segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

testemunho: de uma visita...

«Um pedaço ENORME de Trás-os-Montes

Tragamundos - Livros e Vinhos, Coisas e Loisas do Douro

UM REINO MARAVILHOSO

Ali em Vila Real, se descermos da igreja de São Pedro para a rua Miguel Bombarda, guiados e, com certeza, aconselhados, bem aconselhados, pelo santo pescador, descobrimos a TRAGAMUNDOS - LIVROS E VINHOS, COISAS E LOISAS DO DOURO, espreitando para o Corgo e alongando o olhar sobre a Universidade. 

Logo num primeiro reparo adivinhamos tratar-se dum espaço muito especial. A carta de visita no exterior chama-nos a atenção e aguça-nos a curiosidade. Uma loja de artesanato!? Uma livraria!? A montra apresentasse-nos replecta de livros, salpicada de artesanato e produtos regionais. Uma livraria, fundamentalmente, deduz-se. Deduz-se e acerta-se. A grande missão do espaço são os livros. São os livros sim, mas não quaisquer livros, percebe-se num olhar mais atento. Livros especiais, muito especiais, livros sobre Trás-os-Montes e Alto Douro ou autores da região. Mas as amostras de artesanato e productos regionais fazem também nascer água na boca. 

O impulso é irresistível! É, de facto. Passem, olhem e depois digam alguma coisa. Pois é, entraram, eu sei que sim! Entraram e, irresistivelmente, como que atraídos por um íman, pousaram os olhos numa mesa redonda logo à entrada. E lá estava o Padre Fontes na capa de um livro com os seus conjuros.

Não, os livros não estão arrumadinhos numa estante, onde mal se veem, nem tão pouco apilhados em lotes certinhos, nada apelativos, numa mesa sisuda. Estão ali naquela mesinha, misturados, enganadoramente desarrumados, uns debaixo dos outros, mas todos eles espreitando pelo canto do olho, aguçando-nos o apetite. E, de repente, descobrimos um Bento da Cruz. Pegamos-lhe, damos uma vista d´olhos e já a vista embateu num A. M. Pires Cabral. E, sem dar por ela, tropeçou até mesmo no “Vidas ilegais sem pecado”, vejam só.

Claro, folhearam o “Língua-Charra” com algumas dezenas de milhar de regionalismos e deliciaram-se. Já estou a imaginar: - Olha, “arrebunhar”! Na minha terra “tamém” se diz assim! Pois é, tudo ali nos faz mergulhar neste saboroso saudosismo transmontano-duriense!
Desconfio que, com um livrinho na mão para comprar, estenderam o olhar pela livraria e…, ops…, ali estava o tal REINO MARAVILHOSO que Torga tão bem descreveu! Sim, é verdade, olha-se e sente-se no ar o cheiro desse “nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia”. E lá estão as fragas e os penedos que por aquelas bandas falam. E ali falam com a rudez e sem a rudez, mas sempre com beleza, a beleza ímpar da terra grossa, fragosa e bravia, em forma de livros. Em forma de livros de e sobre transmontanos e Trás-os-Montes, durienses e o Douro.
Pois, eu sei, estavam ainda entalados entre os penedios falantes que vos absorviam a atenção e já o olhar arrebatado se escapulia, espalhando-se pelo artesanato…, e pelo azeite…, e pelos licores…, e pelo mel…, e pelas compotas…, e pelos vinhos…! Enfim, rios dessa saborosa rudeza que fariam ougar e encher de inveja o próprio Douro, e o Tua, e o Corgo, e o Tâmega!
Mas os vinhos! Oh (!), os vinhos…! Alguns, velhos como a Pedra Bolideira! As garrafas aparecem-nos ilusoriamente forradas a teias de aranha e envelhecidas de cento e tal anos. Sim, não me recordo exactamente, mas pode-se encontrar ali néctar dos Deuses com mais de cem anos, sim, cem, não é lapso. O preço!? Bom, o preço tem a ver com o ano da producção! Imaginem, mil oitocentos e qualquer coisinha! Eu, bem…, eu fiquei-me pela vontade.

E a desvendar-nos todo este nunca acabar de pedaços das terras de aquém Douro, o António Alberto Alves, anfitrião empenhado na arte de bem receber que um dia resolveu regressar às origens e dedicar-se à promoção desta terra e das suas gentes, criando a TRAGA – MUNDOS, VINHOS E LIVROS, COISAS E LOISAS DO DOURO. O gosto pelo que faz percebe-se à medida que vai falando de cada livro enquanto dissemina o saboroso néctar dos vinhos e dos licores no nosso imaginário ougante ou nos conta uma deliciosa estória acerca da produção de uma compota ou de uma peça de artesanato! Com a Traga-Mundos, organiza tertúlias, apresentação de livros, encontros de poesia, exposições e percorre as feiras literárias, levando o tal Reino Maravilhoso por aí fora, mesmo até à Galiza.

Pois é, estamos a sair e, olhando de soslaio por cima do ombro, já nos dá vontade de reentrar, tentados por mais um vinho que nos ficou atravancado, e pelo “Vidas ilegais sem pecado” que, afinal, nos apetece descobrir!

Bem haja, António! Bem haja, TRAGA-MUNDOS, LIVROS E VINHOS, COISAS E LOISAS DO DOURO, um nunca mais acabar do Reino Maravilhoso!»

Venâncio Gonçalves

1 comentário:

  1. Procuro uma vila portuguesa conhecida por "casal de sineiros" ou coisa parecida, de onde vieram antepassados para o Brasil, dos quais não temos mais informações.
    Como poderia descobrir isso?

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