terça-feira, 21 de janeiro de 2014

História da Indústria das Sedas em Trás-os-Montes

 “História da Indústria das Sedas em Trás-os-Montes” de Fernando de Sousa, Vol. I e II

Para além da história da Indústria das Sedas em Trás-os-Montes propriamente dita e das fontes que se publicam, este trabalho é ainda enriquecido com as biografias das personalidades e técnicos que tiveram uma influência ou papel relevantes na mesma; igualmente se publica uma cronologia respeitante à indústria das sedas em Trás-os-Montes; um glossário da indústria das sedas, para melhor compreensão do vocabulário utilizado ou constante das fontes publicadas; e, finalmente, uma recolha de poesias relativas à amoreira, ao bicho da seda e à referida actividade económica daquela região.

«Segundo ao Abade de Baçal a seda chegou a Trás-os-Montes no século XV: "Em 1475 o duque de Guimarães representou a el-rei que tendo feito contrato com Rui Gonçalves de Portilho e Gabriel Pinello, genovês, para lavramento da seda em Bragança, e não sendo a da terra suficiente, porque era indispensável mais fina, lhe pedia, portanto, que isentasse de direito a que importasse de Almeria e de outras partes de fora do reino, para aquele serviço. D. Afonso V concedeu-lhe a isenção com certas cláusulas. (...) Em 1531 pedia-se ás côrtes que as sedas que se creassem e obrassem em velludos, tafetás, retrozes e outras obras, assim na cidade (de Bragança) como na terra, podessem ir livremente pelo reino vender-se, sem pagarem nenhuns direitos de alfandega, levando certidão do escrivão da Camara."(Abade de Baçal, Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, tomo II, p. 452)
(...)
Mas, foi no século XVIII, no reinado de D.José I, que o marquês de Pombal desenvolveu e protegeu as indústrias portuguesas provocando um surto manufactureiro da seda em Trás-os-Montes. "As suas manufacturas tem muita extracção para todo o reino e foram mesmo para a America, para o que concorre muito a liberdade de extracção, sem pagar direitos, concedida ás manufacturas do reino por D. José I, pelos decretos de 2 de abril de 1757 e 24 de outubro do mesmo anno. Sustenta o dito negociante João Antonio Lopes Fernandes cento e oito teares, sendo o maior numero de tafetás em que consome todos os annos oito mil arrateis de seda, a qual é de Italia quasi toda por ser a da provincia muito mal fiada. A provincia de Traz-os-Montes é tão abundante de seda que colhe regularmente vinte mil arrateis della fina e outro tanto de seda macha e redonda." (Abade de Baçal, tomo II, p.455) (1 arrátel, também chamado de libra, era igual a: 0,459 kg)» [blogue Pereiros de Ansiães]

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Contos do Barroso

“Contos de Gostofrio” de Bento da Cruz

Prémio Fialho de Almeida da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos


«Há aqui [em Contos de Gostofrio] uma incontestável denúncia da miséria, de todas as misérias, de uma das mais frustes regiões do nosso país subdesenvolvido […] mas esse testemunho é envolvido pela mesma nostalgia doirada, pela mesma comunhão com tudo e com todos, de As Pastagens do Céu de um Steinbeck. E isso, longe de se me figurar demérito, aparece-me como virtude de homem e de escritor. Eis como um livro tão voluntariamente localizado, fruto e expressão da experiência tão aderente de simpatia, que permitiu a Bento da Cruz erguer a sua galeria de homens e bichos e, às vezes, de homens-bichos, assim alcança a sua ampla universalidade.» Urbano Tavares Rodrigues, Do Prefácio

Após uma ausência de largos anos, eu regressava à minha terra sem nada para oferecer ao espanto dos patrícios: nem carro espampanante, nem malas cravejadas de amarelo, nem aves exóticas, nem sotaque estrangeiro, nem sequer mais gordo. Além disso, o meu feitio misantropo tinha piorado com os invernos e não me permitia grandes relatos sobre as terras por onde andara nem sobre as gentes que vira. Perdera também a faculdade de abrir a boca perante a beleza dos filhos, a gordura das vacas e o aumento da fazenda dos meus companheiros de infância. De modo que estes, desiludidos, concluíram que eu regressava pobre ou doente, e, a pouco e pouco, foram-me voltando as costas. Entretanto eu reconhecia que fora engodado pela saudade do paraíso perdido e que viera ao encontro duma ilusão. A casa de meus avós desfizera-se, os meus parceiros de aventuras tinham envelhecido e até a paisagem era outra: beirais de telha, luz elétrica, rodovia alcatroada, a floresta e a barragem. Portanto só me restava um caminho: arranjar as coisas e partir de novo. Antes, porém, teria de honrar a memória de meus pais, colocando-lhes uma cruz na sepultura. Com esta ideia, dirigi-me a Fontefria para pedir licença à junta da paróquia e conselho ao abade. [de “O Vilaguicha”]

“Contos de Gostofrio” é uma das mais populares obras do autor, mas surge agora com uma nova edição e revisão. 

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[também do autor os títulos “Contos de Gostofrio”, “Histórias da Vermelhinha”, “O Retábulo das Virgens Loucas”, “Histórias de Lana-Caprina”, “A Fárria”, “Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes”, “Prolegómenos I”, “Prolegómenos II”, ”, “Prolegómenos III”, “Camilo Castelo Branco por Terras de Barroso e Outros Lugares” e “República e Incursões Monárquicas – Um Padre Guerrilheiro de Barroso” com António Chaves, Barroso da Fonte, José Baptista]

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Senhor Barroso, Senhor Coelho, Senhor Carriço

Senhor Barroso, Senhor Coelho, Senhor Carriço

caraça de pasta de papel
pelas artes dos tornadouro

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Memórias em A. Passos Coelho

“Memórias de Céu e Inferno” de A. Passos Coelho

O inferno é uma invenção pré-histórica de certo fanatismo religioso, destinado ao suplício de almas malvadas. O paraíso fora concebido para premiar eternamente as almas boas; localiza-se no céu, em sítio incerto. Não obstante os avanços tecnológicos no domínio da astronáutica, ainda se não vislumbrou o preciso lugar desse almejado destino das almas sãs, cujos corpos se finaram. Do inferno nunca nenhum sábio ousou definir a topografia, e não existe notícia de que alguém se tenha interessado em descobrir-lhe o paradeiro. Por mim, creio que o inferno é nesta vida e não está equipado com caldeirões efervescentes, terríficos braseiros, sofisticados aparelhos flageladores. Cada pessoa pode ter o seu inferno. O meu foi a fome, o frio, a miséria que vivi até aos oito anos num casebre imundo de Peneda…. Completamente alheio à tragédia que assolava a Europa, com a avalanche militar nazi subjugando a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo e parte da França, posto que detida pelos soviéticos em Stalinegrado, e repercutindo-se gravemente no nosso país em dificuldades económicas que nos impunham graves restrições alimentares, eu era feliz em Chaves. Vivia feliz na simpática, bonita, acolhedora, farta cidade fronteiriça flaviense. Vivia no céu!


«O livro de A. Passos Coelho Memórias de Céu e Inferno é um verdadeiro retrato social do Portugal dos anos 40 do século XX. Repleto de descrições fortes e recorrendo a um estilo literário único, o autor descreve de forma ímpar os afetos e os dramas de uma época extraordinariamente difícil.» [Douro Hoje]

«Primeiramente devemos salientar que o texto que se segue não pretende ser uma recensão crítica da obra em epígrafe, por não sermos detentores de competências para tanto, mas apenas uma opinião resultante de uma leitura atenta e interessada do livro em apreciação.
 Na linha de tantos médicos que optaram por ser simultaneamente escritores, de que, entre nós, temos como exemplos Júlio Diniz, Miguel Torga e Fernando Namora, A. Passos Coelho, com uma notável carreira de Pneumologista no campo da Medicina, dá-nos, em “Memórias de Céu e Inferno”, uma obra de grande interesse narrativo, que seguimos com progressivo interesse, à medida que as páginas se vão sucedendo, prendendo-nos na teia bem urdida que por vezes nos arrebata, forçando-nos a resistir à tentação de caminhar para a última página e descobrir se o final é feliz (ou nem por isso..).


Ao longo do livro, tentamos descobrir a razão do título; primeiramente fazemos a ligação com a vida atribulada do protagonista, cujo nascimento coincidiu com a morte da mãe, ficando entregue a uma tia que, pobre, cheia de filhos para alimentar e de problemas tremendos para resolver, numa vida arrastada e muito sofrida, honrou o compromisso assumido perante a irmã, no leito de morte, de o tratar como se seu filho fosse.
A tia, a primeira guardiã, a quem se seguiriam duas outras, que a morte acabaria por levar, deixando o jovem por duas vezes à beira do Inferno, quando do seu passamento, servindo de lenitivo os tempos passados no Céu, assim pelo autor considerado como os períodos de proteção da extremosa mãe que D. Guida fora e, sobretudo, de D. Céu, que, de omnipresente mãe adotiva, passou sucessivamente a amante suprema e, a seu tempo, a sua primeira e bem amada Esposa.
É aliás deveras interessante a definição que o autor nos dá de inferno: “uma invenção pré-histórica, de certo fanatismo religioso, destinado ao suplício de almas malvadas. O paraíso fora concebido para premiar eternamente as almas boas; localiza-se no céu, em sítio incerto…Do inferno nunca nenhum sábio ousou definir a topografia, e não existe notícia de que alguém se tenha interessado em descobrir-lhe o paradeiro. Por mim, creio que o inferno é nesta vida…cada pessoa pode ter o seu inferno. O meu foi a fome, o frio, a miséria que vivi até aos oito anos num casebre imundo de Peneda…”.
Mais tarde veremos que o inferno, para o nosso protagonista, não acabou aqui, mas antes se fez sentir ainda noutros momentos, se bem que com outras características, diferentemente penosas. O pior momento foi o da morte da Querida Céu, Esposa Amada, que, ao falecer nos seus braços, com sempre ela desejara, após prolongada doença, o fez mergulhar de novo no Inferno, agora mais profundo que os anteriores.
Em contrapartida, no dizer do nosso herói, em Chaves “vivia feliz na simpática, bonita, acolhedora, farta cidade fronteiriça flaviense. Vivia no céu!”.

Céu e Inferno, de que ele receava não se libertar tão cedo, após a morte da Esposa, talvez até nem o desejasse, pelo menos de início. Mas a vida ainda tinha muitas surpresas para ele. Na pessoa da antiga enfermeira de Céu, Ema, ele viria de novo a reencontrar o Amor e, claro, o Céu.
Ema, que o estimulou a compilar as memórias da sua vida, até então, a que anuiu com grande relutância, pois não se sentia capaz de tal. Mas com o auxílio de Ema, tudo se tornou mais fácil. Até o título, que só na última frase do livro ficamos a conhecer: “Memórias de Céu e Inferno”. Por outras palavras, a centralidade de Céu na vida de Silvestre é incontornável; e, fora dela, ainda que um tanto exageradamente, só parece haver Inferno.
Mas agora há Ema. E o Céu voltou de novo. Para ficar, espera-se, deseja-se!


Nota muito positiva, pois, para este “Memórias de Céu e Inferno”, de A. Passos Coelho, escrito numa linguagem acessível mas com algumas imagens apelando a forte erudição por parte dos leitores, nada que o recurso a um bom dicionário não resolva. E um enredo bem tecido, que prende da primeira à última página. Destacando sempre a enorme beleza de umas das regiões mais prendadas de Portugal, centrada no Douro, e a memória de um País dos tempos de Salazar, que convém não desconhecer, porque de memória importante se trata. Até para compreender melhor o presente e atuar adequadamente no futuro.
Estão pois de parabéns o Autor e a Editora, pela obra de que vivamente recomendamos a leitura.
Tito Ferreira de Carvalho, Economista / Professor Universitário [blogue literário Os Nossos Livros]

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[também do autor os títulos: “Gente da Minha Terra” (contos), “Histórias Selvagens” (contos), “Zélia” (romance), “Mais Gente da minha Terra” (contos)]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Início do Teatro Português

“Os Bobos Durienses de D. Sancho I e o início do Teatro Português” de Altino Moreira Cardoso

«O Dr. Altino Moreira Cardoso nasceu na freguesia de Loureiro, concelho da Régua. É pois um homem do Douro, terra-mãe que ama com desvelo filial. Mas para ele, o amor à terra só faz sentido quando põe ao seu serviço as suas capacidades de investigador e intelectual. Na verdade, o Dr. Altino Moreira Cardoso tem vindo a construir, paulatina e metodicamente, uma reputação de estudioso da história, assim como de outros vários aspectos da cultura duriense. Seja-nos permitida uma referência especial aos três volumes do seu monumental Grande Cancioneiro do Alto Douro, publicados em 2006, 2007 e 2009, em que reúne e comenta milhares de espécimes do corpus musical popular da sua região natal.
Mas não fiquemos por aí. A Idade Média no Douro tem também merecido a sua atenção, quer em trabalhos, extensamente documentados, sobre a naturalidade duriense de D. Afonso Henriques (tese defendida no livro Afonso Henriques Nascido e Educado no Douro, de 2010, e reafirmada em D. Afonso Henriques – Os Mistérios e a Lógica, de 2011), quer sobre o papel da Ordem de Cister na produção do ‘vinho cheirante de Lamego’, que se havia de chamar mais tarde, por uma dessas injustiças que se cometem levianamente, vinho do porto (tema central de A Magna Carta da História do Vinho do Porto – A Escritura de Cister (1142), de 2011, ampliada dois anos depois em Do Vinho de Missa de Cister ao Vinho do Porto – A ‘Magna Karta’ de 1132).

A sua mais recente obra, Os Bobos Durienses de D. Sancho I e o Início do Teatro Português, continua essa linha de estudo e valorização do Alto Douro omnipresente na obra do Dr. Altino Moreira Cardoso. Nela, pretende o Autor, escudando-se sempre em documentação laboriosamente recolhida e contextualizando historicamente, pôr nos seus devidos termos a velha questão de quem foi verdadeiramente o fundador do teatro português. E nessa pendência põe em causa o ‘pioneirismo poético-teatral’ de Gil Vicente e toma partido pelo papel desempenhado pelo rei D. Sancho I, criado e educado em Britiande, no Douro (rei cuja acção muito admira e a quem de resto já dedicara em 2012 o estudo Poesia Tradicional Duriense com D. Sancho I o Primeiro Trovador), fazendo remontar esse pioneirismo aos bobos de D. Sancho, Bonamis e Acompaniado (a quem o rei, grato pelo papel deles na animação da sua corte, faria mercê de terras em Canelas do Douro).
É uma tese que, como todas as teses, pode gerar antíteses, mas que merece pelo menos ser discutida pelos especialistas na matéria. Esperemos que da discussão saia a luz e fiquemos a saber, de uma vez por todas, a quem creditar os primórdios da dramaturgia nacional: se aos arremedilhos dos bobos Bonamis e Acompaniado, se aos autos e farsas de Mestre Gil Vicente, ou se à obra de algum terceiro ainda por encontrar.»

A. M. Pires Cabral, Nota Preambular

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[também disponíveis as seguintes obras do autor:
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também dos autores os títulos: “Canções para todas as Escolas” – exemplares esgotados na editora, “Grande Cancioneiro do Alto Douro” Volume I – Cantigas da Vinha (600 músicas e letras) com um estudo prévio, Volume II – Tunas Rurais, Natal – Reis – Embalar, Rimances, Cantares Religiosos, Cantares do Trabalho, Cantares ao Desafio, Volume III – Os Cantares em Contexto – histórico, literário, musical, europeu”, “Rimanceiro do Alto Douro – 110 rimances com um estudo introdutório”, “A Magna Carta da História do Vinho do Porto – a escritura de Cister (1142)” e “Poesia Tradicional Duriense – com D. Sancho I, o Primeiro Trovador”, “Do Vinho de Missa de Cister ao Vinho do Porto – a ‘magna karta’ de 1132”]


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” + jantar vínico

Curso “Harmonizar vinho e gastronomia”
+ jantar vínico

Prova dos Cinco (sentidos)
pela enóloga Sandra Sousa

dia 18 de Janeiro de 2014 (sábado): curso “harmonizar vinho e gastronomia”
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real

dia 25 de Janeiro de 2014 (sábado): jantar vínico
no restaurante Terra de Montanha, em Vila Real


² Quinto Evento – Curso “Harmonizar vinho e gastronomia”
18 de Janeiro, sábado, 21h00 – duração de 2 horas
- Ser capaz de conjugar um tipo de comida com um determinado tipo de vinho;
- Similaridades e contrastes entre vinho e alimentos;
- Prova de alimentos e vinhos enaltecendo ou diminuindo a percepção de sensações e gostos.
Jantar vínico no restaurante Terra de Montanha
25 de Janeiro, sábado, 20h00 – duração de 3 horas.

Preço por participante:
- curso: 25,00 euros (número mínimo de pessoas: 6, número máximo: 10). O curso inclui além da oferta de referências bibliográficas úteis relacionadas com o tema, um frasco de compota ou mel e um Diploma de Participação.
- jantar: 20,00 euros.
Nota: apesar de recomendarmos a participação nos dois eventos, porque se complementam, também admitimos quem venha só ao curso ou só ao jantar.
A pré-inscrição pode ser feita desde já, na Traga-Mundos, ou pelos seguintes contactos: 259 103 113, 935 157 323, traga.mundos1@gmail.com, e o pagamento da inscrição deverá ser feito até 17 (curso) ou até 24 (jantar) de Janeiro, na Traga-Mundos ou por transferência bancária para o NIB 0033 0000 50068664116 05.



Prova dos Cinco (sentidos)

na Traga Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real com a enóloga Sandra Sousa.
Propusemos cinco eventos de fim-de-semana com carácter lúdico e de aprendizagem com provas de vinhos do Douro e Porto, harmonizar vinho e gastronomia, visitas a adegas de quintas, participação em lagarada na vindima (prova de mosto e uvas), magusto e prova do vinho no S. Martinho.
Indicado para quem quer aprender a provar e para quem quer melhorar as suas aptidões de prova e aprofundar conhecimentos.
Venha por à prova os seus cinco sentidos…




António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com

Próximos eventos:
- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua”.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Atelier de Escrita Criativa

Atelier de Escrita Criativa
por Daniela Costa
18 de Janeiro de 2014 (sábado), das 17h00 às 19h00
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


guardar memórias; escrever uma carta, postal ou e-mail a alguém importante, transferindo para as palavras sentidos, emoções e verdade; registar viagens, fazendo do texto fotografia; escrever um diário que ajude a reler-se a si e à sua história; criar, inventando histórias; dar-se, transmitindo-se pela poesia; fazer rir, expondo o lado divertido e caricato dos acontecimentos; trabalhar, usando a escrita como forma de expressão; organizar-se, listando e brincando; sonhar...
Tudo isto e muito mais na sessão de
Escrita Criativa
18Jan - 17h
Traga-Mundos
10€
--
Daniela Costa



António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com

Próximos eventos:
- 3 a 30 de Janeiro de 2014: exposição de fotografia e poesia “Alma Tua” por Norberto Valério e Miguel Gomes;
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Caretos de Bragança


Caretos de Bragança

fabrico artesanal, em cerâmica,
pintado à mão
versão íman

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

5 estrelas de mentiras & diamantes

“Mentiras & Diamantes” de J. Rentes de Carvalho

«Mentiras & Diamantes tem os ingredientes do thriller, com o escritor a manusear com mestria as técnicas do suspense numa teia cuidadosamente tecida e à prova do leitor mais treinado em encontra pontas soltas. Mas seria limitador reduzi-lo a um género. É uma interrogação sobre um tempo da história recente de Portugal ainda camuflado no silêncio, com uma crítica dura aos protagonistas da cena política nacional. E isto já não é novo em Rentes de Carvalho. É conhecido o desprezo do escritor pelos políticos e pelo rumo de um país que não conseguiu suportar pela claustrofobia dos costumes e do qual fugiu. É também conhecida a sua atracção pela possibilidade literária desse Portugal que, apesar de apontar o dedo ao ditador, nunca terá sido capaz de resolver uma mesquinhez e um provincianismo enraizados.» (5 estrelas)
Isabel Lucas, Público

«A obra de J. Rentes de Carvalho (n. 1930) tem estado a ser reeditada pela Quetzal, que acaba de publicar um seu romance inédito -  “Mentiras & Diamantes”. Trata-se de um thriller bem esgalhado, cruzando reminiscências do processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 com redes de crime organizado. Rentes de Carvalho pertence a uma geração em que os escritores dominam bem o vocabulário, por oposição à “dieta Twitter” que vai moldando vária prosa publicada. O desembaraço não dispensa o uso de vernáculo, sempre adequado às circunstâncias, pontuando a narrativa de observações pícaras: “Grande cu! Alcatra de primeira!”»
Eduardo Pitta, Sábado

«Rentes de Carvalho escreve com a elegância e a destreza “de quem maneja o florete”. O leitor vai sabendo das aventuras (as do presente e as do passado) pela voz de um narrador que parece divertir-se na maneira elíptica e muito hábil de contar a história, que tanto pode alternar entre uma aldeia algarvia onde uns estrangeiros organizaram “umas orgiazitas ao ar livre, outras na capela da casa”, para logo a seguir um corpo ser entregue no deserto da Mauritânia. Pelo meio vão surgindo diamantes traficados nos saltos de Blahniks, um nigeriano em Albufeira, uma conta de dinheiro sujo em chipre, um receptador em Amesterdão que fala quimbundo, português, inglês e russo, e que vive com uma antiga bailarina do Kirov…enfim, toda uma fauna que faz de Mentiras & Diamantes um dos mais interessantes livros de Rentes de Carvalho.»
José Riço Direitinho, Revista Ler

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[também disponíveis as seguintes obras do autor: “Ernestina”, “O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Com os Holandeses”, “Tempo Contado”]


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Colégio de Montalegre - memórias e testemunhos

“Colégio de Montalegre – Memórias & Testemunhos” coordenação Irene Silva

Este livro resulta da contribuição empenhada de muitos antigos alunos do Colégio de Montalegre, que juntaram testemunhos e fotografias numa obra colectiva que homenageia a instituição de ensino.O Colégio de Montalegre foi criado em 1953, por Margarida e Américo Canedo, bióloga e médico, um casal empenhado no desenvolvimento da Educação num meio então desprovido das primárias condições de vida e isolado do resto do mundo.


Orlando Alves, vice presidente da Câmara Municipal de Montalegre, acredita que «este conjunto de depoimentos merece estar transcrito». Trata-se, assim, de um «testemunho de gratidão, do reconhecimento e da importância que a instituição teve na terra, na região e na vida de cada um daqueles que por lá passou». Ato contínuo, reforçou que «o colégio fabricou cérebros que hoje estão ao serviço da nação». Por sua vez, David Teixeira, diretor do Ecomuseu de Barroso, afirmou que a obra «mostra um pouco da história da educação no concelho». O colégio de Montalegre «marcou uma geração e uma era de libertação, de pensamento e de convicções». 

Irene Silva é licenciada em Sociologia pela Universidade Autónoma de Lisboa.
Tem formação complementar em Gestão de Recursos Humanos; Gestão de Qualidade; Liderança, Comunicação e Marketing; Formação Pedagógica de Formadores, entre outras.
Trabalhou na Portugal Telecom como Quadro Superior no Gabinete de Imagem e Comunicação com funções de Jornalista Empresarial.
Anteriormente passou pela área Comercial e Gabinete de Marketing e Comunicação dos TLP, inserida em vários projectos no âmbito das telecomunicações, nomeadamente: marketing research e foi colaboradora activa na elaboração da Revista e Jornal da mesma entidade. Nesta área prestou ainda serviços a outras entidades externas.
Foi Formadora na Vinsa Segurança, na vertente Comportamental e Legislação aplicada ao sector da Segurança Privada.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Cantos mirandeses

CANTOS MIRANDESES
Eleadora Amélia Ventura – Maria Helena Ventura
Fonte de Aldeia – Miranda do Douro

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[também da colecção Cantos e Músicas Tradicionais os títulos: POR UN DIUS QUE MOS CRIOU! Cantos e Músicas Religiosas Tradicionais – Miranda do Douro n.º 6, KURT SCHINDLER Recolhas Musicais da Tradição Oral – Mirando do Douro (1932) n.º 7, TOQUES TRADICIONAIS DE MISSA E DE PROCISSÃO Miranda do Douro n.º 8, O PÃO NOSSO DE CADA DIA Cantos e contos, Saberes e Fazeres – Miranda do Douro n.º 12]

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O homem que vendeu a cabeça

“O Porco de Erimanto” de A.M. Pires Cabral

Um coração doente é o melhor tesouro que um homem pode ambicionar. Bem sei que eles acham que não. Ainda ontem esteve um deles a falar na televisão: que estamos em Maio, que Maio é o mês do coração, que é preciso olharmos pelo coração, vigiar o peso, fazer exercício, não fumar… Tretas! O que eles querem dessa forma é despojar-nos de uma das nossas maiores riquezas, que é a morte rápida, oportuna e inopinada, provocada por um enfarte, para nos entregar de mão beijada à morte lenta, preenchida de dores, provocada por algum cancro ou coisa assim. Ou, se calhar ainda pior, à vida puramente vegetativa do mal de Alzheimer. Achas que ganhamos com a troca? Hã? Quem aceitará morrer às dentadas de um cão rafeiro, podendo morrer arrebatado por uma águia-real?



Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2011.
Plano Nacional de Leitura: livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

«Nove fábulas sobre a doença e a mortalidade, e uma alegoria monstruosa.

Um autodidacta torna-se historiador emérito. Mas a História é um domínio demasiado vasto. Especializa-se então na História da civilização grega. Depois, em mitologia grega. Depois, mais especificamente, nos trabalhos de Hércules. E destes, especializa-se na questão do javali de Erimanto. Tem uma sede de conhecimento insaciável, uma febre da especialização indomável. Em consequência disso, o homem que sabe tudo sobre o javali de Erimanto vai-se tornando num javali. O processo de "suinificação", com todos os horrores de uma metamorfose, é a apoteose do conhecimento. Transforma-se o amador na coisa amada, e o espectáculo é deprimente.

Esta é a mais sintética fábula de "O Porco de Erimanto", colectânea de dez contos de A.M. Pires Cabral. Autor prolífico, a sua actividade de contista foi mais produtiva em meados dos anos 80, com "O Diabo Veio ao Enterro", "Memórias de Caça" e "O Homem que Vendeu a Cabeça"; "O Porco de Erimanto" é uma versão revista e aumentada deste último título. São dez as fábulas, geralmente de cunho fantástico, algumas divertidas, outras francamente assustadoras.
Há um funcionário com fumos de poeta, alojado numa pensão estadonovista, que vê a sua sanidade mental em perigo por causa de um misterioso buraco na parede. Um homem que vende a cabeça à ciência. Outro que luta com a sua sombra. Um desgraçado que ultrapassa um desgosto amoroso com ataques de incontinência urinária. Pires Cabral confunde de propósito a fisiologia e a psicologia, de modo que nunca sabemos o que é natural ou patológico, o que é absurdo ou lógico. Alguns destes sujeitos são vítimas de partidas, outros nasceram sob estrela funesta, mas todos vivem em constante angústia.


Duas ou três histórias têm um cunho mais divertido, como aquela em que o director de uma escola se arroga o direito de inspecções sanitárias intrusivas, numa sátira à ditadura e aos legalismos burocráticos em geral. Mas outros momentos são de puro terror. Não deve haver em português nenhum texto sobre o cancro tão perturbador como "Desidério". Tudo começa com a descoberta de um quisto nas costas do protagonista. Mas aquele sinal, uma excrescência que podia ser rapidamente removida, vai ficando, vai dominando a vida do seu portador, que com ele cria uma relação íntima, umbilical, quase de ternura. Pires Cabral chama ao cancro uma "autofagia", porque é uma doença que nos consome por dentro. E depois descreve em detalhe esses medos e devastações. Não são páginas sentimentais. É uma monstruosa alegoria que lembra Ballard: "É então fabricada uma réplica exacta de cada autófago, de material sintético, que não só é perfeitamente comestível como reproduz o sabor da carne humana e contém um alto teor proteínico. Tais réplicas são colocadas à disposição de cada doente, nos seus aposentos. E então os doentes vão-nas consumindo à medida dos seus impulsos". E continua: "Fala-se de certos efeitos secundários desagradáveis, entre os quais a tendência para uma progressiva transformação da autofagia em antropofagia. Mas nada se provou ainda. E os autófagos ricos podem devorar-se em efígie (...)" (p. 196).

Em todos estes contos há intimações de mortalidade, vistas com uma frieza sarcástica mas não despojada de humanidade; mas, com "Desidério", A.M. Pires Cabral escreveu uma aterradora transposição da mais inominável das doenças contemporâneas, a mais activa forma actual da nossa finitude. O caranguejo trespassado por uma lança é a imagem que abre as portas ao delírio imaginativo, à fábula pavorosa, à doença como condição humana essencial: "Cada qual deve acalentar dentro de si uma doença. Mens sana in corpore sano - para quê?!... Devemos é ter dentro de nós um relógio que nos lembre periodicamente quia pluvius sumus, que temos tributos a pagar à mecânica da carne. E que cada um pague na moeda de que dispuser. (...) Por isso eu digo: a cada um sua moléstia" (p. 178). Não é só a escrita impecável que nos agarra nestas fábulas: é não podermos fingir que não é nada connosco.»
Pedro Mexia, Ípsilon – Público


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também do autor os títulos: “O Cónego”e “A Loba e o Rouxinol” (romance); “O Diabo Veio Ao Enterro”, “O Porco de Erimanto” e “Os Anjos Nús” (contos); “Que Comboio É Este”, “Arado”, “Antes Que O Rio Seque” e “Cobra-D’Água” (poesia); “Trocas e Baldrocas ou com a natureza não se brinca” com ilustrações de Paulo Araújo (infanto-juvenil); “Língua Charra – Regionalismos de Trás-os-Montes e Alto Douro” Volume I – A-E, 568 p. e Volume II – F-Z, 606 p.;  “Páginas de Caça na Literatura de Trás-os-Montes” (selecção de textos e organização, antologia); “Aqui e Agora Assumir o Nordeste” (antologia) selecção e organização de Isabel Alves e Hercília Agarez; “As Águas do Douro” coordenação Gaspar Martins Pereira, “Telhados de Vidro” n.º 18]

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O Farandulo de Tó



“O Farandulo de Tó e outros apontamentos monográficos” de Antero Neto

«Esta festa também designada de Festa dos Rapazes tem início na noite de celebração do Nascimento do Menino com o acender da fogueira no fim da missa do galo. Esta fogueira mantém-se acesa até ao Ano Novo. No dia 1 de Janeiro de manhã os intervenientes (o "farandulo", o moço, a "sécia" e o mordomo) começam o peditório que é, ao mesmo tempo, uma visita de saudação aos moradores da terra. No decorrer deste ritual encena-se a luta dos opostos, entre o "farandulo" e o moço. No fim deste ritual decorre a liturgia da missa seguindo-se o leilão das esmolas recebidas. Ao fim da tarde é a vez da corrida à rosca, a transmissão do poder e a animação com o baile que prossegue até altas horas.» [Museu Ibérico da Máscara]

«A festa do "farandulo de Tó" é celebrada tradicionalmente no dia 6 de Janeiro em Tó em Mogadouro, integrando-se nos festejos rituais pagãos de celebração do solstício de Inverno.

A festa consiste numa encenação ritualística repetida todos os anos por quatro personagens, o "Farandulo”, a "Sécia" e o "Moço". Os jovens que encarnam estas personagens escolhidos de entre os solteiros da aldeia de Tó com meses de antecedência pelo Mordomo da festa (o responsável desse ano pela organização).

Durante a festa, o Farandulo, pintado de preto, tenta enfarruscar e tocar na Sécia enquanto ela é defendida pelo Moço. Além da Sécia, o Farandulo persegue todas as outras mulheres da aldeia para lhes gravar no rosto uma marca enfarruscada feita com graxa ou com cortiça queimada. Para tal entra nas casas das moças solteiras, procurando-as na cama, e rouba bebidas, enchidos e outros petiscos. A encenação dá a volta à aldeia e acaba em frente da igreja, sendo seguida de uma atuação dos gaiteiros e, mais recentemente, de um grupo musical pela noite dentro.» [Wikipédia]

Esta obra tem como cerne de estudo o “Farandulo de Tó”, cujas raízes, segundo o autor, parecem encontrar eco nas festividades do Solstício de Inverno, durante o período de romanização da Península Ibérica, sendo inédita a hipótese explicativa dos intervenientes nesta festividade, que se perde na memória do tempo. Mas o autor não se fica por aí e, de uma forma coerente e clara, oferece-nos um retrato histórico e cultural da Aldeia de Tó, Concelho de Mogadouro, rica em património arqueológico e histórico e dessa forma, abre portas para outros estudos e outras investigações.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também da autora os títulos: “Homens de Granito” e “Marcas arquitectónicas judaicas e vítimas da Inquisição no concelho de Mogadouro. D. Luis Carvajal y de La Cueva”]

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Exposição "Alma Tua" em poesia e fotografia



Exposição “Alma Tua”
por Norberto Valério e Miguel Gomes
inauguração: dia 3 de Janeiro de 2014 (6.ª-feira), pelas 21h00
exposição de 3 a 31 Janeiro de 2014
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


Um par de carris que leva comboios prenhes de gente com pessoas dentro
Um par de mãos que troca poemas
Um par de olhos, cegos, que vê o silêncio
Um par de fotografias poéticas
Um par de poemas fotografados
Sobre o rio, sob a linha
Alma Tua.

O Sonho

À medida que o tempo avançava e o caminho abandonado de cascalho, carris e travessas, ficava para trás o que era um projecto tornava-se em sonho, palpável e objectivo.

Percorrer a linha do comboio, falar com um punhado de pessoas, semear aqui e ali uma fotografia ou deixar gravada numa travessa um poema avulso, tudo se transforma numa vontade de preservar aquilo que, ultimamente, até porque a memória dos autores não perscruta tão longe assim, os sucessivos governantes (propositadamente com g minúsculo) tendem a fazer: fazer desaparecer o sorriso digno dos transmontanos em geral e dos habitantes dos concelhos directamente afectados pelo assassínio da linha do Tua em particular.

Sem ter quem defenda a bondade da arrogância política, os que não têm voz e que pela força do isolamento acreditam em quem lhes atira umas palavras caras acompanhadas de fato e gravata, que se chamou domingueiro há idos, soçobram ao genocídio mudo, à devassidão moral de quem promete e nunca cumpriu.

É impossível, quando se veste um pouco mais de alma, ficar indiferente à beleza do Vale do Tua.

É impossível, quando se ouvem Pessoas, ficar indiferente ao grito mudo de gentes com a porta sempre aberta.

Sem arrogâncias ou falsas modéstias, este projecto tem como Sonho preservar a imagem do vale do Tua e a sua linha.

Este site tem um duplo propósito: por um lado ser mais uma voz em defesa deste património, trazendo aqui algumas notícias sobre um pouco daquilo que se vai fazendo, na luta pela sobrevivência desta Alma. Por outro, dar também a conhecer a nossa história, através de uma pequena amostra da mesma, dos poemas, das imagens…

Esperamos que o leitor possa encontrar um pouco daquilo que os autores viram, mas, acima de tudo, possam entrar no mundo daquilo que sentiram e que está por detrás dos pigmentos das cores ou das curvas das letras.

Que não morra em nós, nunca, a força de lutar pelo que é nosso, salvando-nos do abandono e das mãos tiranas que de longe manobram os fios com que tentam enforcar um povo.

Por Trás-os-Montes.

Pelo Tua.

Norberto Valério e Miguel Gomes




António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com

Próximos eventos:
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), das 17h00 às 19h00: Atelier de Escrita Criativa por Daniela Costa;
- 18 de Janeiro de 2014 (sábado), pelas 21h00: Curso “Harmonizar vinho e gastronomia” [Prova dos Cinco (sentidos)];
- 25 de Janeiro de 2014 (sábado); pelas 20h00: jantar vínico no restaurante Terra de Montanha. [Prova dos Cinco (sentidos)].