terça-feira, 18 de agosto de 2015

Palavras à volta do olival


“Palavras do Olival” de António Manuel Monteiro

Este palavreado abecedária, às vezes em cantata, outras em rabulice, retrata apenas algumas das muitas - Palavras à Volta do Olival - de natureza técnica, histórica, cultural, popular, gastronómica ou, simplesmente, meras curiosidades. Com especial referência a Trás-os-Montes e Alto Douro.


«Quando folheei este livro fiquei na dúvida de como classificá-lo. Não sabia se era um dicionário ou um léxico, se um livro especializado em produtos como a azeitona e o azeite. Ao segundo ataque percebi que era tudo aquilo e muito mais. É uma enciclopédia do mundo do olival, com referências longas a toda a cultura que envolve as actividades de um olival até um lagar, em especial em Trás-os-Montes e Alto Douro.

Não me surpreendeu a categoria das informações aí contidas pelo conhecimento do seu autor, e dos livros que anteriormente publicou. O conteúdo do livro, com ordenação dos termos por ordem alfabética, percorre terrenos vastíssimos. Desde a tradição oral, costumes associados, autores, linguagem técnica, questões culturais e perspectivas antropológicas. O autor revela-nos um conjunto encantador de respostas aos mais variados temas das actividades e culturas relacionadas com os olivais e os lagares, designadamente aos produtos mais evidentes que é a azeitona e o azeite. E também a saúde, e os cuidados estéticos, através daqueles produtos.
No livro encontramos, por exemplo, Ressaca – “Nunca beba de estômago vazio”. Assim: beber uma colher de sopa de azeite antes de iniciar a beber. Pelos vistos, o azeite forma uma capa protectora da mucosa do esófago e do estômago, que diminui tanto a absorção como a agressão do álcool nestes tecidos. Mas isto é apenas uma citação. No livro encontrará também a receita do Bolo podre, e outras receitas com azeite, bem como nomes da cultura internacional que escreveram sobre a matéria.

Curioso é o texto do termo História que apresenta uma resenha cronológica do conhecimento da oliveira e azeite desde os primórdios da civilização até ao ano 2000.

Obrigatório em todas as bibliotecas de quem lida com estas coisas de arte milenar.» Vergílio Nogueiro Gomes

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os seguintes títulos do autor: “Crónicas Comestíveis”; “Cozinha Transmontana” de Alfredo Saramago, fotografias Inês Gonçalves; “Comidas Conversadas – Memórias de Herança Transmontana”]



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Murça - Património Artístico


“Murça – Património Artístico” de Marcelino Augusto e Roger Teixeira Lopes

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[disponível também os títulos: “A Igreja Matriz de Torre de Moncorvo” de Eugénio Cavalheiro e Nelson Rebanda, “Igreja de Santiago da Adeganha” de Eugénio Cavalheiro, “Os Frescos da Sr.ª da Teixeira” de Eugénio Cavalheiro, “A Arte da Talha em Vila Real” de Roger Teixeira Lopes”, “Roteiro Arqueológico e Artístico do Concelho de Vila Real” e “Archeological and Artitic Guide to the Vila Real District” de João Parente]

domingo, 16 de agosto de 2015

em Agosto leia autores transmontanos!


Por iniciativa do Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro, ao longo do mês de Agosto, 5 livrarias estão em rede promovendo nas suas montras os autores transmontanos – e, por conseguinte, a leitura, a cidadania, o desenvolvimento local e regional.

A Livraria Aguiarense, de Vila Pouca de Aguiar, a Livraria Rosa D’Ouro, de Bragança, a Livraria Papelaria Dinis, de Valpaços, a Livraria Poética, de Macedo de Cavaleiros, e a Livraria Traga-Mundos, de Vila Real.

EM AGOSTO LEIA AUTORES TRANSMONTANOS! - I


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Apresentação de livro de Luís Castelo


Apresentação do livro “O Charco – Uma Família Com História
com a presença do autor: Luís Castelo
orador convidado: Henrique Morgado
dia 22 de Agosto de 2015 (sábado), pelas 21h00
na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real


«Jorge, um jovem que sempre viveu na cidade de Lisboa, perde o pai, e apesar de se imaginar só e sem família, descobre que afinal possui laços familiares numa recôndita e pitoresca aldeia transmontana.
O jovem empreende então uma viagem na tentativa de descobrir as suas raízes e conhecer essa família que desconhecia, percorrendo as belas paisagens das margens do Douro.
Na aldeia onde vivem os velhos tios, encontra aquela que será a mulher por quem se apaixona e cuja relação motivará o renascimento de histórias antigas e ressentimentos passados.»

Luís Castelo é filho e neto de angolanos, mas de nacionalidade portuguesa, nasce em maio de 1975 na cidade angolana do Lobito. Ainda em criança, viaja para Portugal onde vive com a família na cidade transmontana de Vila Real, até concluir os estudos secundários.
O seu professor de Literatura Portuguesa à altura, Henrique Morgado, revela-se uma influência pelos ensinamentos passados e a forma apaixonada e vibrante como os transmite. Com ele absorve o gosto pela literatura e aprofunda o desejo pela escrita.
Ingressa na Escola Superior de Educação de Bragança, terminando a licenciatura no curso de professores do ensino básico, com variante de Português/Inglês no ano de 1998. Após terminar o curso, inicia a sua carreira docente tendo-se fixado no concelho de Sintra, distrito de Lisboa, onde tem exercido a sua profissão.


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- de 1 a 31 de Agosto de 2015: “horas azuis” exposição de desenho, colagem e poesia por Gil Machado;
- de 1 a 31 de Agosto de 2015: montras de exposição / destaque de autores de e sobre Trás-os-Montes e Alto Douro, iniciativa do Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 1 a 30 de Setembro de 2015: exposição de fotografia “Douro” de Miguel Schreck, na Traga-Mundos em Vila Real;
- de 04 a 20 de Setembro de 2015: stand da livraria Traga-Mundos na Feira do Livro do Porto 2015.


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal


“O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal” de António Martinho Baptista

Esta edição bilingue português-inglês, que surge no âmbito das comemorações dos 10 anos da classificação de Património da Humanidade da UNESCO, fortemente ilustrada com 250 páginas, é o primeiro grande livro sobre a arte do Côa, num país onde "são poucos os trabalhos arqueológicos editados e menos ainda em inglês", afirma o arqueólogo António Martinho Baptista.

"Este livro faz uma espécie de síntese dos meus trabalhos, com a equipa do Centro Nacional de Arte Rupestre, nos últimos 10 anos, e centra-se na arte paleolítica de ar livre do Vale do Côa, mas também numa meia-dúzia de outros sítios que fomos descobrindo em Portugal, do Sabor ao Guadiana."

A descoberta da arte do Côa "pressupôs a criação de um novo paradigma na arqueologia europeia" porque, ao contrário "do que se pensou durante cerca de um século de investigação de arqueologia rupestre", ela existe abundantemente ao ar livre, e não apenas em grutas, salienta o autor.

O Vale do Côa era um paraíso climático que "facilitava a vida do homem paleolítico, numa era em que toda a Europa estava coberta de grandes glaciares", acabando por provar "que esse homem de então não tratava apenas da arte das trevas", das grutas subterrâneas, "trabalhava igualmente a arte da luz - ao ar livre - com a mesma qualidade que se reconhece nas principais grutas europeias", afirma António Martinho Baptista.

Existem várias teorias, para os porquês de tão artísticos e misteriosos traços no paleolítico, confessa-nos o arqueólogo, como a da "magia simpática", cuja função é "permitir que as caçadas sejam estudadas e posteriormente facilitadas", passando por outras explicações, em que todo o ambiente "é ordenado como uma igreja", até à teoria da arte pela arte "já posta praticamente de lado", diz.

As mais recentes, já neste século, levaram um dia este arqueólogo, em tom de brincadeira, a dizer que o vale do Côa, de acordo com as teses "xamânicas", seria a "primeira sala de chuto em território português".
António Martinho Baptista quer apenas, com "O Paradigma Perdido. Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal", apresentar os dados e as pistas resultantes da sua investigação, porque "é evidente que não temos provas", e das várias teorias existentes para os motivos da arte rupestre, será "no meio que está virtude", explica.

"Toda a arte paleolítica encontra-se nos vales fluviais do nosso interior, onde as margens são em xisto", afirma António Martinho Baptista, para quem as condições de jazida ideais se encontram no interior da península ibérica.

Presentemente, é em Portugal que "existem os melhores sítios de arte paleolítica de ar livre da Europa", e o Vale do Côa é o "pólo central" dessa arte europeia, ao ponto do Governo espanhol ter investido na candidatura do sítio arqueológico de Siega Verde a Património da Humanidade como extensão do Vale do Côa, recorda o arqueólogo.» [Lusa]


Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[disponível também os títulos: “Foz-Côa” fotografias de João Paulo Sotto Mayor, texto de Bernardo Pinto de Almeida, “Abrigos Com Pinturas Rupestres de Trás-os-Montes e Alto Douro: Pala Pinta, Penas Róias e Cachão da Rapa” de Luísa Teixeira, “Roteiros Turísticos do Património Mundial – No Norte de Portugal – Douro Vinhateiro e Vale do Côa” + mapa, “A Tourist’s Guide to World Heritage Sites – In the North of Portugal – Douro Wine Region and the Côa Valley” + map, “Guías Turísticas del Patrimonio Mundial – Em el Norte de Portugal – El Duero Vinatero y el Valle del Côa” + mapa, Roteiro – Vale do Côa e Além Douro | Ruta – Vale do Côa y más allá del Duero coordenação científica de António dos Santos Queirós e Jorge Rodrigues Paiva bilingue: português e castelhano]



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Terra - Portal de Vida, Planeta do Homem


“Terra – Portal de Vida, Planeta do Homem” de J. Emanuel Queirós

“Sem a pretensão de um trabalho académico, J. Emanuel Queirós contribuiu para a divulgação do conhecimento da Terra no encontro à sua própria expressão de Vida à escala planetária. O resultado vai na perspectiva de melhor podermos harmonizar a existência desfrutando do tempo presente sem comprometer o futuro reservado ao astro e à sua Humanidade”.

«Remontando ao ano de 2010, o presidente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses, Manuel Moreira, desafiou o autor e colaborador da autarquia, a elaborar um manual para os riscos, com procedimentos e comportamentos a adotar em situação de risco.
Contudo, Emanuel Queirós sentiu necessidade “não de fazer um manual, mas sim uma reflexão mais profunda sobre o Universo, a Terra e o Homem. Tentar perceber melhor o mundo em que vivemos, o que há para lá da nossa existência, a nossa relação com a Terra e, por conseguinte, perceber melhor o que somos”, sublinhando que “Terra somos, Terra seremos”.
Sendo a vida um processo de contínuo esclarecimento e aprendizagem “é fundamental que reflitamos sobre o Planeta Terra, essa Casa Coletiva, maternidade do Cosmos”, frisou o autor que considera “fulcral olhar para a Terra e para o Homem como um todo uníssono”.
“Este livro foi construído com base na ideia do risco e, como tal, surge como um alerta para os problemas da Terra, ou melhor para os problemas do Homem. A Terra é um ser vivo, e ao tornarmo-nos mais conscientes do nosso lugar no mundo, tornamo-nos mais humanos”, referiu J. Emanuel Queirós.» [Município de Marco de Canaveses]


 A cada Primavera o grandioso cenário terrestre oferece-se renovado numa aparente repetição cíclica que se eterniza, feito de paisagens erigidas num longo curso astronómico percorrido sem retorno, progressivo e irrepetível. (pp10)

Tudo o que existe teve uma causa e resultou de um começo irreprimível, em superação, transcendendo um particular estádio físico inicial. O planeta Terra, tal como o Sistema Solar e a Via Láctea, como parte integrante do Universo também teve a sua origem, muito remota, mas não há certeza absoluta como ocorreu. (pp16)

O esferóide terrestre é um minúsculo lugar em trânsito orbitando pelo Sol na imensidão do Universo. Aparenta constituir um insignificante endereço cosmonáutico esquecido na periferia da Via Láctea, improvável no seio do espaço vazio e desolado de que se faz o Cosmos, mas é pleno de dinamismo e fremente de vida. (pp 29)

Tanto quanto a incessante procura de conhecimento permite desvendar à compreensão humana, em síntese, a Terra é um planeta incomum, fervilhante de vida, flutuando iluminado e aquecido por uma estrela nas profundezas abissais da escura tela do Universo. (pp 34)

A Terra é um ventre uterino e uma maternidade do Cosmos. O planeta é um berço, lar e sustento para toda a sua vida biológica. (pp 36)

O homem parece encontrar-se no Mundo percorrendo uma via existencial impositiva, de sentido único, capacitando-se para dominar todas as adversidades exteriores a si mesmo, ora pelo recurso à força, ora ancorado no poder do intelecto. (pp 49)

O comportamento do homem e a conduta globalmente adoptada pela civilização deixaram de tomar uma perspectiva integrada tendendo a adequar as condições do meio ao seu mais imediato interesse, passando a ousar de uma aparente supremacia sobre toda a ordem natural estabelecida na Terra. (pp 74)

Nos tempos presentes tomamos parte de uma sociedade orientada pelo progresso científico-tecnológico construído sobre a contingência variável da fenomenologia do risco, como processo gerador de transformação e razão de conhecimento. No entanto, os nossos destinos individuais e colectivos estão circunscritos aos limites impostos por leis da Física expressas  globalmente na organicidade da Terra e, em particular, nas dinâmicas que a Natureza desenvolve e processa. (pp 77)

A Terra é um poderoso organismo astro-planetário, relativamente frágil e instável. Pleno de vida em evolução e de recursos finitos em decréscimo, o planeta é propenso a surpreender o curso da história pelo desencadeamento de dinâmicas naturais imprevisíveis. (pp 90)

A Terra reflecte sobre si todas as alterações que opera no ecossistema terrestre, marcas da instabilidade impulsionada pelo dinamismo astronómico processado no espaço sideral e no meio ambiental do planeta. (pp 103)

Construtores de um Mundo de sentido equívoco e testemunhas integralmente comprometidas com as suas imparáveis dinâmicas, em circunstância alguma deste ínterim poderemos permanecer acríticos, convencidos do sentido trilhado pelo homem para a Humanidade e do empreendimento civilizacional adicionado à nossa casa-Mãe Terra. (pp 109) [Bird Magazine]

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

A alma da gaita-de-foles mirandesa: palhetas e palhões


“A Alma da Gaita-de-Foles Mirandesa – Palhetas e Palhões” de Henrique Fernandes

A alma da gaita-de-foles mirandesa reúne, num só livro, todo o processo de construção, manutenção e informação da palheta, e do palhão, artefactos nobres que dão vida e beleza à gaita-de-foles.

Esta obra resulta das vivências do autor, através do contacto com a gaita-de-foles, da sua enorme paixão por este instrumento, do conhecimento adquirido com os antigos gaiteiros (Planalto Mirandês, Minho, Estremadura, Castela e Leão, e Galiza), e, em grande parte, da procura incessante de novos conhecimentos para apurar a técnica da feitura daquilo que nos faz identificar o inigualável som da gaita-de-foles.

Com este livro, o autor pretende manter viva a memória do presente, para serventia do futuro, deste instrumento secular, tão actual e apreciado nos nossos dias.

«Um artesão mirandês é o único construtor de palhetas e "palhões" no país destinadas em "exclusivo" às gaitas-de-foles de origem peninsular e pretende preservar este legado ancestral que considera a "alma do instrumento".
Henrique Fernandes disse à agência Lusa que no início a construção de palhetas para gaita-de-foles era um passatempo. Mas depressa se transformou num desafio, acrescentou.

"Actualmente, dedico-me com mais afinco ao estudo e fabrico destes artefactos musicais e, para o efeito, recorro ao conhecimento de velhos gaiteiros do Planalto Mirandês, Minho, Estremadura e, claro, da vizinha Espanha, já que a procura é constante por parte dos músicos", explicou o também gaiteiro.

Longe vão os tempos em que os gaiteiros tradicionais utilizavam cana cortada junto aos cursos de água da região e procuravam pequenos tubos de metal para construirem as suas próprias palhetas e "palhões". "Agora, o processo requer estudo e novos materiais elaborados com rigor", frisou.

O também gaiteiro quer mostrar todo o processo de construção das peças únicas, que são fabricadas numa pequena oficina situada em Sendim, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança.

"Uma boa palheta é fundamental para se conseguir um som mais genuíno. Por esse motivo, é preciso escolher os materiais e aplicar técnicas que permitam respeitar a tradição e integridade do instrumento", destacou.

Por semana, o artesão chega a construir algumas dezenas de palhetas. Porém, a sua procura é crescente e o "stock" depressa se esgota, tudo porque os instrumentistas aparecem um pouco de todo o país e da vizinha Espanha.

"A palheta vai-se degradando com o tempo e, por isso, cada tocador tem obrigatoriamente de ter as suas reservas", observou o artesão e instrumentista.No entanto, com o processo de padronização da gaita de fole na região da "Terra de Miranda" e o consequente número crescente de tocadores levam a uma maior procura de materiais nobres para o fabrico dos instrumentos.

Neste sentido, Henrique Fernandes apresenta, no sábado, no discurso do Festival Intercéltico de Sendim, o primeiro livro dedicado ao processo de fabrico destas peculiares peças sob o título "A Alma da Gaita-de-Foles Mirandesa - Palhetas e Palhões".

"A alma da gaita-de-foles mirandesa é o deixar presente e registado todo o processo para construção, manutenção e informação da palheta e do "palhão", "artefactos nobres" e os quais dão vida e beleza à gaita-de-foles", enfatizou o autor.

O instrumentista e artesão, concluiu afirmando, que a gaita-de-foles existe há muitos anos e está para durar e ficar, acrescentando que o livro será um contributo para "a memória do presente e para serventia do futuro".» Público, 31.07.2015

Henrique (Gaiteiro) Jesus Fernandes. Sendim, Miranda do Douro; Vila Real. Nascido a 19/7/1970. Militar, construtor, músico.

Bisneto e neto (António Augusto Fernandes) de gaiteiros, e também com a paixão pelos pauliteiros, com cerca de 14 anos em todo o lado lhe chamavam gaiteiro.
Começa com a flauta, o mais semelhante, aos 19 começa a tocar em “experiências escondidas”… Compra a 1ª gaita ao Ti Ângelo Arribas pelos 25, e vai treinando e gravando os gaiteiros que havia; através dessas recolhas e método de estudo, vai-se aperfeiçoando. Vai a Urrós, na senda da família de gaiteiros, e encontra José Maria Fernandes, primo segundo, e aprende com ele a calibragem/afinação do palhão e palheta e a técnica de digitação da gaita, transmitidas pelo pai desse. A necessidade, pela falta marcada e sentida de palheteiros, fá-lo aprender com ele e Manuel Paulo Martins a técnica de construção, que começa com 24-25 anos.
O grande salto foi a padronização da gaita mirandesa (cerca de 2007), que reforça a necessidade da existência de um palheteiro, instado por Célio Pires. Inicia o desenvolvimento da palheta à actual ponteira (escala cromática “perfeita” em M e m), que vem mantendo.
Com o sentido de saber mais sobre teoria musical e de instrumento, faz formação académica: curso de flauta transversal (o que mais se adequava ao estudo da gaita), no Conservatório de Vila Real, de que conclui o 5º grau, o que ajudou muito no aperfeiçoamento da construção da palheta e da digitação das várias escalas, uma formação de construção de palhetas para fagote e outra para oboé, um workshop de construção de palhetas em Santiago de Compostela e um curso intensivo de construção de palhetas em Madrid.
É o único palheteiro para gaitas de fole existente no país. Em Espanha, onde aprendeu, haverá uns 10, se tanto…                                           

Materiais usados: cana da ribeira tratada, tubo de latão cortado à medida e trabalhado, fio de nylon. Trabalho manual. Oficina ambulante.

Formou um trio tradicional (gaita, caixa e bombo), os Lenga Lenga, que é acrescentado depois de vozes femininas e posteriormente passa a quarteto instrumental e vocal, para os espetáculos em palco. Editam 2 CD’s (Gaiteiros de Sendim e L Teçtemunho). Toca flauta transversal e pastoril, gaita de fole, e ainda, concertina, viola e piano.
É professor de gaita de fole. Gostaria de transmitir a arte de palheteiro.» [blogue Arquivo de Memórias]

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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Raízes n.º 13 - edição de aniversário


“Raízes – Trás-os-Montes e Alto Douro em Revista” n.º 13, Agosto 2015
1 ano - edição de aniversário

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os números 1 (Agosto), 2 (Setembro), 3 (Outubro), 4 (Novembro), 5 (Dezembro), 6 (Janeiro), 7 (Fevereiro), 8 (Março), 9 (Abril), 10 (Maio), 11 (Junho) e 12 (Julho)]

 

sábado, 8 de agosto de 2015

14.ª Feira do Mel e do Artesanato


A Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real, irá participar com uma banca de livros, mais algumas coisas e loisas, na 14.ª Feira do Mel e Artesanato, que acontecerá nos dias 15 (sexta-feira), 16 (sábado) e 17 (domingo), em Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar.

«Evento de cariz cultural e económico, realizado no Parque Termal de Pedras Salgadas, destinado a realçar a produção de mel e artesanato do concelho, contando com a presença de um grande número de apicultores e artesões regionais. Visitado por pessoas de todo o país, verifica grande afluência. Privilegiam-se, na sua programação, espetáculos de música popular portuguesa. Os concursos de mel (qualidade do mel e rótulos), de doçaria confecionada com mel e de peças de artesanato, são momentos bastante concorridos e animados.»

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Portugal: Wine & Lifestyle


“Portugal: Wine & Lifestyle” de António Homem Cardoso e Margarida de Magalhães Ramalho

Portugal : Wine & Lifestyle  é uma publicação exemplar, onde um novo conceito de lifestyle se liga ao que de melhor existe em Portugal no vinho como na hotelaria. Ao longo da obra, o leitor viajará de Norte a Sul, reconhecendo o espírito do enoturismo de excepção: hotel, restaurante, spa e paisagens deslumbrantes completam-se entre si para oferecer experiências únicas. 

António Homem Cardoso, é fotógrafo profissional, com mais de 40 anos de carreira, tendo uma actividade reconhecida na publicidade, na moda e na edição, tanto nacional como internacional. Foi convidado pela Fujifilm para ser seu Embaixador em Portugal. É autor de mais de uma centena de livros publicados, de fotografias oficiais de muitos “Primeiros”, de Chefes de Estado e de personalidades do Mundo.


Margarida de Magalhães Ramalho, a autora, é licenciada em História de Arte. Entre 1987 e 2005 dirigiu as escavações arqueológicas na Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, em Cascais. Entre 1993 e 1998 pertenceu aos quadros da EXPO’98 onde comissariou algumas exposições. Como freelancer continuou a comissariar exposições sendo também co-autora do Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os títulos: “Arquitecturas da Paisagem Vinhateira” Natália Fauvrelle (coord.), “Paisagens de Baco. Identidade, Mercado e Desenvolvimento. Regiões Demarcadas: Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada e Alentejo” de Ana Lavrador, “A Vinha e o Vinho em Portugal. Museus e Espaços Museológicos” Natália Fauvrelle (coord.), “Viver e saber fazer. Tecnologias tradicionais na Região do Douro. Estudos preliminares” Teresa Soeiro, Carlos Coelho Pires, Rui Cortes, José Alves Ribeiro, Hélder Trigo Marques, Gaspar Martins Pereira, Natália Fauvrelle, Nelson Campos Rebanda, José Alexandre Roseira, “Vinhos: arte e manhas em consumos sociais – A apreensão de uma prática sociocultural em contexto de mudança” de Dulce Magalhães, “Produzir e Beber. A Questão do Vinho no Estado Novo” de Dulce Freire, “Memórias do Vinho” de Maria João de Almeida e Paulo Laureano, “O Alto Douro – Um Espaço Contrastante Em Mutação” 4 volumes de Maria Helena Mesquita Pina, “Vinhos de Portugal . Da vinha ao vinho, variedades e regiões” de Ceferino Carrera, “Vinho do Porto e a Região do Douro. História da Primeira Região Demarcada” de Ceferino Carrera, “História do Douro e do Vinho do Porto – Volume 1 – História Antiga de Região Duriense” Carlos A. Brochado de Almeida (coord.), “História do Douro e do Vinho do Porto – Volume 4 – Crise e Reconstrução. O Douro e o Vinho do Porto no Século XIX” Gaspar Martins Pereira (coord.), “Outros Territórios do Vinho | Other Territories of Wine” de Manuel de Novaes Cabral edição bilingue, “O Alto Douro Entre o Livre-Cambismo e o Proteccionismo” de Carla Sequeira, “Memória de Pedra” fotografias de Claude Médale texto de Gaspar Martins Pereira, “Douro – Rio, Gente e Vinho” de António Barreto, “Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto” Manuel Pintão e Carlos Cabral, “Tratado de Viticultura – A Videira, a Vinha e o Terroir” de Nuno Magalhães (nova edição, revista e actualizada)]


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O falar de Barroso - o homem e a linguagem (fonética, léxico)


“O Falar de Barroso – O Homem e a Linguagem (Fonética, Léxico)” de Rui Dias Guimarães

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os seguintes títulos: “Falares de Mirandela – um complemento do Mirandelês” de Jorge Lage, “Falar(es) do Zoio – Uma aldeia bragançana em meados do séc. XX” de António Afonso Evangelista, “Língua Charra – Regionalismos de Trás-os-Montes e Alto Douro” Volume I – A-E 568 p. | Volume II – F-Z 606 p. de A. M. Pires Cabral]

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Que é feito do Pastor João?

 

“Que é Feito do Pastor João?” de Mário Correia

Que é feito do Pastor João? é uma Novela histórica cuja acção decorre em 1941 em terras de Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo, baseada em factos verídicos.

«Não, não! Nunca mais soubemos nada dele. Nadinha! Também, sem família nem ninguém mais chegado a ele, quem é que se ia importar mais com o que lhe aconteceu? Cá na aldeia, nos primeiros dias ainda se foi falando no assunto mas passado pouco tempo já ninguém se lembrava mais disso. Se a gente fosse andar sempre a falar do que se passa!... A vida continua, não é? Mas olhe bem para o que lhe digo: o pastor João meteu-se nalguma! De certeza! Então ia lá desaparecer assim sem mais nem menos, sem motivo nenhum?! De um dia para o outro, zás!, desaparecia sem deixar rastro! Nah! Não me fio! Pode escrever aí: meteu-se nalguma alhada! Sabe: puseram para aí a correr que ele terá caído nalguma fraga e que a bicharada já lhe terá comido a carne! Nah! Eu cá não acredito: conhecedor como ele era daquelas canadas e ladeiras havia lá fraga que o atraiçoasse! Sim, sim, bem sei que tem para lá uns poços do inferno, mas ele era listo e nessas não se metia. Isto é o que se dizia, fique vossemecê a saber. Mas deixe que lhe pergunte: vai mesmo escrever um livro sobre a vida do pastor João?! Não sei o que é que tem de contar mas vossemecê é que sabe!...»

Mário Correia (Praia da Granja, 1952) iniciou em 1970 o seu percurso de crítico e divulgador das músicas tradicionais e populares, bem como de expressão folk e étnica, na revista MC-Mundo da Canção (criada em 1969), da qual chegou a exercer o cargo de director entre 1976 e Abril de 1998.
Como divulgador da música tradicional e popular portuguesa, assim como das suas congéneres europeias e latino-americanas, publicou numerosos artigos em jornais nacionais e revistas, quer nacionais quer estrangeiras. Realizou, também, durante cerca de cinco anos, alguns programas de rádio (RCP/Porto, RDP-Antena 1 e Rádio Nova-Porto/RCP-Lisboa).
Entre 1990 e 1998 integrou a equipa responsável pelo Festival Intercéltico do Porto e, desde 2000, realiza o Festival Intercéltico de Sendim, integrado nas actividades do Centro de Música Tradicional Sons da Terra, fundado em 2001 e com sede em Sendim (Miranda do Douro), com um catálogo de edições de recolhas musicais da tradição oral portuguesa que já ultrapassa uma centena e meia de títulos publicados.
Investigador na qualidade de membro colaborador do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional) da Universidade Nova de Lisboa, tem vindo a publicar, regularmente, várias obras consagradas às temáticas musicais. Membro da Academia de Letras de Trás-os-Montes e vice-presidente da Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa.
Foram-lhe atribuídos os seguintes prémios: XII Prémio Europeu de Folklore Agapito Marazuela (2007 – Segovia, Espanha) e Chosco de Oro (2010 – Navelgas, Astúrias). No ano de 2012 o Governo de Portugal concedeu-lhe a Medalha de Mérito Cultural.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os seguintes títulos do autor: “Toques de Sinos na Terra de Miranda” – contém CD-ROM, “Histórias de Vida dos Gaiteiros do Planalto Mirandês ...Que de Fol’gaita Tocavam”, “Tamborileiros & Fraiteiros da Terra de Miranda”; “Pairavam Abutres nas Arribas” (novela)]

terça-feira, 4 de agosto de 2015

As Metamorfoses


“As Metamorfoses” de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais

Um livro com texto inédito de Agustina Bessa--Luís e 50 pinturas de Graça Morais.
Agustina Bessa-Luís, inspirando-se nas Metamorfoses de Ovídio, revisita os seus romances e biografias, um mundo à parte povoado exclusivamente por mulheres de variadas vocações e destinos.
O que é a Metamorfose? É aquilo que faz de nós alguma outra coisa. Talvez por isso, este mundo de Agustina seja implacável para as mulheres que o habitam. O património genético reina; nem a educação, nem a vontade chegam para lhe fazer frente. "Sempre acabamos por ser o que somos na pluralidade dos nossos sonhos".
Graça Morais escolheu cerca de 50 telas que permitem ler de outra maneira o tema da Metamorfose. São imagens de mulheres poderosas e temíveis mas, ao mesmo tempo, desamparadas.
São estes os ingredientes para a edição de uma obra bela e de grande qualidade, fruto do trabalho assinalável de duas mulheres admiráveis, dois nomes de absoluta referência na cultura portuguesa contemporânea. Nesta obra podemos percorrer a humanidade inteira através de duas dimensões que se complementam na perfeição: o texto e as imagens.

«É uma "peregrinação" pelos mais de mais de 50 livros e quase 60 anos de escrita de Agustina Bessa-Luís. Uma circum-navegação lúcida pelas mulheres das suas obras, mapeada por epifanias, leituras e provocações. É um exercício de estilete fino partilhado com a pintora Graça Morais, num daqueles felizes acertos do destino.» Sílvia Souto Cunha, “Visão”

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[disponível também os títulos: “Camilo – Génio e Figura” e “Elogio do Inacabado” de Agustina Bessa-L
uís, “As Metamorfoses” de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais, “Vida e Obra – Agustina Bessa-Luís” por Fernando Pinto do Amaral, Inês Pedrosa, João Botelho, José Saramago, Luís Caetano, Manoel de Oliveira, Maria de Fátima Soares, Maria de Jesus Barroso, Mónica Baldaque e Urbano Tavares Rodrigues]


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A Eternidade das Ervas

“L’Eiternidade de las Yerbas / A Eternidade das Ervas” poemas (e)scolhidos Fracisco Niebro
augarielhas Manuol Bandarra

L’Eiternidade de las Yerbas | A Eternidade das Ervas, escrito em Português e Mirandês, foi um desejo de Amadeu Ferreira, com uma selecção de textos feita por si, entre as obras publicadas e inéditas, de Fracisco Niebro.
Os amigos fizeram algumas traduções em falta, e a organização dos textos, assim como das aguarelas que o seu irmão Manuol Bandarra fez para este livro, ficaram a cargo do filho de Amadeu Ferreira.  

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis do autor: “Tempo de Fogo”; “La Bouba de la Tenerie”, “Ars Vivendi, Ars Moriendi” (poesia), “Belheç / Velhice” de Fracisco Niebro; “Ditos Dezideiros – Provérbios Mirandeses” organização de Amadeu Ferreira; “Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino” de Amadeu Ferreira e “Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Modo de Hino” de Fracisco Niebro; “L Segredo de Peinha Campana” texto Fracisco Niebro dezeinhos Sara Cangueiro; “Mirandés – stória dua lhéngua i dun pobo” (versão em língua mirandesa) e “Mirandês – história de uma língua e de um povo” (versão em língua portuguesa) banda desenhada de José Ruy; “Ls Lusíadas” banda zenhada José Ruy, traduçon para mirandês por Fracisco Niebro; “O Fio das Lembranças – Biografia de Amadeu Ferreira” de Teresa Martins Marques; “A Terra de Duas Línguas – II – Antologia de Autores Transmontanos” coordenação: Ernesto Rodrigues e Amadeu Ferreira; “NorteAndo” Amadeu Ferreira texto, Luís Borges fotografia; “L Mais Alto Cantar de Salomon” bersion mirandesa de Fracisco Niebro]

domingo, 2 de agosto de 2015

o conceito: foi há 4 anos...

FOI HÁ 4 ANOS...

Foi há quatro anos, no dia 2 de Agosto de 2011, que reabri actividade em Portugal, registando nas Finanças de Vila Real a Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro – Património Mundial, tendo como actividade principal a de livraria.

Chegara a 21 de Maio, no seguimento de um trabalho voluntário de quase cinco anos em Canchungo e na Região de Cacheu, na Guiné-Bissau, e de imediato me vi confrontado com a total ineficácia do Centro de Emprego local. Optei então por fazer avançar um projecto – e sonho – que tinha reservado apenas para o que se designa como “o tempo de reforma”: abrir um espaço multi-cultural de livraria e/ou alfarrabista. Em dois meses, (re)visitei a oferta de livrarias, também em diversas cidades, estudei catálogos de editoras, procurei lojas em Vila Real, iniciei contactos, etc. Sobretudo, dei um nome à iniciativa, criei o logotipo e redigi o seguinte conceito orientador – que se foi apurando:

«queremos construir uma referência quando se pensa na região de Trás-os-Montes, nomeadamente do Alto Douro Vinhateiro, seus autores e cultura, vinhos e tradições, produtos e artesanato...».

A 5 de Novembro de 2011 abri a porta da Traga-Mundos na rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28, na zona histórica da cidade e entre comércio tradicional, no espaço onde durante muitos anos esteve a notável Livraria Setentrião.

Estamos a montar um espaço com diversos nichos de interesse...

Uma livraria especializada na temática do Douro, incluindo álbuns de edição cuidada e guias (turísticos, vinhos, vinhos do porto, quintas, castas, etc)...
Onde estão presentes os autores locais e regionais com projecção nacional e universal –  A.M. Pires Cabral, António Cabral, João de Araújo Correia, Miguel Torga, Otílio Figueiredo, etc...
Obras em prosa ou poesia; romances, novelas e contos; livros técnicos e revistas temáticas; álbuns infanto-juvenis e de banda-desenhada; de edições de bolso a álbuns de fotografia; de guias turísticos a cd’s e dvd’s; de edições de autor a edições de associações e outras instituições; em português e an mirandés; num esforço para se reunir e apresentar num mesmo local a riqueza cultural e literária da região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Uma loja de vinhos do Douro, desde o vinho generoso – também denominado do Porto – ao vinho moscatel, com exemplares de aguardentes velhas. Iremos disponibilizar edições de 10, 20, 30 e mais de 40 anos, bem como LBV e Vintage...
Proporcionamos igualmente brancos e tintos, reservas e outras delicadezas, de produtores particulares da região – que não se encontram nos hipermercados...

Uma loja de mercearia fina: de compotas a ervas aromáticas, de chás a licores, de mel a frutos secos, de sabonetes naturais a azeite extra virgem, privilegiando produtos da agricultura local, familiar e tradicional...

Uma loja de artesanato, desde a olaria negra de Bisalhães a cutelaria, das máscaras a instrumentos de manufactura tradicional, da latoaria a outros artefactos...

Um local onde poderá igualmente encontrar informação turística, sobre eventos, romarias, restauração, alojamento, percursos, museus, igrejas e capelas, parques naturais, etc...

Um espaço de galeria de exposições (pintura, fotografia, escultura, cerâmica, artesanato, etc). Um espaço de diversos eventos (apresentações de livros, tertúlias temáticas, workshops, ateliers, oficinas, etc). Cuja porta é local de encontro e partida para um passeio pedestre ou de uma visita pela região. Um espaço onde simplesmente se está bem – por exemplo, confortavelmente no sofá vermelho!»

[para mais informações ver www.traga-mundos.blogspot.com e página Traga-Mundos no Facebook]

A todos vocês, amigos e familiares, clientes e produtores, escritores e artesãos, livreiros e editores, o nosso muito muito obrigado pelo apoio e interesse ao longo de todo este tempo – que é o que nos faz continuar, teimar, persistir...

António Alberto Alves
2 de Agosto de 2015

Nota: continuamos sem qualquer apoio das entidades responsáveis pela cultura, turismo, comércio, empresas, imprensa, empreendorismo e afins, na cidade de Vila Real e na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.