terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sol engarrafado...



“Vindima” de Miguel Torga

O primeiro romance de Miguel Torga é uma homenagem ao Douro, às suas gentes e às suas paisagens. Um livro para todos os que amam esta extraordinária região.
“Em Setembro os homens deixam as eiras da Terra Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do Mundo".
 «Este magnífico romance de Miguel Torga foi injustamente considerado como obra menor aquando da sua publicação em 1945. As preocupações sociais e a solidariedade apaixonada do seu olhar sobre o povo aproximam Vindima das ficções neo-realistas. O que distingue este romance é antes de mais a deslumbrante escrita de Miguel Torga. No entanto, trata-se de um romance voluntariamente realista e que aponta, sem sombra de dúvida, na direcção de uma profunda transformação da sociedade.
Torga exprime o seu amor à terra, à sua rudeza, à sua grandeza - e ao povo que dela vive e aluga os braços em ocasiões difíceis, para sobreviver. As personagens que cria não são apenas ilustração de estamentos sociais diversos em conflito social. São-no, sem dúvida, mas representam a variedade da vida: a saúde e a doença, o desejo, a ambição, a vaidade, o remorso, a alegria. O narrador pinta quadros provincianos e rurais de festa, de ostentação, de primavera e de desgraça. O Dr. Bruno é o citadino em férias, convidado pelos Meneses, que, mal aceite pela poetisa Catarina, da família senhorial, seduz Guiomar, filha de um arrivista implacável com os trabalhadores. A teia do romance é vasta e complexa. Trás-os-Montes aparece-nos nos vindimadores da roga, nos seus derriços e na sua raiva contra os que os humilham. Iládio mostra-se abusador e covarde; Alberto, generoso e infeliz, acaba por morrer. A roga torna à montanha, a S. Martinho, o Dr. Bruno furta-se às suas responsabilidades. A mesma vida injusta, dura para uns, dadivosa para outros, segue o ciclo dos dias.» Urbano Tavares Rodrigues, leitur@ gulbenkian

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[recordamos que temos este compromisso de sempre disponibilizar a sua obra completa: poesias, diários, teatro, contos, romance, ensaios e discursos; também os títulos “Dar Mundos Ao Coração – Estudos sobre Miguel Torga” organização de Carlos Mendes de Sousa, “Miguel Torga – o simbolismo do espaço telúrico e humanista nos Contos” de Vítor José Gomes Lousada, “Miguel Torga – A Força das Raízes (Um itinerário transmontano)” de M. Hercília Agarez, “O essencial sobre Miguel Torga” de Isabel Vaz Ponce de Leão, “Uma longa viagem com Miguel Torga” de João Céu e Silva, “Miguel Torga: O Lavrador das Letras – Um Percurso Partilhado” de Cristovão de Aguiar, “A Viagem de Miguel Torga” de Isabel Maria Fidalgo Mateus; também os álbuns de Graça Morais (“Um Reino Maravilhoso”) e de José Manuel Rodrigues (“Portugal”)]

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

...Que de Fol'gaita Tocavam


“Histórias de Vida dos Gaiteiros do Planalto Mirandês - ...Que de Fol’gaita Tocavam” de Mário Correia

Fruto de uma intensa pesquisa, esta obra resgata do esquecimento os gaiteiros das Terras do Planalto Mirandês, desde o fim do século XIX à entrada no novo milénio. Face à escassez de documentos escritos, Mário Correia socorreu-se sobretudo dos testemunhos daqueles que os conheceram, procurando, sempre que possível, obter informações relativas à técnica, ao repertório, à zona de influência, à aprendizagem e à origem da gaita-de-foles.

«José Maria Fernandes – O Gaiteiro de Urrós
Quem já teve a oportunidade de o ver e ouvir tocar numa das muitas ocasiões festivas vividas pelas comunidades rurais da Terra de Miranda, de imediato concluiu estar na presença de um gaiteiro verdadeiramente expressivo de uma tradição de seculares origens, desempenhando funções rituais e culturais de reconhecido prestígio social. De facto, José Maria Fernandes permanece como um dos mais expressivos gaiteiros tradicionais no contexto cultural da Terra de Miranda.
Residente em Urrós, aldeia do concelho do Mogadouro na qual nasceu em 15 de Abril de 1934, José Maria Fernandes destaca-se pela invulgar combinação de talento e virtuosismo com capacidade e instinto de entretenimento, sendo mesmo um caso único, que não hesitamos em considerar como constituindo um derradeiro exemplo de uma tradição que, tanto quanto nos é dado conhecer, apenas encontra actualmente paralelo em Júlio Prada, gaiteiro de Ungilde, aldeia sanabresa ao lado das terras de Bragança. Na verdade, José Maria Fernandes frequentemente ensaia passos de dança, procurando estimular todos quantos assistem às suas execuções, fazendo-o com desenvoltura e elegância e gerando momentos de íntima comunicação com o auditório.
José Maria Fernandes aprendeu a tocar gaita-de-foles com cerca de doze anos de idade, tendo como mestre seu pai (o qual, por sua vez, aprendera com seu avô), do qual aprendeu a esmagadora maioria do repertório. Todo um ambiente musical familiar que foi decisivo para a alegria e o entusiasmo com que se dedica às suas funções gaiteiras.
Do mesmo modo, não podemos deixar de registar pormenores tão surpreendentes como reveladores da sua técnica instrumental, que referenciamos como «fragmentos da digitação fechada» (levanta-se um dedo de cada vez tapando o imediatamente inferior a cada nota, excepto no que se refere à mão direita, na qual se chegam a levantar três de uma só vez). O que porventura constituirá um resquício de seculares influências asturianas, onde a técnica da digitação fechada é amplamente utilizada pelos gaiteiros tradicionais (e não só).
No que se refere ao seu vasto repertório, importa desde já verificar que o mesmo transcende amplamente os emblemáticos «laços» das danças dos pauliteiros, apresentando espécimes de religiosa funcionalidade, modas de baile e de terreiro, espécimes de rondas e de peditórios e cantigas populares (não só da área mirandesa mas também de toda a vasta terra transmontana, com «passagens» por temas beirões e minhotos).»
Texto: Excerto do livrete do CD «José Maria Fernandes, Gaiteiro de Urrós, Mogadouro» - Colecção «Gaiteiros Tradicionais» nº7 - Mário Correia / Sons da Terra, 2000

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também o título: “Toques de Sinos na Terra de Miranda” – contém cd-rom]

domingo, 14 de outubro de 2012

Passeio pedestre pelo Douro Vinhateiro – Património Mundial


Passeio pedestre pelo Douro Vinhateiro – Património Mundial
dia 21 de Outubro de 2012 (domingo)
actividade organizada por Lagoa Trekking para a Traga-Mundos
Em cada terceiro domingo do mês[*] a Lagoa Trekking irá organizar uma actividade para a Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real.
Assim, para Outubro, no dia 21, domingo, e porque após as vindimas as folhas adquirem uma diversidade de cores, propomos:

«O início do percurso é em Provesende, um percurso circular onde se pode desfrutar do contacto direto com a vinha e as com suas gentes.
Provesende foi classificada em 2001 como aldeia Vinhateira e é uma das antigas povoações de Vila Real, pois já existia no reinado de D. João VI de Leão. Como motivos de interesse podemos ver o pelourinho, o chafariz do século XVIII e a igreja matriz, de traça setecentista. Provesende possui ainda uma série de solares e casas nobres, atestando o poder da nobreza local, muitas vezes ligada ao vinho do Porto, como é o caso dos edifícios conhecidos como Casa da Calçada, Casa do Fojo ou Casa do Fundo da Vila.
Com vistas para o rio Douro e para a vila do Pinhão, descemos por entre vinhas e quintas, acompanhados pela azáfama diária. A chegada ao Pinhão, na margem direita do rio Douro, será ao longo do rio Pinhão, afluente do Douro. Esta Vila é considerada o coração do Alto Douro Vinhateiro, onde se localizam muitas das quintas que produzem o vinho do Porto. Um dos locais obrigatórios a visitar é a principais Estação de Caminhos de Ferro, construída no século XIX, com painéis de azulejos de grande beleza retratando cenas quotidianas do Pinhão.
Após a descoberta da vila, deixamos o som da água para trás e subimos novamente por entre vinhas até Provesende.
Dificuldade - Média
Duração – 5.30 horas»
O ponto de encontro é na Traga-Mundos, pelas 7h30, para assegurarmos o transporte de todos os participantes. Asseguramos igualmente mochila day pack, poncho de chuva, bastões de trekking, seguro de acidentes pessoais, boa disposição e um café na aldeia. É aconselhável cada um levar água para beber e, caso necessitar, comida leve e energética. Venha trekkar connosco...
Preço por participante: 15,00 euros (número mínimo de pessoas: 8, número máximo: 20)
Inscrições (até 19 de Outubro) na Traga-Mundos, ou pelos seguintes contactos: 259 103 113, 935 157 323, traga-mundos1@gmail.com, tolagoa@gmail.com. Transferência bancária para NIB 0033 0000 45418719535 05.
[* Salvo outros compromissos por parte da Lagoa Trekking e/ou Traga-Mundos]
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Roteiro do céu: estrelas e constelações


“Roteiro do Céu” de Guilherme de Almeida
5.ª edição, completamente revista e atualizada.

Obra extremamente acessível, destinada ao grande público. Mostra, passo a passo, como se procede para identificar - a olho nu - as constelações e as estrelas brilhantes. Inclui vários mapas especiais de identificação (com comentários orientadores) e uma carta celeste com mapas concebidos para treino do leitor, além de vários apêndices de fácil consulta. Este livro não requer conhecimentos prévios e é utilizável tanto no hemisfério Norte como no hemisfério Sul. Indica também as condições de visibilidade de todas as constelações. Pode ser assim uma prenda interessante para os jovens, a partir dos 12 anos.

«Quem não gostaria de saber o nome de uma estrela, ao cair da noite, ou identificar uma constelação? Fora dos grandes aglomerados urbanos, o céu nocturno é grandioso e sublime, capaz de sensibilizar até os espíritos mais endurecidos… Além dos roteiros turísticos terrestres, há também lugar para um ou mais roteiros do céu! Quer experimentar?»

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também o título: “Pequenos Guias da Natureza – Estrelas e Planetas – Guia prático para a observação do céu nocturno” de P. Forey e C. Fitzsimons]


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fundação de Vila Real


“A Princesa do Corgo” de Emílio Miranda

Ou a História da fundação de Vila Real de Panoias, mandada erigir por El-Rei D. Dinis no Ano da Graça de 1289, e das gentes que contribuíram para que se fizesse. Acerca dos muitos mistérios que ocorreram durante a sua feitura e de factos que o tempo olvidou...

El-Rei Dom Dinis redige, a 4 de Janeiro de 1289, aquele que haveria de ser o primeiro passo para a criação da nova póvoa, assente agora sobre um cabeço ou outeiro, onde o Corgo e o Cabril se encontram.
Para este projecto concorrem um conjunto de personagens, entre os quais se contam Simão da Cruz, fugido por um crime que em Guimarães cometeu, Maria da Conceição e família, fugidos à pobreza, à fome e à mão pesada de um senhor severo, Manuel Mestre-de-Obras, a quem é dada a missão de erguer os muros da vila, Zacarias, o prestamista, de quem muitos dependem e poucos gostam, Robalo o tolo - sentinela vigilante e tudo menos néscio - Adosinda, a Bruxa do Corgo, uma excêntrica que vive só junto às margens do Corgo e assiste com as suas mezinhas a quem se socorre dela, Pero Anes Foucinha - personagem real, clérigo de Mouçós, que foi procurador de El-Rei naquela região - e tantos outros que, página após página, vão desfilando perante os nossos olhares, colhendo simpatias, ou nem por isso.
A bela Filomena, rapariga muda, cuja paixão nos comove e por quem, irremediavelmente, nos apaixonamos, Maria da Conceição que nos divide os afectos, Gertrudes e Ana Vesga, as coscuvilheiras da vila que nos molestam quase tanto como aos personagens da história, Padre Hermenegildo que morre após uma lauta refeição, como um santa a quem não se escutou um ai ou um ui e o seu sucessor que vê finalmente construída a igreja que o primeiro tanto ansiou e nunca chegou a ver. Por fim, Salomão e Inês, a quem o amor venceu e a vida surpreendeu e, provando uma vez mais que a mentira tem perna curta e que mais tarde ou mais cedo acabamos por nos confrontar com as nossas culpas e os nossos fantasmas... deparamo-nos com o (in)esperado desfecho, que é afinal o princípio daquela que, tão orgulhosamente, conhecemos nos nossos dias como Vila Real (de Trás-os-Montes) a Princesa do Corgo.

«Nos tempos de hoje, talvez banalmente, usamos as palavras pobreza, sofrimento, dor… mas, noutros tempos, noutras eras, foi essa a realidade cravada na pele daqueles que nasciam sem berço dourado, sem nada a que pudessem chamar seu!
A Princesa do Corgo mostra-nos, através de personagens que resvalam de soslaio os nossos sombrios pesadelos, um olhar histórico cravado nesse sofrimento, mas uma força e uma entrega que só a esperança no futuro pressagia.
É essa força das personagens que nos prende à narrativa, porém é a beleza pura da linguagem, que imaginamos ser daqueles tempos, que nos fascina do princípio ao fim das quase setecentas páginas e nos transporta, como numa viagem no tempo, a esse passado.
Não consigo já contabilizar o número de livros que li, mas este foi, sem dúvida, um dos que mais me fascinou e que li, lendo e relendo muitas das suas páginas, sem pressa de acabar, não pela ausência de interesse, mas sim pelo desejo de beber nelas esperança para tempos de crise que sentia acercarem-se e inspiração para lutar como lutam os grandes Homens. Pois… é de grandes Homens que A Princesa do Corgo vê povoadas as suas páginas, de Homens que lutam, que nunca desistem… mesmo que nem sempre as suas almas estejam, às vezes, isentas de mácula.
A fé, que mata e faz renascer, é o motor que alimenta a luta daqueles que ergueram a bela cidade de Vila Real. E não é ela que nos move sempre? A fé no ser humano…»
[Ana Ludovino, Vila Nova da Barquinha]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Magna Carta do Vinho do Porto


“A MAGNA CARTA DA HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO – a escritura de Cister (1142)”
 de Altino Moreira Cardoso
(PRESS RELEASE _ 7 DE Outubro de 2012)

Não estava ainda estabelecido com rigor documental o fluxo da história vitivinícola duriense entre a época romana (séc. V) e o tempo do Marquês de Pombal (séc. XVIII) – uns doze séculos!
O autor, Altino M. Cardoso, fez uma investigação exaustiva da cultura da vinha no Alto Douro e estabeleceu o elo que faltava, a que chama A MAGNA CARTA DA HISTÓRIA DO VINHO DO PORTO: a Escritura de Cister (1142).
Esses doze séculos formavam uma grossa cortina de escuridão e ignorância, alimentada pela moleza graxista do emproado ‘magister dixit‘ que tem eivado a investigação da História Medieval.
Além das escrituras de S. João de Tarouca (TARAUCAE MONUMENTA HISTPRICA, estabelecidas por A Almeida Fernandes), os historiadores do vinho do Porto podem estudar também os tratados medievais (sete, só até D. Fernando), por ex. os de D. Dinis com a França e a Inglaterra (1290, 1293 e 1304), além das lutas portuárias já de seu pai, D. Afonso III, com o bispo do Porto, que recorreu, sem sucesso, ao próprio Papa, para não ser constituído, já em 1255, o Concelho Municipal de Gaia, que lhe retirava fartos direitos alfandegários.

Este trabalho descreve e enquadra a motivação, características e finalidades do Projecto de Cister no Douro, em terras do Aio duriense e integrado na Cruzada ibérica de ajuda a D. Afonso VI, o Conde D. Henrique e D. Afonso Henriques. 
A escritura de 1142, de compra da “herdade dos Varais“, integra-se no projecto vitivinícola cisterciense de Cambres, que metodicamente aí acrescenta outras quintas pioneiras, sempre concentradas no eixo do rio Douro: com a foz do Varosa, do Temilobos, do Tedo....
O contexto agrícola dos conventos de Cister de Tarouca e do Varosa garantia uma farta e mimosa subsistência alimentar, mas não permitia o cultivo da vinha, pelo menos com a qualidade licorosa de “vinho de missa“ (16º álc.), em compatibilidade com a sacralidade litúrgica dos cálices de ouro e prata.
A necessidade inicial de prover de ‘vinho de missa’ as múltiplas necessidades diárias da celebração da eucaristia transformou-se fatalmente no desenvolvimento, aperfeiçoamento e expansão comercial[1] desse “vinho cheirante de Lamego“, depois ‘baptizado’ (com mais aguardente vínica) como “vinho do Porto“ (19º álc.), no acto da exportação.
Por isso é tão marcante esta escritura de 1142.
É a MAGNA CARTA.
Que rasga, definitivamente, a citada ‘cortina histórica’ entre o séc. V romano da “fonte do milho“ de Canelas e o séc XVII-XVIII do Marquês.
O “vinho de missa“ licoroso (16º álc.), ou “cheirante de Lamego“ da Ordem de Cister, chamou-se “do Porto“, por daqui ser exportado, pelo menos já desde o reinado de D. Dinis.
A junção de aguardente vínica (entre 13-18 litros/pipa) para exportação, eleva a norma alcoólica do “vinho do Porto“ para 19º álc.. 
Já bem antes do séc. XVI só a quinta de Mosteirô (Cambres) exportava 15-16.000 almudes, o que pressupõe infraestruturas de muitas décadas, quer relativas ao saibramento e plantação da vinha até se tornar produtiva, quer ao tempo apreciável de envelhecimento do vinho licoroso quer, ainda, ao fabrico dos próprios meios de transporte: carros de bois, barcos, armazéns, vasilhame... 
A Alfândega do Porto, em 1741, registou a exportação de 19.000 pipas!
Mas a riqueza do nosso vinho fino é ainda Dádiva e Espírito:
Alma e não apenas Corpo.
Nas funduras da Paisagem os visitantes encontrarão a Essência do nosso Ser colectivo, que no Douro foi criado, por Egas Moniz e Cister de Borgonha, para D. Afonso Henriques, fundando com ele a dinastia borgonhesa e deixando este Património aos Durienses, a Portugal e a toda a Humanidade.

[1] Os regulamentos originais de Cister proibiam a venda de produtos monacais: mas as necessidades económicas da guerra da cruzada e a insistência da procura tornaram irresistível a tentação comercial e a regra foi aligeirada.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Padre Fontes: vida e obra + filme


 “Padre António Fontes – Vida e Obra” de João Gomes Sanches

Aos 72 anos, o mediático e controverso padre Fontes continua a ter uma vida agitada, apesar dos obstáculos inerentes à doença de Parkinson.
Conhecido como «o homem que colocou Barroso no mapa», com eventos como o Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, a Feira do Fumeiro e o Dia das Bruxas, continua a enfrentar a hierarquia católica, não temendo revelar tudo aquilo que pensa.

«O cepticismo do padre António Fontes face às aparições de Fátima é abordado numa biografia do impulsionador do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, avançou hoje o autor da obra, João Sanches.
«Nunca ninguém pôs esta questão de maneira tão explícita», afirmou autor, que é psicólogo e docente universitário, considerando que o padre António Fontes partilha da ideia de que as aparições funcionam como «mecanismos de que a Igreja [Católica] precisa para manter a crença dos fiéis».
A obra recorda que, muito antes das aparições de Fátima, foi relatado um episódio similar na aldeia de Calvão, na fronteira de Chaves e Montalegre, numa altura em que paroquiava a freguesia um padre que viria a ser transferido para Fátima.
O episódio de Calvão ocorreu em 1853 e as aparições de Fátima só se registaram em 1917.
«Foi muito depois, mas pergunta-se até que ponto as sementes não frutificaram, até que ponto não se criou uma certa cadeia teológica», observou o psicológico e docente universitário.
A biografia aborda igualmente as quezílias de António Fontes com o antigo bispo de Vila Real Joaquim Gonçalves, que chegou a proibir o padre de organizar o congresso de Vilar de Perdizes.» [Semanário “Sol”]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos: “Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica” de António Fontes e João Gomes Sanches, “Usos e Costumes de Barroso” de Barroso da Fonte e António Fontes, “Cancioneiro Ancestral Barrosão – Etnografia Transmontana, 3.º Volume” de Padre António L. Fontes e Altino Moreira Cardoso, “As Chegas de Bois – Uma Antologia”]



Para que este mundo não acabe!
Documentário de João Botelho sobre o Barroso
 SEGUNDA 8 | OUTUBRO | 22H00 | TEATRO DE VILA REAL

Realização: João Botelho
2009 | M/12 | 55 min.
Documentário | POR
Com: Marcello Urgeghe, Maria Archer e João Poças

«‘Vinde ver este mundo acabar’ — escreveu na sua monografia do Barroso o Padre António Fontes um apelo desesperado. E eu fui. E então vi a gente e a terra. Assombro na descoberta. Aperto no coração. Sentidos despertos. Recolhi umas histórias, inventei outras, respeitando a dignidade e a grandeza deste pedaço do meu país, que não tem igual. A generosidade e a fertilidade como coisa maior. Disso trata este projecto de documentário». João Botelho

“Para que Este Mundo Não acabe” faz parte de uma trilogia de João Botelho dedicada a Trás-os-Montes e Alto Douro, numa encomenda a Direcção Regional da Cultura do Norte, junto com “A Terra Antes do Céu” (já exibido no Teatro de Vila Real) e “Anquanto la Lhéngua fur Cantada” (agendado para 22 de Outubro).
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TEATRO DE VILA REAL
Alameda de Grasse | 5000-703 Vila Real | PORTUGAL
Tel: 259 320 000 (14h30–20h00) Fax: 259 320 009
Informações e reservas: bilheteira@teatrodevilareal.com
Facebook: www.facebook.com/

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Tertúlia moçambicana Kanimambo


Tertúlia moçambicana
11 de Outubro, quinta-feira, pelas 20h30
no Kanimambo – Sabores de Moçambique, Avenida 1.º de Maio, n.º 192, em Vila Real
por Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Se conhece Moçambique e gostaria de partilhar memórias e vivências com outros conterrâneos. Se não conhece Moçambique e gostaria de saber um pouco deste país africano da costa do Índico. Se conhecer outro país africano ou se tiver curiosidade de saber um pouco mais de África. O Kanimambo e a Traga-Mundos organizam a cada segunda quinta-feira do mês, uma tertúlia moçambicana. Huum... maningue nice!

O menu desta 1.ª tertúlia:
- Chamussas;
- Caril de frango com quiabos;
- Caril de caranguejo;
- Pulau de vitela com mandioca;
- Mousse de manga;
-Bolo de côco.
[10€ por pessoa (bebidas não incluídas)]

Kanimambo – «O nosso espaço surgiu da ideia de criar algo novo na restauração em Vila Real, aliada com a necessidade de fazer frente ás dificuldades da vida que a situação de desemprego nos trouxe. Sendo a Vanessa Barbosa de descendência moçambicana aprendeu com a Mãe o gosto pela cozinha e pela sua cultura, Vitor Correia, marido, natural da Régua, arregaçou também as mangas e ao ficar desempregado abraçou este projeto deixando para traz a vida de condutor de pesado. Juntos, pretendem proporcionar um espaço alegre, confortável e com experiências gastronómicas deliciosas» [Vanessa é filha de Orlanda e Barbosa, que gerem o famoso espaço Tia Orlanda – Sabores Moçambicanos no Porto]
 Traga-Mundos – «António Alberto Alves nasceu em Lourenço Marques, tendo frequentado a Escola Primária Comandante João Belo, e viveu até aos 9 anos de idade em Moçambique. Posteriormente, foi voluntário e viveu durante 5 anos na Guiné-Bissau.»

Solicitamos confirmação (o mais tardar) até 10 de Outubro. Kanimambo...

Kanimambo – Sabores de Moçambique – restaurante e take-away
Avenida 1.º de Maio, n.º 192, em Vila Real
Terça a sábado das 12h00 às 23h00; Domingo das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00
reservas / encomendas 918126234 | 917984734
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Diário duriense


“O Rio da Amargura (Diário de Mercedes)” de Eurico Figueiredo

«No momento em que inicia uma nova fase da sua vida, Mercedes sente a necessidade de escrever um diário. Prestes a embarcar na aventura de gerir a sua própria quinta no Douro, ela sabe que tem muito para aprender. O diário serve-lhe de registo às suas experiências, não só no crescimento a nível profissional, mas também na sua vida pessoal e numa investigação em que decide embarcar. O resultado é uma visão pessoal de muitas histórias que não a sua, e também o retrato de uma mulher com uma visão muito clara da evolução do Douro através do tempo.
Várias histórias se cruzam ao longo deste romance, o que, desde logo, surpreende, tendo em conta a brevidade da narrativa. Mais que a história de Mercedes, O Rio da Amargura serve como base para uma análise da situação do Douro em termos políticos e económicos, bem como para o desenrolar de múltiplas pequenas histórias relativas aos que rodeiam a protagonista. E nestas histórias há de tudo um pouco, desde o estranho julgamento do caso Carta e a história do papel que este homem terá desempenhado, aos pequenos mistérios da vida pessoal do marido de Mercedes, com as características da sua doença a terem um papel fundamental nas motivações para a investigação sobre Carta. Há, até, um toque de sobrenatural na influência exercida pela bruxa de Vermiosa, primeiro na vida de Rui, depois, em menor grau, na de Mercedes. Muitos elementos cruzados, portanto, e todos narrados na primeira pessoa por uma protagonista forte, determinada e com uma curiosidade insaciável.»
[Carla Ribeiro, blogue As Leituras do Corvo]
Repleto dos sons, sabores, cores e paisagens do Douro, O Rio da Amargura prende-nos do princípio ao fim. Acompanhamos as aventuras e desventuras de Mercedes com a mesma intensidade com que a protagonista as viveu, da sua paixão pelo Douro, das suas descobertas das pequenas e grandes histórias que fizeram a região, até aos seus amores mais ou menos felizes, passando pela sua luta, como produtora do Douro, com as hilariantes e penosas burocracias tão genuinamente portuguesas.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos: “A Agave Só Floresce Uma Vez – Ciclo Duriense 1”, “No Reino de Xantum – Os Jovens e o Conflito de Gerações” e “Pátria Utópica – O Grupo de Genebra revisitado” com António Barreto, Ana Benavente, José Medeiros Ferreira, Valentim Alexandre]

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um padre guerrilheiro


“República e Incursões Monárquicas – Um Padre Guerrilheiro de Barroso” de António Chaves, Barroso da Fonte, Bento da Cruz, José Baptista

«A primeira incursão monárquica teve lugar de 4 para 5 de Outubro de 1911 na raia galega de Vinhais, exatamente um ano após a revolução que conduziu à vitória do 5 de Outubro de 1910, dando início a um regime republicano em Portugal.
Completou-se, no decorrer do mês de Julho, um século sobre a segunda incursão monárquica e, em Agosto, século e meio sobre a data de nascimento do Padre Domingos Pereira, um dos mais destacados e astutos guerrilheiros da contra-revolução monárquica. O aniversariante, apesar de ter vivido boa parte da vida adulta em Cabeceiras de Basto e aí ter sediado o seu baluarte de resistência, é natural do concelho de Montalegre, mais propriamente da aldeia de Vilarinho, freguesia de Negrões, onde nasceu a 9 de Agosto de 1862».

António Chaves (Autor e coordenador do livro): «tentei dar uma perspetiva daquilo que se passou a nível internacional, nacional e local. Considero de fundamental importância entender-se aquilo que se passa à nossa volta. Tentar dirimir as questões que se encontram no nosso dia a dia, nas nossas instituições, nas nossas relações, sabendo que elas não estão totalmente desligadas de contextos mais alargados. Nós fomos líderes e pioneiros mas esse é um tempo que já lá vai muito longe. Encaixar as peças neste contexto é, por vezes, um exercício difícil mas é fundamental para conhecermos a nossa história dos nossos locais de modo a entendermos como foi o nosso passado».

Barroso da Fonte (Autor): «a mim foi-me dado um tema sobre o padre Domingos Pereira falando dos últimos 25 anos da vida dele. Foi interessante falar desta figura. É um padre barrosão. Havia mais um irmão na família. Os dois foram parar a Cabeceiras de Basto onde estava um tio, João Carreira, que teve influência junto do bispo de Braga para o levar para lá. Travaram lá algumas batalhas, esta foi uma batalha travada por eles. Ele acabou por não renegar à religião porque quando morreu foi vestido com as vestes de sacerdote. Dava conselhos aos padres que não fizessem o que ele fez. Para mal já bastava o que ele fez. Enquanto foi padre cumpriu. Não há noticias que ele se tenha portado mal a não ser que tenha seis filhos da empregada Valentina. Os filhos foram criados, ao que parece, com boa educação. Depois de abdicar de sacerdote, foi um combatente, um guerrilheiro...na parte que me toca não analisei o combatente mas a integridade e a coerência do homem que foi. Em relação à Câmara, não lhe ficou nada mal homenagear um cidadão, fez muito bem».

Bento da Cruz (Autor): «escrevi sobre a incursão do Paiva Couceiro em relação ao que se passou aqui na fronteira. A história de Portugal é feita pelos autores nacionais. A história local tem que ser feita por nós. Isto faz parte da história local. Toda a descrição que faço, que não tem pretensões históricas, é uma festa! Lembro, por exemplo, do pormenor do Joaquim Leitão, não sei se mente ou não, de os homens aparecerem em Gralhas com lenços à cabeça, de cor vermelha. Eram lenços como turbantes. Eu ainda me lembro disso. Um uso que agora desapareceu por completo».

José Dias Baptista (Autor): «a minha prestação é a parte histórica da vida do padre Domingos Pereira. Toda a história nacional ligada à história de Barroso através da figura do padre. Trata-se de fazer uma resenha dos momentos históricos nacionais mais importantes, como faço em todos os meus livros, ligando-os a factos históricos passados na nossa região».
[webpage da Câmara Municipal de Montalegre]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos de Bento da Cruz: “Contos de Gostofrio”, “Histórias da Vermelhinha”, “O Retábulo das Virgens Loucas”, “Histórias de Lana-Caprina”, “A Lenda de Hiran e Belkiss”, “Prolegómenos I”, “Prolegómenos II”, “A Fárria”, “Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes” e “Camilo Castelo Branco por Terras de Barroso e Outros Lugares”]

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Lagarada tradicional (Douro)


Lagarada da Prova dos Cinco (sentidos)
dia 13 de Outubro de 2012 (sábado), pelas 21h00
no Lagar de Francisco Barros Carvalho
no lugar de Cabêda, freguesia de Vilar de Maçada, concelho de Alijó
pela Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real
 Programa:
- Breve contextualização da aldeia na Região Demarcada do Douro;
- Prova de uvas e mosto de diferentes castas (Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Mourisco e Vinha Velha);
- Participação na lagarada (entrada no lagar: opcional);
- Ceia.
Duração – 3 horas
 
O ponto de encontro é na Traga-Mundos, pelas 20h00, para assegurarmos o transporte de todos os participantes – quem estiver mais próximo do local do evento, poderá seguir directamente para Cabêda...
Preço por participante: 15,00 euros (número mínimo de pessoas: 8, número máximo:
40)
Inscrições (até 11 de Outubro) na Traga-Mundos, ou pelos seguintes contactos: 259 103 113, 935 157 323, traga-mundos1@gmail.com. Transferência bancária para NIB 0033 0000 50068664116 05.
[nota: a lagarada não acontece para ser um evento, faz parte da tradicional vindima desta família; por conseguinte, caso aconteçam imponderáveis meteorológicos, a lagarada poderá não se realizar...]


Prova dos Cinco (sentidos)
na Traga Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real com a enóloga Sandra Sousa.
Propomos cinco eventos de fim-de-semana com carácter lúdico e de aprendizagem com provas de vinhos do Douro e Porto, harmonizar vinho e gastronomia, visitas a adegas de quintas, participação em lagarada na vindima (prova de mosto e uvas), magusto e prova do vinho no S. Martinho.
Indicado para quem quer aprender a provar e para quem quer melhorar as suas aptidões de prova e aprofundar conhecimentos.
Venha por à prova os seus cinco sentidos…

Programa

² Primeiro Evento – Lagarada em Cabêda
13 de Outubro, sábado, 21h00

² Segundo Evento – Curso de Iniciação à Prova
27 de Outubro, sábado, 21h00.
Visita a Vinhas da Ciderma
4 de Novembro, domingo, 15h00.

² Terceiro Evento – Magusto e S. Martinho em Cabêda
11 de Novembro, domingo, 15h00.

² Quarto Evento – Curso de Provas Vinhos do Porto
24 de Novembro, sábado, 21h00
Visita a Coimbra de Mattos
25 de Novembro, domingo, 15h00.

² Quinto Evento – Curso “Harmonizar vinho e gastronomia”
19 de Janeiro, sábado, 21h00
Jantar vínico no restaurante Terra de Montanha
26 de Janeiro, sábado, 20h00.

Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00