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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Lítio por José Carlos Barros


“Lítio” de José Carlos Barros

Flan de Tal, colecção elemeNtário, volume n.º 15, 2023

 

De entre os metais

 

O ferro escolho de entre

os metais

em vez da prata,

do lítio, do

ouro,

em memória dos portões

dos pátios, do garfo

e da faca, das aivecas

do arado,

da grade

da varanda,

como exemplo do que está

ao serviço

das causas

e das pessoas

comuns.

 

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

[também disponível do autor os títulos: “O Uso dos Venenos”; “O Prazer e o Tédio”, “Um Amigo Para o Inverno”, “As Pessoas Invisíveis”]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

KM 0 - Ponte Escrita


 “KM 0”
contos de Antón Cortizas Amado, Cristina Carvalho, Elena Gallego Abad, Herculano Pombo, Inma López Silva, João Madureira, José Carlos Barros, José Fanha, Manuel Araújo, Nuno Camarneiro, Olinda Beja, Paulo Moreiras, Rita Taborda Duarte, Rui Vieira, Tiago Salazar
ilustrações de Richard Câmara

Ponte Escrita
I Encontro Luso-Galaico de Escritores
Chaves

«Fecho os olhos e imagino a construção da Ponte de Trajano, o estrangeiro, mesmo aqui por detrás destas janelas. Eles existem, os construtores existem! Oiço-os a batucar as pedras, os chamamentos, oiço os que mergulham e os que constroem na terra seca, e também os que avançam para as alturas dos pilares. Eles existem, sim! Fazem ecoar as suas palavras pelos caminhos dos tempos, palavras que se unem aos dias e às noites e de tal maneira que chegam agora até aqui, até esta casa onde me sento durante um certo espaço de tempo. É certo que não os percebo, pois articulam sons diferentes dos que eu uso. Tudo tem um som diferente, mas consigo ver as suas expressões, perceber todos os gestos, receber uma certa informação com séculos e séculos de avanços e recuos. E há o amor. Existe um amor romano, como todo o amor deve existir num sonho. A construção continua, pedra após pedra.» Cristina Carvalho

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...


quinta-feira, 10 de março de 2016

O Uso dos Venenos


"O Uso dos Venenos" de José Carlos Barros

É verdade que sinto

É verdade que sinto um imenso desprezo
pelos poetas. Por todos os poetas.
Esses seres ignóbeis que escrevem
a palavra «estrela» e uma estrela, de súbito,
nos queima os dedos distraídos. Uma
vez esteve aqui um poeta. Escreveu
a palavra «labareda». E ainda hoje as manchas
do fogo sujam as paredes e os
mosaicos vidrados da sala de reuniões
do Conselho de Administração.

«O meu livro de poesia "O Uso dos Venenos", edições Língua Morta, foi referenciado, nas habituais escolhas dos melhores livros publicados em Portugal durante o ano, por dois críticos literários do jornal Público (José Riço Direitinho e Luís Miguel Queirós) e por dois do Expresso (Pedro Mexia e José Mário Silva). O livro, que se vende ao preço de 13 euros e que saiu numa tiragem de duzentos exemplares, deve estar longe de se encontrar esgotado. Além dessas referências na imprensa, que valem o que valem, acrescente-se a opinião do meu tio Alberto e da minha prima Esmeralda, que consideram "O Uso dos Venenos", respectivamente, "um livro que tem ali umas coisas que dá que pensar" e "uma obra que, não fosse a gente não entender metade do que lá se diz, tinha que se lhe dissesse".» [blogue Casa de Cacela]

José Carlos Barros (Boticas, 1963) vive em Vila Nova de Cacela, no Algarve, e é licenciado em Arquitectura Paisagista pela Universidade de Évora. Autor de mais de uma dezena de livros de poesia e ficção. Edições mais recentes: «O Prazer e o Tédio» (romance, edição Oficina do Livro, 2009; adaptado ao cinema por André Graça Gomes), «Um Amigo para o Inverno» (romance, edição Casa das Letras, 2013; finalista do Prémio Leya) e «O Uso dos Venenos» (poesia, edição Língua Morta, 2014). Venceu, entre outros, os seguintes prémios literários: Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, Prémio Guerra Junqueiro, Prémio Literário da Vila de Fânzeres, Prémio de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves.

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[também disponível do autor os títulos: “O Prazer e o Tédio” e “Um Amigo Para o Inverno”]