de Jorge José Alves Ferreira
«No início do mês
de dezembro de 1496, o rei D. Manuel I decretou a expulsão de judeus e mouros
do reino, se não se quisessem converter à fé de Cristo. A maioria ficou e foi
batizada em pé, ficaram conhecidos como cristãos-novos, para se distinguirem
dos cristãos tradicionais, os cristãos-velhos.
Com o passar do
tempo, alguns cristãos-novos deixaram as vilas e cidades e rumaram a
localidades onde não houve comunidades organizadas em judiarias, como, por
exemplo, Mirandela, onde a minoria cristã-nova parece ter sido muito bem
aceite, tendo em conta o baixo número de processados e de testemunhas de
acusação cristãs-velhas. Por outro lado, a prosperidade económica (lojas, casas
sobradadas na zona histórica, o elevado número de propriedades rústicas e
lagares de azeite e vinho) dos cristãos-novos mirandelenses parece atestar a
quase perfeita integração na comunidade local.
Alguns judeus
olhavam para Trás-os-Montes, na impossibilidade de rumarem a Oriente, como a
Terra Prometida e alguns viam em Mirandela a “Belém”, onde havia de nascer o
Messias prometido na Lei, e nos montes ao redor da vila o “Monte Sinai”, como
afirmou Jacob Lopes perante os inquisidores.
As alheiras, o
produto que mais longe leva o nome de Mirandela, segundo a tradição oral,
teriam sido invenção dos “judeus” com o objetivo de ludibriarem os “olhos” da
Inquisição. Será que as fontes confirmam esta lenda?»
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