: Rui, um adolescente nascido em Luanda. (…)
Dulce Maria Cardoso alcança, com ´O retorno´, uma linguagem de uma precisão absoluta. Uma linguagem lírica, delicada, mas também áspera e seca, oscilando entre os sentimentos com a habilidade que só os grandes têm.» Tatiana Salem Levy, "O Globo"

«“O Retorno” é um romance que aborda o tema delicado e polémico que foi para Portugal a descolonização, o fim do Império Ultramarino e o conturbado regresso dos Portugueses que habitavam as colónias, após a Revolução de Abril de 1974. (...)
“O Retorno” tem o mérito de explorar as consequências psicológicas da Guerra do Ultramar na mente dos jovens de então, dominados pelo cenário de incerteza e precariedade que caracterizavam a situação de anomia social, vivida durante os anos conturbados da descolonização logo após o 25 de Abril.
Dulce Maria Cardoso traça neste romance o retrato de um tempo situado na história recente de Portugal (...)» Cláudia de Sousa Dias [blogue Há Sempre Um Livro... à nossa espera!]

«Dulce Maria Cardoso encontra o registo certo em todas as cenas, emocionado e seco, triste e orgulhoso, cheio de culpa e incerteza, de palavras africanas que eram o português angolano, de recordações epocais, como fotonovelas ou marcas de uísque. É essa história visivelmente vivida, sem demagogia nem rasuras, que faz de O Retorno um romance há muito aguardado.»
Pedro Mexia, Expresso, 4 estrelas

Dulce Maria Cardoso é originária de Trás-os-Montes, mas passou a infância em Angola, tal como os dois jovens protagonistas de O Retorno. De regresso a Portugal, licenciou-se em Direito vivendo, actualmente, em Lisboa.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os títulos: “O Chão dos Pardais”, “Tudo São Histórias de Amor”, “A Bíblia de Lôá – Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” ilustrações Vera Tavares, “A Bíblia de Lôá – Lôá Perdida No Paraíso” ilustrações Vera Tavares]