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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Tertúlia "poesia e outras coisas da vida"


tertúlia “poesia e outras coisas da vida”
pelo escritor e livreiro-alfarrabista Manuel Monteiro
dia 29 de Dezembro de 2017, sexta-feira, pelas 21h00
na livraria Traga-Mundos, Vila Real, Portugal


Manuel Augusto Monteiro é transmontano de Vila Real. Tem 63 anos. Camponês e depois operário, é actualmente alfarrabista. Em 1974, foi um dos fundadores da União Democrática Popular e em 1979 foi eleito deputado à Assembleia da República por esta força política. Durante quatro anos foi autarca, membro da Assembleia Municipal de Lisboa. Em 1982 abandonou a UDP, continuando a participar na vida política em pequenos núcleos. Aos 40 anos, com apenas a 4.ª classe, fez exame ad-hoc de acesso à universidade, frequentando o curso de História até ao 2.º ano, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tendo publicado poesia e romances.

[os romances “Sei Onde Mora Herberto Helder” e “O Falcão Albanês” disponíveis também na livraria Traga-Mundos]
  

António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- dia 18 de Janeiro de 2018, quinta-feira, pelas 21h00: tricota_mundos, noite #16, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- e ao longo de 2018 haverá mais, sempre muito mais...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Apresentação de "O Falcão Albanês"

Apresentação do livro “O Falcão Albanês” de Manuel Monteiro
pelo Prof. Dr. José Leon Machado (UTAD), com a presença do autor
dia 18 de Outubro de 2014 (sábado), pelas 16h00
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


" Gabriel disse ao Falcão Albanês, sentado a seu lado, que aquele jantar era uma celebração de despedida.
- Para onde vais, Gabriel?
- Vou com a Laura para Londres.
- Ah, os meus dois filhos e os meus quatro netos também lá estão. Eu estou aqui sozinho e sinto uma grande solidão. Tenho lá um neto, Gabriel como tu, que criei até aos sete anos, e que é a minha grande saudade...
- Então porque não vai viver com eles ?
O velho esteve longo tempo calado, absorto em tristes pensamentos.
- Vejo-os partir e sinto que este país está a perder o melhor que tem. Nunca esta terra teve uma juventude tão preparada como agora, mas essa juventude vai dar o melhor para outros países. E assim esta terra cumpre a sua maldição histórica de ser pobre e desgraçada.
- É, velho camarada, este país é uma terra de falhados: falhámos nós a revolução e falhou a burguesia a sua missão de instalar aqui o paraíso social-democrata.
- Tens razão. Mas eu não parto. Os meus ossos foram feitos para este sol radioso e não se dão no nevoeiro londrino. Depois tenho cá uma secreta esperança...
- Qual secreta esperança, querido camarada ?
(...)
Silvério, que ouvia a conversa, intrometeu-se:
- Não me diga que ainda acredita nos amanhãs que cantam ?
- E porque não, amigo ? Não canta todas as manhãs a cotovia ?"
Manuel Monteiro - In "O Falcão Albanês"

A Mãe-Nova era a minha avó. Criou-me desde que nasci até aos meus dezasseis anos, numa pequena aldeia no sopé da serra do Alvão, a cinco quilómetros de Vila Real.
Depois abandonei a Mãe-Nova e a minha aldeia da infância e vim para a cidade grande.
Mais tarde tive que percorrer o calvário de milhares de jovens do meu tempo: a guerra colonial. No exército perdi cinco anos da minha juventude, dois deles na guerra colonial, em Angola.
Regressei desta guerra exausto e vazio.
Fui visitar a Mãe-Nova e a minha pacata aldeia.
Na manhã seguinte acordei com os pardais a brincarem no soalho do quarto onde dormia.
Um melro, que me pareceu um velho melro da minha infância, tinha poisado no parapeito da janela e soltava estranhos sons, como dando-me as boas-vindas.
A minha avó debruçou-se sobre mim e fez o que me fazia na infância: encostou-se a mim e beijou-me com toda a doçura.
Naquele instante esqueci a guerra e a vida dura que me esperava na cidade grande.
O cheiro a maçã madura que eu respirava do corpo da Mãe-Nova, a sua face encostada à minha, os seus olhos onde se lia toda a ternura do mundo, tudo me reconciliava com o mundo e me enchiam de paz.
Manuel Monteiro

I HAVE A DREAM (EU TENHO UM SONHO).
Eu tenho um sonho. Ou antes: tinha um sonho.
Sempre amei os livros. Sempre sonhei escrever livros. Sempre aspirei viver dos livros.
Até aos sessenta anos fiz quase de tudo, menos de trabalhar com aquilo que era a minha paixão, o meu sonho.
Aos sessenta anos encontrei-me numa encruzilhada: estava desempregado e, com essa idade, seria muito difícil encontrar trabalho.
Então pensei: é nesta altura de grande dificuldade que vou concretizar o meu sonho.
Mas como se estava mais teso que carapau em frigorífico?
Tirei o cartão de feirante, inscrevi-me nas feiras da grande Lisboa, sobretudo na feira da Ladra, comprei umas tábuas, uns cavaletes e uns panos vermelhos. E assim montei a minha banca, a minha livraria ao ar livre.
A minha biblioteca foi o primeiro material que vendi. Depois os meus muitos amigos ofereceram-me caixotes e caixotes de livros. Em seguida comecei a comprar, quer na própria feira da Ladra, quer indo a casa das pessoas.
E assim se concretizou o meu sonho: publiquei o meu primeiro romance, SEI ONDE MORA O HERBERTO HELDER, e abri a minha livraria ao ar livre.
Às vezes não é preciso muito para realizar os nossos sonhos.
Basta que não desistamos desse sonho e que lutemos por ele até ao fim...
Manuel Monteiro

A VIDA OPERÁRIA DO ESCRITOR
Levei quase um ano a escrever o meu romance, que sairá em Setembro, O FALCÃO ALBANÊS.
Dias e noites de esforço, de angústia, de dor física e emocional. De solidão.
Também de exaltação porque, ao recrear a realidade, ao fazer da realidade vulgar uma realidade magnifica, tive que revisitar e recriar tempos e personagens que são minha herança vivida.
Agora o livro aí está. Em Setembro estará nas mãos dos leitores. Uns vão amá-lo porque lhes vai trazer lembranças das suas memórias. Outros vão utilizá-lo como uma ligeira passagem das suas vidas. Outros ainda vão colocá-lo numa prateleira porque o livro não conseguiu despertar neles a mínima emoção.
Mas, para mim, esse livro é mais um pedaço da minha vida e do meu esforço para vos legar algo de bom.
Espero para ele o vosso amor. Ou o vosso ódio.
Nunca a indiferença...
Manuel Monteiro


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com

Próximos eventos:
- dia 25 de Outubro de 2014 (sábado): Jantar-concerto na Quinta Branca (Valdigem, Lamego), no âmbito dos Simpósios em Terras de Vinho, das Jornadas Turístico-Culturais: Norte de Portugal & Galiza;
- dia 31 de Outubro de 2014 (sexta-feira), pelas 21h00: inauguração da exposição de fotografia de Eduardo Silva Alves, na Traga-Mundos em Vila Real;
- Novembro e Dezembro: exposição de fotografia de Eduardo Silva Alves, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 5 de Novembro de 2014 (quarta-feira): 3.º aniversário de porta aberta da Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro na Rua Miguel Bombarda 24 – 26 – 28 em Vila Real;
- dia 8 de Novembro de 2014 (sábado): participação com comunicação e com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no Fórum “Que Posso Fazer Por Trás-os-Montes?”, em Varge, Bragança;
- dia 16 de Novembro de 2014 (domingo): participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no Magusto da Fundación Vicente Risco, em Allariz (Ourense, Galiza);
- dia 22 de Novembro de 2014 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “Relevos” de Virgínia do Carmo, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 6 de Dezembro de 2014 (sábado): participação no Festival 6 Continentes 2014, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 8 de Dezembro de 2014 a 6 de Dezembro de 2015: Bazar de Natal e dos Reis da Traga-Mundos, na Traga-Mundos em Vila Real.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sei onde mora o Herberto Helder...


Apresentação do livro “Sei Onde Mora o Herberto Helder” pelo seu autor, Manuel Monteiro
Dia 11 de Maio, sexta-feira, pelas 21h00, na Traga-Mundos em Vila Real

O romance conta a história de um homem vulgar, mas que, devido a suas idiossincrasias, vai viver uma vida invulgar. O personagem principal tem uma fobia que o faz perseguir homens famosos, para saber mais da sua vida íntima (Salazar, Álvaro Cunhal, Sebastião Alba, Herberto Helder) e que o conduz às mais mirabolantes aventuras.

Manuel Augusto Monteiro é transmontano de Vila Real. Tem 63 anos. Camponês e depois operário, é actualmente alfarrabista. Em 1974, foi um dos fundadores da União Democrática Popular e em 1979 foi eleito deputado à Assembleia da República por esta força política. Durante quatro anos foi autarca, membro da Assembleia Municipal de Lisboa. Em 1982 abandonou a UDP, continuando a participar na vida política em pequenos núcleos. Aos 40 anos, com apenas a 4.ª classe, fez exame ad-hoc de acesso à universidade, frequentando o curso de História até ao 2.º ano, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tendo publicado poesia e romances.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O gato Osborne

“Sei Onde Mora o Herberto Helder” de Manuel Monteiro

O romance conta a história de um homem vulgar, mas que, devido a duas características, vai viver uma vida invulgar.
O personagem principal tem uma fobia que o faz perseguir homens famosos, para saber mais da sua vida íntima (Salazar, Álvaro Cunhal, Sebastião Alba, Herberto Helder) e que o conduz às mais mirabolantes aventuras.
E tem um dom sexual (fruto da iniciação na juventude com uma prostituta do Bairro Alto) que faz dele um agente de felicidade para mulheres insatisfeitas, casadas e solteiras.
No romance, um outro personagem adquire uma dimensão original: o gato Osborne, que toma a palavra e participa na acção, assumindo um papel decisivo no seu desfecho.

«O salto qualitativo dá-se no momento em que a obra é partilhada, o momento da sua existência social. Por isso, o leitor (ou o espectador ou o ouvinte) é o efectivo recriador da obra, que fora apenas pressentida no âmbito privado do seu parto. Talvez seja isso que distingue a masturbação do amor.
Quem sabe se um dia, partindo sistematicamente do particular para o geral, se essa partilha recriadora vier a ser aplicada às relações sociais, ela não poderá ser o foco da invenção de uma política nova, de uma sociedade nova, de um novo mundo. Os políticos, como os artistas, nunca deveriam ser profissionais – não no sentido da preparação e da dedicação, mas no sentido de uma actividade que os classifica na comunidade a que pertencem, e da qual se tornam dependentes. Porque essa dependência etiquetada se torna uma real divisão do trabalho, condiciona a sua liberdade de criação e acaba por impedi-los de se entregarem à partilha dos sonhos. Aquilo que é geral por natureza – a generalidade, a proclamação, a ideia já feita, a máscara do discurso e do interesse inconfessado – separa-se do real e não permite a partilha da acção, a recriação livre dos gestos e dos sentidos. Os capitalistas sabem bem – ao contrário das esquerdas – que a política efectiva parte sempre do particular para o geral, começa sempre na empresa, local genuíno da criação de mais-valia, e só depois, conforme os níveis de dominação, se alarga ao campo da chamada vida social, do lazer e da cultura, ou seja, ao espaço-tempo em que a vida parece ser privada, que é o espaço-tempo em que a força de trabalho se reconstitui, descansando, fazendo filhos e ajudando-os a crescer.»
[palavras de José Mário Branco na apresentação da obra]

Manuel Augusto Monteiro é transmontano de Vila Real. Tem 63 anos. Camponês e depois operário, é actualmente alfarrabista. Em 1974, foi um dos fundadores da União Democrática Popular e em 1979 foi eleito deputado à Assembleia da República por esta força política.
Durante quatro anos foi autarca, membro da Assembleia Municipal de Lisboa.
Em 1982 abandonou a UDP, continuando a participar na vida política em pequenos núcleos.
Aos 40 anos, com apenas a 4.ª classe, fez exame ad-hoc de acesso à universidade, frequentando o curso de História até ao 2.º ano, na Faculdade de Letras de Lisboa.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...