terça-feira, 11 de agosto de 2015

A alma da gaita-de-foles mirandesa: palhetas e palhões


“A Alma da Gaita-de-Foles Mirandesa – Palhetas e Palhões” de Henrique Fernandes

A alma da gaita-de-foles mirandesa reúne, num só livro, todo o processo de construção, manutenção e informação da palheta, e do palhão, artefactos nobres que dão vida e beleza à gaita-de-foles.

Esta obra resulta das vivências do autor, através do contacto com a gaita-de-foles, da sua enorme paixão por este instrumento, do conhecimento adquirido com os antigos gaiteiros (Planalto Mirandês, Minho, Estremadura, Castela e Leão, e Galiza), e, em grande parte, da procura incessante de novos conhecimentos para apurar a técnica da feitura daquilo que nos faz identificar o inigualável som da gaita-de-foles.

Com este livro, o autor pretende manter viva a memória do presente, para serventia do futuro, deste instrumento secular, tão actual e apreciado nos nossos dias.

«Um artesão mirandês é o único construtor de palhetas e "palhões" no país destinadas em "exclusivo" às gaitas-de-foles de origem peninsular e pretende preservar este legado ancestral que considera a "alma do instrumento".
Henrique Fernandes disse à agência Lusa que no início a construção de palhetas para gaita-de-foles era um passatempo. Mas depressa se transformou num desafio, acrescentou.

"Actualmente, dedico-me com mais afinco ao estudo e fabrico destes artefactos musicais e, para o efeito, recorro ao conhecimento de velhos gaiteiros do Planalto Mirandês, Minho, Estremadura e, claro, da vizinha Espanha, já que a procura é constante por parte dos músicos", explicou o também gaiteiro.

Longe vão os tempos em que os gaiteiros tradicionais utilizavam cana cortada junto aos cursos de água da região e procuravam pequenos tubos de metal para construirem as suas próprias palhetas e "palhões". "Agora, o processo requer estudo e novos materiais elaborados com rigor", frisou.

O também gaiteiro quer mostrar todo o processo de construção das peças únicas, que são fabricadas numa pequena oficina situada em Sendim, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança.

"Uma boa palheta é fundamental para se conseguir um som mais genuíno. Por esse motivo, é preciso escolher os materiais e aplicar técnicas que permitam respeitar a tradição e integridade do instrumento", destacou.

Por semana, o artesão chega a construir algumas dezenas de palhetas. Porém, a sua procura é crescente e o "stock" depressa se esgota, tudo porque os instrumentistas aparecem um pouco de todo o país e da vizinha Espanha.

"A palheta vai-se degradando com o tempo e, por isso, cada tocador tem obrigatoriamente de ter as suas reservas", observou o artesão e instrumentista.No entanto, com o processo de padronização da gaita de fole na região da "Terra de Miranda" e o consequente número crescente de tocadores levam a uma maior procura de materiais nobres para o fabrico dos instrumentos.

Neste sentido, Henrique Fernandes apresenta, no sábado, no discurso do Festival Intercéltico de Sendim, o primeiro livro dedicado ao processo de fabrico destas peculiares peças sob o título "A Alma da Gaita-de-Foles Mirandesa - Palhetas e Palhões".

"A alma da gaita-de-foles mirandesa é o deixar presente e registado todo o processo para construção, manutenção e informação da palheta e do "palhão", "artefactos nobres" e os quais dão vida e beleza à gaita-de-foles", enfatizou o autor.

O instrumentista e artesão, concluiu afirmando, que a gaita-de-foles existe há muitos anos e está para durar e ficar, acrescentando que o livro será um contributo para "a memória do presente e para serventia do futuro".» Público, 31.07.2015

Henrique (Gaiteiro) Jesus Fernandes. Sendim, Miranda do Douro; Vila Real. Nascido a 19/7/1970. Militar, construtor, músico.

Bisneto e neto (António Augusto Fernandes) de gaiteiros, e também com a paixão pelos pauliteiros, com cerca de 14 anos em todo o lado lhe chamavam gaiteiro.
Começa com a flauta, o mais semelhante, aos 19 começa a tocar em “experiências escondidas”… Compra a 1ª gaita ao Ti Ângelo Arribas pelos 25, e vai treinando e gravando os gaiteiros que havia; através dessas recolhas e método de estudo, vai-se aperfeiçoando. Vai a Urrós, na senda da família de gaiteiros, e encontra José Maria Fernandes, primo segundo, e aprende com ele a calibragem/afinação do palhão e palheta e a técnica de digitação da gaita, transmitidas pelo pai desse. A necessidade, pela falta marcada e sentida de palheteiros, fá-lo aprender com ele e Manuel Paulo Martins a técnica de construção, que começa com 24-25 anos.
O grande salto foi a padronização da gaita mirandesa (cerca de 2007), que reforça a necessidade da existência de um palheteiro, instado por Célio Pires. Inicia o desenvolvimento da palheta à actual ponteira (escala cromática “perfeita” em M e m), que vem mantendo.
Com o sentido de saber mais sobre teoria musical e de instrumento, faz formação académica: curso de flauta transversal (o que mais se adequava ao estudo da gaita), no Conservatório de Vila Real, de que conclui o 5º grau, o que ajudou muito no aperfeiçoamento da construção da palheta e da digitação das várias escalas, uma formação de construção de palhetas para fagote e outra para oboé, um workshop de construção de palhetas em Santiago de Compostela e um curso intensivo de construção de palhetas em Madrid.
É o único palheteiro para gaitas de fole existente no país. Em Espanha, onde aprendeu, haverá uns 10, se tanto…                                           

Materiais usados: cana da ribeira tratada, tubo de latão cortado à medida e trabalhado, fio de nylon. Trabalho manual. Oficina ambulante.

Formou um trio tradicional (gaita, caixa e bombo), os Lenga Lenga, que é acrescentado depois de vozes femininas e posteriormente passa a quarteto instrumental e vocal, para os espetáculos em palco. Editam 2 CD’s (Gaiteiros de Sendim e L Teçtemunho). Toca flauta transversal e pastoril, gaita de fole, e ainda, concertina, viola e piano.
É professor de gaita de fole. Gostaria de transmitir a arte de palheteiro.» [blogue Arquivo de Memórias]

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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Raízes n.º 13 - edição de aniversário


“Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista” n.º 13, Agosto 2015
1 ano - edição de aniversário

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os números 1 (Agosto), 2 (Setembro), 3 (Outubro), 4 (Novembro), 5 (Dezembro), 6 (Janeiro), 7 (Fevereiro), 8 (Março), 9 (Abril), 10 (Maio), 11 (Junho) e 12 (Julho)]

 

sábado, 8 de agosto de 2015

14.ª Feira do Mel e do Artesanato


A Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real, irá participar com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na 14.ª Feira do Mel e Artesanato, que acontecerá nos dias 15 (sexta-feira), 16 (sábado) e 17 (domingo), em Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar.

«Evento de cariz cultural e económico, realizado no Parque Termal de Pedras Salgadas, destinado a realçar a produção de mel e artesanato do concelho, contando com a presença de um grande número de apicultores e artesões regionais. Visitado por pessoas de todo o país, verifica grande afluência. Privilegiam-se, na sua programação, espetáculos de música popular portuguesa. Os concursos de mel (qualidade do mel e rótulos), de doçaria confecionada com mel e de peças de artesanato, são momentos bastante concorridos e animados.»

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Portugal: Wine & Lifestyle


“Portugal: Wine & Lifestyle” de António Homem Cardoso e Margarida de Magalhães Ramalho

Portugal : Wine & Lifestyle  é uma publicação exemplar, onde um novo conceito de lifestyle se liga ao que de melhor existe em Portugal no vinho como na hotelaria. Ao longo da obra, o leitor viajará de Norte a Sul, reconhecendo o espírito do enoturismo de excepção: hotel, restaurante, spa e paisagens deslumbrantes completam-se entre si para oferecer experiências únicas. 

António Homem Cardoso, é fotógrafo profissional, com mais de 40 anos de carreira, tendo uma actividade reconhecida na publicidade, na moda e na edição, tanto nacional como internacional. Foi convidado pela Fujifilm para ser seu Embaixador em Portugal. É autor de mais de uma centena de livros publicados, de fotografias oficiais de muitos “Primeiros”, de Chefes de Estado e de personalidades do Mundo.


Margarida de Magalhães Ramalho, a autora, é licenciada em História de Arte. Entre 1987 e 2005 dirigiu as escavações arqueológicas na Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, em Cascais. Entre 1993 e 1998 pertenceu aos quadros da EXPO’98 onde comissariou algumas exposições. Como freelancer continuou a comissariar exposições sendo também co-autora do Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes.

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[também disponíveis os títulos: “Arquitecturas da Paisagem Vinhateira” Natália Fauvrelle (coord.), “Paisagens de Baco. Identidade, Mercado e Desenvolvimento. Regiões Demarcadas: Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada e Alentejo” de Ana Lavrador, “A Vinha e o Vinho em Portugal. Museus e Espaços Museológicos” Natália Fauvrelle (coord.), “Viver e saber fazer. Tecnologias tradicionais na Região do Douro. Estudos preliminares” Teresa Soeiro, Carlos Coelho Pires, Rui Cortes, José Alves Ribeiro, Hélder Trigo Marques, Gaspar Martins Pereira, Natália Fauvrelle, Nelson Campos Rebanda, José Alexandre Roseira, “Vinhos: arte e manhas em consumos sociais – A apreensão de uma prática sociocultural em contexto de mudança” de Dulce Magalhães, “Produzir e Beber. A Questão do Vinho no Estado Novo” de Dulce Freire, “Memórias do Vinho” de Maria João de Almeida e Paulo Laureano, “O Alto Douro – Um Espaço Contrastante Em Mutação” 4 volumes de Maria Helena Mesquita Pina, “Vinhos de Portugal . Da vinha ao vinho, variedades e regiões” de Ceferino Carrera, “Vinho do Porto e a Região do Douro. História da Primeira Região Demarcada” de Ceferino Carrera, “História do Douro e do Vinho do Porto – Volume 1 – História Antiga de Região Duriense” Carlos A. Brochado de Almeida (coord.), “História do Douro e do Vinho do Porto – Volume 4 – Crise e Reconstrução. O Douro e o Vinho do Porto no Século XIX” Gaspar Martins Pereira (coord.), “Outros Territórios do Vinho | Other Territories of Wine” de Manuel de Novaes Cabral edição bilingue, “O Alto Douro Entre o Livre-Cambismo e o Proteccionismo” de Carla Sequeira, “Memória de Pedra” fotografias de Claude Médale texto de Gaspar Martins Pereira, “Douro – Rio, Gente e Vinho” de António Barreto, “Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto” Manuel Pintão e Carlos Cabral, “Tratado de Viticultura – A Videira, a Vinha e o Terroir” de Nuno Magalhães (nova edição, revista e actualizada)]


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O falar de Barroso - o homem e a linguagem (fonética, léxico)


“O Falar de Barroso – O Homem e a Linguagem (Fonética, Léxico)” de Rui Dias Guimarães

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[também disponíveis os seguintes títulos: “Falares de Mirandela – um complemento do Mirandelês” de Jorge Lage, “Falar(es) do Zoio – Uma aldeia bragançana em meados do séc. XX” de António Afonso Evangelista, “Língua Charra – Regionalismos de Trás-os-Montes e Alto Douro” Volume I – A-E 568 p. | Volume II – F-Z 606 p. de A. M. Pires Cabral]

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Que é feito do Pastor João?

 

“Que é Feito do Pastor João?” de Mário Correia

Que é feito do Pastor João? é uma Novela histórica cuja acção decorre em 1941 em terras de Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo, baseada em factos verídicos.

«Não, não! Nunca mais soubemos nada dele. Nadinha! Também, sem família nem ninguém mais chegado a ele, quem é que se ia importar mais com o que lhe aconteceu? Cá na aldeia, nos primeiros dias ainda se foi falando no assunto mas passado pouco tempo já ninguém se lembrava mais disso. Se a gente fosse andar sempre a falar do que se passa!... A vida continua, não é? Mas olhe bem para o que lhe digo: o pastor João meteu-se nalguma! De certeza! Então ia lá desaparecer assim sem mais nem menos, sem motivo nenhum?! De um dia para o outro, zás!, desaparecia sem deixar rastro! Nah! Não me fio! Pode escrever aí: meteu-se nalguma alhada! Sabe: puseram para aí a correr que ele terá caído nalguma fraga e que a bicharada já lhe terá comido a carne! Nah! Eu cá não acredito: conhecedor como ele era daquelas canadas e ladeiras havia lá fraga que o atraiçoasse! Sim, sim, bem sei que tem para lá uns poços do inferno, mas ele era listo e nessas não se metia. Isto é o que se dizia, fique vossemecê a saber. Mas deixe que lhe pergunte: vai mesmo escrever um livro sobre a vida do pastor João?! Não sei o que é que tem de contar mas vossemecê é que sabe!...»

Mário Correia (Praia da Granja, 1952) iniciou em 1970 o seu percurso de crítico e divulgador das músicas tradicionais e populares, bem como de expressão folk e étnica, na revista MC-Mundo da Canção (criada em 1969), da qual chegou a exercer o cargo de director entre 1976 e Abril de 1998.
Como divulgador da música tradicional e popular portuguesa, assim como das suas congéneres europeias e latino-americanas, publicou numerosos artigos em jornais nacionais e revistas, quer nacionais quer estrangeiras. Realizou, também, durante cerca de cinco anos, alguns programas de rádio (RCP/Porto, RDP-Antena 1 e Rádio Nova-Porto/RCP-Lisboa).
Entre 1990 e 1998 integrou a equipa responsável pelo Festival Intercéltico do Porto e, desde 2000, realiza o Festival Intercéltico de Sendim, integrado nas actividades do Centro de Música Tradicional Sons da Terra, fundado em 2001 e com sede em Sendim (Miranda do Douro), com um catálogo de edições de recolhas musicais da tradição oral portuguesa que já ultrapassa uma centena e meia de títulos publicados.
Investigador na qualidade de membro colaborador do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional) da Universidade Nova de Lisboa, tem vindo a publicar, regularmente, várias obras consagradas às temáticas musicais. Membro da Academia de Letras de Trás-os-Montes e vice-presidente da Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa.
Foram-lhe atribuídos os seguintes prémios: XII Prémio Europeu de Folklore Agapito Marazuela (2007 – Segovia, Espanha) e Chosco de Oro (2010 – Navelgas, Astúrias). No ano de 2012 o Governo de Portugal concedeu-lhe a Medalha de Mérito Cultural.

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[também disponíveis os seguintes títulos do autor: “Toques de Sinos na Terra de Miranda” – contém CD-ROM, “Histórias de Vida dos Gaiteiros do Planalto Mirandês ...Que de Fol’gaita Tocavam”, “Tamborileiros & Fraiteiros da Terra de Miranda”; “Pairavam Abutres nas Arribas” (novela)]

terça-feira, 4 de agosto de 2015

As Metamorfoses


“As Metamorfoses” de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais

Um livro com texto inédito de Agustina Bessa--Luís e 50 pinturas de Graça Morais.
Agustina Bessa-Luís, inspirando-se nas Metamorfoses de Ovídio, revisita os seus romances e biografias, um mundo à parte povoado exclusivamente por mulheres de variadas vocações e destinos.
O que é a Metamorfose? É aquilo que faz de nós alguma outra coisa. Talvez por isso, este mundo de Agustina seja implacável para as mulheres que o habitam. O património genético reina; nem a educação, nem a vontade chegam para lhe fazer frente. "Sempre acabamos por ser o que somos na pluralidade dos nossos sonhos".
Graça Morais escolheu cerca de 50 telas que permitem ler de outra maneira o tema da Metamorfose. São imagens de mulheres poderosas e temíveis mas, ao mesmo tempo, desamparadas.
São estes os ingredientes para a edição de uma obra bela e de grande qualidade, fruto do trabalho assinalável de duas mulheres admiráveis, dois nomes de absoluta referência na cultura portuguesa contemporânea. Nesta obra podemos percorrer a humanidade inteira através de duas dimensões que se complementam na perfeição: o texto e as imagens.

«É uma "peregrinação" pelos mais de mais de 50 livros e quase 60 anos de escrita de Agustina Bessa-Luís. Uma circum-navegação lúcida pelas mulheres das suas obras, mapeada por epifanias, leituras e provocações. É um exercício de estilete fino partilhado com a pintora Graça Morais, num daqueles felizes acertos do destino.» Sílvia Souto Cunha, “Visão”

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[disponível também os títulos: “Camilo – Génio e Figura” e “Elogio do Inacabado” de Agustina Bessa-L
uís, “As Metamorfoses” de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais, “Vida e Obra – Agustina Bessa-Luís” por Fernando Pinto do Amaral, Inês Pedrosa, João Botelho, José Saramago, Luís Caetano, Manoel de Oliveira, Maria de Fátima Soares, Maria de Jesus Barroso, Mónica Baldaque e Urbano Tavares Rodrigues]


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A Eternidade das Ervas

“L’Eiternidade de las Yerbas / A Eternidade das Ervas” poemas (e)scolhidos Fracisco Niebro
augarielhas Manuol Bandarra

L’Eiternidade de las Yerbas | A Eternidade das Ervas, escrito em Português e Mirandês, foi um desejo de Amadeu Ferreira, com uma selecção de textos feita por si, entre as obras publicadas e inéditas, de Fracisco Niebro.
Os amigos fizeram algumas traduções em falta, e a organização dos textos, assim como das aguarelas que o seu irmão Manuol Bandarra fez para este livro, ficaram a cargo do filho de Amadeu Ferreira.  

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis do autor: “Tempo de Fogo”; “La Bouba de la Tenerie”, “Ars Vivendi, Ars Moriendi” (poesia), “Belheç / Velhice” de Fracisco Niebro; “Ditos Dezideiros – Provérbios Mirandeses” organização de Amadeu Ferreira; “Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino” de Amadeu Ferreira e “Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Modo de Hino” de Fracisco Niebro; “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro; “Mirandés – stória dua lhéngua i dun pobo” (versão em língua mirandesa) e “Mirandês – história de uma língua e de um povo” (versão em língua portuguesa) banda desenhada de José Ruy; “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy, traduçon para mirandês por Fracisco Niebro; “O Fio das Lembranças – Biografia de Amadeu Ferreira” de Teresa Martins Marques; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira; “NorteAndo” Amadeu Ferreira texto, Luís Borges fotografia; “L Mais Alto Cantar de Salomon” bersion mirandesa de Fracisco Niebro]

domingo, 2 de agosto de 2015

o conceito: foi há 4 anos...

FOI HÁ 4 ANOS...

Foi há quatro anos, no dia 2 de Agosto de 2011, que reabri actividade em Portugal, registando nas Finanças de Vila Real a Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro – Património Mundial, tendo como actividade principal a de livraria.

Chegara a 21 de Maio, no seguimento de um trabalho voluntário de quase cinco anos em Canchungo e na Região de Cacheu, na Guiné-Bissau, e de imediato me vi confrontado com a total ineficácia do Centro de Emprego local. Optei então por fazer avançar um projecto – e sonho – que tinha reservado apenas para o que se designa como “o tempo de reforma”: abrir um espaço multi-cultural de livraria e/ou alfarrabista. Em dois meses, (re)visitei a oferta de livrarias, também em diversas cidades, estudei catálogos de editoras, procurei lojas em Vila Real, iniciei contactos, etc. Sobretudo, dei um nome à iniciativa, criei o logotipo e redigi o seguinte conceito orientador – que se foi apurando:

«queremos construir uma referência quando se pensa na região de Trás-os-Montes, nomeadamente do Alto Douro Vinhateiro, seus autores e cultura, vinhos e tradições, produtos e artesanato...».

A 5 de Novembro de 2011 abri a porta da Traga-Mundos na rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28, na zona histórica da cidade e entre comércio tradicional, no espaço onde durante muitos anos esteve a notável Livraria Setentrião.

Estamos a montar um espaço com diversos nichos de interesse...

Uma livraria especializada na temática do Douro, incluindo álbuns de edição cuidada e guias (turísticos, vinhos, vinhos do porto, quintas, castas, etc)...
Onde estão presentes os autores locais e regionais com projecção nacional e universal –  A.M. Pires Cabral, António Cabral, João de Araújo Correia, Miguel Torga, Otílio Figueiredo, etc...
Obras em prosa ou poesia; romances, novelas e contos; livros técnicos e revistas temáticas; álbuns infanto-juvenis e de banda-desenhada; de edições de bolso a álbuns de fotografia; de guias turísticos a cd’s e dvd’s; de edições de autor a edições de associações e outras instituições; em português e an mirandés; num esforço para se reunir e apresentar num mesmo local a riqueza cultural e literária da região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Uma loja de vinhos do Douro, desde o vinho generoso – também denominado do Porto – ao vinho moscatel, com exemplares de aguardentes velhas. Iremos disponibilizar edições de 10, 20, 30 e mais de 40 anos, bem como LBV e Vintage...
Proporcionamos igualmente brancos e tintos, reservas e outras delicadezas, de produtores particulares da região – que não se encontram nos hipermercados...

Uma loja de mercearia fina: de compotas a ervas aromáticas, de chás a licores, de mel a frutos secos, de sabonetes naturais a azeite extra virgem, privilegiando produtos da agricultura local, familiar e tradicional...

Uma loja de artesanato, desde a olaria negra de Bisalhães a cutelaria, das máscaras a instrumentos de manufactura tradicional, da latoaria a outros artefactos...

Um local onde poderá igualmente encontrar informação turística, sobre eventos, romarias, restauração, alojamento, percursos, museus, igrejas e capelas, parques naturais, etc...

Um espaço de galeria de exposições (pintura, fotografia, escultura, cerâmica, artesanato, etc). Um espaço de diversos eventos (apresentações de livros, tertúlias temáticas, workshops, ateliers, oficinas, etc). Cuja porta é local de encontro e partida para um passeio pedestre ou de uma visita pela região. Um espaço onde simplesmente se está bem – por exemplo, confortavelmente no sofá vermelho!»

[para mais informações ver www.traga-mundos.blogspot.com e página Traga-Mundos no Facebook]

A todos vocês, amigos e familiares, clientes e produtores, escritores e artesãos, livreiros e editores, o nosso muito muito obrigado pelo apoio e interesse ao longo de todo este tempo – que é o que nos faz continuar, teimar, persistir...

António Alberto Alves
2 de Agosto de 2015

Nota: continuamos sem qualquer apoio das entidades responsáveis pela cultura, turismo, comércio, empresas, imprensa, empreendorismo e afins, na cidade de Vila Real e na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Exposição de desenho, colagem e poesia


“horas azuis” exposição de desenho, colagem e poesia
por Gil Machado
inauguração: dia 7 de Agosto de 2015 (sexta-feira), pelas 21h00
exposição: de 1 a 31 de Agosto de 2015
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


HORAS AZUIS

Nas horas azuis o sol ainda não chegou, ou acabou de se esconder.
Os seres humanos confundem luz com sombra e tocam-se em segredo, enquanto se abrigam do frio ou imaginam o que fazer quando alcançarem o mar.

Nas horas azuis o dia é uma promessa ou já quase uma memória.
As linhas ondulam nas folhas de papel como se existissem sozinhas. As imagens ganham a tonalidade aquática do lume, para mudarem e descobrirem em si outras cores, à medida que o dia caminha.

“Horas azuis” é apenas o nome do enorme esboço de um sonho.


GIL MACHADO

Nasceu em Vila Real de Trás-os-Montes em 1988. Desde então tenta, sempre sem sucesso, entender o que faz aqui. Mesmo assim vai fazendo algumas coisas. É arquitecto pela FAUP, actor nos tempos livres e gosta de fazer desenhos e escrever coisas sem sentido. Diz que qualquer dia muda de cidade. Tem um gosto especial por quartos com muitos livros ou florestas bem escuras.

SENHOR BALÃO

Não se sabe bem se tem forma de gente. Vive no espaço que vai da meia noite às duas da manhã, numa casa cheia de estrelas cujo telhado deixa passar a chuva. O corredor que vai da sala ao quarto é uma floresta escura com cheiro a musgo e a orvalho. É frequente ouvirmo-lo derrubar, sem querer, eucaliptos e os objectos que vai colecionando. Quando há muita luz, ou se nos distrairmos, simplesmente desaparece.



António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- de 1 a 31 de Agosto de 2015: montras de exposição / destaque de autores de e sobre Trás-os-Montes e Alto Douro, iniciativa do Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dias 14, 15 e 16 de Agosto de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na 14.º edição da Feira do Mel e do Artesanato, em Pedras Salgadas;
- dia 22 de Agosto de 2015, pelas 21h00: apresentação do livro “O Charco – Uma Família Com História” de Luís Castelo, orador convidado: Henrique Morgado, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 04 a 20 de Setembro de 2014: stand da livraria Traga-Mundos na Feira do Livro do Porto 2015.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Antologia de Autoras Transmontanas

“Por Longos Dias, Longos Anos, Fui Silêncio – Uma Breve Antologia de Autoras Transmontanas” organização de Hercília Agarez e Isabel Alves

«Em suma, esta antologia serve sobretudo para nos regozijarmos com Fui Silencio a reunião destas vozes. Que, em conjunto, elas possam contrariar a história que caracterizou as vidas de tantas das mulheres transmontanas, essa que Fracisco Niebro traduz nos seguintes versos: “ – não precisavam as mulheres de aprender a ler,/ pois os livros não tiravam a fome, não ganhavam/ jeira, nem levavam irmãos mais novos às/ cavalitas; (…) / – escola era aprender a cavar, a lavrar, a mondar,/ a ceifar, a cozer pão, a fiar, a fazer meia, ir em/ busca de lenha pelo monte...” 
A referência a Amadeu Ferreira (1950-2015), aqui sob o pseudónimo de Fracisco Niebro, torna-se imperiosa, pois foi ele quem, num primeiro momento, mais desejou esta antologia. Também uma palavra de especial carinho a Graça Morais que prontamente cedeu uma imagem para a capa – a representação de uma mulher – que, e parafraseando a artista, bem pode ser a figuração de uma árvore forte, cheia de raízes e dotada de uma grande energia. Que o grande silêncio de que fala o título desta antologia se transforme em amplo som – reverberação das vozes que aqui vos apresentamos.» Hercília Agarez e Isabel Alves, da Introdução

«Com este projecto, a Academia pretende ir ao encontro da literatura transmontana, da poesia, da arte e da investigação (neste caso, produzidas por mulheres); estamos a prosseguir as finalidades que presidiram à criação da nossa instituição: a valorização e a promoção das duas línguas do nosso País porque uma delas, o Mirandês, é no território transmontano que vive e floresce agora, mais do que nunca. Este desígnio ficou formalmente expresso na Introdução da obra, pelas suas coordenadoras: “embora se apresente como uma antologia ligada a uma região concreta de Portugal — Trás-os-Montes e Alto Douro—, tentou cultivar-se um olhar abrangente do ponto de vista geográfico, cultural e linguístico. Daí, por exemplo, alguns dos textos surgirem em mirandês” – a prova provada da nossa riqueza linguística e literária» António Tiza, Prefácio. 

As autoras: Adelaide Monteiro, Alcina Pires, Ana da Conceição Bernardo — pseudónimo Ana Bárbara de Santo António, Ana Ribeiro, Bina Cangueiro ye Piçporra i Ribeirinha, Cremilde da Conceição Esteves Alonso, Eduarda Chiote,  Graça Morais, Guida Nunes, Isabel M Fernandes Alves, Isabel Mateus, Lara de Leon, Laura Mónica Bessa-Luís, Lucília da Glória Verdelho da Costa Ladoucette, Luísa Dacosta, Maria da Assunção Anes Morais, Maria da Assunção F. Morais, Maria da Conceição Martins Pacheco, Maria Hercília Agarez de Campos Marques, Maria José Corrêa Pinto, Maria José Quintela Claro da Fonseca, Maria Júlia Ferreira Barros Guarda Ribeiro, Marília Miranda Lopes, Paula Salema, Raquel Serejo Martins, Regina dos Santos Sousa Gouveia, Teresa Almeida Subtil, Virgínia do Carmo.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível as seguintes antologias transmontanas: “A Terra de Duas Línguas II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira, “Vozes do Douro – Antologia de Textos Durienses”, “Palavras Que o Douro Tece – antologia de textos durienses contemporâneos” organização e coordenação José Braga-Amaral, “Vozes do Douro – Tomo II – Antologia de Textos Durienses”]


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sultão - o burro de Miranda


“Sultão – O Burreco Que Veio de Miranda” de Isabel Maria Fidalgo Mateus, ilustrações de Cristina Borges Rocha

Nesta narrativa a autora traça explicitamente um percurso de revalorização e de reinvenção de um mundo rural, no qual o desempenho da espécie asinina (quase) em vias de extinção é fundamental. Aliás, a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) considera que “Esta novela não é só uma estória: pouco tem de inverosímil e as peripécias que relata não dizem respeito apenas ao Sultão. Antes, cabem na vida do protagonista as histórias dos muitos burros que povoam e povoaram Trás-­os-­Montes nas últimas décadas, Burros de Miranda ou não. De companheiros de lavoura a fardos dispensáveis, tornou-­se premente a procura de novas funções que justificassem a sua existência e garantissem o seu bem­-estar. O reconhecimento da importância do seu papel no turismo, na educação ambiental e cívica ou na terapia assistida foi sem dúvida um grande passo. Mas o caminho para a sua dignificação ainda é longo”. Na verdade, o último capítulo da novela intitulado “O regresso ao Palheiro do Sultão” é a porta aberta para essa “dignificação” de que dá conta a AEPGA, porque se trata afinal do que corresponde na realidade atual ao Centro de Acolhimento do Burro de Pena Branca, Miranda. Em suma, este episódio retrata o final de um ciclo de vida que se (re)inicia no Centro de Valorização do Burro de Miranda, em Atenor, ou na loja de qualquer criador devidamente preparado e responsável.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os títulos: “O Trigo dos Pardais”, “Outros Contos da Montanha”, “Contos do Portugal Rural / Tales of Rural Portugal” introduction and translation by Patricia Anne Odber de Baubeta, “A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa”, “Farrusco – Um Cão de Gado Transmontano” ilustrações de Cristina Borges Rocha, “A Viagem de Miguel Torga”, “A Terra da Rainha – Retratos Portugueses no Reino Unido” “Contos do Portugal Rural” edição bilingue: português / chinês, tradução do curso de Mestrado de Tradução de Chinês / Português do Departamento de Português da Universidade de Macau; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” e “Por Longos Dias, Longos Anos, Fui Silêncio – Uma Breve Antologia de Autoras Transmontanas”]

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Linha do Vale do Sabor


“A Linha do Vale do Sabor – Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora”
coordenação Carlos d’Abreu

«Este livro surge da decisão de trazermos ao “lado republicano” da Península Ibérica, o “PAN – Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda”, que este ano terá a sua 13.ª edição consecutiva em Morille (Salamanca) e a 1.ª em Carviçais (Torre de Moncorvo). Facto só possível, graças de à sua organização se haver agregado o nosso conterrâneo e antigo condiscípulo do Liceu de Moncorvo, António Manuel Lopes, Oficial Superior do Exército Português na reserva e agora Editor, para além de Escritor com o pseudónimo de António Sá Gué. Sem ele, não teria sido possível abalançarmo-nos nesta aventura. Juntos congregámos esforços e vontades, reunimos amigos, conterrâneos e também três autarcas – o Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, o Alcalde do Ayuntamiento de Morille e o Presidente da Junta de Freguesia de Carviçais.
Será talvez despeciendo referir o programa do mencionado festival, porque este livro será durante a sua realização publicamente apresentado, tanto em Morille como em Carviçais. Contudo sempre diremos que, paralelamente, teremos várias exposições e outras colaborações, nomeadamente: uma exposição que pretende contar o passado, o presente e o futuro, que para ela queremos; duas exposições de fotografia, uma sobre a ferrovia em geral e outra relativa à sua obra-de-arte mais famosa, a ponte do Pocinho; um vídeo relativo à última viagem sobre carris; uma exposição de pintura a aguarela de temática ferroviária; um diaporama de fotografias antigas; um recital poético-ferroviário e animação musical.


Sendo Carviçais atravessada por um caminho-de-ferro – a Linha do Vale do Sabor –, fácil foi achar o mote para a secção do Património do PAN de 2015. Além do mais as questões ferroviárias, mormente raianas, são tema de nosso especial agrado e às quais vimos dedicando parte da nossa investigação, a maioria dela em parceria com o nosso velho amigo Emilio Rivas Calvo.
Bastar-nos-iam (talvez) os nossos trabalhos publicados em actas de congressos ou revistas de ciência e cultura, para agenciar material suficiente que desse corpo a um livro. Não obstante, preferimos fazer dele um trabalho colectivo, que incluísse colegas de outras áreas científicas. Mas não ficámos por aí, abrimo-lo também aos ficcionistas, aos poetas e aos artistas, pois o Caminho-de-Ferro, desde que começou a ser inaugurado, passou a ser tema transversal à sociedade, por ser símbolo de Progresso, em Portugal e no resto do Mundo.
Consequentemente, trouxemos para este livro, não só os éditos que nos pareceram mais elucidativos e andavam dispersos, como a participação original de vários Amigos, em todas essas áreas.
Quando se começou a aproximar a passagem do centenário da inauguração ao público da sua primeira secção – do Pocinho a Carviçais (1911-2011) –, o assunto foi tema para algumas das nossas intervenções na Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo, lembrando nelas a necessidade de prepararmos condignamente essa efeméride, até para chamar a atenção do seu estado de completo abandono e necessidade da sua recuperação e reactivação, pois ele continua hoje, assim como no século XIX, a ser imprescindível ao desenvolvimento desta Região. Desgraçadamente, os mercenários do Poder Autárquico de então, nada queriam com o que pudesse beliscar os interesses dos amos e, a efeméride passou em branco.
Mas chegou agora o momento, não já a tempo de lembrarmos o centenário, mas de comemorarmos o 104.º aniversário (da primeira inauguração) e o 34.º do seu abandono (enquanto transportadora de passageiros).


É este livro dedicado, como atrás tiveram oportunidade de verificar, a muita gente, pois o Caminho-de-Ferro, este e todos os outros, é e será, Obra de muitos e de sucessivas gerações.
Dedicámo-lo em jeito de homenagem póstuma, a todos aqueles que sonharam um Caminho-de-Ferro para a Região, os que o idealizaram, os que o projectaram e os que o construíram (sob condições tão difíceis nesta áspera orografia). Mas nessa homenagem tivemos de incluir dois conterrâneos e Amigos, para tristeza nossa: Amadeu Ferreira, o grande obreiro da Língua Mirandesa – que a morte já não permitiu que nele participasse apesar de ainda convidado – e Leandro Vale, o director do Teatro em Movimento, que levou esse género artístico, durante 40 anos, aos locais mais recônditos do NE português. Mas este, ainda teve oportunidade de connosco rever uma sua peça, na qual chama a atenção para o declínio da ferrovia na nossa Região.
Nesta homenagem, não esquecemos os que ainda hoje acreditam na viabilidade da sua reconstrução, reabertura, conclusão até Miranda do Douro e sua continuação até Zamora – por ter sido essa a ideia inicial de quem foi incumbido de o projectar – para se conectar ao AVE (Comboio de Alta Velocidade), que dentro em breve passará por essa cidade do Baixo Douro.


Será correcto lembrar que, estando a freguesia de Carviçais indelevelmente ligada à Linha do Vale do Sabor, quando os inimigos da Região venderam a um sucateiro correlegionário (todos eles hoje a contas com a Justiça), os carris e demais material ferrífero, os carviçaleiros juntaram-se e compraram o depósito metálico elevado de abastecimento de àgua às locomotivas, junto da estação – a anunciá-la aos passageiros com CARVIÇAIS em grandes letras – hoje o único vestígio deste caminho-de-ferro, para além dos imóveis degradados.
É este um livro completamente integrado na cultura da região onde se insere esta Freguesia, porquanto contém textos nas três Línguas: a Portuguesa, a Castelhana e a Mirandesa, que o mesmo será dizer, na Leonesa Ocidental.
Resta-nos agradecer a todos que nele colaboraram, incluindo os colegas da organização do PAN, não olvidando uma referência, à freixenista Odete Comenda e à loiseira Paula Machado, representantes da associação CARAVA Ibérica de Cooperação, por todo o apoio moral e material a este projecto, bem como, na fase final, ao jovem quinteiro-quebradense Carlos Manuel Ferreira.» Carlos d’Abreu, Prefácio

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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Inverno mágico - ritos e mistérios transmontanos


“Inverno Mágico – Ritos e Mistérios Transmontanos” Volume I e II de António Pinelo Tiza

«(…) este Inverno Mágico de António Pinelo Tiza vem colmatar da melhor forma um vazio que existia no estudo e divulgação de todo o conjunto de rituais do Nordeste Transmontano no ciclo invernal. É, efectivamente, um trabalho notável fruto de um labor dedicado de muitos anos. Neste trabalho de António Tiza impressiona a quantidade (e singularidade) de festividades cíclicas que se realizam nesta região portuguesa no período que vai desde o dia 1 de Novembro (antiga festa de Samain dos celtas) até ao período do Carnaval.

Inverno Mágico – Volume I 
Tempo e espaço são dois elementos essenciais a qualquer estudo antropológico ou etnográfico.
Neste contexto, os ritos festivos do Inverno Mágico – Volume I acontecem no tempo cíclico da estação que, no espaço da Terra Fria do Nordeste Transmontano, se inicia no mês dos Santos e se prolonga até aos alvores da Primavera. São ritos de culto aos mortos, festas solsticiais herdeiras das antigas Saturnais, ritos de passagem de uma a outra idade na vida dos jovens iniciados, mascaradas de esoterismo espontâneo e funcional, festas da fertilidade ou de culto ao pão, bacanais das Calendas de Janeiro, libações, comidas comunitárias e celebrações dos prolegómenos da tão ansiada Primavera, com a ritualidade que a práxis cristã e medieval determinam e que ciclicamente se cumpre.
Por tudo isto, é justamente este o mais emblemático ciclo festivo deste “reino maravilhoso”. O clima rigoroso, as neves e geadas de rachar, as terras de montanha e de povoamento concentrado forçam o aconchego do lar e o convívio comunitário, carregado de ritos ancestrais de uma magia tão profunda que só aquele que os vivencia os poderá assimilar em toda a sua plenitude. O autor deste livro, sendo um filho desta terra, aprofundou o conhecimento destes rituais através do método que os antropólogos designam de investigação-acção, ao longo de três décadas de vivências conjuntas com aquelas comunidades que teimam em manter vigentes estas tradições milenares.

Inverno Mágico – Volume II
No decurso da década seguinte à publicação do Inverno Mágico, foi o autor constatando que “outros ritos e mistérios” persistiam em celebrar-se com força e vigor. Sentiu, pois, que muito havia para fazer/pesquisar. Da continuação dos trabalhos de campo resultou uma reflexão sobre o evoluir da práxis decorrente da contemporaneidade, constatada nas novas tecnologias da comunicação, da revitalização de celebrações perdidas ou da introdução de encenações que, embora radicados na tradição, se orientam agora para a inevitável “turistização”.
Rituais perdidos que renasceram ou que ganharam uma dimensão nunca sonhada, adequação de celebrações festivas à modernidade, reconstrução de ritos de inspiração antiga, de tudo um pouco ocorreu nesta década do pós-Inverno Mágico. O aprofundamento dos ritos “esquecidos” no primeiro volume é neste uma constante, a par de algumas revelações. Era inevitável que assim fosse; num território tão vasto e tão rico, nem tudo era possível conhecer e muito menos aprofundar; a sua coincidência no tempo cíclico exige mais tempo para a todos acorrer; provavelmente, este processo de reconhecimento não terminou. Assim, os ritos de entrada na estação escura consolidam os anteriores da lenha dos Santos, acrescidos das celebrações do vinho novo; outras festas solsticiais (antes adormecidas) renasceram e as mesinhas do milagroso e mártir Sebastião ganharam agora um vigor nunca antes visto. Como consequência destes fenómenos, o presente Inverno Mágico alargou o seu âmbito espacial a uma boa parte do território de Trás-os-Montes; o seu tempo cíclico prolongou-se até à Semana Santa que, sendo movediça, se celebra ainda no Inverno (o transmontano) que neste “reino”, é de “nove meses”. E, acima de tudo, mágico.

António Pinelo Tiza é natural de Varge, Bragança. Estudou Teologia em Bragança e Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura. Defendeu a tese de doutoramento em Ciências Sociais na Universidade de Valladolid, com a classificação de “Sobresaliente cum laude”. Foi professor do ensino básico, secundário e superior.
Foi Presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano (1998-2002). Actualmente desempenha as funções de Presidente da Direcção da Academia Ibérica da Máscara e Vice-Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. É membro da Associação Portuguesa de Escritores. 

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[também disponível do autor o título: “O Diabo e as Cinzas”]

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Receitas silvestres: 28 receitas vegetarianas


“Receitas Silvestres – 28 receitas vegetarianas”
escrito, ilustrado, encadernado por
Rita Roquette e David Michael Callson

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[também disponível dos autores o título: “Guia Artesanal de Plantas Selvagens – usos culinários, medicinais, hortícolas e artesanais”]