sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

não te acomodes, se és vento




“O Rio Que Perdeu As Margens” de António Cabral
ficção / crónica / poesia

NÃO TE ACOMODES
Se te acomodasses a este lugar,

deixarias de o ter na pele
onde tudo acontece,
antes da respiração,
mesmo aquele penhasco,
já dentro de ti, sempre
a ameaçar desprender-se.
Não te acomodes, se és vento.





«Parece-nos impossível ler este livro de uma forma tradicional, pois o pensamento corre como um rio caudaloso, cumprindo a sua função, havendo, no entanto, momentos em que se detém, atento e deslumbrado com a vinha, dialogando com a poupa, sentindo e provocando um turbilhão de emoções poéticas. Em tudo há rio, chuva, ou ausência dela, há sol, ou a sua metáfora, e fogo nas montanhas que ombreiam umas com as outras. Há perfeita comunhão com a terra/paisagem que viaja dentro dela e que contém um rio que, por sua vez, se recolhe em nós quando chove. E há ar, voo, liberdade, sonho, “castelos no ar” de que afinal é feita a vida, sob pena de esta ficar sem sentido.


Todo o livro é poesia pura. Isabel Allende afirma que “O poeta e o padeiro são irmãos na essencial tarefa de alimentar o mundo”. Este livro alimenta a alma de qualquer pessoa. Todos os dias se pode partir para onde a poesia nos transporta, num barco rabelo, rio acima ou rio abaixo, nas asas de uma rola que nos lembra que não sabemos voar, mas que ignora que os olhos, como diz o autor, “crescem e repartem-se aos bocadinhos pelas coisas e paragens, quando as vêem com gosto, pegando então nelas e guardando-as dentro de si onde continuam a luzir à beira dum sítio verde chamado alma”. (…)
A própria escrita apresenta-se como um jogo que, tal como uma criança, o escritor domina: recolhe não sabe de onde a bola, que transforma num conto, num poema, e atira-a para outras mãos, as do leitor que, por sua vez, joga, lendo, reescrevendo o que lê. Aliás, o escritor também leu, o quê nunca saberá ele:
“Vede agora o escritor que num papel ou no computador escreve os seus poemas, um romance algum conto ou uma peça de teatro. Não repete ele o jogo infantil, primeiro ao recolher em suas mãos, vinda não sabe donde, uma bolinha longínqua, um arder necessário, que depois lança para outras mãos?
Se escrever é jogar, ler é partilhar o jogo da vida. Sinais. Cada leitor tem a sua maneira própria de ler. Reescreve o que lê e isso é bom. A ler também se joga. Joga-se duas vezes. Dantes, o escritor também já tinha lido, muito, fora e dentro de si. Leu o quê? Algum dia chegará a saber?”  FORTUNA, Ana Paula – O rio que perdeu as margens de António Cabral. Boletim Cultural. Vila Real. ISSN 0871-7761. N.º 14 (2008), pp.48-50



Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os seguintes títulos do autor: “Entre o Azul e a Circunstância”, “Ouve-se Um Rumor + Entre Quem É”, “Antologia dos Poemas Durienses”, “Bodas Selvagens” e “A Tentação de Santo Antão”]

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Festas dos Rapazes, Trás-os-Montes


OS SONS DAS MÁSCARAS
Constantim – Miranda do Douro
Trás-os-Montes

Gravação: 2000/2001/2002
Local de Gravação: Constantim
Colecção: Paisagens Sonoras 5
Ano de Edição: 2010
Centro de Música Tradicional Sons da Terra

Os repertórios aprendidos e assimilados pelos gaiteiros tradicionais (cor)respondem a distintas exigências funcionais, permitindo-lhes contribuir, nos contextos e nos momentos festivos tradicionais, para a permanência expressiva de um vasto e significativo conjunto de actos rituais (alvoradas das festas, rondas de ofertório e de peditório, bailes nos terreiros e animações relacionadas com refeições comunitárias). De tal modo que, sem a sua presença, tais actos rituais careceriam de sentido e significado.
Os registos sonoros da Fiesta de ls Moços (Fiesta de San Juan), que se celebra em Constantim nos dias 27 e 28 de cada ano (Miranda do Douro), foram efectuados por Mário Correia / Centro de Música Tradicional Sons da Terra nos anos de 2000, 2001 e 2002.
A reprodução editorial destes registos foi elaborada com o mínimo de intervenção sobre as gravações originais, procurando-se transmitir o mais fielmente possível as sonoridades que acompanham as várias fases da festa.
Tratando-se de um registo que inserimos na série das chamadas paisagens sonoras, a autenticidade testemunhal dependeu e foi determinada pela presença vivencial das mesmas. E, como não podia deixar, sempre norteados pelos ensinamentos do grande mestre e pioneiro das paisagens sonoras, Murray Schafer: O que o analista da paisagem sonora precisa fazer, em primeiro lugar, é descobrir os seus aspectos significativos, aqueles sons que são importantes por causa da sua individualidade, quantidade ou preponderância.

Os sons da noite na véspera da festa:
01. Os sons da noite…
02. …na véspera da festa

De casa em casa na ronda do peditório:
03. De casa em casa…
04. …na ronda do peditório 

Toques e danças no sagrado
05.Señor mio (dentro da igreja) 
06. Elevação da hóstia (dentro da igreja) 
07. Marcha processional

Danças de paulitos no adro (despedida da Bielha e do Carocho):
08.Campanitas e Ofícios

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos: PROCISSONS – Miranda do Douro n.º 3, PROCISSONS – Vimioso n.º 4]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A lenda de Hiran e Belkiss


“A Lenda de Hiran e Belkiss” de Bento da Cruz

Da história bíblica renascem os dois enredos que dão corpo a este trabalho. Sobressaindo pelo refinado humor com que envolve as personagens e as situações plenas de deliciosos pormenores de fantasia, “A Lenda de Hiran e Belkiss” principia por contar, de forma assaz original, a história de um Rei David algo sui generis, onde se realça o insólito e humanizam espirituosamente as acções e reacções do monarca bíblico e dos restantes personagens. Após este prelúdio, que é na verdade uma história dentro da história, surge então a lenda do amor entre Belkiss, rainha de Sába, e Hiran, mestre arquitecto. Decorrida no reinado de Salomão, esta tragicomédia arrebata-nos para um mundo onde testemunhamos o desenrolar de um amor intenso e puro no seio de uma sociedade hipócrita e egoísta.
Matizado com uma sensibilidade muito actual, satirizam-se neste exercício de imaginação acontecimentos e histórias geralmente encarados com seriedade, querendo talvez relembrar-nos da inconstância da vida e da presença inabalável do humor, até nos momentos mais difíceis e inesperados.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também do autor os títulos “Contos de Gostofrio”, “Histórias da Vermelhinha”, “O Retábulo das Virgens Loucas”, “Histórias de Lana-Caprina”, “Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes”, “Prolegómenos I”, “Prolegómenos II”, “A Fárria”, “Camilo Castelo Branco por Terras de Barroso e Outros Lugares” e “República e Incursões Monárquicas – Um Padre Guerrilheiro de Barroso” com António Chaves, Barroso da Fonte, José Baptista]

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PRÓSPERO 2013


Que os dias por estrear tragam as coisas boas de que os dias velhos se esqueceram
PRÓSPERO 2013

“Receita de Ano Novo”

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na b.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Iniciação a Miguel Torga


“O meu primeiro Miguel Torga” escreveu João Pedro Mésseder, Inês Oliveira ilustrou

«Vou falar-te de um menino nascido num “Reino Maravilhoso”. Assim chamou ele a Trás-os-Montes, quando um dia – já adulto, escritor já – compôs das mais belas palavras que conheço sobre essa região de Portugal, a terra que o viu dar os primeiros passos e abrir os olhos para a vida...»


Miguel Torga (1907-1995) foi um admirável escritor da literatura portuguesa, com uma maneira única de contar, de falar de si e de captar, em verso e em prosa, os pequenos e grandes momentos da vida. E a sua foi uma vida invulgar. Neste livro, a escrita de João Pedro Mésseder e as imagens de Inês de Oliveira dão a conhecer o fascínio que Torga sentia pelas palavras, pelo país, pelos bichos, pelas crianças e pelos seus semelhantes. E também pelo "reino maravilhoso" onde nasceu.


«Uma homenagem ao homem, ao cidadão e ao escritor que foi Miguel Torga, este volume vocacionado para os leitores mais jovens – e não só – oferece um texto de inspiração biográfica, composto num discurso muito envolvente, marcadamente coloquial, interpelativo e próximo do seu destinatário extratextual preferencial. A evocação de alguns dos momentos biobibliográficos do escritor em questão ganha, assim, uma expressão literária pessoalíssima, pontuada pela inclusão de alguns segmentos poéticos e narrativos/diarísticos do autor de Bichos, uma selecção textual que testemunha algumas das singularidades desta personalidade literária. As ilustrações em aguarela de Inês Oliveira tornam evidente o olhar especial de Miguel Torga, por exemplo, sobre a natureza, a escrita e os bichos. A composição visual desta publicação, discreta, subtil e cuidada (numa linha, aliás, a que esta ilustradora nos tem vindo a habituar), desvenda também a perspectiva e/ou leitura pessoal desta artista plástica da mundivência e da escrita torguianas.» Sara Reis da Silva [Casa da Leitura, Fundação Calouste Gulbenkian]

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para apoio a projectos relacionados com Música/Artes nos 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[recordamos que temos o compromisso de sempre disponibilizar a obra completa de Miguel Torga: poesias, diários, teatro, contos, romance, ensaios e discursos; também os títulos “Dar Mundos Ao Coração – Estudos sobre Miguel Torga” organização de Carlos Mendes de Sousa, “Miguel Torga – o simbolismo do espaço telúrico e humanista nos Contos” de Vítor José Gomes Lousada, “Miguel Torga – A Força das Raízes (Um itinerário transmontano)” de M. Hercília Agarez, “O essencial sobre Miguel Torga” de Isabel Vaz Ponce de Leão, “Uma longa viagem com Miguel Torga” de João Céu e Silva, “Miguel Torga: O Lavrador das Letras – Um Percurso Partilhado” de Cristovão de Aguiar, “A Viagem de Miguel Torga” de Isabel Maria Fidalgo Mateus, “Miguel Torga – o drama de existir” de Armindo Augusto, “Ser e Ler Miguel Torga” de Fernão de Magalhães Gonçalves; também os álbuns de Graça Morais (“Um Reino Maravilhoso”) e de José Manuel Rodrigues (“Portugal”)]

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

emmy Curl: de Vila Real para o Mundo


emmy Curl, EP “Origins”
disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

«Aos 22 anos, Emmy Curl tem aquilo que criadores de todas as idades ambicionam: um universo próprio, bem desenhado e melhor preenchido. Em novembro a cantora e compositora de Trás-os-Montes, nascida em Vila Real como Catarina Miranda, lança o seu terceiro EP, «Origins». A canção «Song of Origin» serve de primeira amostra de um disco cuja versão digital já pode ser pré-encomendada no site da artista.
Foi há dois anos que Emmy Curl deixou as primeiras pegadas, delicadas mas visíveis, no areal da música portuguesa: «Birds Among The Lines», o EP de estreia, lançado pela Optimus Discos, mostrou-a enquanto dona de uma música delicada e romântica, por vezes agridoce, que a própria define como «dream pop». Cinco canções despertaram a atenção de público e crítica para Emmy Curl, levando-a a actuar nos festivais Sudoeste e Delta Tejo, bem como a aparecer em programas televisivos como A Última Ceia, na SIC Radical.
Criada no seio de uma família dada às artes, Emmy Curl alimenta a sua música, sonhadora e colorida, com a paixão por outras disciplinas: fotografia, artes plásticas e moda (criou um atelier de costura, de onde ganha algum dinheiro para poder dedicar-se à música) fazem parte de um currículo rico em desejo de experimentar mais e fazer melhor, além de fazer bonito. É em palco que Emmy Curl conjuga todas as suas vocações, enriquecendo as suas actuações com a desenvoltura ganha ao serviço dos Rouge, uma banda teatral de Aveiro, onde vive actualmente.
Apaixonada pela sua terra natal, desde cedo que Emmy Curl quis voar além das montanhas da região que a viu nascer, e só na música a artista já pode orgulhar-se de ter dado nome e corpo a vários projectos: a banda Deep:Her; o conceito Cat-a-Vento, no qual, inspirada pela obra de Zeca Afonso e Fausto, planeia cantar em Português; o papel nada secundário de voz convidada em «Hey!», versão dos Pixies incluída no disco do guitarrista português Frankie Chavez.
De imagem cuidada e imaginário singular, a cantora e compositora, que gosta de assumir o controlo em todas as fases da gravação, da produção ao trabalho gráfico, tem tido no público um impacto gradual mas intenso: no Youtube, surgem cada vez mais versões de canções suas, feitas por fãs. E a própria Emmy Curl não se coíbe de vestir a pele de fã, assinando notáveis versões para temas como «Tiger Mountain Peasant Song», dos Fleet Foxes.
Andrew Bird, Little Dragon, Zero 7, Goldfrapp, Jorge Palma e José González são alguns dos artistas que Emmy Curl mais gosta de ouvir, e que a espaços conseguimos ouvir, também, na sua música perfumada e vaporosa.
No EP novo, «Origins», a transmontana promete manter a personalidade musical que já deu a conhecer, tentando ao mesmo tempo levar as canções por caminhos novos e mais aventureiros. André Tentúgal (We Trust) é um dos convidados do segundo capítulo de uma obra que continuará a cruzar a doçura da voz de Emmy Curl com a beleza crua da terra de onde vem. Como diria o seu conterrâneo Miguel Torga, numa passagem que a cantora chegou a citar em entrevistas de promoção ao primeiro EP, «às vezes chamo-lhe maldição, um misto de oração e de feitiço»." [Kimahera]

«Emmy Curl gravou, aquele que será o seu primeiro EP oficial, Birds Among the Lines para a Optimus discos em apenas uma semana. Nesta semana mágica que culminou com a abertura do Coliseu de Lisboa para Eels, Catarina Miranda (Emmy Curl) vestiu a “pele” de intérprete, instrumentista, co-produtora e artista gráfica.
Dotada de uma verdadeira alma "renascentista" Emmy representa uma nova corrente de artistas multifacetados que têm uma noção bem definida e eclética da forma como se querem expressar e comunicar.
Cantautora desde tenra idade, Emmy Curl, não restringe a sua criatividade a uma única persona, tendo para tal criado heterónimos, Catrain, para se expressar plasticamente, Cherry Sparks para uma nova linha sonora, Deep:Her para a vertente electrónica.
Nascida em Vila Real há frescos vinte anos atrás, está transmontana despertou para a musica no seio de uma família amante das artes, o que lhe permitiu desde cedo gravar e esboçar o que seriam as suas primeiras melodias com apenas 11 anos.
A envolvência e silêncio das fragas de Trás-os-Montes influenciaram-na sempre ao longo do seu percurso artístico materializando-se nas suas fases mais criativas " em Vila real, em casa, naqueles pores do sol, sempre crio mais" onde o lado sonhador e melancólico reporta as lendas e ao imaginário celta. O isolamento e a concomitante presença do mundo via novas tecnologias, permitiram-lhe o recato e a urbanidade da sua sonoridade.
Em Birds Among the Lines, Emmy Curl partilhou o processo da produção, apesar de estar mais habituada a solitários exercícios autodidacta " Descobrir a forma de comunicar o que nos vai na alma, o quadro que estamos a pintar, partilhar a visão, foi algo que pela primeira vez fiz.
"Neste EP quis dar corpo e cor as canções que tinha na alma, vesti-las como as vejo"através dos arranjos. Quis neste EP mostrar um corte do meu universo passado, presente, futuro, unos, mostrar o fio condutor do meu percurso," diz Emmy Curl.
As suas canções em termos sonoros apelam ao mais transcendente e ao etéreo do dream pop, sugeridas pela sua voz suave e pelos back-vocals submersos em reverb, ou pelas melodias flutuantes da sua guitarra. As letras dizem respeito aos sentimentos pessoais, relações humanas, e amor, por vezes real ou imaginário.
Ecos de grande interesse vindos de países como os Estados Unidos, França, Grécia e Itália vêm só confirmar a noção de que estará a surgir a 1º Artista portuguesa a vingar internacionalmente fora das áreas relacionadas com estilos tipicamente nacionais.
Agradecimentos: Fernando Nunes, Tânia Carvalho, Diana Carvalho, Joao Fino, Carla Teles, Filipe Larsen, Rui Alves, Mãe, Pai, Familia, gato Merlin, Ricardo Cook, Alexandre Mano, Célia Aldegalega.
[Optimus Discos]

«Emmy Curl é o alter-ego de Catarina Miranda, uma jovem cantora e compositora nascida em Vila Real.
Começou pelo nome Emmy e agregou Curl (caracol em português) pois desde sempre desenha espirais. Aos 11 anos compôs a sua primeira canção mas cedo a sua aptidão para a música foi sobressaindo. Ainda na barriga da mãe, “já estava a ser cultivada com música”, tendo os pais como grande influência na sua inclinação artística. “Os meus pais faziam canções antes da minha existência, durante e ainda hoje”, refere Emmy que aos oito anos recebeu uma máquina de gravar voz e “era viciada em gravar tudo, inclusive as aulas da primária”. Aos 15, completou três anos de formação de guitarra clássica e iniciação ao canto lírico no Conservatório Regional de Vila Real. “Foi suficiente para mim, a partir dessa formação fui moldando esse conhecimento àquilo que já sabia e que ainda procuro”. Para Emmy Curl, “Trás-os-Montes é um antro de inspiração de todo o poeta, músico ou pintor”, sendo que a sua maior inspiração provém da Natureza e inevitavelmente das “paisagens do Douro e das Serras do Alvão e Marão”.» Ilídio Marques, “Notícias de Vila Real”

emmy Curl, EP “Origins”
disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Guerra em rima


“Guerra em Rima” de Dias Vieira

O Coronel Dias Vieira sempre teve um fraquinho pelo jornalismo e pela investigação. Mesmo quando estava no activo, ao serviço da GNR. Agora que se encontra na pausa profissional que é bem merecida quando se cumpre como ele cumpriu e goza de saúde para ocupar o tempo livre, tem vindo a pesquisar na imprensa regional temas que na altura terão passado despercebidos mas que à distância de décadas, constituem curiosidade cultural, social e histórica.
O semanário a Voz de Trás-os-Montes que iniciou a sua publicação em 9 de Novembro de 1947, como propriedade das Conferências de S. Vicente de Paulo e que teve apenas dois directores: o Pe Dr. Henrique Maria dos Santos, até à altura em que deixou Vila Real e o Pe Dr. António Maria Cardoso, que completou 90 anos de vida em Março passado e que ainda continua ao leme deste órgão de informação que tem uma organização profissionalizada, que dá garantias de chegar longe.
Aproveitando para felicitar o Dr. António Maria Cardoso e todos os seus colaboradores, entro no tema que aqui me traz.
Dias Vieira ao compulsar a sua colecção de 1948, deparou com uma saudável «guerra», iniciada pelo saudoso Padre José Bernardo Gonçalves, nascido em Paradela do Monte (Stª Marta), em 1924 e falecido em 25 de Junho de 2000.  Na edição de 11 de Junho de 1948 publicou nesse periódico um soneto que intitulou: «Água o deu...».
Na edição do mesmo jornal de 1 de Agosto seguinte, o também poeta Barrosão, Artur Maria Afonso (Pai do célebre Pintor Nadir Afonso), escreveu um soneto que dedicou ao Padre Bernardo  e que tinha por título: «Tinha de arder... e ardeu».
O Pe Bernardo, satisfeito com a dedicatória, ripostou com novo soneto desta vez intitulado: «Quem nasce para cinco... a dez não vai», numa espécie de incapacidade em relação a quem tanto o honrou com a primeira dedicatória.
Só que Artur Maria Afonso não aceitou que Bernardo se inferiorizasse e, em réplica ao elogio, dedicou-lhe, também um segundo soneto, onde, nos 3º e 4º versos da segunda quadra, lhe confessa, em «Agradecimento»: O verso que traçais é tão perfeito/ que não há quem vos possa exceder.
Nesse meio tempo intrometeu-se no elogio mútuo, entre Bernardo e Maria Afonso, um desconhecido A. M. de Mairos - Chaves. Este A. M. questionou-se, também em soneto «a dois poetas» terminando a chave desse soneto: Gemeu: - Mas que humildade a destes lírios!...
A. M? Chama-se, ainda hoje, o Mons. Ângelo Minhava que nessa altura pregava em Mairos, no concelho de Chaves. Entendeu quebrar o diálogo daqueles dois «requebros amorosos». E, ignorando os dois contendores, a identidade do intruso que tratava por D. Quixote (lírio branco) e Tirteu (lírio roxo). A brincadeira enquanto foi a dois, decorreu bem. Mas quando aparece o terceiro, as coisas azedaram, sendo preciso que  o então bispo da diocese (D. António Valente da Fonseca) aconselhasse  a um «armistício» para acabarem com a «guerra rimada». Ângelo Minhava dá-se a conhecer e passaram a ser três «amiguinhos, mansinhos e calados».
Artur Maria Afonso regozija-se disso no soneto «Os três no Limoeiro». Mas aparece um quarto sonetista revestido de Raimundo Vieira que  no poema «À deriva», acusa o trio de«néscios pretensos poetas».
Um quinto poeta denominado Rogério Sampaio, reforça a contenda, mas vira-se, sobretudo, contra Raimundo Vieira que «não gostou de tais reparos, recomendando-lhe mais modéstia e tentando demonstrar que «os bons poetas não são assim tão raros...»
Por fim, mais um pseudónimo na contenda: Amílcar que pede paz: «haja paz, Senhor Rogério! /que achou quente de mais, hein? O cautério /Daquela «Raimundínica Varrina»?
Até aqui foi uma comédia em dois actos. Primeiros três poetas, cada qual o mais distinto e o mais modesto: Bernardo Gonçalves, Artur Maria Afonso e Ângelo Minhava. Depois o interregno com o «armistício», do Bispo.
O segundo acto recomeça com os mesmos três, desta vez fardados com pseudónimos: Raimundo Vieira reabre em nome de Artur Maria Afonso; Rogério Sampaio representando Bernardo Gonçalves e Amílcar em nome de Ângelo Minhava. Houve uma terceira ronda e nela se intromete Domingos Barroso, outro clérigo de Sanguinhedo, ao tempo, pároco de Vilar de Perdizes.
É grato reler estes saudáveis interlúdios culturais entre pessoas que conhecemos, nos ensinaram muita coisa do pouco que sabemos e que revelam a forma como se entretinham nos tempos mortos.
Dias Vieira surpreendeu-nos com esta recolha num opúsculo que vale mais do que grossos volumes de cuja leitura nada de útil se recolhe. Foi pena que o autor apenas fizesse uma tiragem de 150 exemplares... [Barroso da Fonte, NetBila]
 
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Bebezudos


Bebezudos

«Gostamos muito de crianças, não por serem queridas, ou engraçadas, ou inocentes, mas porque sabemos que elas estão já no futuro. Para elas cosemos livros à medida, livros que não picam, que cheiram bem e são fofos, de muitas cores, que têm dentro muitas histórias que ainda não foram contadas.» O Lado Esquerdo editora

bebezudos e minibebezudos – livros de pano para crianças do 0 aos 2 anos, cheios de cores, sons e texturas para poderem desenvolver os seus sentidos desde os primeiros meses da sua vida.

«isto é...
um livro ou uma espada, uma flor ou um camião. isto é um conto de fadas, de dragões, de balões ou de mil milhões. isto é o que quisermos, nós e tu, tu e eu. isto canta baixinho ou grita alto, tem voz fina e grossa ao mesmo tempo. isto é uma história para todos os dias, é uma história sem fim de cores, sons e carícias. isto é o que nós, os dois, quisermos.
a pré-leitura é qualquer coisa de mágico que acontece quando contamos histórias a um bebé, acreditando que ele ou ela nos compreende, quando falamos com os nossos bebés e percebemos que fazê-lo é parte essencial do seu desenvolvimento e da sua curiosidade futura pelo mundo e pelo conhecimento. acredita que não é preciso muito, é apenas preciso acreditar e falar e cantar, sorrir a acariciar as palavras que vão saindo da nossa boca.
boa leitura»

Natàlia Tost. Comecei a fazer coisas em 1974. Coisas como psicologia, desenvolvimento rural, «fast-food», narração breve, cortar o cabelo na casa de banho, educação ambiental, antropologia, tradução e promoção da leitura. Algumas destas coisas até são fixes.

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domingo, 23 de dezembro de 2012

Contos de Natal que a avó nunca te vai contar


“Contos de Natal que a avó nunca te vai contar”
andré de carvalho, emma ramon, carles montaña, manel garcía, natàlia tost

«Refeições natalícias a explodir como bombas relógio, pais e mães a reivindicar a tradição, filhos e filhas com complexo de culpa, um presidente da Comissão Europeia que sofre, uma gaiola prodigiosa. Famílias “normais” a descobrirem, mais uma vez, a cara b da alegria natalícia. Cinco contos, cinco olhares sobre um fenómeno que mata e morre todos os Dezembros. E de sobremesa, um conto pós-natalício: “Os cães de Erralde”» O Lado Esquerdo editora

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sábado, 22 de dezembro de 2012

arraioco


arraioco
das artes de João Pinto Vieira da Costa

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Chamo-me... Camilo Castelo Branco


“Chamo-me... Camilo Castelo Branco” texto Sara Figueiredo Costa ilustração Alexandra Agostinho

A partir dos 9 anos

«Entre livros, folhetins e artigos de jornal, ultrapassei os 200 títulos, o que é um número espantoso. Ainda hoje as pessoas que estudam a minha obra se admiram com a quantidade, mas nunca deixam de falar da qualidade, dizendo muitas vezes que fui um dos escritores portugueses mais importantes de sempre. Sempre quis ser escritor, e reconhecido, por isso não vou contrariar quem diz tal coisa. A herança que deixei na literatura portuguesa começa no romantismo e chega até ao realismo, duas correntes que se opunham, mas que acabaram por se tocar, muito por minha responsabilidade.»


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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Aldeias de Portugal - histórias & tradições





“Aldeias de Portugal – Histórias & Tradições” de Paulo Costa
 
"Este é um trabalho tão simples e humilde quanto a vida nas Aldeias de Portugal."

Após dois anos e meio de um trabalho intenso, apaixonado e dedicado à revitalização e preservação da vida nos territórios rurais, através da página do facebook Aldeias de Portugal, Paulo Costa lança agora o livro anunciado, destacando nesta obra as melhores fotos e textos partilhados nestes últimos dois anos, sublinhando ainda alguns textos inéditos, assim como também algumas fotos. Este é um trabalho tão simples e humilde quanto a vida nas Aldeias de Portugal. Um livro com imagens marcantes, com textos ilucidativos da vida rural, da nossa história, da nossa cultura e das nossas tradições, onde poderá encontrar também receitas de pratos da nossa gastronomia tradicional.
Este é um livro que pretende demonstrar que a vida nas Aldeias de Portugal é um dos fatores culturais mais valiosos da história de Portugal, assim como transmitir que é possível continuar a amar a origem de cada um.
Um livro tão simples e humilde quanto a história das próprias aldeias, mas um livro que certamente irá enriquecer a biblioteca de quem ama a sua origem.

Sobre o autor
Paulo Costa tem 36 anos, é natural de Poiares, histórica aldeia do Concelho do Peso da Régua, Distrito de Vila Real, na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Aqui cresceu, estudou, trabalhou e se divertiu até aos 18 anos, idade com que saiu para estudar fora da Região. Trabalhou no Porto e em Lisboa, mas em 2006 decidiu regressar à sua terra natal onde habita atualmente. A sua paixão pela aldeia é profunda e tudo o que faz tem a ver com a revitalização do território rural. Solteiro, simples, um bom garfo, Paulo Costa é pessoa de enormes afetos, caraterizado pelo sorriso fácil e pela ligação às pessoas do meio rural, de quem diz ter recebido os maiores ensinamentos. A família é a sua maior paixão, causa única que ultrapassa todas as outras.

As fotos
O livro Aldeias de Portugal - Histórias & Tradições é composto por um conjunto notável de fotografias, que vão desde aldeias maravilhosas espalhadas por todo o território, a rostos marcantes ou paisagens deslumbrantes. São vários os fotógrafos que cederam fotos para a obra, num enorme gesto de envolvência com este projeto, permitindo-nos no entanto destacar o afamado Rui Pires, o mais consagrado fotógrafo da atualidade em Portugal.



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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

postais-presépio



postais-presépio, com vaca e burro,dos tornadouro




Disponíveis na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Liceu velho e novo



“Liceu velho, Liceu novo”
(Texto de Joaquim Almeida da Costa, com 48 fotografias)
Cadernos do Museu do Som e da Imagem (n.º 12)


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos: “Nos 50 anos da televisão em Portugal – quando tudo começou” de António Barreto, “A Avenida da Marius”, “Ciclismo em Vila Real – memória fotográfica”, “Cargaleiro – obra gravada”, “Vila Real vista do céu – oito décadas de fotografia aérea”, “Memórias do Bairro de Santa Margarida”, “Memórias dos Bombeiros Voluntários – Nos 120 anos dos Bombeiros Voluntários de Vila Real e Cruz Verde”, “António Narciso Alves Correia – a fotografia em Vila Real na década de 1870” de Elísio Amaral Neves, “Vila Real pela objectiva de Filipe Borges Júnior”, “Construtores de Instrumentos Musicais de Trás-os-Montes e Alto Douro” e “Fez-se  Mais Curto o Caminho entre o Marão e Espinho” de Elísio Amaral Neves]