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terça-feira, 19 de maio de 2015

João de Deus em bd e em mirandês


“La Magie de Las Letras”  bd de José Ruy, traduçon pa l mirandês Amadeu Ferreira
“A Magia das Letras” bd de José Ruy

O álbum de banda desenhada de José Ruy dedicado à vida e obra de João de Deus chega agora à estampa traduzido para a língua mirandesa, por Amadeu Ferreira e António Cangueiro.
Poeta, pedagogo e humanista, João de Deus deu origem a um método de aprendizagem de grande difusão com a sua Cartilha Maternal, tornando-se numa importante, senão a principal, referência pedagógica do século XIX. Actualmente, a obra de João de Deus é detentora de 55 centros educativos, entre eles um museu, uma casa-museu e uma Escola Superior de Educação.

«Na contracapa consta um texto da autoria de António de Deus Ramos Ponces de Caravalho sobre o seu bisavô, João de Deus:
João de Deus foi um dos maiores vultos da cultura portuguesa do século XIX. O país deve-lhes, nas suas múltiplas facetas de poeta, pedagogo e humanista, as primeiras missões de alfabetização. O antigo Presidente da República Jorge Sampaio afirmou em discurso proferido no Museu João de Deus, em Lisboa, ter sido «o ilustre poeta João de Deus, autor da Cartilha Maternal, quem deu origem a um método de aprendizagem de grande difusão e mérito. A obra, associada à coerência política, tornaram-no a referência pedagógica do século XIX». Antero de Quental, por seu turno, escrevera, referindo-se ao poeta-pedagogo, ser este «o poeta mais original do seu tempo que fez da sua vida o seu melhor poema». Em 2013, a obra de João de Deus é detentora de 55 centros educativos, entre eles um museu, uma casa-museu e uma escola Superior de Educação, e multiplica-se em projetos de apoio aos mais desfavorecidos, dando seguimento ao perfil humanista do seu fundador.

A biografia em banda desenhada pode ser um dos géneros mais difíceis de realizar enquanto obra da nona arte, em especial se, como é o caso, se dispõe de um número reduzido de páginas para falar de uma vida, e se a iniciativa provém de terceiros e se pretende ir ao encontro das suas expectativas. Mas estamos a falar de um autor com 79 álbuns no currículo, 48 dos quais em banda desenhada, tendo ainda editado e dirigido a 2.ª série de O Mosquito, bem como colaborado em diversas publicações de BD, com direito a múltiplas homenagens e 25 prémios atribuídos. Deste modo, não será de estranhar que o autor ultrapasse com mestria muitas das armadilhas que uma obra deste género contém.

Com recurso a uma narrativa nem sempre linear, recorre a analepses com coerente representação gráfica, a qual se altera ainda para uma terceira versão aquando de episódios não vividos pelo protagonista mas contados pelo mesmo, como a Guerra de Troia. Curiosamente, a obra não se limita à vida de João de Deus, continuando a narrativa após a sua morte, concentrando-se, após o inevitável, nos seus descendentes e na obra que deixou e permanece viva.

A história de José Ruy (responsável pelo argumento, guião, desenho, legendação e cores digitais) cativa o leitor, sem o constante empilhar de datas e factos. Excetuam-se talvez as últimas vinhetas da página e meia final, dada a imperiosidade de finalizar a obra e não ser pretendido criar toda uma outra linha narrativa cativante acerca da neta Maria da Luz Ponces de Carvalho, tão próximo do final.

Na última folha do miolo do álbum, José Ruy apresenta a bibliografia consultada, que atinge mais de um quarteirão de obras, não deixando dúvidas quanto à seriedade da pesquisa realizada no que toca à vida e obra de João de Deus e a documentação gráfica da mesma e sua época. [blogue “a bd é”]



Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível do autor os seguintes títulos: “Mirandês – história de uma língua e de um povo” e “Mirandés – stória dua lhéngua i dun pobo”, “Ls Lusíadas” Luís de Camões banda zenhada José Ruy traduçon para mirandês por Francisco Niebro]

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ls Lusíadas


“Ls Lusíadas” Luís de Camões
banda zenhada José Ruy
traduçon para mirandês por Francisco Niebro

«“OS LUSÍADAS” COMO EXEMPLO
José Ruy, ao realizar a adaptação de “Os Lusíadas”, colocou as suas qualidades e características ao serviço de um projecto difícil, mas do qual se desempenha com mestria e proficiência, apesar da dificuldade manifesta do projecto. Refira-se que tem sido salientado, com razão, pelos principais estudiosos das HQ que o nosso autor tem uma especial vocação para temas marítimos, o que se encontra patente na série de ficção “Porto Bomvento” (com sete álbuns editados pela Asa) ou na sua obra-prima, “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, publicada, como já se disse, numa primeira versão, no “Cavaleiro Andante” (1957-1959). Lembremo-nos, contudo, do facto de a obra original ter sido publicada com texto explicativo na base de cada quadro, enquanto a versão hoje no mercado em álbum recorrer aos balões. Sente-se, assim, na versão publicada nos anos cinquenta uma ambiguidade entre o ilustrador e o cultor de HQ. A esta luz, a obra hoje em apreço reúne vários elementos, nos quais José Ruy tem provas dadas (desde os motivos aos temas). Em “Os Lusíadas” notam-se algumas das suas principais características, das quais deve referir-se: grande fidelidade aos textos literários; preocupação em fazer os leitores seguirem a narrativa através de sucintas explicações; o uso de uma técnica própria, adequada a um poema épico, não reduzindo as pranchas a uma limitação em espaços fechados e utilizando a capacidade criadora e imaginativa para ligar um relato real às referências da 
mitologia clássica; o recurso a uma técnica moderna, dotada de uma significativa versatilidade, com um traço ao mesmo tempo seguro e volátil, com uma compreensão exacta do movimento; e, por fim, a preocupação em ligar os diversos registos da narrativa épica em que a memória e a mitologia se misturam e se encontram, permanentemente. Saliente-se que, para auxiliar a leitura, o autor recorre nas aberturas a João Franco Barreto, autor do século XVII, que resumiu em oitavas cada um dos cantos do poema. Por sua vez, o relato de cada canto é antecedido por uma explicitação do argumento. No entanto, nas pranchas, é a própria expressão camoniana expressamente citada, com breves explicações, devidamente assinaladas.

ALGUNS EPISÓDIOS
Para ilustrar o que dizemos (sobre as qualidades e características do autor) daremos três exemplos que nos permitirão fazer realçar as especificidades da criação artística de José Ruy. O primeiro caso é o do Concílio dos Deuses, elemento crucial para a compreensão da trama subjacente ao poema e à história da chegada de Vasco da Gama e dos portugueses à Índia. A introdução do Olimpo no relato conduz a uma alteração de método. Os deuses situam-se fora do curso cronológico dos acontecimentos e o combate entre Vénus e Baco, mediado pelo próprio Júpiter, vai desenrolar-se em termos tais que permite ao leitor ver uma encenação em que o resultado da acção do “deus ex machina” decorre como que atrás de um véu, numa cena que o poeta vai descrevendo e revelando. O segundo exemplo tem a ver com o início do relato de Gama sobre a história pátria. José Ruy procura interpretar os acontecimentos históricos com fidelidade simultânea aos acontecimentos e à construção de uma mitologia imaginária da nação. Estamos diante de um processo de permanente e necessária conciliação entre a referência histórica e o “maravilhoso” que “Os Lusíadas” contêm, na linha da “Odisseia” de Homero e da “Eneida” de Virgílio. Por fim, temos a ilustração do Canto IX do poema de Camões, A Ilha dos Amores. Com grande sobriedade, José Ruy desenha uma ilha quase utópica a que não falta a sensualidade, mas onde a preocupação fundamental é dar um sentido poético à apresentação do tema. Compreendendo bem o sentido e alcance de um episódio como este, José Ruy procura deixar claro aos leitores que o canto IX é o corolário de uma projecção terrena do debate que tem lugar no Concílio dos Deuses. Quem ganha, no fundo, é o Amor através da persistência de Vénus e do apoio que obtém de Júpiter.

A UTILIDADE DA OBRA
À semelhança do que aconteceu na colecção da Sá da Costa, dos clássicos contados às crianças e lembrados ao povo, num registo de narrativa adaptada para a melhor compreensão dos jovens e dos cidadãos em geral (em que a preocupação iconográfica também existe, em termos muito limitados), este “Os Lusíadas” em HQ (ou em BD) tem uma significativa potencialidade pedagógica e didáctica, que não poderemos deixar de referir – compreendendo José Ruy muito bem essa característica. Aliás, constitui um elemento essencial da obra deste autor o facto de ter privilegiado a vertente histórica e didáctica à narração romanesca ou romanceada. De facto, há diversos críticos que salientam o facto de José Ruy ter ficado cá e não ter seguido mais sistematicamente a via romanesca, trilhada pelo mestre Eduardo Teixeira Coelho, o que pode tê-lo prejudicado nas suas possibilidades de maior divulgação no país e no estrangeiro. José Ruy tem tido, porém, um percurso de gradual maturação, com um estilo próprio e uma assinalável capacidade de ligação entre a capacidade técnica e a vitalidade criadora e imaginativa.» Guilherme d'Oliveira Martins [blogue do Centro Nacional de Cultura]

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[também do autor os títulos: “Mirandês – história de uma língua e de um povo” e “Mirandés – stória dua lhéngua i dun pobo”]

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mirandés i Mirandês



“Mirandés – stória dua lhéngua i dun pobo” (versão em língua mirandesa)
“Mirandês – história de uma língua e de um povo” (versão em língua portuguesa)
A história do povo Mirandês em Banda Desenhada, uma obra de José Ruy, com a coordenação científica de Amadeu Ferreira, autor este que assinou já várias obras em língua mirandesa obras de escritores latinos ( Horácio, Virgílio e Catulo ) e duas aventuras de Astérix.

L teçtemunho de José Ruy, l outor de la banda zenhada i de la stória:
«Tudo começou num almoço de trabalho com o meu editor e o Dr. Amadeu Ferreira, conhecedor profundo do historial da zona de Miranda do Douro, que abrilhantou o repasto com o seu entusiasmo e saber quanto à língua mirandesa e da sua formação através dos séculos. Aí surgiu a ideia de se fazer um livro em Banda Desenhada. Mais, iria ter também uma edição em mirandês, além do português.
Não fazia ideia, nessa altura, do modo como me ia apaixonar pelo tema e da grande amizade que me liga hoje ao Dr. Amadeu. À medida que ia recebendo as informações para construir a história, mais a minha admiração aumentava, principalmente pela disponibilidade e simpatia como eram enviadas.
Foram dois anos de trabalho, reunindo documentos, visitando o planalto mirandês tendo por guia este verdadeiro «embaixador» da língua, que se transformou no coordenador científico da obra.
Tudo foi estudado e revisto ao mais ínfimo pormenor. Mas depois dos esboços, entrei na execução dos originais, em formato maior, para serem digitalizados para a impressão na gráfica. E também aqui surgiu mais uma particularidade. Enquanto que nas décadas anteriores eu coloria com aguarela, sobre o papel dos originais, decidi repentinamente fazer as cores deste livro pelo processo digital. Foi uma luta na rápida aprendizagem do programa, numa corrida contra o tempo, pois havia compromissos a cumprir.
Assim, «Mirandês, História de Uma Língua e de Um Povo» não é mais um livro meu, ele significa um marco na minha carreira de 65 anos, na passagem do processo analógico usual, para o digital.

Sinto-me honrado e bafejado pela sorte, por ter tido a oportunidade de fazer esta história, e por ter trabalhado com o Dr. Amadeu Ferreira, usufruindo do seu grande saber e da sua sincera entrega.
Espero que quem veja e leia este livro, sinta o amor e dedicação que todos nós, incluindo o editor Dr. Baptista Lopes, empregámos na sua concepção.»
José Ruy
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...