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terça-feira, 10 de março de 2026

J. Rentes de Carvalho prémio da Fundação Inês de Castro 2025

 


«J. Rentes de Carvalho distinguido com Prémio Tributo de Consagração.

À beira de completar 96 anos, J. Rentes de Carvalho acaba de ser distinguido com o Prémio Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2025, segundo anúncio daquela Fundação a propósito da 19.ª Edição do Prémio Literário Fundação Inês de Castro. O júri, composto por José Carlos Seabra Pereira (presidente), Isabel Pires de Lima, Isabel Lucas, Mário Cláudio e António Carlos Cortez, decidiu atribuir o Prémio Tributo de Consagração a Rentes de Carvalho como celebração da sua carreira.
De ascendência transmontana, Rentes de Carvalho foi levado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris. Em 1956 passou a viver na Holanda, onde foi professor de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988 na Universidade de Amesterdão. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. Escreveu romances, conto, diário, crónica e guias de viagem ou ensaios. O seu livro Com os Holandeses (1972) foi um dos maiores best-sellers neerlandeses da década de 1970. A sua obra está publicada em Portugal pela Quetzal.
A cerimónia oficial de entrega de prémios decorrerá no dia 28 de março, na Quinta das Lágrimas em Coimbra.»

 

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial: “Montedor”, “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “A Sétima Onda”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”, “A Ira de Deus Sobre a Europa”; “Trás-os-Montes, o Nordeste”, “O País do Solidó”, “Cravos e Ferraduras”, “Recordações e Andorinhas”; “Eça &Outras 2 | J. Rentes de Carvalho: 95 anos” J. A. Gonçalves Guimarães.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

recordações e andorinhas | J. Rentes de Carvalho


 “Recordações e Andorinhas” J. Rentes de Carvalho

 

«Entre a recordação e a pequena crónica, trocando os nomes e avariando as grandes teorias sobre o funcionamento da pátria, estas memórias de J. Rentes de Carvalho retratam o país com humor, cumplicidade, atrevimento, ou uma compreensão que não pede distância, mas proximidade.

Este pequeno diário de 2007-2008 mostra-nos o país através de pequenos apontamentos sobre personagens e vidas comuns, populares, rurais, desconhecidas - e sobre um escritor que observa, rindo ou ficando macambúzio. Ou fingindo-se macambúzio, que é a melhor forma de viver em Portugal.»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Montedor”, “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “A Sétima Onda”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”, “A Ira de Deus Sobre a Europa”; “Trás-os-Montes, o Nordeste”, “O País do Solidó”, “Cravos e Ferraduras”; “Eça &Outras 2 | J. Rentes de Carvalho: 95 anos” J. A. Gonçalves Guimarães]

segunda-feira, 6 de maio de 2024

conto e crónica em J. Rentes de Carvalho

 


“Cravos e Ferraduras” de J. Rentes de Carvalho

 

«Um retrato dos últimos anos da vida portuguesa através de personagens escolhidas a dedo. Nenhuma delas é conhecida. Nenhuma delas merece a nossa piedade.

Entre o conto e a crónica, trocando os nomes e avariando as grandes teorias sobre o funcionamento da pátria, estes textos de J. Rentes de Carvalho retratam o país com humor, cumplicidade, atrevimento, ou uma compreensão que não pede distância, mas proximidade. Os comportamentos destas personagens não são, na maior parte das vezes, dignos de elogio ou de serem escolhidos como exemplo, não receberão medalhas no Dia de Portugal. Mas são, arrancados à vida desconhecida da província, das vilas e aldeias da pequena pátria, um dos melhores retratos de todos nós, frívolos ou sentimentais, mentirosos ou com um fingido amor pela verdade.

Este livro, que recolhe textos de diário, pequenos contos ou crónicas ficcionadas, é uma espécie de resumo dos últimos anos da vida portuguesa, um retrato do país através de pequenos apontamentos sobre personagens e vidas comuns, populares, rurais, desconhecidas - e sobre um escritor que observa o seu país, rindo ou ficando macambúzio. Ou fingindo-se.

J. Rentes de Carvalho | De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo e o Expresso. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, onde se licenciou (com uma tese sobre Raul Brandão) e foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. Escreveu romances, contos, diário, crónica, e guias de viagem ou ensaios. Vive entre Amesterdão e Estevais (Mogadouro), metade do ano em cada sítio.»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “A Sétima Onda”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”, “A Ira de Deus Sobre a Europa”; “Trás-os-Montes, o Nordeste”, “O País do Solidó” ]

sexta-feira, 18 de junho de 2021

O País do Solidó de J. Rentes de Carvalho

 


“O País do Solidó” de J. Rentes de Carvalho

 

São histórias reais de gente inventada e histórias inventadas de gente real, mulheres destemidas e homens combativos, mas também capazes de momentos desprezíveis e de atitudes medrosas. Corajosos e malandros, mentirosos, que fazem pela vida. Gente de carne e osso que aprendeu a desconfiar e a sobreviver num país do solidó, sempre com aquela musiquinha em fundo, atrevida e monótona, divertida e medíocre. No país do solidó, estes retratos são instantâneos das vidas verdadeiras que não aparecem nos jornais nem na sociologia universitária, mas frequentam as redes sociais e as igrejas que ainda restam. Entre o conto e a crónica, trocando os nomes e avariando as grandes teorias sobre o funcionamento da pátria, J. Rentes de Carvalho não dá explicações sobre um mundo que não quer ser explicado — mas observa-o com humor, cumplicidade, atrevimento, uma compreensão que não pede distância mas proximidade. São personagens que não receberão medalhas no Dia de Portugal; mas compõem um dos melhores retratos de todos nós.

 

«A escrita romanesca de J. Rentes de Carvalho é um exercício de saturação e exacerbação a que podemos chamar hiperliteratura.» Público

«É verdade também que importa haver, no grupo extenso e variado de romancistas lusos, quem assuma o papel de retratista das figuraças dos palanques deste tempo.» Sábado

«J. Rentes de Carvalho retrata Portugal como o vê a partir da Holanda, onde vive há mais de cinquenta anos: um país onde a democracia ainda não saiu do papel, uma sociedade dominada pelo medo do que é e do que há de ser, um povo cuja aparência de brandos costumes esconde uma violência tremenda.» Rádio Renascença

«Rentes de Carvalho, vivo e ativo, é um dos melhores prosadores da língua lusa.» João Pereira Coutinho, Folha de São Paulo

«Rentes de Carvalho escreve com a elegância e a destreza de quem maneja o florete.» José Riço Direitinho, Ler

«O melhor de um livro de Rentes de Carvalho é tudo.» Sara Figueiredo Costa, Time Out

 


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “A Sétima Onda”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”, “A Ira de Deus Sobre a Europa”; “Trás-os-Montes, o Nordeste”]

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Trás-os-Montes, o Nordeste


“Trás-os-Montes, o Nordeste” de J. Rentes de Carvalho

De Trás-os-Montes, o nosso palato conhece os pratos fartos; cheira-nos a terra acabada de arar, e lembra-nos uma província antiga, quase desaparecida, de postal. Mas da justaposição dessas imagens — de memória, costumes e saudade — com as do novo século emerge um desconhecido. Que Nordeste Transmontano é este, votado ao abandono, à beira de perder os últimos filhos da tradição? O encontro entre o agora e o então num retrato pessoalíssimo, como só os verdadeiros retratos sabem ser.

De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa - onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. 


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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”]

quinta-feira, 23 de março de 2017

A sétima onda


“A Sétima Onda” de J. Rentes de Carvalho

Tudo começa quando o fotógrafo argentino Bob Márquez recebe um inesperado convite para o casamento da sua ex-mulher. Esse é o pretexto para uma viagem pela sua memória, recuando até ao dia em que tinha conhecido aquela rapariga misteriosa e cheia de segredos por quem se apaixonara há tanto tempo. Mas há também a recordação de László, o amigo húngaro, imprevisível e temperamental, um interlocutor cheio de intensidade, misto de conselheiro e sócio de tantas aventuras - fora ele que lhe apresentara a sua ex-mulher e o irmão desta, dois revolucionários improváveis, membros do Movimento de Libertação do Chaco, território inóspito e abandonado, no norte da Argentina. 


Para Bob Márquez, a evocação do Chaco era também uma viagem à infância - porque fora lá que nascera - e ao modo como naquele «prolongamento da pampa», encostado à fronteira do rio Paraná, começara a sonhar com a Holanda, o país de todos os sonhos e deleites onde iria viver a sua idade adulta. Com o seu vasto talento para assinalar contradições e sobressaltos do destino humano, J. Rentes de Carvalho constrói um romance notável sobre a memória e a identidade, a diferença e a atração dos abismos, o amor e a sua perda.

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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”, “A Ira de Deus Sobre a Europa”]

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A ira de Deus sobre a Europa


“A Ira de Deus Sobre a Europa” de J. Rentes de Carvalho

Ao longo de um livro profundamente pessoal e intimista, J. Rentes de Carvalho recorda a Europa de há cinquenta anos, quando chegou aos Países Baixos, e confronta-se com a Europa de hoje - o hedonismo absoluto, a ausência de ideais, a mansidão de um «comportamento bonzinho» diante dos seus inimigos declarados (como o Islão), o «politicamente correto» que amordaça o debate e corrói a vida real, a decadência da educação de hoje (que dá prioridade aos jogos de computador, às amizades e aos likes do Facebook), a existência de uma União Europeia dominada por uma burocracia não eleita, uma universidade entregue à banalidades. Um testemunho vibrante, polémico, inesperado do autor de Com os Holandeses.

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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”]


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A amante holandesa - de Trás-os-Montes para a Holanda


“A Amante Holandesa” de J. Rentes de Carvalho

Ao deixar a sua remota aldeia transmontana para ser estivador no porto de Amsterdão, Amadeu, o Gato estava longe de imaginar a aventura que viria a ter — uma aventura fugaz e fatal com uma bela mulher estrangeira e rica.
Décadas volvidas e de novo na sua terra, reencontra um amigo de infância. Para lá da meia-idade, os dois redescobrem o prazer de caminharem juntos e conversar sobre o passado. Porém, o Gato, que vive do pastoreio e da contemplação de memórias, não faz ideia do efeito que o seu relato amoroso vai ter no amigo — cuja existência se resume a um casamento gasto, uma carreira mediana a chegar ao fim e ao sentimento de que falhou em tudo na vida. As consequências serão nefastas.
Fria, indiferente, meiga, desenfreada na cama, A Amante Holandesa vai magoá-los, dar-lhes a ilusão de que o amor existe, e aniquilá-los.


De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa - onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. 


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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Mazagran”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “A Amante Holandesa”, “La Coca”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”, “Pó, Cinza e Recordações”, “O Meças”]

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

La Coca - entre o Minho e a Galiza


“La Coca” de J. Rentes de Carvalho

Manuel Galeano - que sempre tivera "o contrabando no sangue" - sumiu antes do segundo encontro. Inesperadamente, como cruzara o caminho do seu velho conhecido em Amesterdão. O primeiro encontro, seguido de uma conversa saborosa no bar de um hotel, cheia de memórias de juventude e de algumas confidências do presente, é o ponto de partida para uma longa evocação e uma viagem sentimental: da história do tráfico entre o Minho e a Galiza - tráfico de cigarros, uísque, barras de ouro, gado e café e mais recentemente de narcóticos - e os seus protagonistas - Diogo Romano, El Min, Sito Miñano, o Pardal, o Pepe, Mustafé e o Laurestim -, que durante décadas enformaram o imaginário pícaro local; e a viagem de revisitação que o autor deste livro faz aos lugares da infância e da primeira idade adulta.
La Coca é também uma investigação literária - que se materializa neste livro - e um pequeno tratado dos mecanismos da memória.
Um romance breve, profundamente irónico e terno. E a escrita clara, brilhante, de Rentes de Carvalho.

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

«A elegância do estilo, a força da ironia, o poder de em poucas palavras desenhar uma personagem - com essa perícia, J. Rentes de Carvalho empresta aos acontecimentos um carácter assustador e inesquecível.» Vrij Nederland

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os lindos braços da Júlia da farmácia


“Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia” de J. Rentes de Carvalho

Uma paixão tórrida em Sevilha; a crueldade de um filantropo inglês; o crime passional de Bebé Almeida; uma fria manhã de Paris de 1955; o afamado bordel de Madame Blanche enquadram algumas das extraordinárias histórias que compõem “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, o mais recente livro de ficção de José Rentes de Carvalho.

«O que aqui interessa, porém, é o dia de Primavera de 1937 em que chega a Sevilha sob nome falso, tendo por ordem hospedar-se em determinado hotel e aguardar que lhe entreguem aí informações sobre as tropas de Franco. (…) da mulher que uma tarde entrou no bar e se sentou junto dele - Visivelmente rapariga da vida. Simpática." - nunca saberemos mais: nem a idade, o porte, nada do seu rosto. Talvez devido às circunstâncias, ou ao perigo que os rodeava - a cidade não tardaria a revoltar-se a favor dos nacionalistas e vivia-se um ambiente de catástrofe - estalou entre aquele rapaz de vinte e seis anos e a mulher incógnita uma paixão única, tão devoradora que, dentro de dias, a ele pouco sobrava do sentido da realidade. Todos os desejos da carne se lhe realizavam, mesmo os nunca sonhados; nenhuma loucura parecia impossível; abria-se-lhe, repentina, uma vastidão insuspeita de felicidade e prazer. E o passado: amigos, família, trabalho, as horas de tertúlia, o pudor da esposa, tudo isso parecia extremamente monótono e desagradável, um planeta longínquo. A guerra? Que lhe interessava a guerra?»

«Uma das melhores coisas que aconteceram à língua portuguesa. Um excecional contador de histórias.» Blitz

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mazagran - recordações e outras fantasias


“Mazagran – recordações e outras fantasias” de J. Rentes de Carvalho
Grande Prémio de Crónica APE/CM Sintra 2013

"(…) um gesto que, pelo simbolismo, estabeleça entre o livro e o leitor um primeiro laço de simpatia.
Esse gesto é aqui o título. Mazagran, palavra que outrossim não se encontra no texto, designa uma bebida favorita no Maghreb: um copo grande cheio até mais de um terço com café forte, um volume igual de água gasosa, muito açúcar, uma rodela de limão. Quando o Profeta abranda a sua vigilância junta-se-lhe um cálice de conhaque. Bebe-se quente no Inverno e quase gelada nos dias de calor. A pequenos goles. Com aquela disposição benigna do espírito que umas vezes nos leva à rua para cavaquear com os amigos, e outras nos prende em casa a ler um livro."

«Entre a piada e a nostalgia, o escritor fala de refúgios de políticos e da curiosidade que despertam em portugueses e holandeses, de como prefere a contenção dos chineses no apaluso ao exteriorizar de emoções dos latinos, do acordar em Trás-os-Montes sem vidros duplos, da sua ignorância acerca dos belgas, da aversão à beira-mar, de como nunca acreditou que Portugal fosse um país próspero, ou de como chegou à Holanda na década de cinquenta pensando que seria apenas por duas semanas. Foram mais de cinco décadas. E são mais de cem as crónicas. […] estão lá os condimentos que fizeram de Rentes de Carvalho uma das mais estimulantes descobertas literárias dos últimos anos em Portugal.» Isabel Lucas, Público

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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ernestina - retrato de Trás-os-Montes


“Ernestina” de J. Rentes de Carvalho

Ernestina é mais do que um romance autobiográfico ou um volume de memórias de famílias ficcionadas. É um retrato de Trás-os-Montes, dos anos 1930 aos anos 1950, um romance que transcende o relato regionalista e que transpôs fronteiras, transformando-se num fenómeno editorial na Holanda. Ernestina é também o nome da mãe do autor e da intrépida protagonista deste livro. Sobre ela J. Rentes de Carvalho disse: «Mãe de um só filho, a sua vida, que foi de uma tristeza, amargura e terrível solidão, dava um livro. Escrevi-lho eu. E a sua morte quebra o último elo carnal que me ligava à terra onde nasci. Felizmente são ainda muitos e fortes os laços que a ela me prendem».


«Deus criou o mundo em Vila Nova de Gaia, numa tarde quente de Maio em 1930. E eu, quando uns quatro anos depois comecei a observar a Sua criação, não o fiz como seria de esperar, apenas com os olhos que Ele me tinha dado à nascença, mas quase exclusivamente através dum binóculo.» - a primeira frase de Ernestina, de J. Rentes de Carvalho.

«Ernestina é a biografia de milhares e milhares de família portuguesas. Um livro eterno, mas nunca lamechas. Um livro duro, mas que nunca corta a esperança. Um livro simples e obrigatório.» Henrique Monteiro, que falou assim de Ernestina, o romance autobiográfico de Rentes de Carvalho


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quinta-feira, 12 de maio de 2016

O Meças é um livro do desassossego...


“O Meças” de J. Rentes de Carvalho

Novo romance de Rentes de Carvalho. Uma história de violência, em que a progressiva definição dos contornos da memória trará novas e dolorosas verdades. Romance inédito, nele se conta a história de António Roque, homem atormentado, possesso do demónio de funestas memórias. As imagens do passado que regularmente se apoderam dele transformam-no num monstro capaz dos piores atos. No entanto, a obscura história da irmã e do homem abastado que se servia dela - e que, apesar de morto, continua a instigar-lhe um ódio devastador - não é exatamente como ele pensa que se lembra. Depois de anos emigrado na Alemanha, o Meças regressa à sua aldeia de origem. Com ele vivem o filho (a quem detesta) e a nora (a quem deseja, mas inferniza a vida), atemorizando, de resto, todos os que com ele se cruzam. Uma história de violência, em que a progressiva definição dos contornos da memória revelará novas e dolorosas verdades.

«Tudo isto gravita no temível e truculento Meças, emigrante regressado da Alemanha, assombrado por memórias de abusos e por maus vinhos, que repercutirá prepotências no filho desprezado e na nora cobiçada (um iPhone branco, será a vingança dela…). Vital, violento, implacável, lúcido e aquiliniano, virtuoso no vocabulário popular e numa escrita que alavanca a tradição oral, O Meças é um livro do desassossego.» Sílvia Souto Cunha, Visão

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Diário de J. Rentes de Carvalho


“Pó, Cinza e Recordações” de J. Rentes de Carvalho

Escrito entre maio de 1999 e maio do ano 2000, este é o diário do milénio de um dos mais relevantes autores portugueses da atualidade, vencedor do Grande Prémio de Literatura Biográfica APE, em 2012.

«Há diários importantes e os que são apenas interessantes. Há-os íntimos, alguns dolorosamente francos, outros mascarados. Os que são escritos para ferir e os que são escritos para recordar. Este, suponho eu, cabe mal nas categorias acima, pois menos que uma anotação de factos e pensamentos, o vejo sobretudo como um desejo de conversa.»


«Aonde pertencerei? De verdade e por inteiro, a parte nenhuma. A terra onde nasci tornou-se-me estranha como um teatro, quando estou nela tenho a ideia de que represento um papel. A outra, onde vivo há mais de meio século, dá-me por vezes a ideia de um navio que se afasta e me deixou no cais. Procurar outro poiso? Nem a idade o permite nem as amarras o deixariam. Porque é isso: não pertenço, mas é muito e forte o que me prende.»

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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”]

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Montedor

“Montedor” de J. Rentes de Carvalho

Ao longo das gerações são sem conta as famílias portuguesas onde há alguém como o triste protagonista de Montedor: rapaz sem futuro, com um passado apenas de sonhos, arrastando-se num presente que é verdadeira morte lenta.

Mau grado a simplicidade das personagens e das cenas, há no romance uma tensão permanente, pode com verdade dizer-se que quase cada página encerra um momento dramático, ou antecipa uma tragédia, a qual, talvez porque raro chega a acontecer, cria um desespero cinzento, retratando bem, e cruamente, os medos e o sofrimento da sociedade portuguesa, passada e presente.

Publicado pela primeira vez em 1968, Montedor é o romance de estreia de J. Rentes de Carvalho, sobre o qual escreveu José Saramago: «O autor dá-nos o quase esquecido prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza (…), uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»

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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”]

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Portugal - A Flor e a Foice

“Portugal – A Flor e a Foice” de J. Rentes de Carvalho

Publicado em 1975 na Holanda, Portugal, a Flor e a Foice nunca tinha sido editado em Portugal. No ano em que se assinala o 40º aniversário da Revolução dos Cravos, este olhar heterodoxo sobre o período revolucionário está a cativar os leitores portugueses.

«Os cravos simbolizaram a esperança, mas a foice que os cortou não foi, como por um instante se temeu, ou fingiu temer, a do papão comunista, sim a dos lobos que a traziam escondida sob o disfarce de cordeiros.» J. Rentes de Carvalho

«De início, não houve interesse em publicá-lo porque a minha visão do que se estava a passar era considerada desagradável e incómoda.» Entrevista ao Atual

«As pessoas até aos 40, 50 anos vão ficar tristes ou assustadas com a revelação. Depois, os mais velhos, dos 60 anos para cima, vão-se dividir em duas categorias: aqueles que, contra toda a evidência, continuarão a acreditar que houve uma revolução muito bem feita e muito feliz, e os outros, que se vão dar conta de que nem tudo o que reluz é ouro.» Entrevista ao i

Excerto da entrevista de J. Rentes de Carvalho ao Expresso (Atual).

«Este livro, escrito entre abril de 1974 e outubro de 1975, nunca foi publicado em Portugal. Porquê?
De início, não houve interesse em publicá-lo porque a minha visão do que se estava a passar era considerada desagradável e incómoda. Mesmo na Holanda, teve uma única edição, pequena, e só saiu uma crítica ao livro num jornalzeco belga. Por causa do meu pessimismo, chamaram-me filho da puta, vendido ao capital e mais não sei quê. Demorou trinta anos para que os meus amigos socialistas, que na altura me abandonaram, começassem a dizer: “Olha lá, se calhar tiveste um bocado de razão, só que foi cedo demais.” A verdade é que ao mostrar o manuscrito ao Manso Pinheiro, editor da Estampa, já nos anos 80, ele explicou-me que o livro continuava a não ser publicável, “nem agora, nem daqui a dez anos, nem daqui a vinte”.

E que justificação deu para essa recusa?
Nos anos 80, este assunto ainda era intocável.

O problema era a falta de recuo histórico?
Não. O problema era contrariar as grandes certezas saídas da Revolução dos Cravos. Um sujeito vir dizer estas coisas não caía bem. Não vendia livros. E era até capaz de dar cadeia, sei lá.»

ler mais em [http://tempocontado.blogspot.pt/2014/03/lancamento-de-portugal-flor-e-foice-na.html]


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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”]

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

5 estrelas de mentiras & diamantes

“Mentiras & Diamantes” de J. Rentes de Carvalho

«Mentiras & Diamantes tem os ingredientes do thriller, com o escritor a manusear com mestria as técnicas do suspense numa teia cuidadosamente tecida e à prova do leitor mais treinado em encontra pontas soltas. Mas seria limitador reduzi-lo a um género. É uma interrogação sobre um tempo da história recente de Portugal ainda camuflado no silêncio, com uma crítica dura aos protagonistas da cena política nacional. E isto já não é novo em Rentes de Carvalho. É conhecido o desprezo do escritor pelos políticos e pelo rumo de um país que não conseguiu suportar pela claustrofobia dos costumes e do qual fugiu. É também conhecida a sua atracção pela possibilidade literária desse Portugal que, apesar de apontar o dedo ao ditador, nunca terá sido capaz de resolver uma mesquinhez e um provincianismo enraizados.» (5 estrelas)
Isabel Lucas, Público

«A obra de J. Rentes de Carvalho (n. 1930) tem estado a ser reeditada pela Quetzal, que acaba de publicar um seu romance inédito -  “Mentiras & Diamantes”. Trata-se de um thriller bem esgalhado, cruzando reminiscências do processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 com redes de crime organizado. Rentes de Carvalho pertence a uma geração em que os escritores dominam bem o vocabulário, por oposição à “dieta Twitter” que vai moldando vária prosa publicada. O desembaraço não dispensa o uso de vernáculo, sempre adequado às circunstâncias, pontuando a narrativa de observações pícaras: “Grande cu! Alcatra de primeira!”»
Eduardo Pitta, Sábado

«Rentes de Carvalho escreve com a elegância e a destreza “de quem maneja o florete”. O leitor vai sabendo das aventuras (as do presente e as do passado) pela voz de um narrador que parece divertir-se na maneira elíptica e muito hábil de contar a história, que tanto pode alternar entre uma aldeia algarvia onde uns estrangeiros organizaram “umas orgiazitas ao ar livre, outras na capela da casa”, para logo a seguir um corpo ser entregue no deserto da Mauritânia. Pelo meio vão surgindo diamantes traficados nos saltos de Blahniks, um nigeriano em Albufeira, uma conta de dinheiro sujo em chipre, um receptador em Amesterdão que fala quimbundo, português, inglês e russo, e que vive com uma antiga bailarina do Kirov…enfim, toda uma fauna que faz de Mentiras & Diamantes um dos mais interessantes livros de Rentes de Carvalho.»
José Riço Direitinho, Revista Ler

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”]


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Apresentação de "Os Idiotas" II




Apresentação de “Os Idiotas” de Rui Ângelo Araújo por J. Rentes de Carvalho
26 de Outubro de 2013 (sábado), pelas 21h30
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


«[Texto do autor escrito como cábula para UM lançamento e desaparecido em parte incerta quando poderia ser útil]

O IDIOTA C’EST MOI

Ao contrário do que possa parecer, sobretudo por estarmos a lançar ‘Os Idiotas’ numa altura de eleições, o título do romance não nasce da minha vontade de insultar políticos. (Algumas partes do livro talvez nasçam da vontade de me rir de políticos, mas não o título.)
As pessoas têm-me perguntado quem são os idiotas do meu livro. Julgo que procuram antecipar o gostinho de ver confirmada uma certa imagem do sistema político português, aliás não desmentida pela campanha — da editora. Isso parece-me uma expectativa natural, e por si mesma uma evidência do descrédito que o sistema merece. Ou então do gosto das pessoas pelo vilipêndio, nunca o subestimemos.
O livro não desapontará quem o aborde por este ângulo bicudo e seja paciente. Mas trairia os meus idiotas se não viesse em sua defesa. O autor sente afecto por eles e isto não é síndroma de Estocolmo, mesmo que seja verdade que as personagens de um livro nosso possam sequestrar-nos a alma por tempo indeterminado. Alguns daqueles que venham a ler o romance fá-lo-ão com menor ou (decerto) maior ânimo de encontrar os seus idiotas, figuras grotescas, oportunistas, corruptas e mal-intencionadas. E encontrá-las-ão. Mas quem sabe não descobrem também os meus idiotas. E, com as subtilezas da semântica, o espelho da rainha da Branca de Neve e a prolixidade que um dicionário de sinónimos pode conter: «O que quer que sejamos, somo-lo por oposição aos cretinos, que são o resto das pessoas», diz o protagonista do romance. E, como acrescenta a editora, se calhar diz bem.
‘Os Idiotas’, como a grande parte da literatura universal, surge da vontade de contar e inventar histórias. Não é um libelo político, não é um panfleto ideológico, não é a mecha de um cocktail molotov (bem, digo isto apenas porque é triste quando vemos os nossos textos impressos embrulharem o peixe ou acenderem a fogueira de um churrasco; quem já escreveu em jornais sabe que isso pode ser mais frequente do que ser lido).
‘Os Idiotas’ é em grande medida um divertimento, uma paródia, uma sátira. Mas é tudo isto à custa da pura humanidade dos seus personagens. Em ‘Os Idiotas’, pequena comédia humana, o que mais há é ilusões, desapontamentos, frustrações, vícios, precipitações, raivas, equívocos, tolices, renúncia — e confronto com memórias. Um monte de coisas geralmente tristes que acontecem às pessoas nas suas vidas. Mas que não vão necessariamente indispor os leitores. Talvez até os divirtam. Mérito de Lúcio, um ser em franco declínio, muito por acção própria, mas que resolve não se preocupar com isso (diz ele.) E que resolve achar divertido e até desejável o declínio do seu próprio país, um local mal frequentado que se escreve com três sílabas apenas: B
Đào Nha.
Lamento desiludir quem esperava que aqui se dissesse Portugal. Mas já deviam saber, a literatura por vezes inventa os seus próprios territórios. Não tem é culpa que o mundo resolva imitar a literatura. Neste sentido, dizer que ‘Os Idiotas’ é uma distopia seria menosprezar muito a realidade. Não só existem homens como este Lúcio e os malucos dos seus amigos, como existem países iguais a B Đào Nha.
Nesta disputa entre um homem e o seu país, diria que o homem ganha: consegue cair mais fundo do que o país. (Não se esqueçam de que estamos a falar do livro…) A grande questão será perceber se ele cai mais fundo por causa do território ou se isso acontece por causa de uma mulher.
Há uma mulher, claro. Permitam-me citar a sinopse: «Os idiotas poderiam ter permanecido assim, em desequilíbrio perfeito, para sempre, mas a chegada de Helen, uma mulher misteriosa e dorida, vem catalisar o inevitável.»
Não vou desvendar o que vem catalisar esta misteriosa Helen. Mas vou destacar o seu papel no romance. Porque o Lúcio é um palhaço, não tem sido fácil à editora O Lado Esquerdo fazer campanha pela Helen: os histriónicos ocupam sempre mais espaço nas campanhas, mesmo nas das editoras. Mas a história de Helen não é menos importante do que a de Lúcio. Pelo contrário: a sua história poderia existir literariamente sem a do Lúcio. O encontro dos dois só é relevante para ele. A história de Helen poderia ter sido tratada num romance autónomo — e talvez eu o devesse ter feito se quisesse realmente ser mais respeitado como escritor do que como «o antigo criador da revista ‘Periférica’».
Sim, há muito de ‘Periférica’ neste livro. Quem conheceu a revista vai dar-se conta.
‘Os Idiotas’ é na verdade o meu terceiro romance. Escrevi-o desta forma, com esta textualidade, este sarcasmo tonto, um pouco em oposição aos outros dois livros. Que por sua vez se tinham querido afastar do estilo ‘Periférica’. Mas parece que não resisti a voltar à chalaça e à malícia. No rol do seu grupo de idiotas, o Lúcio conta seis elementos — porque se esqueceu de incluir o autor. Se me permitem a citação pedante de Flaubert: o idiota c’est moi. Mas estou disposto a partilhar o estatuto com todos os que quiserem ler o livro.»

O AUTOR

Um ex-baixista que depois de ter enterrado duas revistas resolveu pôr-se a escrever romances — e com isso provavelmente cavou a sua própria sepultura.

Rui Ângelo Araújo (Pedras Salgadas, 1968)

Fundou e dirigiu o 'Eito Fora – Jornal de Vilarelho' (1998-2002), uma publicação cultural da região de Trás-os-Montes, mas que não cabia nela. Posteriormente, fundou e dirigiu a revista literária, artística e crítica '
Periférica' (2002-2006), a 'new yorker portuguesa', com distribuição nacional e hipérboles ibéricas (‘la mejor revista cultural lusa se 'cuece' en una aldea remota’, jurava o ‘El Mundo’). Escreveu algumas dezenas de contos e três romances, todos afinal indignos de ‘imprimatur’. Mantém o blogue 'Os Canhões de Navarone', onde verbera o país ou se senta a observar a vida selvagem em volta. Numa era remota tocou viola-baixo. Hoje… Hoje vacila no seu desempenho do Quixote, mas a culpa é da realidade.


Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;
- 2 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor;
- 3 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h30: apresentação do livro “A Última Criada de Salazar” de Miguel Carvalho pelo autor, no Museu do Pão e do Vinho em Favaios, com a presença de Dona Rosália;
- 1 a 27 de Novembro de 2013: exposição de gravura da artista plástica Loirí Vechio;
- 9 de Novembro de 2013 (sábado), das 14h30 às 18h30: Oficina de Fotografia por Rita Almendra;
- 11 de Novembro de 2013 (segunda-feira): São Martinho e Magusto na Traga-Mundos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 16 de Novembro de 2013 (sábado), pelas 21h00: Curso de Prova de Vinho do Porto [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 17 de Novembro de 2013 (domingo), pelas 15h00: visita a Coimbra de Mattos [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua”;
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O meu caso difere: a Holanda!

“Com os Holandeses” de J. Rentes de Carvalho

«Sobre o clima, os costumes, as manhas, a bruteza, os vícios, a má comida... A lista começou com Júlio César, alongou-se no decorrer dos séculos, tem casos extremos como o do mal-agradecido Voltaire que, em vez de dar graças pelo refúgio oferecido, sintetizou venenosamente os Países Baixos em "Canards, canaux et canailles". Jesuíta e diplomata, António Vieira disse pior, mas diplomaticamente. De facto são muitos os críticos mordazes de um país em que outros só vêem campos de tulipas, moinhos a rodar serenamente, montes de queijo, diques, água, abundância de belas raparigas loiras e desempenadas. Assim, o optimista Ramalho Ortigão escreveu a suave aguarela que, para muitas gerações, funcionou como relato exemplar de um país exemplar. O meu caso difere.»


Com os Holandeses, já um clássico do seu género, não poderia vir até nós num momento “europeu” mais propício do que este, sendo ainda muito mais do que um ensaio sobre uma só nação estrangeira: poderá ser lido no nosso país como uma espécie de compêndio das atitudes historicamente cultivadas a norte sobre os povos do sul, as mais velhas nações que civilizaram a “Europa”, mas que hoje estão desgraçadamente no olho do furacão financeiro e económico, e sobretudo olhados com a suspeita de sempre — malandros, esbanjadores, indisciplinados e vivendo segundo valores sociais suspeitos. Não creio tratar-se de um retrato cruel de um dos países mais pacíficos dos tempos modernos, a Holanda, mas sim uma espécie de ajuste de contas por parte de um grande autor português após anos e anos de ter sido, em todos os sentidos humanos e culturais, o outro. (...)
O autor aqui nunca perde o seu equilíbrio emocional ou a inteligência com que desmonta o “carácter” colectivo — conceito sociológico desde há muito desacreditado, mas que ainda poderá servir de paradigma analítico, nem que seja só para gozo literário — dos seus anfitriões. Mais do que castigar os holandeses, Rentes de Carvalho simplesmente aponta-lhes o dedo na cara, e recorda-lhes amenamente que há outras maneiras de pensar e estar na vida, ou que uma suposta “virtude” cultural ou social sua poderá muito bem ser considerada “defeito” pelos outros, mesmo que vivendo a dois passos na mesma pequena península asiática. O humor destas páginas é imparável, como que a dizer aos próprios leitores daquele país: olhem cá, nada disto me mata ou me retém na minha caminhada de cidadão consciente, mas esses ares de superioridade generalizada e indefinida incomodam imigrantes como eu, que muito mais mundo têm visto e vivido ao longo de toda a História. Desde a ética comercial do dia a dia à santidade da religião, desde a dedicação às mais estranhas e banais causas em suposta defesa de um bairro residencial seu à salvação dos povos menos felizes a milhares de quilómetros nos continentes menos desenvolvidos do que a terra das tulipas e abaixo do mar, Rentes de Carvalho mantém a sua discursividade serena, nunca abandonando ou renegando ser, uma vez mais, o outro, nunca aceitando, do mesmo modo, um estatuto de inferiorização da sua ancestralidade. Frequentemente, como seria de esperar, Com os Holandeses refere-se a um Portugal então sob a ditadura, deprimida e pobre, ou na confusão kafkiana, nas palavras de outro autor, que foram os primeiros anos da nossa libertação, nada escondendo, nada negando.» Vamberto Freitas, Portuguese Times


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis as seguintes obras do autor: O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”]