segunda-feira, 9 de março de 2026

“Mirandela, a Belém transmontana – Criptojudaísmo, Inquisição e alheiras, que relação?” de Jorge José Alves Ferreira


 “Mirandela, a Belém transmontana – Criptojudaísmo, Inquisição e alheiras, que relação?”

 de Jorge José Alves Ferreira

 

«No início do mês de dezembro de 1496, o rei D. Manuel I decretou a expulsão de judeus e mouros do reino, se não se quisessem converter à fé de Cristo. A maioria ficou e foi batizada em pé, ficaram conhecidos como cristãos-novos, para se distinguirem dos cristãos tradicionais, os cristãos-velhos.

Com o passar do tempo, alguns cristãos-novos deixaram as vilas e cidades e rumaram a localidades onde não houve comunidades organizadas em judiarias, como, por exemplo, Mirandela, onde a minoria cristã-nova parece ter sido muito bem aceite, tendo em conta o baixo número de processados e de testemunhas de acusação cristãs-velhas. Por outro lado, a prosperidade económica (lojas, casas sobradadas na zona histórica, o elevado número de propriedades rústicas e lagares de azeite e vinho) dos cristãos-novos mirandelenses parece atestar a quase perfeita integração na comunidade local.

Alguns judeus olhavam para Trás-os-Montes, na impossibilidade de rumarem a Oriente, como a Terra Prometida e alguns viam em Mirandela a “Belém”, onde havia de nascer o Messias prometido na Lei, e nos montes ao redor da vila o “Monte Sinai”, como afirmou Jacob Lopes perante os inquisidores.

As alheiras, o produto que mais longe leva o nome de Mirandela, segundo a tradição oral, teriam sido invenção dos “judeus” com o objetivo de ludibriarem os “olhos” da Inquisição. Será que as fontes confirmam esta lenda?»

 

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[disponível também do autor os seguintes títulos sobre a temática judeus e/ou marranos: “Os Judeus em Trás-os-Montes: 300 anos a resistir à Inquisição e 500 à assimilação | O Caso de Rebordelo – Vinhais”, inclui o Manuscrito de Rebordelo,  “Os Judeus no Noroeste Transmontano – 300 anos a resistir à Inquisição”, “Vinhais: Judeus, Marranos e Inquisição”, “Nas rotas dos judeus e marranos nas Terras de Rio Livre e Montenegro”; “Os Judeus, Cristãos-Novos e Marranos de (em) Trás-os-Montes: História e Património, Memória e Identidade” Revista Montsefarad, n.º 1, março de 2020]

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