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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico



“Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico” Orlando Ribeiro

Capa de Inês Mateus sobre fotografia de Orlando Ribeiro, de 1938, «Pastor tocando flauta em Fratel», Beira Baixa

«A Letra Livre acaba de reeditar durante a Feira do Livro de Lisboa o clássico de Orlando Ribeiro «Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico», que esteve esgotado durante vários anos. A obra considerada por António Barreto «uma verdadeira pérola da cultura portuguesa, certamente um dos melhores livros de toda a cultura portuguesa do século XX», o que é reforçado pelas palavras  do antropólogo João Leal quando designa o livro como «um dos clássicos absolutos da cultura portuguesa do século XX», insere-se nas comemorações do centenário do nascimento do mais importante geógrafo português. O livro que influenciou gerações de geógrafos, historiadores e antropólogos e que segundo José Mattoso «trouxe a demonstração que em Portugal não há unidade, mas diversidade» é prefaciada pela  geógrafa Suzanne Daveau.» [Letra Livre]

«A obra clássica de Orlando Ribeiro numa reedição que tem por base a primeira edição de 1945 aquela que mais agradava ao autor na sua coerência e equilibrio.

Em 1945, Orlando Ribeiro escreveu o livro que é considerado pelo sociólogo António Barreto “uma verdadeira pérola da cultura portuguesa”. No documentário produzido para celebrar o seu centenário, da autoria de Manuel Gomes e António Saraiva - «Orlando Ribeiro, Itinerâncias de um Geógrafo» - o sociólogo diz que «Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico» é “um dos melhores livros de todo o século XX e um dos grandes livros da literatura portuguesa, científica ou não. Maravilhosamente bem escrito”, tem “precisão, rigor e modéstia académica e universitária”. Para o sociólogo, esta obra devia ser sempre lida nas escolas.

O livro, “o primeiro ensaio de síntese na destrinça de influências e relações que se entrelaçam na terra de Portugal”, como o próprio autor o definiu, fala de um Portugal diversificado, descrevendo-se a sua geografia e relacionando-a com as pessoas que a habitam. O seu talento literário pode distinguir-se em passagens como esta, sobre a Beira Baixa: “O contraste é impressionante entre as serrarias que, pelo norte, barram o horizonte próximo e o planalto a que se não vê o fim: sobre ele, as manchas de verdura vão se tornando cada vez mais desbotadas, indecisas e distantes. Na verdade, é o Alentejo que se anuncia”.» [Cantinho das Aromáticas]

«Não sei se a presença de obras fundamentais nas livrarias é um dos índices definidores do grau de civilização de um país, mas se não é, devia ser. Nesse índice, Portugal teria pontos tão baixos, sobretudo em relação à sua própria produção cultural, que nem os senhores da troika saberiam que medidas de austeridade propor para corrigir a situação (isto, claro, se os senhores da troika tivessem como função ajudar os países que visitam, em vez de arranjarem formas de aumentar as dívidas e enterrar para muitas décadas qualquer esperança económica, mas agora já me estou a dispersar…). Uma dessas obras fundamentais andava há muito arredada dos escaparates das livrarias, quase sempre cheios de néons e novidades que hã-de ser o último grito durante, vá lá, uns três dias, até serem substituídas pelo último grito seguinte, numa sucessão de gritaria que acaba por ensurdecer quem procura livros mesmo, mesmo relevantes. Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, de Orlando Ribeiro, acaba de ser reeditado pela Letra Livre, e se isto não for uma notícia capaz de provocar um êxodo assinalável até à Calçada do Combro, em Lisboa, ou até às livrarias que costumam receber os livros editados pela Letra Livre, então o melhor é baixarmos os braços e entregarmos a alma ao FMI.» [Sara Figueiredo Costa, blogue Cadeirão Voltaire, Maio 31, 2011]

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

O quadro mediterrânico de Portugal

“Mediterrâneo, Ambiente e Tradição” de Orlando Ribeiro
3.ª edição, revista e aumentada

O livro «Mediterrâneo, Ambiente e Tradição», do geógrafo Orlando Ribeiro (1911-1997), acaba de ser reeditado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), 43 anos depois de ter sido publicado pela primeira vez.
Esta obra, na qual o geógrafo “retratou, há meio século, o ‘Mundo Mediterrâneo’, foi concebida de modo original, reflexo direto da sua personalidade portuguesa”, afirma na introdução do livro a viúva do autor, a também geógrafa Suzanne Daveau. O livro, afirma, “mantém todo o interesse, ao lembrar quais são as raízes fundas e sólidas de que surtos de renovo voltam, sucessiva e inesperadamente, a brotar”.
Suzanne Daveau descreve o texto como  “sintético, elegante, elaborado numa linguagem ao mesmo tempo simples e precisa, insere-se solidamente na vasta obra do autor, por estar alicerçado em muito trabalho de campo, em numerosas viagens e em vastas leituras e trocas de ideias com colegas de diversas especialidades e países”.
A nova edição de «Mediterrâneo, Ambiente e Tradição», segundo nota da FCG, “segue o texto da segunda edição, de 1987, mas apresenta uma ilustração fotográfica refeita que permite mostrar o esplendor natural e humano do mundo mediterrânico, aproveitando as potencialidades do arquivo de imagens do Centro de Estudos Geográficos de Lisboa, alimentado desde a sua criação pelas coleções de fotografias recolhidas por Orlando Ribeiro e seus colaboradores”.
Orlando Ribeiro escreveu o livro “com base em muito trabalho de campo, em numerosas viagens e em vastas leituras e trocas de ideias com colegas de diversas especialidades e nacionalidades, numa altura em que os países que enquadravam o Mar Mediterrâneo sofriam profundas transformações”.
Suzanne Daveau considera que “longamente amadurecido, o ‘Mediterrâneo’ resulta, como a maior parte das obras do autor, da estreita ligação que ele sempre manteve entre ensino e investigação. ‘Por duas vezes, indicou ele, o conteúdo deste livro serviu de matéria de ensino’ nos cursos, livremente concebidos, que teve o prazer de poder ministrar fora de Portugal”.
Orlando Ribeiro defendia que “Portugal não se podia compreender fora do seu ‘quadro mediterrânico’ – para espanto incrédulo de alguns colegas de países vizinhos que não marginam, como Portugal, o desmedido Atlântico mas que o Mar Interior rodeia”, escreve a viúva.

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