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sábado, 19 de novembro de 2016

A origem - Quintans


“A Origem” de Graça Pina de Morais

A Origem, publicada primeiramente em 1958, narra a história de um solar do norte, isolado e misterioso, onde se encadeiam três gerações e se cruzam as presenças de vivos e mortos. Dividido em quatro sequências, «A Casa», «O Amor», «A Morte» e «O Encontro com Deus», neste romance se desvendam personagens tempestuosas, ambientes densos e apaixonados que passam também a habitar-nos. Graça Pina de Morais (…) ousa aqui uma escrita violenta, arrebatadora, mas sempre actual, que se relê com emoção renovada.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também da autora os títulos “O Pobre de Santiago”, “Jerónimo e Eulália”, “A Mulher do Chapéu de Palha”]


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma mulher...


“A Mulher do Chapéu de Palha” de Graça Pina de Morais

Quando a política estava na ordem do dia, uma mulher nem nova nem velha sai de casa para ir à praia. À luz clara da manhã, rememora a sua vida. «O que poderá ter para mim ainda um sentido?», interroga-se na viagem de eléctrico que a leva de Leça ao mercado de Matosinhos. Aí, um vendedor apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males. No regresso, a nortada da tarde vai desagregando a seus olhos a limpidez que a manhã revelara no mar nas ruas e nas gentes. Outras impressões e devaneios infrutíferos a acompanham. Fantasia-se a viajar aos confins do universo correndo risco de vida para levar consigo esta pergunta: «por que motivo os seres humanos se brutalizam uns aos outros?» Conto de recorte autobiográfico ou alegoria sobre a acção humana no mundo A Mulher do Chapéu de Palha constrói uma perturbadora imagem da dilaceração do sujeito.

«Por entre livros novos, livros, densos, livros de novos autores portugueses, livros de autores originários de países imprevisíveis, por vezes, aparece um ou outro livro que chama a atenção por um ou outro motivo. Pela capa, pelo aspecto gráfico no seu conjunto, pela idoneidade da editora, até, pelo tamanho. (...) Pequenino, estava mesmo a calhar para leitura depois do jantar. Em boa hora.
“A mulher bateu a porta de casa e saiu para a avenida”. Assim começa a prosa que nos poderia levar a todo o lado. Desde manhã que uma pergunta a assalta: “O que poderá ter para mim ainda um sentido?”
Graça Pina de Morais leva-nos a percorrer as ruas da cidade com cheiro a maresia, acompanhamo-la de eléctrico de Leça ao mercado de Matosinhos numa escrita não imune à sensibilidade feminina.
Pelo caminho depara-se com um vendedor que apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males.
A sua cabeça não pára. A imaginação leva-a a outros mundos. E uma pergunta não lhe sai da cabeça: “por que motivo os seres humanos se brutalizam uns aos outros?”
Sines, 16 de Junho de 2012, Joaquim Gonçalves [livraria A das Artes]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também da autora os títulos “O Pobre de Santiago”, “A Origem” e “Jerónimo e Eulália”]

segunda-feira, 30 de julho de 2012

de Graça Pina de Morais


“Jerónimo e Eulália” de Graça Pina de Morais

À semelhança de “A Origem”, o romance anterior da autora, esta é uma história de espaços sombrios em cujas personagens mergulhamos inevitável e profundamente seguindo-lhes os desígnios da existência, compreendendo a linha ténue que por vezes as separa da loucura. Povoada de almas complicadas, ambientes densos e apaixonados, a prosa de Graça Pina de Morais tem o dom de não se repetir. Cada livro seu é único.

«Graça Pina de Morais (1927-1992) entronca num veio comum a vários autores dos séculos XIX e XX – médica de profissão, dedicou às letras muita da sua vivência. Contudo, ao contrário do que acontece com alguns outros médicos, como Júlio Dinis (pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, 1839-1871), Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Rocha, 1907-1995) ou Fernando Namora (1919-1989), a sua obra encontra-se hoje em dia praticamente esquecida.
No entanto, a autora teve uma estreia romancística aclamada pela crítica, com “A Origem” (1958), e veio a ser galardoada em 1969 com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências – para a melhor obra de ficção do ano – e o Grande Prémio Nacional de Novelística pelo romance “Jerónimo e Eulália” (1969).
Graça Pina de Morais tivera a sua estreia literária absoluta em 1953, com os contos “Sala de Aula” e “Os Semi-Deuses”, publicados em “Mosaico” sob o pseudónimo Bárbara Gomes. Publicou posteriormente uma colectânea de contos, “O Pobre de Santiago” (1955), “O Medo” (1964) e alguns outros contos em colectâneas, das quais se deve salientar “As Três Virtudes Teologais: Fé, Esperança, Caridade” (1966), obra que integrou contos da autora, de  Manuel Mendes (1906-1969) e de Urbano Rodrigues (1888-1971), com ilustrações do pintor Nikias Skapinakis (n. 1931). A sua última obra, publicada postumamente, foi o conto “A Mulher do Chapéu de Palha” (2000).» [Blog da Rua Nove]
Habitou na Casa das Quintãs em Mesão Frio, Lisboa e na Foz do Douro. Era filha do escritor João Pina de Morais. Era sobrinha do escritor Domingos Monteiro.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos “O Pobre de Santiago”, “A Origem” e “A Mulher do Chapéu de Palha”]

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Douro em Graça Pina de Morais

Hoje a Traga-Mundos teve a honra de acolher a obra de mais uma grande autora do Douro: Graça Pina de Morais.
 «Médica e novelista (Porto, 1929 Lisboa., 1992). Embora tivesse nascido no Porto, onde seu pai, o oficial do exército e escritor (pertenceu ao movimento da "Renascença Portuguesa") João Pina de Morais vivia, as suas origens radicam na região de Vila Real e de Mesão Frio, de onde sua mãe era natural, por este lado vindo a ser sobrinha do escritor Domingos Monteiro.
Na província duriense viveu parte da infância, havendo a sublinhar que a sua obra novelística, de inspiração memorial, é motivada por temas da família, da infância rural, para além de aspectos sociais. Viveu depois em França, com os pais, voltando ao país com a idade de seis anos, em 1935. Obteve a licenciatura em Medicina na Universidade do Porto (1951) radicando-se depois em Lisboa, exercendo, como radiologista, funções nos Hospitais Civis, e como professora no Instituto de Orientação profissional. Foi muito das relações do dramaturgo Bernardo Santareno, chegando Manuel Yoppe, nas suas Memórias, a admitir que ambos tivessem vivido uma paixão frustrada.» [Pinharanda Gomes, in III volume do “Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses”]

 Apesar de uma estreia romancística aclamada pela crítica, com “A Origem” (1958), e de ter sido galardoada em 1969 com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências – para a melhor obra de ficção do ano – e o Grande Prémio Nacional de Novelística pelo romance “Jerónimo e Eulália” (1969), a sua obra encontra-se hoje em dia praticamente esquecida.

“O Pobre de Santiago”, “A Origem”, “Jerónimo e Eulália” e “A Mulher do Chapéu de Palha”, pela Antígona, disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...