segunda-feira, 18 de maio de 2015

Visita à Casa Museu Aires Torres, Parada do Pinhão


Visita à Casa Museu Aires Torres
por João Luís Sequeira Rodrigues
dia 24 de Maio de 2015 (domingo), das 8h00 às 14h00
em Parada do Pinhão, Sabrosa, Vila Real


«José Augusto Aires Torres nasceu a 18 de Maio de 1893, em Parada do Pinhão, filho de José Augusto Artur Fernandes Torres e de Ana Maria Aires Vilela. Contudo o seu nascimento ficaria registado como tendo acontecido no dia 28 de Maio de 1893, o que, dada a coincidência com a data do golpe que instaurou a ditadura em 1927, levaria a que Aires Torres ironizasse na celebração desta data.
Aires Torres foi influenciado pela figura do pai, um notável engenheiro civil responsável pela construção do caminho-de-ferro de Moçamedes, uma das grandes obras do colonialismo português e que se destacou, enquanto senador, em 1920, por defender um regime de progressiva independência das colónias africanas, o que lhe viria a causar problemas políticos.
Ficou também marcado pelo meio onde nasceu e que moldou a sua personalidade. Ao longo de toda a vida e obra se referiu a uma infância feliz percorrendo e contemplando as montanhas, as árvores e os rios e aludindo ao amor que sentia pela sua terra natal. Isto é visível, tanto na correspondência que trocou com amigos e familiares, como nos seus livros de poesia.
Aires Torres possuía uma personalidade muito forte de traços bem vincados. Tal como o mundo que o rodeava, Aires Torres era um homem austero, orgulhoso, rígido defensor de princípios éticos e políticos sobre os quais não fazia qualquer tipo de concessões, contemplativo, solitário, que detestava a vulgaridade e a incoerência. Era também um homem extremamente frontal, com um sentido de humor corrosivo que fácil e frequentemente se revoltava com as injustiças. Por outro lado, desde cedo revelou ser um dotado para as artes: representava, tocava piano e viola, cantava e pintava.
Por solicitação do seu tio Zeferino, Aires Torres frequentou o Colégio de Lamego entre 1908 e 1910
Entre 1911 e 1914 frequentou a Escola de Arte de Representar (actual Conservatório Nacional) que concluiu com nota máxima e obtido o 1º prémio desta escola, tendo sido nomeado pelo governo para o quadro do Teatro Nacional.
Foi recrutado para o exército, seguindo, a 27 de Dezembro de 1914, para a guerra em Angola, integrado na coluna de operações ao Sul de Angola, comandada pelo general Pereira d’Eça, onde permaneceu até 17 de Outubro de 1915.
Regressou, então, a Portugal. Retomou a carreira de actor, tendo representado no Teatro Nacional a peça Furtar , da autoria de Bento Mântua.
Contudo, em 21 de Julho de 1917, foi novamente mobilizado desta vez para integrar o Corpo Expedicionário Português que iria participar na I Guerra Mundial, na Flandres. Aires Torres só regressaria a Portugal a 17 de Fevereiro de 1919.
Foi então colocado em Vila Real, no Regimento de Infantaria 13.
Em Fevereiro de 1923, já a viver no Porto, Aires Torres publicou na revista A Águia o poema A Fogueira na Montanha, iniciando assim a sua carreira enquanto poeta.
Em 1925, publicou o primeiro livro de poemas intitulado Inquietação, que recebeu os elogios da crítica especializada e de personalidades letras como Teixeira de Pascoais, Hernâni Cidade ou Sant’Anna Dionísio, entre outras.
Em 28 de Maio de 1926, fruto da decadência do regime republicano, deu-se o golpe que haveria de instaurar a ditadura em Portugal.
Percebendo que o regime ditatorial era nefasto para o país, o movimento do Reviralho formado um conjunto de democratas e republicanos, entre os quais se contava Aires Torres, começou a organizar um golpe revolucionário na tentativa de depor a ditadura
            O golpe eclodiu no Porto a 3 de Fevereiro de 1927, no qual Aires Torres teve uma participação activa.Contudo, esta tentativa revolucionária não decorreu conforme o previsto. Aires Torres, ferido num braço no dia 6 de Fevereiro, foi internado no Posto da Cruz Vermelha. No dia 7 de Fevereiro, o golpe fracassou e Aires Torres fugiu do Posto da Cruz Vermelha tendo encontrado refúgio em Vigo.
            De Vigo, onde permaneceu algumas semanas, Aires Torres seguiu para Paris, onde colaborou na criação da Liga de Paris que tinha como objectivo a reorganização do movimento democrático e a deposição do regime ditatorial que vigorava em Portugal.
Nessa altura o jornal clandestino O Reviralho publicou um poema de Aires Torres intitulado Á Carga, no qual exprimia revolta perante a situação política que então se vivia em Portugal.
Dificuldades de subsistência determinaram que poucos meses depois, em Maio de 1927, Aires Torres tenha regressado a Portugal onde passou a viver na clandestinidade, ocupando-se na organização de actividades subversivas que visavam o derrube do regime ditatorial.
            Na sequência dessas actividades, Aires Torres acabaria por ser detido, em Janeiro de 1929, e preso na Casa de Reclusão da Trafaria. Meses depois evadiu-se da prisão da Trafaria de forma espectacular, contando também para isso com a ineficiência dos serviços prisionais e policiais naquela época.
            Voltou então à clandestinidade e à organização de golpes, sendo rotulado pela polícia como “um dos principais agitadores de aquém Coimbra”. Aires Torres viria a ser novamente preso em 14 de Junho de 1932, ficando detido na Casa de Reclusão do Porto até 7 de Dezembro de 1932, data em que foi libertado ao abrigo da amnistia decretada pelo governo de Salazar aquando da instauração do Estado Novo.
Regressou então à vida militar, percorrendo várias unidades pelo país e repetindo-se os conflitos com as hierarquias militares e consequentes processos disciplinares.
Em 1946, tendo já abandonado o exército, Aires Torres, a convite do Conde da Covilhã (Dr. Júlio Anahory de Quental Calheiros), passou a exercer funções de Chefe dos Serviços de Propaganda da Mabor, Fábrica de manufactura de borracha, fundada em 6 de Abril de 1946.
Ainda em 1946, Aires Torres publicou o seu segundo livro de poemas intitulado Anda às Voltas o Mundo, no qual expressava a sua visão do mundo na ressaca da II Guerra Mundial, e numa época em que Portugal vivia em pleno regime Estado Novo.
Tal como Inquietação, também Anda às Voltas o Mundo recebeu o elogio da crítica literária da época, apesar de ser um livro onde eram visíveis as tendências oposicionistas do autor.
            Nesse mesmo ano viria a falecer precocemente o seu filho Fernão, episódio que marcou profundamente o poeta.
Em 1958, Aires Torres iniciou uma colaboração esparsa no Jornal de Felgueiras no qual publicou alguns dos seus poemas.
            Os últimos anos de vida, antes de adoecer, Aires Torres passou-os no na Casa da Lage, em Celorico de Basto, de onde contemplava o “seu” Marão e no Porto lendo e escrevendo, participando nas tertúlias do café A Brasileira e do Ateneu Comercial do Porto. Faleceu com 84 anos, no dia 10 de Fevereiro de 1979, na sua casa da Rua Alves da Veiga, no Porto.
            Visitar a Casa Museu Aires Torres, em Parada do Pinhão, é uma oportunidade para conhecer mais de perto aspectos da vida e obra de uma personalidade que tomou parte em alguns dos mais significativos episódios da história e da cultura portuguesa do século passado.» João Luís Sequeira Rodrigues


O ponto de encontro é na livraria Traga-Mundos, pelas 8h00, para organizarmos o transporte de todos os participantes – quem tiver lugares livres no seu carro poderá dar boleia a quem não tem transporte. Quem estiver mais próximo de Mesão Frio, o ponto de encontro será à porta da Casa Museu Aires Torres, a partir das 9h00.

Participação grátis, mediante inscrição (até 23 de Maio) na Traga-Mundos, ou pelos seguintes contactos: 259 103 113, 935 157 323, traga.mundos1@gmail.com.


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- de 1 a 30 de Maio de 2015: exposição “A Arquitectura Sen Arquitectos: A Arquitectura Anónima A Través dos Traballos de Vicente Risco” da Fundación Vicente Risco, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 19 de Maio de 2015 (terça-feira), pelas 21h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, na Universidade Sénior | Centro Cultural em Vila Real;
- dias 26 e 27 de Maio de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na 19.ª Feira de Minerais, na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Vila Real;
- dias 29, 30 e 31 de Maio de 2015: exposição / venda de livros galego-portugueses, “Actos da Cultura Galego-Portuguesa”, Cultura Que Une, Amarante;
- dia 6 de Junho de 2015 (sábado), pelas 21h00: “Prevenção da Saúde com Plantas Medicinais” por Maria Feliz, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 7 de Junho de 2015 (domingo), pelas 15h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, em Vilar de Maçada;
- dia 7 de Junho de 2015 (domingo), pelas 17h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, em Cabêda;
- dias 10, 11, 12, 13 e 14 de Junho de 2015: exposição / venda de livros galego-portugueses, “Actos da Cultura Galego-Portuguesa”, Cultura Que Une, na livraria Linda Rama, na Corunha;
- dias 16, 17 e 18 de Julho de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no PAN - Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda, em Morille, Salamanca;
- dias 24, 25 e 26 de Julho de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no PAN - Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda, em Carviçais, Torre de Moncorvo.

domingo, 17 de maio de 2015

Apresentação de livro sobre Aníbal Milhais, o Soldado Milhões


Apresentação de livro sobre Aníbal Milhais, o Soldado Milhões
apresentação a cargo do Dr. António Guilhermino Pires, com a presença do autor Francisco Galope
dia 23 de Maio de 2015 (sábado), pelas 21h00
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


“O Herói Português – da I Guerra Mundial” de Francisco Galope

De anónimo nas trincheiras a herói nacional, a história de Aníbal Milhais, o soldado Milhões.

Na Batalha de La Lys, o soldado Milhões ficou para trás e cobriu a retirada dos camaradas. Durante vários dias vagueou por trincheiras e descampados, sobrevivendo graças à sua metralhadora e a um pacote de amêndoas da Páscoa. Ao regressar ao acampamento, depois de salvar civis e matar militares alemães, foi recebido como um herói. Porém, no regresso a casa, cai no esquecimento, apesar de ter recebido a mais alta condecoração. Só anos mais tarde, o regime decide fazer dele um símbolo do amor à pátria…
«A história do Milhões tem qualquer coisa de conto de fadas. Quando o seu filhito tiver idade de ouvir histórias, se alguém o tomar sobre os joelhos e lhe contar a de seu pai, o pequeno tem de abrir uns grandes olhos, como se lhe relatassem o caso do Grão de Milho ou da Gata Borralheira.» André Brun in “Diário de Lisboa” (1924)


«Aníbal Augusto Milhais, o conhecido “Milhões”, nasceu em 9 de Julho de 1895 e faleceu em 3 de Junho de 1970. Ainda não tinha 22 anos na data em que embarcou para a Flandres, incorporando o Corpo Expedicionário Português (CEP), no final de Maio de 1917, como militar do Regimento de Infantaria 19.
Vindo de Valongo (a que mais tarde se juntou “de Milhais” em sua honra), no concelho de Murça, Aníbal Augusto fazia parte do grande grupo de incorporados que nunca saíra do seu torrão. Muito saberia da vida, mas não conseguia adivinhar que, com o passar dos tempos, o seu nome viraria lenda, o seu rosto de herói desafiaria a memória numa praça da sua sede de concelho e a sua vida seria resguardada numa biografia publicada no primeiro ano do centenário da Grande Guerra, aquela em que ele se expôs diariamente à fortuna e de onde conseguiu regressar, contrariamente ao que foi o fado de camaradas de armas e de amigos e vizinhos.
Francisco Galope, jornalista, encontrou-se com a narrativa do soldado “Milhões” em 2008, quando preparava uma reportagem com informação de carácter histórico para a revista “Visão – História”, para um número que assinalaria os 90 anos do fim da Grande Guerra e da assinatura do Tratado de Versalhes. Mas a descoberta pedia mais do que uma reportagem e, cinco anos depois dessa publicação, Francisco Galope apresenta a biografia de Aníbal Augusto Milhais, o “Milhões” da lenda, sob o título “O herói português da I Guerra Mundial”.
Curiosamente, a forma de Aníbal Augusto ter ascendido ao lugar de herói ficou a dever-se a um jornal, o “Diário de Lisboa”, quando corria o mês de Abril de 1924, que desencantou o combatente transmontano e o fez andar num périplo que teve vários pontos altos de reconhecimento e de vivência, como foi, por exemplo, o da presença na Batalha, quando no dia 9 desse mês ali se procedeu à inauguração do lampadário junto do túmulo do “soldado desconhecido” (criado em 1921), homenagem aos caídos na Grande Guerra, em data cara para Milhais: fora na sequência da sua acção, em 9 de Abril de 1918, ao defender-se e ao defender muitos dos seus camaradas perante o inimigo alemão, que ele se tornou numa imagem do heroísmo no campo de batalha. Posteriormente, o desabafo de um dos seus comandantes, João Maria Ferreira do Amaral, ao dizer-lhe, num jogo de palavras, que ele ”era Milhais, mas valia Milhões”, abria-lhe a porta para a memória, de tal maneira que, no pedestal de Murça, a frase do comandante surge lavrada em lápide.
Se, em 1921, Menezes Ferreira contou a história heróica dos soldados portugueses, construindo uma personagem que seria resultado das vivências de todos eles, na obra “João Ninguém – Soldado da Grande Guerra” (contendo tanto de épico como de humorístico como de crítico), se designações como “serrano”, “gambúzio” ou “folgadinho” assentavam na tipificação do soldado herói português que combateu na Grande Guerra, o conhecimento de “Milhões” deu um rosto, um corpo e um sentir a esse herói, várias vezes aclamado, em diversas oportunidades alcandorado a representante da valentia dos homens do CEP.
Francisco Galope marcou encontros vários com a memória de “Milhões”, fosse através da leitura do que disseram os jornais, da consulta ao arquivo da RTP (onde surge registo de entrevista com o herói de Valongo de Milhais) e nos arquivos militares, fosse por via de fontes orais de familiares do “Milhões”, fosse ainda pelo recurso à literatura memorialística portuguesa deste período (cujos títulos vão sendo referidos ao longo da obra). Todo este viajar pela pesquisa no sentido de ser reconstituída uma biografia permitiu ao autor a elaboração de uma tela completa do que pode ter sido a vida de Aníbal Milhais, sobretudo na experiência na trincheira da Flandres. Afinal, aquilo por que Milhais passou não terá sido diferente do que foi vivido pelos outros companheiros conforme registado pelo memorialismo. Assim, Francisco Galope preenche lacunas, dando a imagem possível do herói e do seu feito.
O desenvolvimento da narrativa vai sendo sujeito a reflexão do próprio narrador, que, frequentemente, se cola ao seu protagonista no sentido de o entender ou de justificar as suas atitudes, sempre com o objectivo de tornar a narrativa mais viva, quase como se uma memória se reproduzisse, não esquecendo pormenores como o da maneira de falar ou o da linguagem utilizada, sobretudo no que diz respeito a gíria militar, ou mesmo o que advém da possibilidade de adivinhar o que correria no pensamento do soldado e na sua maneira de ver o mundo.
Aníbal Milhais não sai endeusado, antes nos é apresentado um cidadão, que, perante uma experiência rara e intensa, em que havia a vida para defender, hesita, ganha, perde e luta, não visando ser herói, mas procurando a sobrevivência, agindo com a naturalidade que a vida lhe ensinou. Francisco Galope, apesar do título dado ao livro, é cauteloso no apuramento da verdade em torno do gesto que fez Milhais subir ao estatuto de “herói” (o que se terá passado em Huit Maisons em 9 de Abril e nos dias subsequentes), apresentando, no final, documentos de Ferreira do Amaral e de David Magno, um justificando o reconhecimento e a atribuição de galardão a Milhais e o outro assumindo que o feito do soldado transmontano não foi mais glorioso que o de muitos outros dos seus homens, ainda que reconhecendo Magno que a imagem do “Milhões” se transformou em “símbolo dos nossos humildes soldados”.
Uma biografia a ler. Porque dá uma imagem do que foi a vida dos portugueses nas trincheiras, porque recria com base em fontes importantes um aspecto da participação portuguesa na Flandres, porque, ainda que falando de um “herói”, o humaniza. E porque, tal como nas histórias que conhecemos, não ficamos a saber tudo sobre os heróis, apenas o essencial.» João Reis Ribeiro, blogue Nesta Hora

Francisco Galope é jornalista. Passou pelo Correio da Manhã e pela Agência Lusa, entre outros órgãos de comunicação. Actualmente é redactor principal da revista “Visão”, onde trabalha desde 1999.


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os títulos: “Aníbal Milhais – Um Herói Chamado Milhões” texto José Jorge Letria ilustrações Nuno Saraiva, “A Saga de Um Combatente na I Guerra Mundial – de Chaves a Copenhaga” de Gil Manuel Morgado dos Santos e Gil Filipe Calvão Santos]


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- de 1 a 30 de Maio de 2015: exposição “A Arquitectura Sen Arquitectos: A Arquitectura Anónima A Través dos Traballos de Vicente Risco” da Fundación Vicente Risco, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 19 de Maio de 2015 (terça-feira), pelas 21h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, na Universidade Sénior | Centro Cultural em Vila Real;
- dia 24 de Maio de 2015 (domingo), das 8h00 às 14h00: visita à Casa Museu Aires Torres, por João Luís Sequeira Rodrigues, em Parada do Pinhão, Vila Real;
- dias 26 e 27 de Maio de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na 19.ª Feira de Minerais, na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Vila Real;
- dias 29, 30 e 31 de Maio de 2015: exposição / venda de livros galego-portugueses, “Actos da Cultura Galego-Portuguesa”, Cultura Que Une, Amarante;
- dia 6 de Junho de 2015 (sábado), pelas 21h00: “Prevenção da Saúde com Plantas Medicinais” por Maria Feliz, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 7 de Junho de 2015 (domingo), pelas 15h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, em Vilar de Maçada;
- dia 7 de Junho de 2015 (domingo), pelas 17h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, em Cabêda;
- dias 10, 11, 12, 13 e 14 de Junho de 2015: exposição / venda de livros galego-portugueses, “Actos da Cultura Galego-Portuguesa”, Cultura Que Une, na livraria Linda Rama, na Corunha;
- dias 16, 17 e 18 de Julho de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no PAN - Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda, em Morille, Salamanca;
- dias 24, 25 e 26 de Julho de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no PAN - Encontro e Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda, em Carviçais, Torre de Moncorvo.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

traga_contos na Galiza


“Era uma vez...
Numa rua de uma cidade existia um espaço, uma casa, um mundo diferente de todos os outros mundos quem lá entrava levava mundos, mas, assim como levava também deixava um pedacinho do seu próprio mundo. 
Naquele espaço, naquela casa, naquele mundo diferente de todos os outros de dois em dois meses partilham-se histórias, contos simples de tempos que já lá vão e de outros tempos que estão por vir, contos, histórias daquelas que nos fazem parar, pensar e sorrir porque a vida é repleta de coisas simples e belas.
Nas noites escolhidas de ouvidos atentos e olhares alerta as pessoas entram, sentam e abrem o coração às histórias, às minhas histórias, e eu também abro o meu coração às histórias de cada um porque naquele espaço, naquela casa, naquele mundo diferente de todos os outros todos somos contadores e escutadores de histórias.
E se no dia 15 às 21h00 (Fundación Vicente Risco) e 16 de Maio às 20h00 (Taberna de Acevedo) por acaso passar naquela rua, por aquele espaço, entre, sente-se e seja bem-vindo ao mundo do Era uma vez.” Vítor Fernandes

«Vítor Manuel Azevedo Fernandes, licenciado em história variante arqueologia, natural do Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes. Na infância passava o tempo a ouvir as histórias contadas pela sua avó, e para adormecer pedia histórias à sua mãe. Um dia tropeçou nos contos e relembrou toda a infância e todo o tempo passado a ouvir histórias, rapidamente a cabeça foi invadida por questões tais como: mas como contar e o que contar. Encontrou respostas na Escola de Narração Oral de Clara Haddad e começou a fazer formação, fez ainda formação com vários contadores internacionais.
Desde de 2010 narra profissionalmente. Narrador que busca manter a força da tradição, seu repertório é repleto de contos de amor, de humor, de vivacidade, astúcia e emoção da tradição oral portuguesa.»

Venha ouvir...
e traga um@ amig@ também!


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com | www.traga-mundos.blogspot.com

quarta-feira, 13 de maio de 2015

cultura que une, literatura que une



Festa do Libro Galego Portugués
15 (sexta-feira), 16 (sábado) e 17 (domingo) de Maio de 2015
com a participação da livraria Traga-Mundos, de Vila Real, Portugal 
na Fundación Vicente Risco, Allariz, Galiza

terça-feira, 12 de maio de 2015

Festa do Libro galego Portugués, Allariz, Galiza


Festa do Libro Galego Portugués
15 (sexta-feira), 16 (sábado) e 17 (domingo) de Maio de 2015
na Fundación Vicente Risco, Allariz, Galiza


A livraria Traga-Mundos foi convidada para participar com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, acompanhado também pelo contador de história transmontano Vítor Fernandes, no Mes da Cultura Galego Portuguesa, nos dia 15, 16 e 17 de Maio de 2015, na Fundación Vicente Risco, em Allariz, Galiza.


MES DA CULTURA GALEGO PORTUGUESA – 2015

1-V-2015 / 12:00
EXPOSICIÓN FÁBULAS DE KARIM SOMMERS E ANA SILVA, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

1-V-2015 / 13:00
CONCERTO DE VIOLA AMARANTINA PROFESORES EDUARDO COSTA, CANDIDO COSTA, RENATO SOARES E TÂNIA PIMENTA, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

1-V-2015 / 14:00
ACTO DE CONVIVIO E DEGUSTACIÓN DE VIÑO VERDE DE AMARANTE, OFERTA DE DE FREGIM VINHO VERDE (ENGRO JOSÉ PINTO DA CUNHA), FUNDACIÓN VICENTE RISCO

10-V-2015 / 18:00
RECITAL DO POETA ITALIANO CLAUDIO POZZANI, CASA DA CULTURA

10-V-2015 / 21:00
CONCERTO DIDÁCTICO DE XOÁN CURIEL, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

14-V-2015 / 20:30
PROXECCIÓN DE 9 ONDAS. COLOQUIO CO SEU DIRECTOR SIMONE SAIBENE, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

15-V-2015 / 19:30
INAUGURACIÓN FESTA DO LIBRO GALEGO PORTUGUÉS LIBRARÍAS “AIRA DAS LETRAS E TRAGAMUNDOS”.
PRESENTACIÓN DA OBRA DE ARTHUR ALONSO NOVELHE  NO MEIO DO ORIENTE.
TRAGA CONTOS. NARRACIÓNS PARA ADULTOS VITOR FERNANDES.
FUNDACIÓN VICENTE RISCO

16-V-2015 / 12:00
ENCONTRO DO CLUBE DE LECTURA ALVEIROS COA TERTULIA JOÃO ARAUJO CORREIA, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

16-V-2015 / 20:30
II CONCERTO DO CICLO PETISCOS MUSICAIS ADICADO A COMPOSITORES GALEGOS, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

16-V-2015 / 22:30
TRAGA CONTOS. NARRACIÓNS PARA ADULTOS VITOR FERNANDES, A TABERNA DE ACEVEDO

17-V-2015 / 17:30
ACTIVIDADE PARA NENOS, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

21-V-2015 / 20:30
PRESENTACIÓN DO LIBRO DE BRITANIA A BRITONIA, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

21-V-2015 / 22:00
CINE ARTURICO, FUNDACIÓN VICENTE RISCO

22-V-2015 / 20:30
VENRES DE SABOR: CATA DE ACEITES EIDOS DE IRIA E LAGAR DA SANCHA, A FÁBRICA DE VILANOVA

23 -V-2015 / 19:30
EMISIÓN DE CARMIÑA FLOR DE GALICIA CO ACOMPAÑAMENTO DE  POLA CORAL DE RÚADA, CASA DA CULTURA


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00


Próximos eventos:
- de 1 a 30 de Maio de 2015: exposição “A Arquitectura Sen Arquitectos: A Arquitectura Anónima A Través dos Traballos de Vicente Risco” da Fundación Vicente Risco, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 19 de Maio de 2015 (terça-feira), pelas 21h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, na Universidade Sénior | Centro Cultural em Vila Real;
- dia 23 de Maio de 2015 (sábado), pelas 21h00: apresentação do livro “O Herói Português da Primeira Guerra Mundial” de Francisco Galope, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 24 de Maio de 2015 (domingo), das 8h00 às 14h00: visita à Casa Museu Aires Torres, por João Luís Sequeira Rodrigues, em Parada do Pinhão, Vila Real;
- dias 26 e 27 de Maio de 2015: participação com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na 19.ª Feira de Minerais, na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Vila Real;
- dias 29, 30 e 31 de Maio de 2015: exposição / venda de livros galego-portugueses, “Actos da Cultura Galego-Portuguesa”, Cultura Que Une, Amarante;
- dia 6 de Junho de 2015 (sábado), pelas 21h00: “Prevenção da Saúde com Plantas Medicinais” por Maria Feliz, na Traga-Mundos em Vila Real;
- dia 7 de Junho de 2015 (domingo), pelas 15h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, em Vilar de Maçada;
- dia 7 de Junho de 2015 (domingo), pelas 17h00: apresentação do livro “Crónicas da Nossa Freguesia – Fidalgos e Plebeus” de José Alves Ribeiro, em Cabêda;
- dias 10, 11, 12, 13 e 14 de Junho de 2015: exposição / venda de livros galego-portugueses, “Actos da Cultura Galego-Portuguesa”, Cultura Que Une, na livraria Linda Rama, na Corunha.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Bíblia de Lôá


“A Bíblia de Lôá – Lôá Perdida No Paraíso | Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” de Dulce Maria Cardoso, ilustrações Vera Tavares

Lôá é uma menina-deus. Tudo aconteceu mais ou menos assim: Um dia Lôá pôs-se a desenhar. Criou um mundo que lhe pareceu tão belo e tão bom que quis entrar nele. Desde então, vive perdida nesse mundo.

«A escritora Dulce Maria Cardoso estreia-se na literatura para crianças e jovens com a coleção "A Bíblia de Lôá", inspirada em passagens dos textos da Bíblia, mas em busca de outros significados, disse a autora à agência Lusa.

Com ilustração de Vera Tavares e edição da Tinta da China, a coleção tem início com "Lôá e a véspera do primeiro dia" e "Lôá perdida no paraíso", sobre a criação do mundo e sobre Adão e Eva.

Nas duas histórias, Dulce Maria Cardoso inventou uma "menina-deus"- Lôá -, "de aparência frágil", que desenhou o mundo com um lápis num livro em branco.

A escritora, conhecida sobretudo como romancista e contista, escreveu seis histórias para crianças a partir da Bíblia, desafiada por Teresa Paixão, programadora da RTP.

"Saí da minha zona de conforto, mas não quis fazer leituras bíblicas para crianças. Não tenho temor à Igreja embora goste de ler a Bíblia, porque dramaticamente é muito interessante. O que foi mais desafiante foi encontrar outros significados na Bíblia, porque estamos imersos neste caldo judaico-cristão que é portador de imensos preconceitos", explicou Dulce Maria Cardoso.
Há o pecado, o castigo, a culpa, mas a autora procurou novas leituras, como por exemplo a questão de género na Bíblia, porque os textos religiosos nela inscritos "menorizam muito a mulher".

Não é por acaso que a protagonista é uma mulher, criadora do mundo à sua imagem e semelhança, "uma figura bastante solitária e que cria através da arte", sendo a arte "a possibilidade de mudança".

"Não tenho pretensões de mudar a tradição secular de preconceito e 'A Bíblia de Lôá' pode ser lida por crentes e não crentes, de acordo com a sua fé", afirmou.

Nos livros, com vários níveis de interpretação para leitores iniciais e leitores autónomos, Dulce Maria Cardoso recorre a vários trocadilhos, referindo-se por exemplo a um "orvil" (lê-se "livro" ao contrário), e brinca com a linguagem, procurando as semelhanças entre "querer" e "crer" e inventando o "Para-isso" (Paraíso).

Nestas obras Dulce Maria Cardoso sentiu necessidade "de blindar o texto" e teve uma "preocupação diferente" na escrita, a pensar nos jovens destinatários.

"As crianças e os jovens são como umas esponjas, absorvem tudo, é difícil prender-lhes a atenção e tive uma outra preocupação no que escrevia, porque também queria diverti-los, ter 'ganchos' para lhes prender a atenção", afirmou.

Para a coleção "A Bíblia de Lôá", Dulce Maria Cardoso escreveu seis histórias, sendo publicadas agora as duas primeiras.

Cada um dos livros apresenta, no final, as passagens da Bíblia que inspiraram as histórias e inclui "sugestões de exploração para educadores".» [LUSA]


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponível da autora os títulos: “Os Meus Sentimentos”, “O Chão dos Pardais”, “Tudo São Histórias de Amor”, “O Retorno”]

sábado, 9 de maio de 2015

“Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista”, n.º 10, Maio 2015


“Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista”, n.º 10, Maio 2015

Este mês de Maio promete ser bastante intenso de sabor. Delicie-se!
A partir de hoje nas bancas.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os números 1 (Agosto), 2 (Setembro), 3 (Outubro), 4 (Novembro), 5 (Dezembro), 6 (Janeiro), 7 (Fevereiro), 8 (Março) e 9 (Abril)]




sexta-feira, 8 de maio de 2015

Diário de J. Rentes de Carvalho


“Pó, Cinza e Recordações” de J. Rentes de Carvalho

Escrito entre maio de 1999 e maio do ano 2000, este é o diário do milénio de um dos mais relevantes autores portugueses da atualidade, vencedor do Grande Prémio de Literatura Biográfica APE, em 2012.

«Há diários importantes e os que são apenas interessantes. Há-os íntimos, alguns dolorosamente francos, outros mascarados. Os que são escritos para ferir e os que são escritos para recordar. Este, suponho eu, cabe mal nas categorias acima, pois menos que uma anotação de factos e pensamentos, o vejo sobretudo como um desejo de conversa.»


«Aonde pertencerei? De verdade e por inteiro, a parte nenhuma. A terra onde nasci tornou-se-me estranha como um teatro, quando estou nela tenho a ideia de que represento um papel. A outra, onde vivo há mais de meio século, dá-me por vezes a ideia de um navio que se afasta e me deixou no cais. Procurar outro poiso? Nem a idade o permite nem as amarras o deixariam. Porque é isso: não pertenço, mas é muito e forte o que me prende.»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”, “Mentiras & Diamantes”, “Portugal – A Flor e a Foice”, “Montedor”]

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Ler consigo - em abril leituras mil


«No âmbito do projeto “LER CONSIGO –Em abril leituras mil”, no dia 23 de abril recebemos, na nossa aula de Português, o dr. António Alves, proprietário da livraria Traga-Mundos, que quer ser tratado só por António e é um amante da literatura. Falou-nos da relação que sempre teve com a leitura ao longo da sua vida; desde sempre nutriu um grande carinho pelos livros: a sua espetacular história de vida mostrou que, se gostarmos muito de ler, nada nos vai impedir de o fazer, nem mesmo o dinheiro. Tem uma verdadeira paixão pelos livros e leu, de Miguel Torga, um excerto do Diário II, sobre Vila Real e o Marão, de 1942: gostámos muito. Cativou-nos e incentivou-nos a ler um pouco mais.
O nosso convidado tinha um belo discurso, fluente e lindo. Transmitiu a ideia de dar mais valor ao que temos e de que ler pode ser muito importante para a vida: mostrou-se um grande homem da cultura transmontana.
Apreciámos a qualidade da sessão realizada e foi muito bom o facto de o convidado ter partilhado connosco as suas incríveis experiências de leitura e de vida. Esta iniciativa é ótima e esperamos poder ter mais experiências semelhantes.
Não iremos esquecer esta visita!»

quarta-feira, 6 de maio de 2015

traga_mundos no Encontradouro


A livraria Traga-Mundos foi convidada para participar com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no Encontradouro, que irá decorrer de 7 a 9 de Maio de 2015, no Espaço Miguel Torga em São Martinho de Anta – e também no Museu do Douro no Peso da Régua.

«Ao longo de três dias, a vila de Sabrosa, no Douro, irá ver entrar em cena mais de 20 escritores, críticos literários, professores de literatura portuguesa, músicos e pintores, no âmbito da primeira edição do festival Encontradouro.
Entre os dias 7 (quinta-feira) e 9 de Maio (sábado), o Espaço Miguel Torga, em São Martinho de Anta, e o Museu do Douro, serão palco de debates com escritores, lançamentos de livros, concertos, exposições e sessões de cinema, numa iniciativa que se pretende transversal a todas as artes; não somente à literatura. No programa estão ainda previstas visitas a escolas do concelho e à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Programa
07 DE MAIO

15:00 – Espaço Miguel Torga
Abertura da exposição «Planisférios Imaginários», de Pedro Campelo
Abertura da Feira do Livro

15:30 – Espaço Miguel Torga
Palestra de abertura proferida por José Marques, presidente da Câmara de Sabrosa
15:45 – Espaço Miguel Torga
Eduardo Lourenço fala de Miguel Torga em conversa com José Carlos Vasconcelos
17:00 – Espaço Miguel Torga
1ª mesa – «A Literatura é a memória escrita»
Com Afonso Cruz/Ana Paula Tavares (Angola)/Cristina Carvalho/José Manuel Fajardo (Espanha)
Moderador: Carlos Veiga Ferreira

Cinema: «Os Caminhos de Jorge», de Miguel Cabral
08 DE MAIO

15:00 – Museu do Douro
2ª mesa – «Todo o livro é uma peregrinação interior»
Com Fernando Pinto do Amaral/JP Simões/Francisco Duarte Mangas/Mário Máximo
Moderador: António Braga

17:30 – Museu do Douro
3ª mesa – «Se há alguma função na escrita é a de desordenar» (Hélder Macedo)
Com José Braga Amaral/Maria Manuel Viana/Julieta Monginho/Luís Carlos Patraquim (Moçambique)
Moderador: Fernando Pinto do Amaral
Concerto acústico de JP Simões
09 DE MAIO

10:30 – Espaço Miguel Torga
Apelo de Miguel Torga para a História de Portugal e de Trás-os-Montes sob a voz de Trovador e Messias, conferência de Isabel Morán Cabanas (Espanha)

11:30 – Espaço Miguel Torga
Lançamento dos livros:
«Os Filhos de K», de Julieta Monginho (Teodolito)
«O Meteorologista», de Olivier Rolin (Sextante)
15:00 – Espaço Miguel Torga
4º mesa – «A Viagem: Contributo para o conhecimento do homem»
Com Ana Margarida Carvalho/Jorge Sousa Braga/Miguel Miranda Germano Almeida (Cabo Verde)
Moderador: Vergílio Alberto Vieira
17:00 – Espaço Miguel Torga
5ª mesa – «A literatura, gente e bichos»
Com Manuel Sobrinho Simões/João Luís Barreto Guimarães/Olivier Rolin (França)/Vergílio Alberto Vieira
Moderador: João Rodrigues
«Encontradouro», curta-metragem de Afonso Pimentel
21:30 – Espaço Miguel Torga
Concerto de apresentação do projecto Mátria, interpretado pelo coro Mezza Voce e pelo Ensemble Mistério da Cultura (piano, clarinete, voz), com música da autoria de Fernando C. Lapa.»



terça-feira, 5 de maio de 2015

Ultrajes na guerra colonial - Guiné

“Ultrajes na Guerra Colonial – Reminiscências de furriel de cavalaria” de Leonel Olhero
edição de autor

«(...) baseia-se num diário de alguém que nasceu em Aveçãozinho, Vila Real, e nesta estação de caminho-de-ferro partiu em 11 de Janeiro de 1971 para as Caldas da Rainha, daqui para Santarém, nova estação no Porto, seguindo-se embarque no Uíge, o autor irá narrar as suas deambulações num Esquadrão Panhard, essencialmente em Bula e na circunvizinhança. É uma literatura memorial por vezes cáustica, Leonel Olhero não esconde muitas zangas e azedumes, deixa-nos alguns parágrafos belíssimos e em dado momento atira uma revelação que seguramente irá aqui suscitar larga controvérsia, ao descrever um acto torcionário e um homicídio que ele atribui à figura iconográfica de Salgueiro Maia. Vamos por partes.

No princípio, temos o transmontano que se adapta a custo à engrenagem militar, há para ali muitas saudades do Marão e um somatório de bonomia: “Nas Caldas da Rainha conheci os senhores Cross, Galho, Pórtico e Paliçada, que me deram cabo da paciência. A dona G-3, de quem aprendi a não me separar. A menina Parada, de má memória, porque nela perdi pedaços da minha rica vida. O menino Pré, demasiado económico e muito forreta, um safado!, um sem vergonha”. Sentiu-se malquistado em Santarém, há ali um bom número de reparos a cavalgaduras e cretinices. Aqui estudou blindados Panhard, Daimler, Chaimite e Fox. Seguiu para Cavalaria 6 no Porto, é aqui que lhe dão guia de marcha para Cavalaria 7 em Lisboa e em 25 de Agosto ruma para a Guiné.

Torna-se num dos sargentos do Esquadrão Panhard 3432. Atravessa o Mansoa em João Landim e chega e Bula. Em Setembro é destacado para Nhamate, passam por Binar que ele classifica por estéril povoado e lá chegam a Nhamate, definido como lugar ermo e triste onde a vida era irreal e todos cediam o corpo à morte: “Em Nhamate a vida corroía-se-me lenta, o meu relógio não andava e tudo me era vago. E era assim que, naquele tédio, um homem se fazia à morte. Deslumbrantes pores-do-sol arquitectavam-nos ausências e sentenciavam-nos a penosos silêncios recônditos e melancólicos”. Descobre que a natureza estava viva, sente o empanturramento de horas preguiçosas, deslumbra-se uma trovoada tropical: “Uma trovoada, com carácter primitivo e sagrado, apavorou-nos. Receoso, o sol estremeceu de inquietação e correu a esconder-se. Numa embriaguez de luzes, relâmpagos cintilaram em ziguezagues de fogo, bateram nas trevas e apanharam relâmpagos em resposta. De alto a baixo, raios riscaram rasgando fundo os céus. Irrequietos, os trovões estalaram implacáveis vibrando de tronco em tronco e em cada folha, assustando aves e ribombando pelos caminhos do céu imenso num estampido ensurdecedor, enquanto que o vento, carregado dos cheiros da terra e do odor da selva, bradou com fúria e em rajadas hirtas e tudo impeliu numa maluca confusão”.

É numa viagem num sintex, quando foi a Bula buscar salários, que Olhero nos dá uma descrição de grande beleza, que mais realça pela contenção dos adjectivos: “Para lá das desviadas margens, num sussurro, naquele rio largo como uma promessa via-se água que penetrava na brumosa mata de onde, desafiando nos céus altas fasquias, se erguiam crescidas e seculares árvores. Por causa das investidas da nossa artilharia, com olhos cansados de procurar, vi cepos definhados com galhos despidos e rasgados. Braços vegetais abertos que nos desejariam abraçar e onde poisavam centenas de colónias de coloridos periquitos (…) Na tona da água bandos de periquitos de rabo de junco rasavam, chispavam à nossa passagem e rabiscavam hieróglifos (…) Inumeráveis abutres repugnantes e agoirentos que poisavam nos poleiros altos da sossegada e densa ramagem, alteavam-se impassíveis, estremecendo penosamente as enormes e aborrecidas asas. Alguns, mais tímidos, alavam para o escuro daquele tão intemporal bosque e ali ficavam à espera de olhos tristes e adiados”. E fiquemos com esta pálida amostra de uma linda viagem de sintex que até hoje não tinha lido, é cativante o deslumbramento do autor por tudo quando capta neste rio. Desforra-se a apanhar rolas, assim melhora o rancho, sempre tão igual na sua sopa do costume e arroz cozido com rodelas de salsicha.

E de Nhamate volta a Bula, começa o rosário de escoltas, Binar, São Vicente, Có, Teixeira Pinto ou Pelundo são algumas metas obrigatórias. De vez em quando vai a Bissau, no Pidjiquiti encontra o Zé Luís, empregado do café A Brasileira, em Vila Real. E assim chegamos a 1972. Há lá muita bebedeira em Bula, maledicência, gente quezilenta, ouvem-se flagelações, chegou a hora das perdas humanas, seguem-se férias na metrópole.

No regresso, temos o ramerrão em Bula, com colunas dentro do sector. Em Outubro, Olhero conhece Fatu Camará, chegou o momento de doces recordações eróticas. Estamos em Novembro, altura em que Salgueiro Maia terá descoberto um falso caçador que andaria à procura de o emboscar. E ele escreve como o Capitão de Abril desaferrolhou a língua do preso: “Mandou que se pusesse em cima de uma chapa de zinco, de onde saiam fios metálicos ligados ao motor de um Unimog e depois, com um ar de triunfo de galo de combate, num divertido vozeirão, disse a um seu militar: Dá à chave! Satisfeito da vida, meliante e cínico consigo próprio, o soldado cumpriu e o preto saltou! E saltou! E Saltou, cada vez mais alto. Enquanto bradava: pára, capitão! Pára, capitão! Pára, capitão! E a chave, envergonhada, girou; para alívio do preto que, a tremer e a destilar e num suor pingado ainda mostrava um terror difuso nuns olhos irados”. No início de Dezembro, há quem tenha visto um foguete luminoso, e Olhero lá vai com Salgueiro Maia e o dito preso, levam pás, picaretas e enxadas, Maia terá confidenciado a Olhero que o preso revelara saber de minas anticarro implantadas na estrada velha de São Vicente. Apanhava a frente, depois de muita confusão ou indecisão o preso afirmou ter-se enganado as minas estavam na estrada velha do cemitério e para lá foram, ali se cavou até à exaustão. Na noite escura ouviu-se o preso suplicar ao capitão para que parasse, depois a voz enfraqueceu, tornou-se um soluço, veio o silêncio. O preso fora executado.

No regresso, quando Olhero perguntou a Maia o que acontecera este terá respondido: “O tratante andou-nos a enganar a ver se caímos numa cilada. Também viu o very light. Mas teve azar e bateu com a cabeça na coronha. Agora dorme… Sempre admirei aquele divertido oficial, a quem devemos a façanha do 25 de Abril. Ele ainda vive no coração de muitos portugueses. Mas dou comigo a perguntar se não teria sido melhor ter corrido o risco de salvar um culpado, do que, impiedosamente, o ter secamente condenado”.

A vida prossegue em Bula, assim chegamos a 1973, a rotina está instalada, Olhero é remetido para Mansoa, sede do CAOP, comandado pelo coronel Rafael Durão, é tempo de novos amores, de escaramuças, corresponde a este período algumas das páginas mais enxutas deste diário, é bem visível o grau de saturação a que chegou o seu autor, há muitas questiúnculas, e em Outubro o furriel de cavalaria entrega o seu espólio na Calçada da Ajuda e parte para Vila Real. Convida todos a contactá-lo para adquirir estes ultrajes, termo polissémico que fala de desastres, desencontros, perdas, actos ignóbeis e até ofensas dificilmente perdoáveis. O autor garante que há um diário por detrás destas penas confessadas, a própria capa será o involucro de tanto ultraje.» Mário Beja Santos, blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

eiri - Encontro Internacional de Reflexão e Investigação


A livraria Traga-Mundos foi convidada para participar com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, no XIX eiri – Encontro Internacional de Reflexão e Investigação, nos dias 5 e 6 de Maio de 2015, no Complexo Pedagógico da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real.